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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Tya - O surgimento

— Vó Duia, consegui! Tenho o direito pelo senhor do castelo branco para formar a minha aldeia.
— Que maravilha meu querido! — a velhinha alegre sentia brilhar em seus olhos um futuro.
— Nada seria possível sem você — O homem de olhoes castanhos, barba serrada abaixava a cabeça sentindo pesar sobre si uma dificuldade velada, uma lágrima surgiu de sua face — Desculpe, não consigo evitar pensar na sua saúde vó, desde que… — fez uma pausa, buscou os olhos da matriarca e seguiu com dificuldade — Desde que a mamãe se foi, se tornou triste ver que o passar do tempo toma toda vitalidade daqueles que amo profundamente.
— Não fique assim, quando cuidava do templo da flor de luz eu e meus companheiros discutíamos bastante sobre a necessidade da extensão da vida, qual era a necessidade de todas as estações que se vivera. Seu avô um dia sentado no jardim comigo acabou com as discussões internas, que tinha sobre o fato. Ele me disse que vivemos o necessário para cumprir o que precisa ser cumprido por nós — Ela abriu um sorriso — enquanto essa terra precisar de mim estarei aqui.
— Você não poderia se manter viva curando qualquer mal que tomasse seu corpo?
— Não é assim que funciona — a mão da senhora repousou no rosto inquieto do neto — quando descobri que podia curar, entendi que não era um presente para ser utilizado para objetivos egoístas, Ela só funciona quando doo de mim. Peço que não guarde dentro de ti a mágoa que o egoismo possa te trazer.
— Claro, por você abandono minhas vontades — O guardião nomeado pelo senhor do castelo foi solene. A mulher segurou com a outra mão a fronte do homem ajoelhado a sua frente.
— Estarei aqui enquanto nossa aldeia precisar — mudando então o tom para alegre — Você já escolheu o nome?
— Tya.
— Sua mãe ficaria lisonjeada com essa homenagem.

Algumas primaveras se passaram e com alguns amigos que possuíam um ideal parecido com o dele, Mirth determinou uma aldeia que se sustentaria sem a necessidade de comercializar com os soldados escarlates. Os primeiros campeões de Mirth foram os outros guardiões que o elegeram como líder e regente daquela aldeia. Enquanto em outras partes a guerra por posições entre os guardiões era constante, ele ergue um muro entorno do terreno cercado pelos campeões. Quando a última parte da aldeia estava se consolidando Duia fechou os olhos e sentiu-se envolta em uma abraço caloroso de seu neto. O rio da magia a submergiu deixando-a tocada por todos os sentimentos de carinho movidos por toda aldeia, que ela ajudou a formar a honra e o caráter. Encontrara no manancial de magia o descanso do corpo.


Soldados escarlates avançavam de forma furiosa em direção a muralha, os campeões estavam na defesa. Represaria por eles impedirem a ocupação de uma área dentro da grande floresta pelos cavaleiros escarlates. A formação impedia que a muralha fosse cercada ou escalada, A voz forte de Mirth coordenava a defesa pelo lado que tinha um caminho para uma aldeia que agora virara cidade, Runei. Existiam mais dez comandantes repassando cada ataque e manobra, os arqueiros se concentravam, cavaleiros escarlates feridos atacavam sem medo algum, sem dor alguma e com a força descomunal. As bestas vermelhas encontravam uma parede sólida e inteligente de soldados, treinado e rápidos.
— Vamos! Vamos! Ataquem! — Escutava-se o som abafado dos escudos se chocando contra as pedras vermelhas gerando um som oco e abafado — Empurrem! Empurrem! — Mirth estava surpreendido com seus soldados, pareciam sintonizados de forma única, e seus ataques pareciam mais fortes que o comum — Defendeeeeeeer!!!! — as setas fragilizavam os cavaleiros escarlates, as espadas feriam de forma bruta e os escudos refutavam os ataques. Parecia o movimento de um oceano empurrando as impurezas para a praia.

— Mestre, minhas habilidades parecem menores por aqui. De alguma forma um santuário foi erguido envolta dessa cidade.
— Liberte um de seus irmãos — Soou sofrego dentro da cabeça do primeiro cavaleiro.
Um vulto vermelho seguiu em velocidade de onde viam a cidade até o calabouço e o gigante foi liberto

A guarda defendia bravamente, porém começaram a ceder. Os ataques continuavam e o cansaço começou a pesar, Mirth segurava fechou seus olhos e parou com a defesa. Decidiu atacar com tudo que podia.
— Avançar! — Ele gritou desesperado.
Seus olhos divisaram a montanha que se aproximava e pela primeira vez seu coração sentiu o terror, um vulto negro cobria o seu. Andava em direção a cidade, os soldados escarlates prepararam a retirada deixando por conta do monstruoso ser a derrota da grande cidade. As mãos retiravam árvores de seu caminho.
— Retroceder! Todos para a cidade! — Gritou direcionando suas tropas para defesa.
Sua espada em punho e seu olhar desacreditado, escutava no fundo da sua alma a voz de sua amada avó: “vivemos o necessário para cumprir o que precisa ser cumprido por nós”. Sentiu-se sozinho, ninguém poderia fazer nada contra aquele inimigo, ia além de qualquer um. O regente de Tya, se recusou a aceitar aquilo, se fosse para ver tudo acabado que fosse com sua entrega até o fim. A espada em punho, o elmo adornado cobria-lhe a cabeça. Queria queimar toda a sua energia ali, em uma derrota inevitável. Correu sentindo todo o esforço do corpo, cada mínimo movimento dizia a sua intenção. O gigante de olhos vagarosos, puxava árvores indo na direção do local ao qual seu irmão perfeito havia mandado, alheio ao esforço de um homem preso na armadura que mirava os dedos do pé. Uma espetada o incomodou, em seguida outra e outra. Olhou para baixo rapidamente e viu o homem que aos seus pés seria uma pequena formiga. Quando ameaçou pisar em cimado dele, Mirth se agarrou no pé e se segurando golpeava aonde estava.

A mãozorra foi na direção do soldado que quase não teve tempo de fazer nada. Um calor aconchegante envolveu o líder daquela aldeia, algo muito maior que ele doava-lhe proporções significativas de energia, seu sentir lhe trouxe em um leve Sussurro: “Forças iguais”. A palma da mão do gigante envolvia toda a parte do tronco quando em uma busca de liberdade, as mãos juntas no cabo, golpeou a mão do gigante, que imediatamente a abriu deixando o seu prisioneiro cair da altura de uma árvore antiga, o rosto do gigante mostrava a dor que o envolvera.


Lembrou das pelejas entre ele e os irmão quando havia desentendimento, a dor lembrou muito a dor de um soco dos irmãos. A tarefa que antes a seus olhos era enfadonha agora, era necessária. Buscou na floresta o pontinho que cairá da sua mão. Enquanto perscrutava todo o ambiente, em um galho mais alto Mirth se preparava para investida, empurrando a árvore com os pés e fazendo com que ela começasse uma queda. O guerreiro viajava em direção ao gigante, teve impulso necessário para alcançar a coxa. O golpe da espada fez o gigante grunhir, uma gota do sangue do primeiro filho dos Deuses escorria pela perna. Mirth sentiu o impacto da mão o atingindo e seus ossos tremeram, sustentava o peso da enorme mão de forma espetacular. Ele devia estar esmagado, de alguma forma a força que tinha era descomunal. Puxando a mão para o alto o terrível inimigo golpeou novamente, sentiu o metal da armadura atravessa a pele em alguns locais do corpo, a dor o invadia de forma bruta. Gritou e dispersando toda a sua energia livrou-se do aperto fatal, caía. Fincou a espada para se livrar da queda agora com as duas mãos empurrava os pés contra a pele do gigante que tentava uma nova investida. Desceu em direção a panturrilha aumentando o rasgo na perna. O novo golpe do ser enorme foi em vão, Mirth soltou a espada e caiu rolando no chão, deixando o gigante forçar a espada mais para dentro da perna. Olhava o gigante enfurecido pelo ferimento se movimentar de forma desgovernada em direção a cidade, cambaleou, O regente respirava com dificuldade uma força interna parecia aliviar suas dores. O gigante atacaria a cidade com o seu braço, não poderia deixar aquilo acontecer.

