Mostrando postagens com marcador Loreah. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Loreah. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de março de 2016

Tya - A batalha do chamado (Adáia e Loreah)

Os raios do sol mal encontravam os solos perto de Tya. Soldados se apertavam nas fronteiras, ferreiros ajuntavam os armamentos, os arqueiros ainda encostados nas beiras do muro de madeira, reforçados com pedra e metal.
— Os seis da entrada norte estão posicionados? – Loreah olhava com atenção as bordas das beiras da depressão.
— Sim! Liof e a regente já estão prontos? – Perguntou Adáia pegando o arco.
— Para eles a batalha começou antes de acordarmos.
— Estamos prontos!

Adáia subiu as escadas da muralha, Loreah foi para a linha de frente dos soldados no portão ao sul. Uma brisa intensa passou acariciando os rostos. A seta de fogo vinda de Adáia foi vista pelos responsáveis nos tambores. O primeiro som que surgiu fez os arqueiros saírem de suas proteções e atirarem nos suportes que mantinha as beiras da depressão sem desmoronarem. A queda da terra engoliu uma grande quantidade de soldados no sul, os que sobreviveram foram alvejados pelas  flechas, os arqueiros seguiam um ritmo de disparo em uníssono com os tambores. Cavaleiros escarlates estavam apáticos e procuravam voltar as suas posições. Loreah saia nos portões esperando o confronto que não vinha.
— NÃO DEIXEM FUGIR! – Ela avançou.

Os escudos seguiram a chefe da guarda. Quando atingiram o alcance das flechas Adáia fez os arqueiros pararem, descerem as escadas e formarem a linha de trás a linha de trás. Os soldados escarlates pararam de fugir. Finalmente a batalha. Loreah acabara de decepar a cabeça de um soldado e viu a primeira iniciativa de ataque, ela esquivou. Um escarlate a sua esquerda iria golpeá-la em cheio senão fosse por um de seus comandados colocar o escudo a protegendo, se sentia confiante em seus soldados. O objetivo da tropa era avançar e ir em direção as outras aldeias, descobrir quantos ainda viviam sob o manto escuro do isolamento. O objetivo de Loreah era não deixar nenhum deles vivos.
Adáia avançou trocando o arco por uma espada longa, os arqueiros preparavam uma saraivada. Olhar as flechas cravando nos soldados escarlates e eles ainda se movimentando poderia ser desmotivado mas isso so dava mais vontade as tropas, as guardas chefes haviam ensinado de forma a fixar em todos os soldados a dificuldade da batalha. A reação dos cavaleiros escarlates tinha começado. Os escudos se encontraram, o ataque que antes era de oportunidade se tornara tático. Loreah continuava atacando sem hesitar. Os soldados a defendiam coordenadamente. Por automatismo mais do que por querer ela também protegia seus companheiros. Os escalates eram fortes mas a capacidade tática da guarda de Tya  tinham se tornado tão eficientes quanto os mecanismos criados pelo povo de Loreah e ajudava a superar a falta de força. A espada trespassou o soldado ao lado da ladina, a pupila dela retraiu, o liquido denso e morno tocou seu braço que empunhava a espada curta. Sentiu a respiração e voltou a atacar, aproveitou o peso do oponente que acabara de desferir um golpe e o chutou, no peito. Escutou um grito crescendo na nuca. Ela se virou deixando o golpe de Adáia acertar o cavaleiro caído na altura do estômago. Agora ela estava por cima e a linha de escudos  avançou empurrando os escarlates que apareciam. Escutavam o som das armaduras vermelhas e do metal se chocando. Adáia arrancou a cabeça do cavaleiro que agora estava no chão. Olhando para Loreah indicou o caminho.

A vitória era inevitável, muitos soldados escarlates escaparam de lá devido o primeiro comando, a batalha se seguiu forte sem esmorecer. Ao terminar o contingente teria sofrido a perda de de um quarto Loreah e Adáia olhou confiante.
— Agora é buscarmos auxilio das outras aldeias.
— O que estamos esperando?
— Vou me despedir de Cinor e de meu amado - falou se dirigindo a cidade.
Loreah sentiu a pontada no peito, desde a mescla de experiências com a guerreira a saudade do abraço dos dois a povoava.
— Temos que prosseguir - falou baixinho, então apontou para um grupo de cinquenta arqueiros — vocês vem comigo - apontou para um agrupamentos de linha de frente - vocês vem comigo.
Partiu sem se despedir.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tya - O fim do outono

