Mostrando postagens com marcador Runei. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Runei. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de abril de 2016

Runei - o despertar da multidão ( 2 de 2 )

  Os portões se abriram revelando o vazio. Sten olhou fixamente, ainda sobressaltado porém seus instintos não sinalizavam nada de ameaçador. Buscou seus companheiros escondidos entre as folhagens próximos a entrada do túnel, fez um sinal que apenas seus soldados, Pirtrio e Pãtrio viriam entender. Ele entraria e se demorasse muito para voltar eles poderiam entrar, não queria arriscar nenhuma vida na incursão, preferia verificar sozinho.
Os passos cautelosos do selvagem ecoavam nas paredes alvas. Pelos vitrais, do corredor mais externo da grande fortaleza, o buraco ainda estava em chamas. Tudo dentro daquele lugar era majestoso, um contraste gigantesco com a pobreza da parte baixa de Runei, pinturas exaltando o senhor alvo e sua família que era composta de dois filhos, sua esposa e uma filha; haviam pinturas do monstruoso cavaleiro escarlate primordial. Um arco mostrava um corredor que dava acesso ao interior da parte alva. Escavada nas paredes da pedra, a cidade teria o tamanho de metade de Tya, descendo um pouco Sten viu os acessos para o local aonde ficavam os arqueiros que o atacaram. Ninguém estava ali, não teriam eles evacuado aquele local tão rápido.

Aprofundou um pouco mais nas galerias que levavam a um círculo, iluminado pelo sol que entrava pelo topo da construção através de um buraco com mecanismos nas bordas enormes, que tinha do local aonde ele olhava era separado em partes, haviam ruas, plantações, criadouros de todos os tipos de animais e uma sala dourada que ficava fixada na parede do que era o fim daquela parte central. Descendo as galerias do grande castelo Sten lembrou a composição dos formigueiros verde-mato, aonde elas montavam várias casas e locais de descansos para suas operárias enquanto a rainha cuida da parte de alimentação e transmitia a formas de expansão do formigueiro. Nas ruas do círculo Sten observou as plantações que agora pareciam envenenadas assim como as matas perto de Runei, o cheiro era o mesmo; os animais estavam catatônicos, com andares lentos tudo causado pelas pedras fincadas na parte central da cabeça de cada um deles, as veias saltavam mostrando que foram transformadas em pedra escarlate. Quanto mais se aproximava da sala dourada um fungar aparecia no ar, ele olhou com calma todo o local e o barulho vinha da fenda na parede próxima a sala.
As mãos de Sten mergulharam no breu, sua mão esquerda encontrou a nuca e a direita agarrou um ombro. Os olhos prata da menina de cabelos negros fitavam o homem com a armadura de Tya. A menina sentiu mais lágrimas acumularem nos olhos até que firmou os lábios finos e contraiu as sobrancelhas, não deixando uma só se derramar.
— O que você quer com o reino do meu pai? É por sua causa que os homens de vermelho machucaram todos e forçaram a saírem daqui?
Sten a soltou, deixando ela no chão e agachando para ter uma conversa na mesma altura que a menina
— Como é seu nome?
— Finuara, a herdeira da cidade lunar – estava firme mesmo diante do desconhecido
— O que aconteceu aqui, você pode me contar.
— Os soldados vermelhos apareceram aqui a muitas luas atrás e participaram de uma festa. Depois dessa festa meu pai começou a construção de um grande túnel, ele sempre me levava pra ver quantas pedras vermelhas e verdes possuíam nas paredes do túnel – ela fez uma pausa deixando uma lágrima sair pelos olhos – ele iria até o grande castelo da montanha. A duas luas atrás o monstro vermelho chegou com seus soldados e meu pai ficou bravo, muito bravo e hoje de manhã antes do som de aviso do grande mago os soldados vermelhos atacaram, mandaram meu pai e todo nosso povo cravar a pedra vermelha em nós mesmo. Meu pai mandou eu e meus irmão nos escondermos e tentou revidar. Ele não queria aceitar as ordem do monstro vermelho. Eu me escondi e não sai por nada. Agora vejo que todos foram embora.
— Aonde esta esse túnel?
— Fica na parte de trás do trono dourado.