A dor aumentou, sentiu todos os ferimentos, sua visão turvava e suas pernas já não o aguentava. Ajoelhou-se, sentia que já habitava o intermédio entre dois lugares: a vida e a morte. Viu uma mulher de face branda, os olhos sábios e o vestido lilas. Soube que era sua vó.
— Salve-os vó... — Sussurrava.
— Obrigado meu filho, seu dever foi cumprido.

Caiu de costas, levantando os olhos viu que o ataque do gigante sendo bloqueado por uma barreira invisível. Uma barreira que protegia com tanta propriedade que o chão envolta de Tya cedeu a força do gigante, mas a terra aonde estava a cidade estava incólume. Voltou o olhar para a mulher de olhos doces e que chorava.

— Obrigado por protegê-los — ele enxerga apenas ela e a barreira.
— Não me agradeça, é a sua vontade que sustenta toda a barreira — Ela aproximou e acariciou o rosto do morto — A linha que liga você ao destino dessa cidade é um fluvial forte do grande rio que é o gerador de tudo nesse mundo. Cumpriste seu dever, agora cabe a mim reger o que deixas, eu te amo meu neto, até breve.


O castelo branco se remexia, O gigante voltara ferido e falhara em sua missão.
— Senhor, nosso irmão esta ferido, havia…
— Eu sei! — O enfermo utilizou de suas forças para soltar um grito mental — senti daqui a batalha, e a incomum entidade — na cabeça do primeiro cavaleiro escarlate borbulhava o arfar de seu mestre — Uma entidade vinda de alma humana. Isso é novidade… a não ser que ela houvesse se banhado no sangue de nossos pais de alguma forma, tenho que averiguar assim que puder. Antes…

A voz na cabeça do Cavaleiro primordial cessou enquanto ele colocava a última corrente no gigante ferido, a névoa negra envolveu o calabouço aonde havia outro dois gigantes, o cavaleiro deixou o calabouço enquanto ele era submerso pela névoa e os sussurros furiosos. Amanha seguinte havia apenas uma carcaça seca e o último gigante amedrontado.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Tya - A reunião dos campeões e o inicio de uma solução

Todos os campeões estavam sentados em baixo da tenda lilas da regente, ela se pronunciava no centro.
— Como falei chegou nossa hora de compartilhar a nossa prosperidade com as outras aldeias — Ela fitou Adaia e Loreah que agora já possuíam a armaduras iguais — Loreah, precisaremos da sua capacidade de descrição e seu conhecimento sobre os soldados escarlates, para encontrarmos as aldeias que ainda existe — Olhou para Adáia — Minha querida guerreira, ajude a ladina no preparo de todos soldados. — Respirando olhou para Guinn — Apuradora, preciso que você reja os suprimentos e a confecção de armaduras, Thorindor preciso que você procure por metais mais resistentes, e chame o seu ajudante Calinor. Sei que o pequeno é um manipulador de ideias — a regente olhou cada um dos campeões nos olhos — Amigos estamos diante de um momento único na nossa história, estamos no momento do crescimento do caule da grande árvore que será o reino que sempre sonhamos, um reino regendo todas essas terras que desde muito estão divididas.

Os olhos da pequena perderam a cor enquanto todos eles se dirigiam para traçarem os próprios planos de ação.

Liof observava pela fresta da tenda Marian mexendo no cubo.

— Hum… quatro animais… três símbolos… Seis lados…

O cubo era deslocado em sua mão.

— O lobo se opõem ao pássaro, a serpente se opõem ao inseto — a caixa não fez nada — Seria obvio demais.
Ela continuava absorta e Sten estava aprendendo a polir seus machados, que agora Calinor o mostrara como aumentar seu brilho e resistência através do polimento, Olhava de longe para a Lider de Falligan. Um estalo aconteceu quando a menina desmontou a serpente. Novamente o simbolo do fogo surgia. Por que o símbolo do fogo estaria em uma serpente? Isso não tinha o menor sentido. A não ser que se quisesse criar um padrão contrário. Ela conhecia as cobras d'agua, mas nenhum tipo de serpente que ela conhecera tinha o fogo. O quebrta cabeça da serpente formou o simbolo do fogo, apoiando a sua mão sobre o cubo ele entrou queimou, como se ganhasse uma capa protetora de fogo. Um fogo azul, que não feria.
— Já sei! Isso deve ser uma sequência de elementos, o próximo é a água que esta contido na ave.
Enquanto ela fala isto um escrito formou o início de uma mensagem.

“Sem montanhas ou vales
a monotonia invade
um quebra-cabeça a céu aberto
feito para o homem certo


Homem que é fogo
Fogo que é homem
consumindo de si
consumindo pra ti

E na boca dos Deuses sua pronuncia é Liof”

— adame-pathar, O que se entregou por Valian

O velho que não parecia tão velho agora, andava na praça central buscando mais memórias. Buscando explicações para grandes coisas. Entre elas Não saia de sua cabeça a conversa que teve com o ser no posto do vale-costa-do-esqueleto: “Um de vocês modificados pelo sangue vivo de seus pais…herdeiros modificados…”, Mariam cortou o raciocínio do Guardião. Mostrando o que estava escrito no cubo.

— Compreendo, de alguma forma eu sabia que meu nome significava fogo.
— Ele fala do caminho do labirinto plano, Liof. Olhe o primeiro verso. Temos que ir para lá. Talvez o cubo esconda um mapa de como andar nele.
— Verdade, mas por agora necessitamos de continuar na batalha contra o senhor do castelo. Esse enigma não seria importante.
— E se esse tal de Adame estiver esperando por você? Se ele souber como lidar com o senhor? Se ele entender o que aconteceu antes das terras serem divididas? Qualquer ajuda é bem-vinda.
— Concordo, Mas exigiríamos muito dos outros por apenas um palpite. Precisamos De algo mais sólido — Liof estava curioso, porém sua mente não encontrava nada relacionado ao cubo ou o tal Adame.
— Então me deixe ir!— Marian estava obcecada por aquilo. Ela sentia que aquilo poderia levá-los a algum lugar.
— Deixo mas não sem preparo. Enquanto os soldados se preparam, eu te prepararei.

Adáia passou pelos dois na praça central e entrou na tenda, ambos seguiram a mulher sentindo que algo ruim estava prestes a acontecer. O cenho franzido e uma preocupação.

— Regente, peço-te a presença!

A menina deixou a regente se manifestar.

— Fale Chefe da guarda.
— Estamos cercados por tropas de Soldados escarlates.
— Não acredito que eles vieram atacar. Se fosse isso já teriam investido antes de notarmos a presença de todos eles. A que distância eles estão de nós?
— Na borda da depressão. 
— Não se preocupe, treine seus homens vamos precisar para o plano de expansão.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tya - O Torneio(3 de 3)

Loreah olhava sem entender coisa alguma, a sua visão se aproximava com a visão embaçada de quando se acorda e o corpo ainda reclama por não se sentir completamente disposto. Via os rostos gritando, pessoas de toda Tya. Urravam e ela não escutava nada. A última coisa que sua mente registrava era a final da modalidade da espada. Sentiu enfim a dor invadir os nervos do seu rosto, sentiu o ar entrar com dificuldade na respiração. Escutava passos leves e firmes se aproximando. Era Liof.