A pressão silenciosa sobre as tropas Tya era enorme, todos sabiam o que os cercava. Parecia que todos os postos de vigilância haviam sido movidos para ali, eles não tinham ideia que as tropas escarlates eram muito maiores. A pergunta a ser feita é, quando eles atacariam?
Loreah estava exausta, os turnos de treino em que ela ensinava novas formas de batalha eram contínuos, ela estava acrescentando o seu conhecimento as formas já aprendidas dos soldados. A tarefa era mais fácil que ensinar pessoas sem treinamento de combate, Adáia era rígida e exigia treino continuo de seus comandados foi isso que facilitou para Loreah porque se dependesse dos combates que eles entraram nas últimas primaveras, haveria soldados sem noção nenhuma de combate, formação, formação em equipe. Depois do ocorrido da mistura de vivências entre Adáia e Loreah, elas trabalhavam como uma, organizando treinando e ensinando sobre os cavaleiros escarlates. Eles já tinham avançado o outono apenas treinando, recrutando e definindo as defesas.
Liof passou todos os dias ensinando o que conseguia lembrar sobre a magia, contou toda a sua história a Marian e a preparou como compreendia ser o melhor. Nesse tempo, ambos estudaram os símbolos na caixa e identificaram algumas coisas, havia seis lugares para seis símbolos, porém aquele que construiu a caixa escrevera apenas quatro deles. Eram os símbolos básicos (foi dessa forma que Liof os apelidou), símbolos representantes dos quatro elementos simples: Água, fogo, ar e terra. Descobriram que o símbolo desenhado por Loreah era relacionado ao ar, hipóteses criadas pelos raciocínios. Liof estava tentando algumas confirmações com a regente, porém o crescimento da menina que dava voz a entidade protetora de Tya estava começando a afetar diretamente com a comunicação. A menina criara um controle maior de sua mente. Não podendo então deixar fluir, teria que aprender como possibilitar essa comunicação.
Sten entrou para guarda de Tya e treinava com todos os outros soldados, aprendera com os outros soldados as regras da honra de Tya e sobre o respeito ao ser. O denominado selvagem descobrira regras de civilidade muito mais complexas do que antes, em Tya tudo importava, desde plantas e animais até a vontade livre do ser. Ali todos poderiam ser o que quisessem ser e fazerem o que quisessem fazer, observando lógico o limite em que o querer afetava de modo negativo a vida de todos.
Pãntrio e Pirtrio entraram cada um na área que queria aprender, Pirtrio quis aprender a tratar de animais e Pãntrio quis aprender a como conduziria os trabalhos e virou o único menino a ser ensinado pela apuradora.
Em uma noite Adáia,Guinn, Liof, Marian, Loreah e Sten jantavam juntos. Os copos cheios de sumoçetil, só Sten não bebia.
— Nós temos uma quantidade grande mas eles são mais numerosos— Adáia não conseguia parar de pensar.
— Considere que cada um deles tem a força de dois de nossos soldados mais fortes — soou Loreah cansada.
— Eu ainda acho que nossa maior vantagem é o local, estamos no campo em que mais conhecemos— Guinn foi categórica, enquanto levava uma torta salgada a boca
— Mas para aproveitarmos precisamos que eles ataquem — soaram juntas as chefes da guarda.
— Ficar nessa espera é terrível, o sentinela precisa desse tempo, nós não podemos dar esse luxo a ele  — O velho Guardião alarmou a todos.
— Por que não os trazemos para o nosso campo? — Marian questionou.
— Não é tão simples, eles não cedem a emoções. Não há como incomodá-los e fazer isso os trazerem até nós— Adáia falou com enfado, Loreah e ela haviam conversado várias vezes sobre isso.
Sten olhava para a conversa pairando na mesa, seus cabelos agora estavam amarrados, o elmo não permitia o seu cabelo livre. Como sempre o silêncio era o seu companheiro, sua boca se abria para quase nada. Observar era uma de suas maiores qualidade.
— Por que não aumentamos nosso terreno— a mesa parou— podemos utilizar a terra de baixo dos pés deles, já que eles não vêm por emoção mudemos a forma de ataque.
— Mas como faríamos o chão desmoronar?— Adáia gostou da ideia Loreah olhou intrigada para seu soldado.
— Como faríamos essa ação?
Sten juntou as sobrancelhas, questionando a si mesmo sobre a ideia. Guinn foi ágil.
— Podemos fazer um túnel a baixo da borda e fazê-lo desmoronar.
— Demorará demais!— Loreah novamente.
— Podemos cavar pontos-chave durante a noite e fazer cair esses pontos e assim que atacarmos não vai ter como eles esperarem mais— Marian complementou o pensamento.
Um sorriso de alívio surgiu no rosto de todos eles, talvez desse certo, eles precisavam apenas de uma luz.

As noites seguintes foram de grande trabalho para os mineiros e ferreiros, furtivamente cavaram apoiando madeiras fortes que aguentavam o peso necessário. Foi deixado um mecanismo feito por Loreah que faria a madeira quebrar e ceder. Bastava rachá-la ou causar um impacto maior e ela deixaria de suportar. Tudo pensado por todos. O ataque estava preparado. O dia seguinte era o dia em que os soldados escarlate conheceriam melhor a guarda de Tya.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Tya - A reunião dos campeões e o inicio de uma solução

Todos os campeões estavam sentados em baixo da tenda lilas da regente, ela se pronunciava no centro.
— Como falei chegou nossa hora de compartilhar a nossa prosperidade com as outras aldeias — Ela fitou Adaia e Loreah que agora já possuíam a armaduras iguais — Loreah, precisaremos da sua capacidade de descrição e seu conhecimento sobre os soldados escarlates, para encontrarmos as aldeias que ainda existe — Olhou para Adáia — Minha querida guerreira, ajude a ladina no preparo de todos soldados. — Respirando olhou para Guinn — Apuradora, preciso que você reja os suprimentos e a confecção de armaduras, Thorindor preciso que você procure por metais mais resistentes, e chame o seu ajudante Calinor. Sei que o pequeno é um manipulador de ideias — a regente olhou cada um dos campeões nos olhos — Amigos estamos diante de um momento único na nossa história, estamos no momento do crescimento do caule da grande árvore que será o reino que sempre sonhamos, um reino regendo todas essas terras que desde muito estão divididas.