Sten forçou a porta do que a menina chamou de trono e quando abriu a terra havia tomado conta do local, haviam feito a passagem desmoronar. Um barulho constante de engrenagem marcava alguma coisa, um sino badalou.
— O que é isso? – Sten perguntou a menina.
— O sistema de fechar, papai criou pra nos manter trancados durante a alta noite. Começa trancando as portas mais interiores e até as grandes…

Sten a pegou no colo e começou a correr:
— Eu quero ficar aqui!
— Menina tudo que é suprimento aqui esta envenenado, você só morreria.

A velocidade que o selvagem alcançava era grande mesmo com aquela armadura, além do barulho das engrenagens Sten escutava também o rachar de rochas, passou pelas grandes galerias, pelos quadros. Uma porta que dava para a saída do grande portão estava prestes a se fechar por completo ele jogou a menina no meio das portas que surgiam da lateral do corredor
— Vai até a mata e fale que Sten mandou te protegerem.
Ele correu para trás voltando a parte dos vitrais, um corredor mais interno daria para a outra saída. Correu ate a porta e a viu se fechar, estava preso. Quebrou os vitrais e observou melhor, passou para o lado de fora dos vitrais e segurando nas bordas sem locais para firmar os pés, aproximando da lateral que não tinha mais vitrais quebrados viu que a distância da beirada que ele se agarrava até o topo poderia ser grande para ele. Um tremor entortou o metal liso da lateral do castelo e ele alcançou com dificuldade apoiando seu pé na beira deu impulso e subiu uma lateral que continuaria até estar perto do portão grande. A parte alva teve os seus corredores externos arrancados pelo outro tremor. Sten saltou em direção a parede da rocha retirando a adaga de dentro da armadura.
Sua mão apoiou sentindo-se escorregar, fincou a mão em uma rocha irregular. O barulho foi enorme abaixo dele, com a adaga do dente de cobra d'água criou outro vão para colocar sua mão e com movimentos repetitivos de escavação e apoio chegou até o portão. Cansado viu Pirtrio.

— Eles não estão aqui, Voltemos para Tya precisamos acolher o povo de Runei aonde eles possam se sustentar.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Runei - o despertar da multidão ( 1 de 2 )

A luz do fim do túnel recordava ao coração dos meninos que uma estação havia se passada desde que saíram de sua casa, desde que acreditaram no que Sten e Loreah tinham como objetivo. Pãtrio e Pirtrio estavam uma estação mais velhos, caminhavam com a certeza de que agora poderiam enfrentar o senhor da parte alva. Sten analisava o símbolo entalhado na sua armadura, lembrava das mãos de Marian e da proximidade que seu corpo teve com o dela naquele momento, suspirou. Os nove soldados olhavam as três figuras que se tornaram amigos da aldeia a pouco tempo e levavam um papel importante naquela guerra. Para chegarem até aquele túnel enfrentaram mais sete soldados escarlates e graças ao pensamento apurado de Pãtrio, agilidade de Pirtrio em buscar recursos e a ferocidade de Sten ninguém havia se ferido gravemente.


Enfim chegaram a figura desolada da parte baixa de Runei, as casas estavam mais quebradas e remendadas do que quando saíram. Pirtrio passou pelas casas correndo, sua saudade era grande, chamava seus amigos via os adultos que ainda pareciam completamente apáticos, entregue as designações da parte alva.
— Sten fique por aqui, precisamos nos organizar. Para que toda Runei aceite nossas ajuda temos que começar por aqueles que como eu já estão com a insatisfação e para garantir que isso ocorra com tranquilidade, precisamos tomar alguns cuidados. Vocês podem esperar nessa entrada enquanto fazemos nossa reunião, eles não te escutarão.
— Compreendo, estaremos aqui esperando.