— O que você fez Loreah? O que fez? — Ele fala em um tom bem moderado, inexpressivo quase.
— Eu não sei — Sentiu o gosto de sangue na boca.
— Loreah? De onde conhece isso? De onde?
— Isso o que? — Um vazio invadiu a mulher de cabelos loiros, rapidamente escutava seu próprio soluço e desmaiou novamente.

Loreah havia se tornado a chefe da arquearia, Adáia possuía o título de mestre das adagas e finalizadora de armaduras. Ambas já tinham seus lugares entre os campeões. Porem a arte da espada definia o chefe da guarda, Adáia queria manter sua posição. Loreah queria superar a única pessoa que a derrotou. O torneio já tinham muitos de seus campeões. O tio de Calino e o menino prodígio, eram os ferreiros mestres. Criaram uma armadura mais leve e mais resistente, capaz de proteger um golpe de um machado de duas mãos. Sten participou da competição de forja fez dois machados de uma mão que seriam suas armas durante a tempestade que se aproximava, Machados de bronze com uma mistura de pedras que poucos conheciam formando uma camada branca sobre o metal. Bonito mas nada inventivo. Os jurados descartaram logo de início. Pãtrio e Pirtrio admiraram e torceram o torneio inteiro. Loreah virou um exemplo para aqueles meninos, queriam ter suas habilidades, queriam ser como ela, Inabaláveis. Porem o torneio de espadas trouxe uma surpresa.A tenda abrigava todos aqueles que haviam acompanhado Loreah em sua jornada, menos Marian que no meio da confusão foi perdida de vista. Loreah novamente teve sua razão de volta. Virando-se de lado para levantar, aqueles que a velavam se aproximaram. Os olhos azuis da ladina observaram uma mulher de armadura estava deitada ao seu lado, Adáia estava desacordada. O filho da mulher estava sentado ao seu lado e ali também estava o marido. Sentou, a sensação ao ver o sorriso de felicidade do menino foi estranha. Sentia-se perdida. Olhou então para aqueles que a rodeavam.— Poderiam me explicar o que aconteceu?— Vocês empataram!— Pirtrio não esperou nada.— Estavam vocês duas e mais oito. Rapidamente venciam um por um dos outros competidores. A espada de vocês chegou a se encontrar algumas vezes mas logo se afastaram. Sobraram você e Adáia, pareciam que vocês estavam inventando um tipo de dança, porque vocês lutavam de uma forma que nunca vi na minha vida. Claro que não vi muitas mas aquilo foi fascinante, você começaram a se movimentar rápido até que em um golpe, que não enxerguei direito, vocês duas caíram. Caíram, não! Voaram para lados opostos, você sangrando pela boca e com um corte na sobrancelha — ela conferiu o corte — Ela teve um corte no pescoço e sangrou pelos ouvidos.
— Muito bem, deixem ela pensar no que acabaram de contar para ela. Vão para a grande festa.

Os garotos
saíram aliviados, por terem visto que a ladina estava bem e por poderem aproveitar a festa do terceiro dia. Liof se aproximou da ladina.
— O que? Empatamos? Isso pode acontecer!? — Sentiu o gosto amargo da derrota novamente surgir em sua boca, entretanto a raiva não habitava mais ali.— Pode, isso não acontece a algum tempo. Porem tenho que te pergunta — Uma pausa foi feita — De onde tirou os movimentos de sua luta hoje? E quem te ensinou a proferir aquela palavra?

— Não estou te entendendo Liof.
— Os movimentos que utilizou, não são apenas movimentos. Você estava escrevendo algo, e de alguma forma conseguiu acessar a essência do símbolo que escrevia e enfim disse em voz alta para exteriorizar o entendimento que obteve dele.

— Não entendi, o que você disse — Desconversou a ladina — Eu inventei esses movimentos.
Liof olhava buscando alguma resposta. O silêncio incomodou.
— A minha aldeia treinava seus habitantes, porque vivíamos do que saqueávamos em outras aldeias e precisávamos ter as melhores habilidades. Para fugir ou para combater quando necessário. A parte final do treino era criar a própria técnica de combate — Os olhos dela ganharam mais vida, começaram a ser lubrificados pelas primeiras lágrimas que brotariam — Eu havia ganhado um pergaminho do meu tio. Sua característica era a brancura, tão branco quanto as paredes do castelo e nele havia um símbolo.
— Um dos pergaminhos do senhor do castelo branco.
— O que?
— Isso mesmo, um dos pergaminhos aonde ele escreve. Porque não possui a memória grande o suficiente para o conhecimento que ele tem.

O cubo repousava nas mãos de Marian. Era ela, a noite e o enigma. Passou os últimos dois dias com a mente presa aquele objeto, finalmente poderia tentar seus movimentos. Movia as peças ordenando-as, nada acontecia. Os três animais a encaravam, e os olhos dela tentavam os movimentos. Girou cada uma das paredes embaralhando os animais, cada parede do bloco continha seu próprio quebra-cabeça, enxergou sobre a serpente o início do símbolo que ela aprendera com seu pai. Alguma coisa dizia que tudo aquilo estava interligado. Mas porque a serpente seria o início de um símbolo que gera fogo?

— Posso contar para ela, como foi realmente a luta? — Sten que estava parado por ali polindo seus novos machados. Adáia sentou-se e quis escutar, o olhar da mulher era tristeza profunda ao ver Loreah. O olhar de uma mãe que sintonizava com o sofrimento de um filho.
— Claro, acho que poucos entenderam o combate em si — Disse Liof
— Você derrotaram os outros oponentes em conjunto, como se preparassem a batalha para ser apenas vocês duas. Lutaram lado a lado — Sten olhou para a mestre da guarda — Começaram a se golpear de forma aleatória, testando as defesas, testando as brechas. Você então começou uma movimentação estranha, coisa que eu só Marian havia visto você fazer. Quando lutou contra os cavaleiros escarlates no ataque que fizeram em Falligan. Ela me disse que você se movimentava da forma mais leve que já viu alguém se movimentar, que foi ferida no ombro por que em certo momento você hesitou. Isso não aconteceu ali. Você se movimentava com clareza e Adáia observando seus movimentos novos, imitou-os.
— Utilizo isso para ficar mais forte, se consigo imitar meu oponente consigo entender como ele ataca. Essa é minha vantagem, eu aprendo rápido
— ambas estava mais rápidas, até o momento em que acertaram simultaneamente os seus ataques. Adáia defendeu seu ataque, fazendo a ponta da sua lâmina acertá-la no pescoço e ela te acertando na sobrancelha. Então vocês duas proferiram uma palavra: Aêr.
— Eu me lembrei já escutar essa palavra, a muito tempo. Quando fugia do sentinela — O velho contou.

A regente se manifestou. A menininha ganhou a cor purpura nos olhos.

— Sentimos então uma movimentação na magia, o que vocês fizeram afetou de alguma forma o fluxo mas não sabemos nada, além do efeito lançadas para lados opostos. Vocês se lembram de alguma coisa a mais?

— Não — falaram as duas juntas e se olharam.
— Como vai ficar a questão da chefia da guarda?— Perguntou Adáia.
— Ela será dividida, o empate mostra que ambas são dignas do cargo.
— Uma honra — Adáia levantou-se afirmou com a cabeça, esticou a mão para ladina.
— Bem… — Ela apertou a mão, e se levantou utilizando o braço daquela mulher de apoio.