Os olhos da pequena perderam a cor enquanto todos eles se dirigiam para traçarem os próprios planos de ação.

Liof observava pela fresta da tenda Marian mexendo no cubo.

— Hum… quatro animais… três símbolos… Seis lados…

O cubo era deslocado em sua mão.

— O lobo se opõem ao pássaro, a serpente se opõem ao inseto — a caixa não fez nada — Seria obvio demais.
Ela continuava absorta e Sten estava aprendendo a polir seus machados, que agora Calinor o mostrara como aumentar seu brilho e resistência através do polimento, Olhava de longe para a Lider de Falligan. Um estalo aconteceu quando a menina desmontou a serpente. Novamente o simbolo do fogo surgia. Por que o símbolo do fogo estaria em uma serpente? Isso não tinha o menor sentido. A não ser que se quisesse criar um padrão contrário. Ela conhecia as cobras d'agua, mas nenhum tipo de serpente que ela conhecera tinha o fogo. O quebrta cabeça da serpente formou o simbolo do fogo, apoiando a sua mão sobre o cubo ele entrou queimou, como se ganhasse uma capa protetora de fogo. Um fogo azul, que não feria.
— Já sei! Isso deve ser uma sequência de elementos, o próximo é a água que esta contido na ave.
Enquanto ela fala isto um escrito formou o início de uma mensagem.

“Sem montanhas ou vales
a monotonia invade
um quebra-cabeça a céu aberto
feito para o homem certo


Homem que é fogo
Fogo que é homem
consumindo de si
consumindo pra ti

E na boca dos Deuses sua pronuncia é Liof”

— adame-pathar, O que se entregou por Valian

O velho que não parecia tão velho agora, andava na praça central buscando mais memórias. Buscando explicações para grandes coisas. Entre elas Não saia de sua cabeça a conversa que teve com o ser no posto do vale-costa-do-esqueleto: “Um de vocês modificados pelo sangue vivo de seus pais…herdeiros modificados…”, Mariam cortou o raciocínio do Guardião. Mostrando o que estava escrito no cubo.

— Compreendo, de alguma forma eu sabia que meu nome significava fogo.
— Ele fala do caminho do labirinto plano, Liof. Olhe o primeiro verso. Temos que ir para lá. Talvez o cubo esconda um mapa de como andar nele.
— Verdade, mas por agora necessitamos de continuar na batalha contra o senhor do castelo. Esse enigma não seria importante.
— E se esse tal de Adame estiver esperando por você? Se ele souber como lidar com o senhor? Se ele entender o que aconteceu antes das terras serem divididas? Qualquer ajuda é bem-vinda.
— Concordo, Mas exigiríamos muito dos outros por apenas um palpite. Precisamos De algo mais sólido — Liof estava curioso, porém sua mente não encontrava nada relacionado ao cubo ou o tal Adame.
— Então me deixe ir!— Marian estava obcecada por aquilo. Ela sentia que aquilo poderia levá-los a algum lugar.
— Deixo mas não sem preparo. Enquanto os soldados se preparam, eu te prepararei.

Adáia passou pelos dois na praça central e entrou na tenda, ambos seguiram a mulher sentindo que algo ruim estava prestes a acontecer. O cenho franzido e uma preocupação.

— Regente, peço-te a presença!

A menina deixou a regente se manifestar.

— Fale Chefe da guarda.
— Estamos cercados por tropas de Soldados escarlates.
— Não acredito que eles vieram atacar. Se fosse isso já teriam investido antes de notarmos a presença de todos eles. A que distância eles estão de nós?
— Na borda da depressão. 
— Não se preocupe, treine seus homens vamos precisar para o plano de expansão.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tya - O Torneio(3 de 3)

Loreah olhava sem entender coisa alguma, a sua visão se aproximava com a visão embaçada de quando se acorda e o corpo ainda reclama por não se sentir completamente disposto. Via os rostos gritando, pessoas de toda Tya. Urravam e ela não escutava nada. A última coisa que sua mente registrava era a final da modalidade da espada. Sentiu enfim a dor invadir os nervos do seu rosto, sentiu o ar entrar com dificuldade na respiração. Escutava passos leves e firmes se aproximando. Era Liof.