Pãtrio foi caminhando até a casa especial para seu coração, passou pelo labirinto conhecido como a palma da mão, retirou uma madeira de um amontoado e se revelou o cômodo. Cadeiras desregulares faziam muitas estavam encostadas nas paredes do pequeno espaço, a cama aonde sua avó vivia deitada estava vazia. Os olhos encheram-se de lágrimas, entendia muito bem o que significava o silêncio no comodo. Virando para trás se deparou com Pirtrio.
— Pelo visto já descobriu
— Sim – a primeira lágrima rolou, pelo rosto de Pãntrio.
— Acabei de escutar de Oluone, mama se foi. – o jovem abraçou Pãntrio, que logo se desvencilhou do abraço enxugo os olhos.
— Vamos! Temos muito que fazer, falar – pressionou os dentes fazendo eles rangerem um pouco – vamos recuperar nossa aldeia e fazer dela tão próspera quanto Tya.


Durante todo o dia, os dois meninos espalharam o pedido de uma reunião com todos os moradores do buraco. Se quisessem cada uma das regiões poderiam mandar apenas seus representantes, Pãntrio preparava sua proposta. Esperou com calma a noite chegar, então estava com três meninos e sete adultos que eram os que representavam cada área de Runei.


- Boa noite, sabia que poderia contar com vocês. Há uma estação, sai daqui buscando uma alternativa para melhorar nossas vidas. Fazer o buraco se tornar algo melhor para todos e talvez tomarmos toda a Runei para nós – Sua face mantinha-se seria, aprendera com Guinn que parte da liderança está na sua capacidade de não ser afetado pelos sentimentos emanados pelos outros.
— Como você pretende fazer isso? Aqui somos só mineiros e os poucos soldados com sanidade o suficiente para voltar para cá não vão querer lutar contra os cavaleiros alvos – Um senhor representando o fronte central questionava.
— Quando sai daqui, foi com o objetivo de aprender o que fosse preciso para conseguirmos isso. Aprendi muito de tática.
— Aonde foi que aprendeu isso? – perguntou um dos meninos de cabelo castanho.
— Tya – mesmo sabendo o que viria em seguida, aprendeu que ser verdadeiro poderia gerar uma maior confiança
— Os traidores históricos? – Zombou o líder do fronte esquerdo.
— Não estou aqui para defender o ato de covardia que eles exerceram, quando a população mais pobre de nossa cidade foi mais subjugada pelos ancestrais de Vasnir. Estou aqui para mostrar para vocês que eles agora estão dispostos a nos ajudar, suas tem tropas indo para todas as aldeias possíveis para nos unir. Eles tem ainda outra missão, querem lutar contra a limitação do senhor dos cavaleiros escarlates.
— Sabia que eles iriam querer algo em troca.
— Eles não estão pedindo nada demais, apenas que apoiemos no combate. Não vão definir quem governara nossa Runei, pelo contrario eles querem que possamos viver em harmonia. Buscam a liberdade de todos os povos.
O silêncio tomou conta do barraco feito de retalhos de madeira, dava pra sentir a densidade do ar aumentando com os pensamentos. Pãntrio percebia pela primeira vez o que a caminhada até Tya havia feito por ele, pensou também em tudo que Guinn o ensinou. O reflexo de viver em um local totalmente diferente e com conceitos novos sobre a liberdade e o respeito era vivido em seu peito. A vontade transbordava.
— Como podemos fazer isso? – O homem que estava ainda na defensiva, perguntou
— Tenho algo planejado mas precisamos que todos os capazes de lutar nos ajudem.
_ Você tem nosso apoio – Pirtrio puxou a resposta já apresentada no silêncio anterior.