Calino correu, abraçando Adáia.
— Vamos para festa mãe?
— Vamos mas primeiro ajudante do mestre ferreiro, cumprimente a nova chefe da guarda.
O menino esticou a mão, Loreah a segurou. Uma sensação a invadiu, o vazio que existia em seu peito se esvaiu por completo. Ela amava aquele menino, amava como uma mãe e o protegeria de qualquer coisa no mundo. Algo que ele não sabia explicar. Um sorriso sincero e aberto surgiu no seu rosto. A sua mente vagou pela infância do garoto, vagou pelos passos, pelas descobertas descoberta e por sua vida, Ela o conhecia desde seu nascimento. Adáia observava a ladina e sentiu a revolta contra os cavaleiros escarlates, sentiu como se eles houvessem destruído o seu lar, o seu mundo. Ambas se deram conta ao mesmo tempo, as memórias delas haviam se misturado durante a luta. Adáia agora sabia toda a história de Loreah e a ladina toda a história da chefe da guarda. As experiências foram compartilhadas. A chefe da guarda saiu da tenda com o filho e Marido.

— Liof, Aconteceu algo mais.
— O que?
— A mesma coisa quando utilizei essa técnica em outro momento da minha vida, eu sei tudo que ela sabe. É como se todo as coisas que ela viveu estivessem em mim. Assim também foi com meu tio, Hilinor.
— Entendo… — A pausa dele foi longa — Vou procurar descobrir sobre isso. Você poderia desenhar o símbolo?
— Não preciso, vá no quarto em que fiquei. Preciso ficar sozinha.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Tya- O torneio( 2 de 3 )

— Loreah! Loreah!
Gritavam Pirtrio e Pãtrio
A ladina estava parada com o capuz verde pendendo no pescoço, era o segundo oponente da espada, não era sua especialidade mas o duelo anterior tinha atraído bastante atenção. Havia ganhado do segundo colocado do ano anterior com um golpe. O seu segundo oponente era um dos guardas que havia cercado ela e seus amigos. Ele a temia, apesar dela ter sido nocauteada com certa facilidade ,os primeiros movimentos vistos deixaram uma impressão sobre ele. Retirou a espada da bainha fazendo barulho. As regras do torneio de esgrima eram simples, o primeiro a sangrar perdia. Claro que eram evitados os pontos vitais, batalhas as vezes eram decididas com arranhões superficiais feitos pelo solos. Loreah porém não ligava para isso. O oponente que a enfrentou pela primeira vez saiu com a bochecha trespassada pela lâmina da ladina. Ela só tinha um oponente em mente. A batalha final era realizada por todos os competidores que obtivessem três vitórias, podendo perder apenas uma vez.
— Estou sem paciência—Loreah chamou mais um soldado que estava na fila, ele achou que lutar contra a estrangeira seria uma forma fácil de conseguir vitória.
— Eu?
— Claro! Vamos vocês dois contra mim pra resolver isso logo.
— Isso não seria justo.
— Injusto é eu enfrentar apenas um de vocês.
O soldado anterior mostrou magoa nos olhos e atacou, Loreah esquivou-se da investida com facilidade.
— Vamos! Rápido! — Ela acenou para o soldado que ainda estava em duvida em ataca-la junto com o outro, ele aceitou a batalha.
— Eu não preciso da sua ajuda—reclamou o soldado ainda se recompondo do golpe falho.
No mesmo instante sentiu a lâmina subir cortando a sobrancelha, o sangue pingou na bochecha. O outro olhando aquilo golpeou a ladina que tinha o braço estendido apontando o céu com a ponta da lâmina ensanguentada.
—Pronto, agora não tem mais choro — ela deu um passo para o lado e golpeou a mão do rapaz que não conseguiu interromper o golpe. Ele abriu a mão deixando a espada cair. A base do dedão sangrava. A ladina não pretendia causar danos maiores em lutadores fracos. Ela desejava o sangue de Ádaia, que já esperava os oponentes da parte final do torneio da espada. A guarda mestre treinava seu arco, enquanto entre uma parada ou outra testava o gosto das novas receitas feitas por seu marido Cilindor. Loreah viu que ela não dava a menor importância para quem iria ir contra ela. Isso só fez seu sangue ferver mais.
Marian olhava hipnotizada para a caixa. Buscava na sua mente todas as histórias que sua mãe havia contado. Quando a noite caia, Ruflo trancava as duas em um dos cômodos da sua casa e aquele cômodo era o cenário de histórias até a morte da mãe dela. Ela buscava as histórias porque os animais não eram estranhos, ela não estava prestando atenção mais em nada. Absorta em seus pensamentos concluiu que se fosse algo óbvio demais as pessoas já teriam aberto aquele cubo.—Sten, o torneio aqui esta a forja e as ferramentas necessárias.—Obrigado Calinor.—Outra coisa, você tem três dias para terminar o que for fazer, seja armadura, arma, cela, qualquer coisa— O menino estava ofegante — Essa é minha primeira tentativa de entrar no torneio, minha mãe falou que eu estava preparado há um ano mas eu não queria mexer com culinária igual meu pai, eu quero é mexer com criação de armas, igual meu tio. Ele que vai me ajudar, seremos uma dupla esse ano. Eu ainda não tenho força para martelar o metal mas meu tio fala que tenho boas ideias — Ele abriu um sorriso.— Aonde consigo a matéria prima?— Tudo fica nos depósitos, eles ficam aberto e você pode pegar o que quiser, depois do torneio todo que utilizaram vão minerar. A única coisa que é bem limitada é os itens que vem dos animais, só aproveitamos as partes dos animais que morrem.— Obrigado Calinor.— E vê se não esquece os pontos de forja.Sten balançou a cabeça e pegou as ferramentas que demorou dois dias para conseguir com ajuda de Calinor.


A tarde de disputas continuou, até a regente declarar o término do primeiro dia. Uma grande fogueira foi feita, e os cozinheiros finalistas se prepararam para criar as comidas mais gostosas e que dessem mais energia. Uma grande festa, muitas canecas de cevada amarga, sucos de mangedéias e muitas comidas. Todos estavam feliz, todos não. Loreah estava longe da festividade, tinha voltado para a pena de luz. Estava em seu quarto no escuro sentada virada para a parede, seus dentes rangiam, adaga riscando a parede, ela desenhava um símbolo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Tya - A reconstrução de um reino puro

 Tya é a aldeia que conseguiu autonomia, ninguém ali possui cristais vermelhos. Os postos de cavaleiros escarlates que cercam a cidade, serviam para vigília dos moradores. Primaveras se passaram desde a última vez que o portão havia sido aberto. Após a cerimonia de enterro dos animais que Loreah havia matado. O hiato havia sido quebrado, para os soldados haviam escadas nas torres que abaixadas possibilitavam a entrada e saída do local e foi desse modo que eles se organizaram para atacar os invasores. Que agora eram amigos. O portão se abria para amigos. O ar fez barulho ao passa pela fresta vertical da parede, que começou a ganhar largura. A aldeia tinha uma extensão que fazia sumir de vista as construções de casa. Os lábios de Liof desenharam um sorriso saudoso em seu rosto, seu olhar cintilava e seu peito se encheu de ar e esperança. O suspiro saiu. Aurinia era habitante de Mengua. Uma flautista que em um dia de torneio ganhou o coração dele, e tempos depois deu à luz ao filho dele. Ambos foram mortos, pelo gigante. Toda uma sequência de fatos que poderia desanimar um homem mas ali em Mengua a sua lembrança era do grande torneio entre reinos, muito antes da tentativa de invasão ao castelo branco e dos gigantes. Ele sentia o doce soar da flauta de Aurinia.

Loreah permanecia com uma ferida nova, uma ferida interna. Resmungava para si mesmas palavras tentando justificar a derrota na batalha anterior, ela não estava acostumada a ser nocauteada. A ferida pulsava a raiva. Tudo que ela queria era uma oportunidade, apenas uma oportunidade, quando ela tivesse essa.
—Oportunidade —escapou de seus pensamentos.
—Oportunidade de que? — Marian perguntou.
—De nada —seus olhos ferozes repousaram no rosto amorenado da líder de Falligan – De nada! —adiantou o passo se mantendo a uma distância de todos.