— O que você fez Loreah? O que fez? — Ele fala em um tom bem moderado, inexpressivo quase.
— Eu não sei — Sentiu o gosto de sangue na boca.
— Loreah? De onde conhece isso? De onde?
— Isso o que? — Um vazio invadiu a mulher de cabelos loiros, rapidamente escutava seu próprio soluço e desmaiou novamente.

Loreah havia se tornado a chefe da arquearia, Adáia possuía o título de mestre das adagas e finalizadora de armaduras. Ambas já tinham seus lugares entre os campeões. Porem a arte da espada definia o chefe da guarda, Adáia queria manter sua posição. Loreah queria superar a única pessoa que a derrotou. O torneio já tinham muitos de seus campeões. O tio de Calino e o menino prodígio, eram os ferreiros mestres. Criaram uma armadura mais leve e mais resistente, capaz de proteger um golpe de um machado de duas mãos. Sten participou da competição de forja fez dois machados de uma mão que seriam suas armas durante a tempestade que se aproximava, Machados de bronze com uma mistura de pedras que poucos conheciam formando uma camada branca sobre o metal. Bonito mas nada inventivo. Os jurados descartaram logo de início. Pãtrio e Pirtrio admiraram e torceram o torneio inteiro. Loreah virou um exemplo para aqueles meninos, queriam ter suas habilidades, queriam ser como ela, Inabaláveis. Porem o torneio de espadas trouxe uma surpresa.A tenda abrigava todos aqueles que haviam acompanhado Loreah em sua jornada, menos Marian que no meio da confusão foi perdida de vista. Loreah novamente teve sua razão de volta. Virando-se de lado para levantar, aqueles que a velavam se aproximaram. Os olhos azuis da ladina observaram uma mulher de armadura estava deitada ao seu lado, Adáia estava desacordada. O filho da mulher estava sentado ao seu lado e ali também estava o marido. Sentou, a sensação ao ver o sorriso de felicidade do menino foi estranha. Sentia-se perdida. Olhou então para aqueles que a rodeavam.— Poderiam me explicar o que aconteceu?— Vocês empataram!— Pirtrio não esperou nada.— Estavam vocês duas e mais oito. Rapidamente venciam um por um dos outros competidores. A espada de vocês chegou a se encontrar algumas vezes mas logo se afastaram. Sobraram você e Adáia, pareciam que vocês estavam inventando um tipo de dança, porque vocês lutavam de uma forma que nunca vi na minha vida. Claro que não vi muitas mas aquilo foi fascinante, você começaram a se movimentar rápido até que em um golpe, que não enxerguei direito, vocês duas caíram. Caíram, não! Voaram para lados opostos, você sangrando pela boca e com um corte na sobrancelha — ela conferiu o corte — Ela teve um corte no pescoço e sangrou pelos ouvidos.
— Muito bem, deixem ela pensar no que acabaram de contar para ela. Vão para a grande festa.

Os garotos
saíram aliviados, por terem visto que a ladina estava bem e por poderem aproveitar a festa do terceiro dia. Liof se aproximou da ladina.
— O que? Empatamos? Isso pode acontecer!? — Sentiu o gosto amargo da derrota novamente surgir em sua boca, entretanto a raiva não habitava mais ali.— Pode, isso não acontece a algum tempo. Porem tenho que te pergunta — Uma pausa foi feita — De onde tirou os movimentos de sua luta hoje? E quem te ensinou a proferir aquela palavra?

— Não estou te entendendo Liof.
— Os movimentos que utilizou, não são apenas movimentos. Você estava escrevendo algo, e de alguma forma conseguiu acessar a essência do símbolo que escrevia e enfim disse em voz alta para exteriorizar o entendimento que obteve dele.

— Não entendi, o que você disse — Desconversou a ladina — Eu inventei esses movimentos.
Liof olhava buscando alguma resposta. O silêncio incomodou.
— A minha aldeia treinava seus habitantes, porque vivíamos do que saqueávamos em outras aldeias e precisávamos ter as melhores habilidades. Para fugir ou para combater quando necessário. A parte final do treino era criar a própria técnica de combate — Os olhos dela ganharam mais vida, começaram a ser lubrificados pelas primeiras lágrimas que brotariam — Eu havia ganhado um pergaminho do meu tio. Sua característica era a brancura, tão branco quanto as paredes do castelo e nele havia um símbolo.
— Um dos pergaminhos do senhor do castelo branco.
— O que?
— Isso mesmo, um dos pergaminhos aonde ele escreve. Porque não possui a memória grande o suficiente para o conhecimento que ele tem.

O cubo repousava nas mãos de Marian. Era ela, a noite e o enigma. Passou os últimos dois dias com a mente presa aquele objeto, finalmente poderia tentar seus movimentos. Movia as peças ordenando-as, nada acontecia. Os três animais a encaravam, e os olhos dela tentavam os movimentos. Girou cada uma das paredes embaralhando os animais, cada parede do bloco continha seu próprio quebra-cabeça, enxergou sobre a serpente o início do símbolo que ela aprendera com seu pai. Alguma coisa dizia que tudo aquilo estava interligado. Mas porque a serpente seria o início de um símbolo que gera fogo?