A lua se apresentava no seu ponto mais alto, ela estava completa e iluminava com propriedade todo o deslocamento dos mais velhos e incapazes até a entrada do túnel. Camas improvisadas foram feitas para tentar acomodarem da melhor forma, Sten pensou em utilizar as árvores próximas mas lembrou do veneno que elas continham. Então a única coisa que utilizaram foram as madeiras e palha que compunham a maioria das camadas dentro das casas. O sol surgia, as engrenagens da porta anunciava a verificação. Os soldados alvos já estavam caminhando em direção ao povoado do buraco. Sten avisou quando eles desceram a grandes escadas, identificou também qual deles possuía a chave da porta vermelha e dourada. Fez sinal para seus soldados que estavam nas primeiras construções aguardando o avanço das tropas. Cada soldado já havia se posicionado, exceto o portador da chave, estava em cima da escadaria aguardando a volta daqueles que estavam abaixo de sua patente. Ao primeiro som do bater a porta aqueles todos que estavam escondidos surgiram, incluindo Sten que disparará em direção a grande escadaria com seus machados firmes nas mãos. Os primeiros cavaleiros alvos foram mortos, mais para dentro do complexo de casas do buraco alguns homens foram feridos por um soldado que tentava se desvencilhar da emboscada, outros soldados tentavam correr e eram desequilibrados. A tática de Pãntrio consistiam em os soldados de Tya matarem os primeiros e distribuírem as espadas entre os moradores de do buraco.


Os pés de Sten por mais velozes que fossem não conseguiriam deter o guarda, um soar do sino soou e arqueiros apareceram das grandes janelas da grande parede de pedra branca. Lançou então seu machado em direção ao cavaleiro e pulou desviando do primeiro disparo. Rolou. Alcançou o primeiro degrau da escada, o cabo acertou o elmo na parte de trás da cabeça do homem. Uma flecha acertou a ombreira de Sten. Ele que em pensamento brigava detestava o peso da armadura agradeceu por ela o proteger do disparo. O cavaleiro alvo sentia ainda o efeito do ressoar da armadura quando retirou sua espada. Finalmente o selvagem alcançou o oponente enquanto outra flecha acertava o chão da escadaria aonde estava.


Os nove de Tya haviam conseguido distribuir bastante armas e poucos soldados alvos tinham escapado do ataque surpresa. Os moradores do buraco aproveitavam para pegar as armadura brancas.


O Golpe veio com força na direção de Sten, ele desviou com velocidade para a direita e contra-atacou com um corte de cima para baixo com seu machado. O som dos metais se chocando fez o atacante rilhar os dentes, afastando-se para trás o cavaleiro branco preparava um ataque na horizontal, quando foi atingido por um chute. Os arqueiro vendo a luta não quiseram arriscar disparos, poderiam causar a derrota de seu aliado e deixar a chave da porta vermelha e dourada nas mãos daquele homem. Sten recuperou seu segundo machado e aparou uma investida que vinha em diagonal, prendeu a espada formando um xis com seus machados. Empurrou o oponente até a costas dele encontrarem a porta monumental. O molho de chave caiu. Os olhos por trás do elmo do cavaleiro branco fixaram no objeto, distração suficiente. Sten o empurrou mais uma vez fez a lamina do machado esquerdo cortar a garganta do seu oponente, sentiu o líquido morno pingar em sua pele quando escorreu pela armadura que agora ganhava o tom escarlate. Seu corpo estremeceu, fazia algum tempo que não sentia essa sensação, não matava animais a algum tempo e muito menos um ser humano. Alguns instantes e seus olhos voltaram ao opaco de quando ele vivia na floresta-sem-luz.


Uma flecha o fez acordar, pegou o molho e testando chave por chave, enquanto desviava dos ataques dos arqueiros, enfim uma fez o giro completo na porta, as engrenagens não se mexeram. Isso era previsto por Pãntrio, então correu de volta para cidade já que a primeira tentativa havia sido frustrada, uma nova saraivada estava preparada e dessa vez com fogo nas setas. Os disparos aconteceram e como previsto a parte do buraco seria tomada pelo fogo rapidamente, tudo que havia ali era madeira, entulho ou palha. A primeira parte havia sido concluída. Todos já estavam no tunel.