Ádaia estava com o braço escorado nos ombros de Sten.
—Então me diga, você resolveram fazer da história de criança sobre os guardiões realidade?
—Como assim história de criança?
—Eles são os heróis das histórias para nossas crianças, Um grupo de cavaleiros incorruptíveis e com o objetivo de unificar todas os reinos antigos. Esse é o objetivo de vocês?
— De certo modo— Sten estava observando a cidade espantado.
Ádaia deu uma gargalhada leve e olhou para o homem de cabelos negros. O semblante dela mudou quando viu a seriedade com que ele encarava situação.
—Para os guardiões vocês estão precisando de mais pessoas. E pessoas melhores em combate.
—Claro, por isso estamos avançando em direção as aldeias para ligarmos elas através de algumas pessoas— levantou o queixo olhando para o rosto da mulher de cabelos vermelhos — Quanto ao combate, nós estávamos em leve desvantagem de número e a surpresa foi um fator decisivo.
—Verdade, se querem um desafio justo em dois sois teremos o torneio. Nele são decididos os grandes representantes das artes. Faz sete flores de luz que eu não perco na arte da espada, do polimento e na faca.


Todos integrantes da tropa haviam ido para seus postos e apenas Ádaia mantinha todos em direção a praça central. Contaram grande parte da jornada até ali quando a visão de um menino de cabelos vermelhos brincando com os pássaros na praça central, perto do destino deles. Tomou a atenção de Ádaia.
—Calino, o que está fazendo na praça central?- Falou com um olhar terno para o garotinho que agora estava envolto pelos pássaros.
—Estava brincando, papai está lavando a casa e eu pedi pra vir aqui brincar com os pardais.
—Espero que seus treinamentos estejam em dia.
— Claro que estão, hoje aprendi sobre a forja. Titio ensinou o ponto do brilho do ferro.
—Depois quero ver se aprendeu direitinho. Agora vem aqui e cumprimente os novos amigos de Tya. Aproveita e de um beijo na mãe.
—Mãe...
—Rápido!— Disse ela com carinho e rigidez.
O menino de sete primaveras se aproximou e fez uma reverência para cada um dos que estavam perto de sua mãe. Foi pego então levado ao rosto da ruiva e deu um beijo carinhoso no rosto, depois subiu nos ombros dela.
—Eles já viram a regente?— Perguntou o menino curioso.
—Estou levando eles para ela agora. Seu apressadinho.
A tenda roxa com adornos dourados figurava a frente de todos eles. Liof sentia a leveza do local e o poder. Outro santuário. Eles entraram e havia várias almofadas no local e uma menina pequenina no meio. Aparentava a mesma idade de Calino, de olhos grandes verdes e cabelos encaracolados curtinhos. Sua tez morena se assemelhava a de Marian.
—Notícia boa regente— A mulherona disse para a pequena— os primeiros amigos de Tya em muitas flores de luz.
A pequenina sorriu então seus olhos foram preenchidos e uma cor lilás e seu corpo endireitou-se e levitou um pouco acima das almofadas.
—Que grandes notícias— A voz que brotava era a junção da voz da criança e da entidade que por ela falava— Eles pretendem auxiliar na defesa?
— Na verdade eles trazem outro propósito. Eles pretendem unir as cidades e atacar o grande castelo branco.
—Isso é loucura, desculpem meu tom mas isso é praticamente entregar a vida por uma causa perdida.
Sten tomou a frente.
— O que a senhora sugere que façamos? Ficar presos em nossas aldeias até que o senhor do castelo resolva que sua aldeia não deve existir e a destrua.
— Vejo que carrega marca— levantou sua mão em direção a Sten e a afastou como se algo repelisse sua tentativa de contato— Não sei se você entende rapaz, mas já tentaram fazer isso a muito tempo atrás e o resultado foi o confinamento de todos em seus próprios territórios.
— Da outra vez os guardiões conseguiram enfraquecer eles.—Liof falou com firmeza.
— É verdade. é... —O corpo da menina se contorceu, o lilás dos olhos começou a escurecer. A voz sôfrega de quem prendia a respiração por longo tempo pulsou — saiam todos! Exceto você guardião primordial.
Sten fincou os pés e não quis sair, Ádaia o segurou pelo braço e ele não tentou resistir.

—Enfim!— A voz da anciã havia sumidos agora uma entidade maior falava— Te encontrei, eu realmente não acreditava que você ficaria adormecido eternamente. Já planejava te caçar. Sem a magia do orbe você não pode ser localizado facilmente. Ele te jogou em algum lugar dessas terras para te proteger. Uma cortesia dos antigos Deuses. — A menina inclinou a cabeça um pouco para o lado e levitou até quase encostar no topo da tenda. Observou os olhos de Liof —Você ainda não se lembra não é?— Uma gargalhada abalou tudo dentro da tenda.
— Pena não poder me localizar— Liof o desafiava — Santuários mantêm a energia correndo, como as águas canalizadas para irrigação você sabe que a água passa mas não sabe aonde.
—Vejo que não está tão leigo quanto aparenta— Ele se divertia com o rosto do homem que se concentrava para expulsa-lo dali— Vim apenas avisar que é tudo questão de tempo até que nos enfrentamos, e dessa vez. Eu te apagarei da existência.

O corpo da menina despencou, mole. Liof correu, os travesseiros não amorteceriam a queda por completo. Quando as mãos dele seguraram a garotinha os olhos lilás voltaram.
—Ele é muito forte, Liof— Ela o reconheceu.
—Eu também sou, Duia— A memória dele havia resgatado a figura da sabia cuidadora do templo da flor de luz— Precisamos enfrentá-lo de forma diferente.
A menina adormeceu em seus braços. Ele a repousou nas almofadas e saiu.

—O que foi aquilo Liof? — Sten estava mais preocupado que curioso
— Nada— O rosto do velho estava endurecido e sério.
— Como ela está?
— Bem.— Ele saiu apressado uma direção qualquer, precisava de silêncio.
Todos ficaram ali estáticos sem entender nada. Quando a tensão passou Calino fez muitas perguntas a todos ali. Ádaia voltou para o seu posto depois de verificar como a regente estava e pediu para seu filho acomodar os cinco aventureiros nos quartos vazios da taverna pena de luz.
Todos se alimentaram com formas diferente de preparo de frutas e grãos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Runei - Os contadores de historia

Liof preparava no caldeirão uma mistura, durante o dia encontrou frutos e sementes que aparentemente eram comestíveis. Se dispôs a esquentá-los.
—Liof porque esta cozinhando essas sementes?
—Simples Marian, qualquer mal sucumbe ao calor.
—Porque você só esta fazendo isso agora?
—Os grãos e frutos anteriores foram retirados de locais conhecidos. Aqui eu não sei como trataram essas coisas
A água borbulhou e um chorume negro começou a se espalhar de tudo que havia dentro. Liof olhou concentradamente, buscava algo nas águas da sopa.
—Envini, gérmen traiçoeiro. Responsável por envenenar o mundo. Responsável por equilibrar os efeitos da limpa-corpo.
Marian esta escutava atentamente, aquele conhecimento vinha de um homem surpreendente, ela via em Liof um segundo pai apesar da relação dele com a farpa mental que ela possuía sobre o assassinato de seu pai. Liof prosseguiu.
—Todo mal, necessita de algo para equilibrar.- ele riu.
—O que foi Liof? —ela queria rir também
_ Lembranças de um amigo!
—Me conte sobre as histórias que conseguir lembrar.
—Vamos buscar mais comida. Quero ver ate aonde as árvores dessa estrada estão contaminadas. No caminho eu te conto.
Eles levantaram e se retiraram.