— Posso contar para ela, como foi realmente a luta? — Sten que estava parado por ali polindo seus novos machados. Adáia sentou-se e quis escutar, o olhar da mulher era tristeza profunda ao ver Loreah. O olhar de uma mãe que sintonizava com o sofrimento de um filho.
— Claro, acho que poucos entenderam o combate em si — Disse Liof
— Você derrotaram os outros oponentes em conjunto, como se preparassem a batalha para ser apenas vocês duas. Lutaram lado a lado — Sten olhou para a mestre da guarda — Começaram a se golpear de forma aleatória, testando as defesas, testando as brechas. Você então começou uma movimentação estranha, coisa que eu só Marian havia visto você fazer. Quando lutou contra os cavaleiros escarlates no ataque que fizeram em Falligan. Ela me disse que você se movimentava da forma mais leve que já viu alguém se movimentar, que foi ferida no ombro por que em certo momento você hesitou. Isso não aconteceu ali. Você se movimentava com clareza e Adáia observando seus movimentos novos, imitou-os.
— Utilizo isso para ficar mais forte, se consigo imitar meu oponente consigo entender como ele ataca. Essa é minha vantagem, eu aprendo rápido
— ambas estava mais rápidas, até o momento em que acertaram simultaneamente os seus ataques. Adáia defendeu seu ataque, fazendo a ponta da sua lâmina acertá-la no pescoço e ela te acertando na sobrancelha. Então vocês duas proferiram uma palavra: Aêr.
— Eu me lembrei já escutar essa palavra, a muito tempo. Quando fugia do sentinela — O velho contou.

A regente se manifestou. A menininha ganhou a cor purpura nos olhos.

— Sentimos então uma movimentação na magia, o que vocês fizeram afetou de alguma forma o fluxo mas não sabemos nada, além do efeito lançadas para lados opostos. Vocês se lembram de alguma coisa a mais?

— Não — falaram as duas juntas e se olharam.
— Como vai ficar a questão da chefia da guarda?— Perguntou Adáia.
— Ela será dividida, o empate mostra que ambas são dignas do cargo.
— Uma honra — Adáia levantou-se afirmou com a cabeça, esticou a mão para ladina.
— Bem… — Ela apertou a mão, e se levantou utilizando o braço daquela mulher de apoio.

Calino correu, abraçando Adáia.
— Vamos para festa mãe?
— Vamos mas primeiro ajudante do mestre ferreiro, cumprimente a nova chefe da guarda.
O menino esticou a mão, Loreah a segurou. Uma sensação a invadiu, o vazio que existia em seu peito se esvaiu por completo. Ela amava aquele menino, amava como uma mãe e o protegeria de qualquer coisa no mundo. Algo que ele não sabia explicar. Um sorriso sincero e aberto surgiu no seu rosto. A sua mente vagou pela infância do garoto, vagou pelos passos, pelas descobertas descoberta e por sua vida, Ela o conhecia desde seu nascimento. Adáia observava a ladina e sentiu a revolta contra os cavaleiros escarlates, sentiu como se eles houvessem destruído o seu lar, o seu mundo. Ambas se deram conta ao mesmo tempo, as memórias delas haviam se misturado durante a luta. Adáia agora sabia toda a história de Loreah e a ladina toda a história da chefe da guarda. As experiências foram compartilhadas. A chefe da guarda saiu da tenda com o filho e Marido.

— Liof, Aconteceu algo mais.
— O que?
— A mesma coisa quando utilizei essa técnica em outro momento da minha vida, eu sei tudo que ela sabe. É como se todo as coisas que ela viveu estivessem em mim. Assim também foi com meu tio, Hilinor.
— Entendo… — A pausa dele foi longa — Vou procurar descobrir sobre isso. Você poderia desenhar o símbolo?
— Não preciso, vá no quarto em que fiquei. Preciso ficar sozinha.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Inuriam - Memorias da ladina

A última guerra causou a divisão das terras, as populações foram cercadas e cada uma foi guiada por um suposto guardião. O nome era simbólico, nada comparado aos guerreiros que tentaram libertar as terras dos gigantes, apenas homens fortes o suficiente para serem vencedores em campos de batalhas. Nenhum reino sobreviveu, apenas a lembrança. A transição de gerações fizeram com que todos aceitassem o destino de estarem sempre sob a mira dos soldados escarlates e subjugados pelo senhor do castelo branco, que deixa que seus “súditos” vivessem sem interferir ou mandar, apenas observando. Valian estava dividida em doze vinte aldeias. Aldeias geralmente seguiam um padrão comparado ao grau de sabedoria de seus líderes. Para entendermos melhor como era isso, Uan pai de Marian que lutou nas guerras quando tinha seus treze primaveras, teve sua vida em um vilarejo simples no reino de Tarth e por ter isso na cabeça o seu vilarejo era simples, sem muros, casas de madeira e sistema simples de colheita e plantação. O que seria então a vida da corja dos guardiões? O que seria feito dos mercenários, salteadores e trapaceiros se ele ganhassem um líder?