Subiram o túnel em direção a entrada principal enquanto as casas pegavam fogo, derrubaram as paredes para que o fogo não atingisse o interior. Subiam para o local de início do túnel, sabiam que dariam próxima a entrada superior.


— Vou sozinho! – Sten decretou, sentia no fundo de sua cabeça um latejar comum. Alguma coisa estava preste a acontecer.


Andou até a entrada e girou a chave, as engrenagens se moveram e a porta estava aberta.

domingo, 18 de outubro de 2015

Runei- O caminho da segunda cidade.

 O sol gerava seus primeiros raios na manhã, quando um murro na porta da casa de Pirtrio ecoava nos ouvidos de Sten e Loreah. Um guarda mal-encarado esperava com a paciência do tamanho das pupilas dos dois, ao contemplarem repentinamente os raios que surgiam pela janela. Pirtrio, o garoto com o braço ferido, se apressou e puxou os dois. A ladina quase revidou ao aperto repentino no braço, os milésimos de segundos necessários para o raciocínio evitaram a morte do garoto. Eles esconderam-se no meio de um falso entulho, feito de modo inteligente para parecer um amontoado de madeiras jogadas. O espaço era minúsculo para os três. O garoto se dispôs de forma a ficar com um pé para fora do entulho em um ângulo que seria um problema, caso o guarda possuísse uma vontade de encontrar maior que a preguiça. A porta anunciou o intruso, ele bufava e entre o capacete e a ombreira podia se ver uma veia pulsando. A não resposta de uma casa poderia ser duas coisas, não existia ninguém naquele lugar ou estavam se escondendo da verificação. A segunda era inadmissível na mente do guarda que estava ali.