Em Runei. Os soldados de armadura perolada observavam as pessoas, eles eram implacáveis. Qualquer um que se atrevia a sair da linha que eles traçaram ou furar a fila criada recebia um golpe com o cabo da espada bem-dado.
—Uma vez um grupo de cinco pessoas tentou atacar o rei quando estavam perto de receber o mantimento. Eles foram mortos e nos ficamos sem comida por dois dias.
O menino com o braço machucado falou olhando para a cena da entrega do mantimento.
—Menino vamos lá precisamos saber como funciona tudo aqui.
—Tudo bem vou levar você pra casa da minha vó.
Eles andaram entre o labirinto de casas sujas e com madeiras soltas, um amontoado de madeira e retirando uma delas. A casa se mostrou, o único cômodo tinha muitas cadeiras e uma cama onde estava deitada uma mulher. O rosto da mulher não possuía muito das cicatrizes feitas pelo tempo, o que aparentava sua idade eram as mãos e o cabelo branco.

—Mama! Me permite apresentá-los?— A cordialidade e respeito na voz do garoto gerou o brilho no olhar de ambos. Algo ali fez um sorriso puro pular do rosto de Sten.
—Claro meu amor!— Ela tentou se ajeitar. Suas pernas não respondiam e a força estava apenas na sua presença e não no seu corpo. Eles entraram e se sentaram nas cadeiras mais próximas da cama. Loreah se ajeitou, segurou a mão da mulher e a reverenciou, uma coisa que só se faz com parentes ou com a pessoa mais reconhecida na aldeia onde ela nascera. O coração do rapaz selvagem estava acelerado, uma euforia se instalava. Coisa que não sentia desde o dia em que Liof o desafiou para uma corrida da árvore até a cachoeira. O sorriso não abandonava seu rosto. A aura entorno da mulher era de motivação.

—Certamente vieram para escutar uma das minhas histórias, é o que todos os meninos fazem por aqui.
—Claro que viemos mama!
—O que gostariam de escutar?
Loreah se apressou.
— Poderia nos contar de como o Senhor do castelo começou a dominar todas as terras?
—É claro minha querida.


Liof estava calado a algum tempo quando acertou os nós frouxos nas lembranças e começou:

—Não lembro se já havia te falado mas ouve um problema com os gigantes – Marian o interrompeu.
—Sten me contou sobre os guardiões, porém há algumas coisas que não compreendo. Você teria que ser muito mais velho do que aparenta
—Eu concordo, eu também não entendo. O que mais não entende?
— O que aconteceu depois que o gigante— ela fez uma pausa — você sabe.
Os olhos dele tremeluziram, viajou dentro da mente vendo o rosto sob os destroços e o dia do nascimento de seu filho. Entre a felicidade e a dor ele já estava mentalmente forte para o impacto.
— Sei sim! Eu estava amarrando fatos, agora consigo seguir desse ponto— respirou fundo— O gigante esmagou meu pequeno vilarejo e — a realidade do que acontecera fugiu de sua mente
 — Eu lembro dele morto, decapitado. Porem Ant´jur e o outro sábio que haviam desenvolvido a técnica para vencê-los não estavam comigo. Havia eu coberto do sangue do ser colossal, as ruínas e o orbe cristalino da forma da cabeça de um grande lagarto. Eu havia entendido o que era e ele se assimilava a mim, entramos em uma ressonância estranha. Me sentia — ele buscava uma palavra que explicasse melhor mas não conseguiu — Maior, como se tudo a minha frente fosse simples. Um pensamento me transportou para o lado de Ant'jur. As paredes eram úmidas, ele estava de olhos fechados e quando meu corpo se moldou por completo, ele teve um reflexo. O coração dele acelerou, eu senti, ele também estava ferido gravemente. Quando falei, ele tapou os ouvidos. A caverna ecoou, minha voz não era minha. Algo dizia que era perseguido. Me senti perdido e o orbe se perdeu— Marian o interrompeu.
—Liof não estou entendendo.— os olhos dela estavam fixos na face do guardião.
— Desculpe, comecei a falar sem raciocinar, o importante que você tem que saber é: Encontrei com o sábio escondido, fugimos em direção ao local seguro e no caminho de alguma forma perdi aquele orbe. Depois de um tempo chegamos na floresta onde era a morada dos guardiões, Ant´jur no caminho me contou sobre os dias que passei sumido. Os gigantes atacaram cidades e repreenderam os reinos, dividindo e estavam sobre monitoramento de soldados do rei que nos traiu.

Em Runei. A velhinha deu um sorrisinho.
—Após uma rixa muito grande entre os guardiões, não os primeiros. Aqueles que se opunha aos gigantes, eles tinham o povo ao seu lado até as pessoas cederem aos prêmios dados pelo senhor do castelo. Logo as terras estavam divididas e os postos olhavam tudo. Algumas cidades deram tropas para os cavaleiros escarlates. Que diferente de hoje montavam, sim, em cavalos. Esses foram os passos para ele dominar, primeiro lute. Se não funcionar corrompa-os e guie-os até onde você quiser. Para saber tudo isso vocês devem estar pensando quantas primaveras eu tenho, não mais que vinte e cinco—Loreah abriu a boca, Ela aparentava ter muito mais — sei que pareço muito mais velha, é um tipo de doença. Eu sei tudo isso porque na minha família é a tradição contarmos todas histórias. Minha filha não gosta de história então resolvi chamar todas as crianças para escutar meus contos e saberem que o senhor do palácio alvo é descendente do rei traidor.

—O que é esse rei traidor?
—Não se adiante querida.

Liof e Marian andavam para o acampamento com novos frutos e sementes para verificar se estavam ou não envenenados por Envini
—O ferimento já fazia a vide do meu amigo esvair, fui até o guardião. Ele me atendeu e quis socorrer ele por mim. Ant'jur olhou pra mim e falou
“Valian ainda é uma criança e algo me diz que ela não parará de chorar tão cedo”, as chamas do guardião se expandiram. A partir dessa memória não lembro de nada. O nome do rei era Sersio. Em Runei. A senhora saciava a sede de Loreah.
—Sersio, ele foi o que desencadeou sozinho toda as consequências das histórias antigas. Ele atacou os gigantes— Sten lembrou o nome— Ele traiu todos e montou o domínio. Ele não contava porém que o senhor do grande castelo era poderoso o suficiente para fazê-lo adoecer e dominar seus descendentes.
Um homem determinou o destino de sete reinos porque vislumbrou a cor da ganância e há de chegar o dia em que uma pessoa vai mudar as coisas. Elas não devem permanecer nas mãos de um só. Não é meu filho.
Ela olhou para o menino com o braço enfaixado.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Estradas de Valian - Posto norte e a cidade de Runei