Hilinor que era um ladrão muito astuto, que sabia como ninguém envenenar as palavras ou as besuntar de mel, que utilizava-se de qualquer oportunidade que o colocasse em vantagem, que era honrado caso isso fosse suficientemente convincente para ele deixar mais um sem suas posses e que acima de tudo era querido por todos os outros malfeitores, ficou sabendo que as terras seriam divididas viu uma oportunidade em criar a aldeia aonde os excluídos dos reinos poderiam se reunir e viverem a vida aplicando golpes. Muitos gostaram da ideia e se reuniram, depois de seis dias definindo as regras de sua nova aldeia com os outros e pensando em como poderia sobreviver fazendo pequenos roubos nas outras aldeias foram cercados. Guiliener era o guardião designado para manter aquele grupo de pessoas em uma aldeia, ao todo eram cento e vinte pessoas, cento e vinte marginais, cento e vinte pessoas que confiavam somente em cento e vinte pessoas. Dançaram conforme a música, construíram seu povoado e começaram a plantar, porém como nenhum deles sabia lavrar a terra as plantações não cresciam. Guiliener não possuía paciência, castigando assim qualquer falha,ele filho mais novo de um antigo rei dos sete reinos se viu com um fardo maior que poderia aguentar. Hilinor na noite do primeiro inverno conquistou a aldeia para si, em uma disputa justíssima segundo ele próprio. Um duelo no meio da madrugada porque ele não conseguira mais dormir ao ver a situação de seu povo. O que na verdade foi uma execução no meio da noite.

A aldeia foi estabelecida e chamada de Inuriam, A sobrevivência deles por um bom tempo foi de roubos a postos escarlates e aldeias próximas. O que deu lugar as invenções, depois de algum tempo sobrevivendo dessa forma, as mentes engenhosas no crime descobriram outras formas de trabalhar engenhosamente. Criadores das primeiras roldanas, do sistema de elevação de grandes pedras com pequenos esforços – que por acaso foi utilizado para erguer a parte alta de Runei – e outras máquinas que começavam a auxiliar todas as outras aldeias pois eles trocavam máquinas simples por uma quantia absurda de pedras vermelhas e conseguiam sobreviver bastante tempo com as invenções.

O gosto pela aventura dos roubos, que agora não se faziam mais necessários, gritava o nome de todos eles então voltaram a roubar só para matar a vontade. Hilinor havia ficado mais sofisticado e escolher a dedo os itens que levaria das outras aldeias ou dos postos escarlates. Itens diferentes chamavam sua atenção, pedra de cores nunca vistas, metal resistente, armas e qualquer coisa com adornos ou coisa parecida. Os roubos passaram a ser um esporte e competição entre os patriarcas das famílias. O objeto mais valioso Hilinor escolhia uma dama a ser presenteada, a primeira foi a sua irmã, Hirea.

Hirea a muito se conservava sem marido, pois não havia um só homem em toda a aldeia capaz de conviver com aquela mulher geniosa. Nesse dia porém Limirt aquele que havia roubado uma pena com a base feita de uma pedra dourada, deteve-se contemplando de forma ávida aquela donzela. Ambos então se casaram e a vida seguiu.

Limirt e Hirea tiveram uma filha que era o tesouro de Hilinor, de tempo em tempo o tio dava a sua sobrinha um presente que podia ser o item campeão da disputa ou um dos melhores.

— Minha ladina favorita, como anda o início de teus treinamentos?— Ainda com dificuldade com o equilíbrio.

— É simples, só pare de perder tempo rabiscando em árvores.
— Não são rabiscos tio, são desenhos — juntando as sobrancelhas em protesto a depreciação.
— Seja lá o que for, pode estar tirando o foco do treinamento— ele bagunçou os cabelos loiros da menina, ela abaixou a cabeça contrariada — Tome isso, talvez eu salve mil pinheiros por te entregar esse pedacinho pergaminho — entregou pra ela um pergaminho que foi recebido na última competição.Ela deu um abraço em seu tio.
— Não se esqueça, o que diferencia o ladrão — ele cuspiu — do ladino é a habilidade.
— Sim — Ela fez uma mesura e foi correndo para casa.

O pergaminho continha um único símbolo que ninguém naquela aldeia sabia o que significava, ele foi escrito por inúmeras vezes durante as duas primaveras de treino, da pequena menina de cabelos loiros. A menina se mostrava mediana em todos os aspectos, porém ser mediana não era uma coisa ruim visto que era a única mulher que treinava. O último estagio do treino era criar os próprios métodos de defesa e ataque. Seu tio era o mais habilitado para fazer os testes, ele conhecia bastante sobre todos que ensinavam ali. Hilinor era muito observador, sempre foi seu trunfo contra seus oponentes, qualquer erro era assimilado por ele com rapidez.

— Lembre minha pequena, qualquer erro deve ser observado inesgotavelmente até se encontrar o caminho para não cometê-lo. Esse é o segredo no combate — Fez uma mesura e preparou-se para um dança de avaliação.