Ele andou, os cômodos não possuíam portas e os arcos eram irregulares. Madeiras e poeira. Os seus olhos repousaram no entulho, seu faro para quem escondia era excelente e sua intuição era perspicaz. Ele deu um passo em direção ao esconderijo, analisava cada centímetro do entulho. Cada centímetro ganho, maior a nitidez do entulho. A cabeça então se voltou para contagem, essa era uma casa dentre as mais de cinquenta da área que ele havia de percorrer. Desistiu. Saindo pela porta deu espaço para a respiração dos três.
- Eles fazem isso sem avisar, procuram por meninos ou mulheres que já estão na idade adequada para iniciar os trabalhos nas minas ou nos postos escarlates. — A tristeza permeava as palavras.—Entendo. —Sten franzia o cenho e trazia a tona a lembrança do mestre.—O que faremos?- Loreah não enxergava um plano efetivo ali dentro.—Acho que temos que fazer o que o Liof nos recomendou, ver todas as cidades e recrutar.—Teremos neste local somente crianças, no combate isso não é útil.—Se eles tiverem vontade serão uteis. O que você acha Pirtrio?—Claro! Como disse pra vocês tudo que queremos é ver nossa cidade livre da tirania do dono do castelo alvo e se o aliado dele é o que vocês querem atingir.
O homem de cabelos escuros olhou para o garoto. A pupila dele havia se contraído, sua sobrancelha fazia curva se encontrando com o nariz. Sten se perguntou se estava certo um garoto daquele tamanho expressar ódio de forma tão clara. A mulher pequena de cabelos amarelos se dirigiu a porta.—Vamos! Há um caminho a seguir para chegarmos ao posto. É possível que a forma com que viemos não seja possível.
A mente de Marian vagava, sua cabeça estava limpa. O foco em Loreah e Sten. Liof ensinava a ela o poder da meditação. A noite anterior foi turbulenta para ela, pesadelos assombraram suas lembranças durante o sono. Acordou aflita, procurava por ajuda. O velho de cabelos brancos falava para ela que a meditação é uma ótima forma de limpar as reminiscências da noite. A mulher viajou de forma intensa na limpeza do pensamento e chegou aos dois, encontrou eles encolhidos no canto de uma sala e um branco de pedra branca os farejava. Ela então gritou com ele e manteve a atenção do lado oposto dos dois, logo ela o distraiu passando por ele. Porem ele farejou e seguia em direção ao canto da sala onde havia Sten, Loreah e um lobo filhote. Ela o atacou ele tentou se livrar do abraço dela. Então ela com esforço enorme o empurrou para fora do local, ele então sentiu cheiro de carne em outros lugares e sumiu na floresta sem folhas.
- O que você viu?-Ela abriu os olhos assustada, Loreah e Sten estavam em perigo. Um lobo atacava eu acho, Eu ajudei eles como pude.- Ela tinha convicção de que a cena havia acontecido.-Pode ter sido imaginação- Liof manteve os olhos apertados, fixo no rosto da mulher. – Está na hora de nos juntarmos a eles. Eles começaram a se dirigir em direção ao posto.
O túnel que leva de a mata auxiliar ao portão principal foi seguido em silêncio, Pirtrio e Pãtrio agora se juntaram ao grupo. Saíram sem se despedir, pretendiam voltar o mais rápido possível. O arco coberto pela vegetação ocultou-os enquanto a visão deles era inundada pelo escarlate. Os soldados estavam se dirigindo a cidade alva. O portão estava escancarado, não havia guardas alvos nas torres. Os dois irmãos se olharam, arregalaram os olhos. Esqueceram que as vistorias eram feitas durante o dia todo e quando a guarda media da cidade alva estava procurando por novos trabalhadores, os cavaleiros escarlates se dirigiam para a proteção da cidade e a festança.
—E pensar que eles já moraram na nossa cidade – Pãtrio cuspiu no chão.
—Não lutam porque aceitam as migalhas de um dia em cada estação poderem se esbaldar na cidade alva.— Pirtrio segurava o braço ainda ferido.
—Pior que os fracos, são os fortes que negam a responsabilidade.— Loreah pressionou os dentes uns contra os outros. Algo dentro dela se revoltava.
—Então porque não fazemos nada agora?
—É necessário inteligência, sobrevive-se assim.
O velho viu apenas dois cavaleiro escarlates rondando o acampamento, achou curioso o fato de parecerem entediados e cansados. Eram humanos. A dor na cabeça surgiu como se uma pedra houvesse acertado a sua fronte em cheio. Lembrava-se da traição. Lembrava-se daqueles que serviam ao dono do castelo branco.
“Não reconhece meu símbolo”
Se perguntou porque um soldado estaria na floresta sem luz atacando pais e o filho. Sten.
A resposta não viria de pronto.
—Vamos atacar, eles são dois.
— Não tenho certeza.— Liof contemplava as possibilidades.
Um barulho, Os guardas deram as costas para a entrada onde estavam espreitando o guardião e a líder de Falligan. Oportunidades são indispensáveis. Eles correram para dentro e viram seis guardas caídos. Dois mortos e quatro inconscientes. Os dois sabiam quem havia atacado cada um deles.
—Eu achei que seriam vocês.- Liof fez uma saudação.
Pãtrio ainda se conservava em posição de ataque.
— Esses são o Pãntrio e Pirtrio.
Liof bateu no peito com o punho fechado. Uma saudação antiga. Os garotos não entenderam mas respeitaram.
— Mais alguns companheiros com para nossa batalha?
— Muito obvio. Qual a nossa nova direção?
— Qual a cidade mais próxima?
Os garotos estreitaram os lábios e cuspiram


—Tya— Soaram em uníssono.  