O posto dos cavaleiros escarlates, tinha o símbolo estampados em todos os lados e ao contrário do costumeiro silêncio que escutou-se milhares de vezes em roubos bem arquitetados. Ela ouvia os burburinhos e ordens. Cavaleiros com senso de humanidade era algo notavelmente confuso.
—Como pessoas servem sob esse símbolo? Conheceriam eles o dono do castelo branco? —a ladina questionava sem se importar com as pessoas ao seu redor.
—Fique quieta, você não está vendo que alguns cavaleiros já olharam pra gente? - Sten buscava enxergar algo que fosse diferente nos outros soldados.
Os dois andavam em meio a troca de mercadoria. Eram pedras de todas as formas, grãos, tintas, frutos e roupas. Loreah escondia seu cabelo com um elmo
— Ei recrutas! —Uma voz firme fez com que os dois parassem.
O homem passou ao lado deles e chegou a dois rapazes. Pela aparência umas cinco primaveras mais novos que Sten.
—O que estão fazendo sem o amuleto escarlate?- O cavaleiro mais velho, deu um tapa na cabeça dos dois e logo após entregou dois amuletos e logo entrou em uma tenda. Os meninos seguraram firme os amuletos e despistadamente deixaram eles dentro de um amontoado qualquer de pedras, Loreah entendeu então a intenção dos dois. Começou a andar em passo acelerado para encontrar os jovens, O rapaz de cabelos negros a acompanhou.
—Eu vi o que vós fizestes com os amuletos, seus fedelhos – Loreah fez o melhor para fazer sua voz de autoridade. Os dois correram em direção a saída oposta a estrada que Loreah e Sten utilizaram para chegar até o posto. Os soldados que viram a movimentação não se importaram porque observavam um cavaleiro aproximar dos dois, A ladina deu espaço para eles chegarem uns vinte passos depois da entrada. Ela então acelerou seu movimento, porém os dois ainda tinham energia de sobra. Sten acompanhava deixando sua companheira fazer o que ela quisesse. Quando ela acertou um deles com uma rasteira. O outro parou
—Eu falei que isso ia dar errado. Eu sabia! Porque você tinha que dar ideia de roubar cristais do posto.— Resmungava o menino caído.
Sten pulou sobre o que estava parado e o imobilizou.
—Porque já fiz isso mais de uma vez e eles nunca notavam. —Ele estava bravo com a inutilidade de sua força diante das mãos firmes do selvagem.
—Hoje é o dia de sorte —mulher de cabelos loiros falou esbanjando um sorriso – Gostaria de obter algumas informações, aonde se situa a aldeia mais próxima.
— Hãn!? —Os rapazes estavam surpresos e sem entender direito.
—Vocês não são de Runei?
—O que me faltava era ter um Tyars no posto daqui.
Sten e Loreah se olharam sem entender.
—Nós somos de lugar nenhum e estamos perscrutando por informações sobre os soldados escarlates e seu senhor.
—Então é uma ladra como nós! —O sangue de Loreah fervia, tudo era aceitável menos ladra.
A adaga escondida sob a armadura apareceu marcando com uma linha vermelha muito fina a pele do rapaz preso por suas mãos. Ele entendeu que devia se silenciar.
—Faremos alguns questionamentos, se responderem de forma a agradar nosso anseios deixaremos que vivam. Caso não sejam satisfatório, dreno a vida de vocês lentamente — Ela usou palavras que seu próprio tio um dia usou, contra invasores da sua aldeia.
—Ei vocês dois! Levem esses Merdinhas para a aldeia deles. —Um guarda que estava de saco cheio dos novatos instruía de forma inconsciente.
Como não sabia como responder, levantaram os dois e andaram para estrada afastando-se do posto.

—Porque roubar deles?- A pergunta de Sten foi límpida, sem julgamentos.

—Na nossa imensa aldeia existem a grande divisão, a parte alva e o grande buraco. Como vocês podem ver nós somos do buraco. Lá as casas são feitas de simples madeira e não possuímos muitas posses, apesar de nossos pais trabalharem dia e noite nas minas buscando pedras e metais para os cavalheiros vermelhos — a tristeza oscilava na voz do garoto que Sten já não segurava tão firme assim.
— Eles fazem a gente trabalhar por comida, Mesmo assim a porção que nos dão não é suficiente. O destino de quem vive no buraco ou é virar mineiro ou soldado. Nós não queremos ser nenhum nem outro e por isso que estamos buscando formas de sair daquele lugar mas para sairmos precisamos de cristais vermelhos.
—Não compreendo, vós conseguiríeis sair da vossa aldeia e não encontram alimento nessas matas?
—Todas as árvores de frutos nessas estradas perto do posto, são envenenadas pelo ancião amigo do tirano Vasnoir.
—Como meninos como vocês sabem de tanta coisa?
—Senhor aonde vivemos as ideias têm que vir dos mais novos, os adultos se acostumaram a concordar com tudo que o tirano impôs mas para termos ideias escutamos atentamente as histórias das nossas avós.

Sten escutou no fundo do seu ouvido as palavras de um velho louco: “Isso não é justo, isso não é justo, isso não é justo!”

Caminharam por bom tempo e se depararam com o olhar atento da guarda de armadura perolada e branca, os muros altos eram da mesma cor. Loreah entendeu o porque do nome parte alva. Os garotos os conduziram por um túnel estreito longe dos olhares dos vigias, eles andaram, o escuro deu vantagem aos meninos, eles sabiam aonde ir e tentaram se desvencilhar. Esse tipo de atitude é algo inaceitável para Loreah ela não esperou o garoto ganhar qualquer distância que seja. A adaga encontrou o braço do rapaz. O grito assustou seu amigo que abortou a fuga.
—Por favor senhora, não mate ele.- suplicou o outro rapaz.
—Vós desonrais nosso tratado pacífico. Corra a frente de um cachorro que te vigia e se prepare para mordida.— Ela ponderou — será que torno você um exemplo para seu amigo?- a adaga se moveu lentamente
— Não senhora, por favor!—o amigo que estava com Sten falou novamente.
—Loreah, não faça isso, são só garotos.
—Eles tem que aprender.
— Não precisa ser assim. Garotos, iremos soltá-los e acompanhar vocês para conhecer sua aldeia, viemos saber quais são as aldeias por aqui.
—Mas pra que vocês querem conhecer as outras aldeias? O dono do castelo não proibiu isso?— o menino de olhos mel perguntou.
Loreah estancava o sangue do corte que não foi tão profundo com uma tira de tecido que ela havia arrancado do manto de um dos guardas. Sten olhou para o garoto.
—Sim, é o que me disseram mas nunca vi o senhor do castelo. Você já?
—Vimos uma vez, ele é enorme e possui a armadura monstruosa de cristais vermelhos.
—Estamos buscando em outras aldeias pessoas que queiram junto com a gente descobrir mais sobre esse senhor que governa em silêncio.
— Conte comigo!— falou o garoto baixo, entre dentes.

A luz aumentou no túnel e eles chegaram ao buraco passando por uma porta fictícia entre duas casas que eram escoradas na rocha, dava pra ver quanto estavam abaixo da parte Alva. O local estava cheio de casas feitas com madeiras finíssimas e mal acabadas, a sujeira formava alguns pequenos furacões de poeira. A aparência de todos ali eram marcadas pelo sol, olhos cansados. Um portão dourado e vermelho figurava após uma escada enorme. Provavelmente a ligação da cidade alva com o buraco. Era a única saída do local. Sten teve na mente o buraco da cobra d'água que enfrentou a muito tempo atrás e pensou que poderia ser uma grande ameaça se eles conseguissem despejar água naquele local. Um sino soou.
—O que foi isso?— Loreah questionou
Alguns olhos curiosos se voltaram para os garotos, eles fizeram sinal e um senhor acolheu todos para dentro das casas.
—Eles estão descendo com o Vasnoir, hoje é dia de entrega da porção de comida.
—Porque estamos nos escondendo?
Precisamos trocar de roupas, essas armaduras podem dar grande problema.