 Ataques seriam desferidos de forma a testar o quanto foi aprendido com o último estagio do treino, o quanto valido era aquela forma. Primeiro estágio era o arco, ele atirou a flecha rapidamente e correu para atacar com a adaga, a seta passou rápido na lateral direita quando ela rotacionou rapidamente os calcanhares. Ela desenhava o símbolo com os pés. Defendeu a investida levantando as mãos do tio em um movimento limpo, ela ainda não havia pego sua adaga. Desenhava o símbolo com o posicionamento de seu quadril. Puxou a perna do tio e retirou sua adaga de seu esconderijo, na cintura, ele saltou e atirou a adaga que fincou entre os pés da menina. Ela jogou a adaga fazendo a camisa dele sofrer um corte, voltando ao chão ele retirou a espada curta, ela igualou-se a ele. Desenhava o símbolo com suas mãos. As lâminas se encontraram, ele tinha mais força que ela e a sobrepujou com isso. Ela porem sentia-se leve como o ar, e veloz como vento. Ela sentia o símbolo. Desviou do desafio de força e chutou na direção do rosto de Hilinor. Esquivando do golpe ele soltou sua espada, ele direcionou o punho ao rosto de sua sobrinha, ela recebeu o soco desferido e proferiu o símbolo.

— Aer!

A mente de Hilinor foi inundada de memórias. Todos os seus feitos, e habilidade passaram diante de seus olhos. Loreah via o que Hilinor via. O sentinela sentiu a manifestação da magia e acreditou ser o guardião, preparou para caçar Liof, enviou os cavaleiros escarlates para destruir tudo que encontrassem naquele local.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Tya- O torneio( 2 de 3 )

— Loreah! Loreah!
Gritavam Pirtrio e Pãtrio
A ladina estava parada com o capuz verde pendendo no pescoço, era o segundo oponente da espada, não era sua especialidade mas o duelo anterior tinha atraído bastante atenção. Havia ganhado do segundo colocado do ano anterior com um golpe. O seu segundo oponente era um dos guardas que havia cercado ela e seus amigos. Ele a temia, apesar dela ter sido nocauteada com certa facilidade ,os primeiros movimentos vistos deixaram uma impressão sobre ele. Retirou a espada da bainha fazendo barulho. As regras do torneio de esgrima eram simples, o primeiro a sangrar perdia. Claro que eram evitados os pontos vitais, batalhas as vezes eram decididas com arranhões superficiais feitos pelo solos. Loreah porém não ligava para isso. O oponente que a enfrentou pela primeira vez saiu com a bochecha trespassada pela lâmina da ladina. Ela só tinha um oponente em mente. A batalha final era realizada por todos os competidores que obtivessem três vitórias, podendo perder apenas uma vez.
— Estou sem paciência—Loreah chamou mais um soldado que estava na fila, ele achou que lutar contra a estrangeira seria uma forma fácil de conseguir vitória.
— Eu?
— Claro! Vamos vocês dois contra mim pra resolver isso logo.
— Isso não seria justo.
— Injusto é eu enfrentar apenas um de vocês.
O soldado anterior mostrou magoa nos olhos e atacou, Loreah esquivou-se da investida com facilidade.
— Vamos! Rápido! — Ela acenou para o soldado que ainda estava em duvida em ataca-la junto com o outro, ele aceitou a batalha.
— Eu não preciso da sua ajuda—reclamou o soldado ainda se recompondo do golpe falho.
No mesmo instante sentiu a lâmina subir cortando a sobrancelha, o sangue pingou na bochecha. O outro olhando aquilo golpeou a ladina que tinha o braço estendido apontando o céu com a ponta da lâmina ensanguentada.
—Pronto, agora não tem mais choro — ela deu um passo para o lado e golpeou a mão do rapaz que não conseguiu interromper o golpe. Ele abriu a mão deixando a espada cair. A base do dedão sangrava. A ladina não pretendia causar danos maiores em lutadores fracos. Ela desejava o sangue de Ádaia, que já esperava os oponentes da parte final do torneio da espada. A guarda mestre treinava seu arco, enquanto entre uma parada ou outra testava o gosto das novas receitas feitas por seu marido Cilindor. Loreah viu que ela não dava a menor importância para quem iria ir contra ela. Isso só fez seu sangue ferver mais.
Marian olhava hipnotizada para a caixa. Buscava na sua mente todas as histórias que sua mãe havia contado. Quando a noite caia, Ruflo trancava as duas em um dos cômodos da sua casa e aquele cômodo era o cenário de histórias até a morte da mãe dela. Ela buscava as histórias porque os animais não eram estranhos, ela não estava prestando atenção mais em nada. Absorta em seus pensamentos concluiu que se fosse algo óbvio demais as pessoas já teriam aberto aquele cubo.—Sten, o torneio aqui esta a forja e as ferramentas necessárias.—Obrigado Calinor.—Outra coisa, você tem três dias para terminar o que for fazer, seja armadura, arma, cela, qualquer coisa— O menino estava ofegante — Essa é minha primeira tentativa de entrar no torneio, minha mãe falou que eu estava preparado há um ano mas eu não queria mexer com culinária igual meu pai, eu quero é mexer com criação de armas, igual meu tio. Ele que vai me ajudar, seremos uma dupla esse ano. Eu ainda não tenho força para martelar o metal mas meu tio fala que tenho boas ideias — Ele abriu um sorriso.— Aonde consigo a matéria prima?— Tudo fica nos depósitos, eles ficam aberto e você pode pegar o que quiser, depois do torneio todo que utilizaram vão minerar. A única coisa que é bem limitada é os itens que vem dos animais, só aproveitamos as partes dos animais que morrem.— Obrigado Calinor.— E vê se não esquece os pontos de forja.Sten balançou a cabeça e pegou as ferramentas que demorou dois dias para conseguir com ajuda de Calinor.