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Runei - Os contadores de historia

Liof preparava no caldeirão uma mistura, durante o dia encontrou frutos e sementes que aparentemente eram comestíveis. Se dispôs a esquentá-los.
—Liof porque esta cozinhando essas sementes?
—Simples Marian, qualquer mal sucumbe ao calor.
—Porque você só esta fazendo isso agora?
—Os grãos e frutos anteriores foram retirados de locais conhecidos. Aqui eu não sei como trataram essas coisas
A água borbulhou e um chorume negro começou a se espalhar de tudo que havia dentro. Liof olhou concentradamente, buscava algo nas águas da sopa.
—Envini, gérmen traiçoeiro. Responsável por envenenar o mundo. Responsável por equilibrar os efeitos da limpa-corpo.
Marian esta escutava atentamente, aquele conhecimento vinha de um homem surpreendente, ela via em Liof um segundo pai apesar da relação dele com a farpa mental que ela possuía sobre o assassinato de seu pai. Liof prosseguiu.
—Todo mal, necessita de algo para equilibrar.- ele riu.
—O que foi Liof? —ela queria rir também
_ Lembranças de um amigo!
—Me conte sobre as histórias que conseguir lembrar.
—Vamos buscar mais comida. Quero ver ate aonde as árvores dessa estrada estão contaminadas. No caminho eu te conto.
Eles levantaram e se retiraram.


Em Runei. Os soldados de armadura perolada observavam as pessoas, eles eram implacáveis. Qualquer um que se atrevia a sair da linha que eles traçaram ou furar a fila criada recebia um golpe com o cabo da espada bem-dado.
—Uma vez um grupo de cinco pessoas tentou atacar o rei quando estavam perto de receber o mantimento. Eles foram mortos e nos ficamos sem comida por dois dias.
O menino com o braço machucado falou olhando para a cena da entrega do mantimento.
—Menino vamos lá precisamos saber como funciona tudo aqui.
—Tudo bem vou levar você pra casa da minha vó.
Eles andaram entre o labirinto de casas sujas e com madeiras soltas, um amontoado de madeira e retirando uma delas. A casa se mostrou, o único cômodo tinha muitas cadeiras e uma cama onde estava deitada uma mulher. O rosto da mulher não possuía muito das cicatrizes feitas pelo tempo, o que aparentava sua idade eram as mãos e o cabelo branco.

—Mama! Me permite apresentá-los?— A cordialidade e respeito na voz do garoto gerou o brilho no olhar de ambos. Algo ali fez um sorriso puro pular do rosto de Sten.
—Claro meu amor!— Ela tentou se ajeitar. Suas pernas não respondiam e a força estava apenas na sua presença e não no seu corpo. Eles entraram e se sentaram nas cadeiras mais próximas da cama. Loreah se ajeitou, segurou a mão da mulher e a reverenciou, uma coisa que só se faz com parentes ou com a pessoa mais reconhecida na aldeia onde ela nascera. O coração do rapaz selvagem estava acelerado, uma euforia se instalava. Coisa que não sentia desde o dia em que Liof o desafiou para uma corrida da árvore até a cachoeira. O sorriso não abandonava seu rosto. A aura entorno da mulher era de motivação.

—Certamente vieram para escutar uma das minhas histórias, é o que todos os meninos fazem por aqui.
—Claro que viemos mama!
—O que gostariam de escutar?
Loreah se apressou.
— Poderia nos contar de como o Senhor do castelo começou a dominar todas as terras?
—É claro minha querida.


Liof estava calado a algum tempo quando acertou os nós frouxos nas lembranças e começou:

—Não lembro se já havia te falado mas ouve um problema com os gigantes – Marian o interrompeu.
—Sten me contou sobre os guardiões, porém há algumas coisas que não compreendo. Você teria que ser muito mais velho do que aparenta
—Eu concordo, eu também não entendo. O que mais não entende?
— O que aconteceu depois que o gigante— ela fez uma pausa — você sabe.
Os olhos dele tremeluziram, viajou dentro da mente vendo o rosto sob os destroços e o dia do nascimento de seu filho. Entre a felicidade e a dor ele já estava mentalmente forte para o impacto.
— Sei sim! Eu estava amarrando fatos, agora consigo seguir desse ponto— respirou fundo— O gigante esmagou meu pequeno vilarejo e — a realidade do que acontecera fugiu de sua mente
 — Eu lembro dele morto, decapitado. Porem Ant´jur e o outro sábio que haviam desenvolvido a técnica para vencê-los não estavam comigo. Havia eu coberto do sangue do ser colossal, as ruínas e o orbe cristalino da forma da cabeça de um grande lagarto. Eu havia entendido o que era e ele se assimilava a mim, entramos em uma ressonância estranha. Me sentia — ele buscava uma palavra que explicasse melhor mas não conseguiu — Maior, como se tudo a minha frente fosse simples. Um pensamento me transportou para o lado de Ant'jur. As paredes eram úmidas, ele estava de olhos fechados e quando meu corpo se moldou por completo, ele teve um reflexo. O coração dele acelerou, eu senti, ele também estava ferido gravemente. Quando falei, ele tapou os ouvidos. A caverna ecoou, minha voz não era minha. Algo dizia que era perseguido. Me senti perdido e o orbe se perdeu— Marian o interrompeu.
—Liof não estou entendendo.— os olhos dela estavam fixos na face do guardião.
— Desculpe, comecei a falar sem raciocinar, o importante que você tem que saber é: Encontrei com o sábio escondido, fugimos em direção ao local seguro e no caminho de alguma forma perdi aquele orbe. Depois de um tempo chegamos na floresta onde era a morada dos guardiões, Ant´jur no caminho me contou sobre os dias que passei sumido. Os gigantes atacaram cidades e repreenderam os reinos, dividindo e estavam sobre monitoramento de soldados do rei que nos traiu.

Em Runei. A velhinha deu um sorrisinho.
—Após uma rixa muito grande entre os guardiões, não os primeiros. Aqueles que se opunha aos gigantes, eles tinham o povo ao seu lado até as pessoas cederem aos prêmios dados pelo senhor do castelo. Logo as terras estavam divididas e os postos olhavam tudo. Algumas cidades deram tropas para os cavaleiros escarlates. Que diferente de hoje montavam, sim, em cavalos. Esses foram os passos para ele dominar, primeiro lute. Se não funcionar corrompa-os e guie-os até onde você quiser. Para saber tudo isso vocês devem estar pensando quantas primaveras eu tenho, não mais que vinte e cinco—Loreah abriu a boca, Ela aparentava ter muito mais — sei que pareço muito mais velha, é um tipo de doença. Eu sei tudo isso porque na minha família é a tradição contarmos todas histórias. Minha filha não gosta de história então resolvi chamar todas as crianças para escutar meus contos e saberem que o senhor do palácio alvo é descendente do rei traidor.

—O que é esse rei traidor?
—Não se adiante querida.

Liof e Marian andavam para o acampamento com novos frutos e sementes para verificar se estavam ou não envenenados por Envini
—O ferimento já fazia a vide do meu amigo esvair, fui até o guardião. Ele me atendeu e quis socorrer ele por mim. Ant'jur olhou pra mim e falou
“Valian ainda é uma criança e algo me diz que ela não parará de chorar tão cedo”, as chamas do guardião se expandiram. A partir dessa memória não lembro de nada. O nome do rei era Sersio. Em Runei. A senhora saciava a sede de Loreah.
—Sersio, ele foi o que desencadeou sozinho toda as consequências das histórias antigas. Ele atacou os gigantes— Sten lembrou o nome— Ele traiu todos e montou o domínio. Ele não contava porém que o senhor do grande castelo era poderoso o suficiente para fazê-lo adoecer e dominar seus descendentes.
Um homem determinou o destino de sete reinos porque vislumbrou a cor da ganância e há de chegar o dia em que uma pessoa vai mudar as coisas. Elas não devem permanecer nas mãos de um só. Não é meu filho.
Ela olhou para o menino com o braço enfaixado.