Rapidamente Sten, o dono da casa e os dois garotos estavam do lado de fora, vestidos com o pano malcheiroso e de mono cor marrom. Esperavam Loreah se trocar. Inúmeros guardas saíram das portas, Um homem de capa vermelha e roupa branca e dourada surgiu do meio deles. Uma fila foi organizada. As pessoas se amontoavam, pelo menos duas vezes a população que existia em Falligan antes do ataque.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Estradas de Valian - O labirinto plano e a estrada anciã

Eles já estavam andando a quatro dias, nem os relevos nem a vegetação se modificava, uma vegetação rasteira e seca, de cores amareladas e verdes.—A vegetação me aborrece muito—a irritação saia em forma de palavras harmoniosas da ladina.—Agora vocês entende o porque chamam isso de labirinto-plano—Liof comentou com sua boca seca.—Porque labirinto?—Loreah achou estranho.
—Existiu um grupo de cavaleiros do meu reino que saíram em direção a essas planícies e sumiram por dois encontros de reis. Quando voltaram suas armaduras estavam enferrujadas, as barbas e cabelos deles estavam compridos. Quando foram questionados sobre a viagem eles falaram que não se lembravam de nada. Chegaram a desistir até que um dia o relevo mostrava a descida da estrada anciã, que foi por onde eles tinham começado a jornada. Os cavalos não resistiram a volta.—Conveniente as justificativas deles.—O que você acha que foi então?
—Um trajeto qualquer, menos eles terem ficado perdido em campo aberto por duas reuniões. Pensando, eu também não entendo as reuniões. Como se mede esse tempo?—São dois ciclos completos das estações—Liof falou como se fosse banal.
—Compreendido.—Se você não acredita em mim, acredite nos seus olhos ladina.
Eles olhavam para o posto abandonado. De onde haviam saído. Sentaram-se frustrados. Quatro dias que não levou em lugar nenhum. Loreah estava furiosa. Era irônica a situação. Ela que adora ludibriar, sendo enganada por um caminho que parecia simples. Ela observava a planície com vontade de ver ela sob as chamas, a visão não a acalmou afinal ali não tinha nada pra queimar.—Vamos descansar aqui um dia e talvez tomamos o caminho para a estrada que leva depois do castelo. — disse Liof.—Não, eu quero achar o caminho através dessa planície.
Eles estavam cansados para entrar em qualquer
discussão com a ladina. Eles ficaram o dia. Sten, Liof e Marian treinando.
Loreah olhava para o chão plano, de aparência amarelada, vegetação monótona, sol figurava acima daquilo tudo, queimando. Ela escutava somente sua respiração apesar dos gritos do treino de Liof e Sten e a respiração ritmada de Marian correndo, seu lado esquerdo tinha uma facilidade maior em ignorar. A lembrança tentou incomodar buscando a frase comum de sua mãe:"Que fazes Ló?"

Os olhos aguentaram sem se afogar. Ardiam um pouco. O vento soprava e alguma coisa nas terras da planície pareciam erradas. Algo dentro dela vibrava. Ela estava sentada no chão as penas cruzadas, um pouco dentro do início do caminho da
s planícies enquanto os outros estavam um pouco mais dentro da estrada anterior. Ela estava determinada, o sol estava a pino e era refletido muito mais. A conversa dos amigos incomodaram seu ouvido direito. Ela se virou irritada por não ter solução nenhuma na sua cabeça. Olhou a posição da estrada e comparou com onde estava sentada, duvidou e então teve certeza.
—Descobri!
—O que?— Sten perguntou empolgado pelos exercícios e aprendizados dos dias, ele havia começado a entender a utilização dos movimentos e da espada neles.
—Os planaltos se movem de maneira tão vagarosa que não percebemos. Eles nos direcionam para outros lados. —Ela explicou se espantando com o próprio raciocínio.
—Como assim se movem?— Liof questionou.
—Eles giram.
—Giram? —Marian não entendeu.
—Igual à roda das brincadeiras. —a ladina apontou—Mas se atravessamos ele em linha reta igual fazemos chegaremos do outro lado, isso não tem lógica porque as planícies são maiores que quatro dias de caminhada.— ela quase desistiu da hipótese.
— Você está entendendo o que ela está falando?— Sten questionou Marian.—Um pouco.—Marian começou a imaginar como aquilo seria resolvido, lembrou da roda que as meninas menores da aldeia faziam e a dúvida pulsou.
—E se houvessem mais partes das planícies se movimentando para direções apostas?—É isso! —Loreah falou animada—É isso—ela se deu conta que a conclusão não foi feita por ela.
Liof então ponderou a situação.
—Vamos continuar indo pelo outro caminho.—Porque?—algo ofendia Loreah.—O problema foi meio resolvido. Ainda temos que descobrir como atravessar. Há problemas que mesmo se tendo os elementos que os compõe não se tem a solução. Contrariada ela aceitou.
A noite chegava, eles se reuniram em volta de uma fogueira e conversavam descontraídos. Escutaram então o chão tremer ao longe. Uma sombra negra entrava no castelo branco. Daquela distância era a sombra de um homem. A noite confundia a visão mas Liof teve certeza que era o gigante voltando pra sua morada.
A caminhada foi tranquila, o caminho era mais diversificado que planícies. Árvores eram vistas, Sten afastou alguns lobos. Emitindo o mesmo som que eles. Eles esconderam-se buscando enxergar o próximo posto de guarda. Avançavam em silêncio. Loreah buscou um terreno alto, olhava possibilidades. Ela era a única que tinha costume de se manter longe da visão dos cavaleiros escarlate.—Parem— Ela sussurrou.
O rosto deles se voltaram rápido e atentos, buscando resposta. Ela apontou, dois cavaleiros escarlates que estavam patrulhando. Suas armaduras pareciam novas, algo neles eram mais humanos que os que ele já haviam visto antes. Sten subiu rapidamente em uma árvore, Observou a movimentação dos lobos que haviam acompanhado os quatro de longe. Algo os afugentava naqueles dois homens. Marian se escondeu na mata lateral junto com Liof. Loreah atacou. A ladina pegou os dois de surpresa, eles ainda não apresentavam os olhos enegrecidos. Os Reflexos deles eram lentos. A ponta da flecha na mão dela foi fincada precisamente,um grito e o sangue vermelho escorreu. Ela chutou as pernas dele e não esperou a queda com o movimento seguinte, pensado girou o corpo dando uma rasteira com o outro pé. Terminou o movimento retirando a espada curta e cravando entre a fresta da armadura na alta do peito. Tudo foi muito rápido. Incomodo pra cabeça dela. Isso nunca acontecia, ela sempre era precisa e fria. Uma farpa mental estava ali. Eles se reuniram em torno dos dois corpos. A preocupação de Loreah aumentou muito.
—Eles estavam a pouco tempo entre os escarlates.
—Como sabe disso? —Sten perguntou.A mesma engrenagem rodou e deu o resultado na mente de Liof e os dois soaram em
uníssono
—O sangue.—Loreah olhou intrigada para o velho, que começava a parece mais forte e sábio. Ele prosseguiu.
—O que consome esses homens vem de dentro e quanto mais tempo expostos, as pedras da armadura, criam uma casca a mais para eles e desertificam seus sentimentos. Esses eram lentos e ainda sentiam a dor.
Sten lembrou do cavaleiro com o elmo e seu sangue negro evaporando.
—
Pode ser perigoso para nós. A vantagem que eles tem quando o sangue está negro é a velocidade de resposta e força. Porem eles enxergam todas as outras pessoas da mesma forma. Assim era fácil passar despercebido até em uma troca de cristais.—Podemos utilizar as armaduras deles— Liof já havia pensado em algo.—Vou me vestir de um deles e verificar — A ladina aceitava a ideia.— Eu vou junto — como um cavalo que não se deixa ultrapassar Sten queria estar a frente das coisas.
— Vamos encontrar um lugar para montarmos acampamento.— Marian disse.

Eles trabalhavam em conjunto, cada aceitando sua posição. Sten despiu os cavaleiros e deixou o corpo deles para os lobos. Os animais gostaram da refeição, instintivamente tinham um líder que era capaz de prover todo o grupo.
Loreah observava a estrada buscando alguma alternativa de fuga caso a observação desse errado. Ela não aguentava não saber cada detalhe de um plano e agora tudo estava mais difícil, tudo teria que ser pensado para os quatro. Algo a fazia acreditar no ideal do guardião. Liof e Marian preparavam o local onde iriam ficar a buscavam suprimentos, os grãos já tinham acabado a muito.