A tarde de disputas continuou, até a regente declarar o término do primeiro dia. Uma grande fogueira foi feita, e os cozinheiros finalistas se prepararam para criar as comidas mais gostosas e que dessem mais energia. Uma grande festa, muitas canecas de cevada amarga, sucos de mangedéias e muitas comidas. Todos estavam feliz, todos não. Loreah estava longe da festividade, tinha voltado para a pena de luz. Estava em seu quarto no escuro sentada virada para a parede, seus dentes rangiam, adaga riscando a parede, ela desenhava um símbolo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Tya- O torneio( 1 de 3 )

O dia nasceu trazendo consigo a ansiedade, ela morava dentro do peito das crianças da cidade de Tya. Muitas delas haviam dormido mais tarde rolando nas camas, o grande tornei era o evento que todos esperavam. Os campeões dos torneios anteriores se sentiam como as crianças, uma pouco mais, haviam sobre os ombros uma certa responsabilidade, ali todos se divertiam, ganhar nem sempre era o importante. A maior responsabilidade era a de estar a frente de um dos cargos de importância de Tya, coisa almejada por todos os moradores dali. Eles sentiam a vontade de fazer aquele local crescer. Porem para alguém nas sombras do estábulo que serviam para os cavalos se alimentarem e passarem a noite, Loreah amarrava as novas aljavas feitas de cipós da floresta, concentração impecável, respiração balanceada, olhos severos e veias pulsando orgulho ferido. Liof cuidava da pequenina Ounda, ela estava esgotada Duia e ele conversaram bastante durante a noite através de Ounda. A menina estava deitada, lábios entreabertos, suas bochechas gorduchas subiam um pouco quando ela respirava, assim como o seu corpo na almofada. Liof a olhava com olhos brilhantes de nostalgia e esperança. Seu pequenino já dormiu despreocupado assim como aquela menininha, agora ele dormia pra sempre.
—O sono daqueles que são puros—Ele sussurrou.
Marian conversava com o dono da pena de luz, tentava conhecer um pouco mais da cidade.
—Você vai adorar o torneio, ele acontece de hoje ate o término das competições e no último dia existe as danças. São belíssimas e logo após tem o evento mais sagrado, a flor de luz é despetalada e dada aos novos casais concretizando assim a união. São duas pétalas para o casal. Olha só.—O homem tirou um cordão de dentro da blusa, na ponta dele uma pétala azul prateada—me lembro quando eu e a minha Noara tínhamos ganhado as nossas, porém n
ós ainda não tínhamos visto que eramos ligados dessa forma, sabe, sempre fomos amigos desde pequenos mas eu não percebi que ela gostava de mim desse jeito.
As sobrancelhas de Marian se juntaram um pouco, seu peito do preenchido por um ar, ar que almejava ser suspiro. Sua mente delineou o homem de cabelos negros, de olhos intensos e carinhosos e de mente simples. Tão simples que talvez nunca tivesse pensado em encontrar alguém, como ela pensava quando era pequenina. Suspirou.
—... pois é, ela deixou essa terra depois do último torneio. A regente cuidara dela de alguma forma—Ele deu um sorriso entristecido—agora vou chamar todos que já devemos ir.
Tudo bem – na mente dela ainda pairava—Sten!
O Selvagem andava firme e de semblante estático, sem expressões, ao levantar seus olhos que estavam parados enquanto sua mente buscava entender ainda o torneio que se aproximava, sorriu. Repassava em sua mente todas as vezes que fez alguma coisa para ajudar a se proteger dentro da floresta-sem-luz. O dia anterior ele havia passado bom tempo aprendendo com Calino, segundo o que falou Ádaia o menino era muito avançado na maioria das coisas.
—Marian!—Ele falou num tom mais alegre que o comum, então tentou concertar—Você não quis participar do tornei?—Sua voz foi um pouco mais formal.
—Não, eu ficarei cuidando da intermediaria da regente. Duia pediu para estar do lado da pequenina.
—Duia!? Quem conversou com Liof e conosco quando chegamos – Ele repetia o que sabia, algo muito comum quando não se sabe ao certo o que falar.
—Marian!—Pirtrio e Pãtrio surgiram de forma alegre, não pareciam os meninos endurecidos e sérios que tinham sido encontrados por eles.
—Vamos para o torneio? —Sten quis dar foco ao objetivo.
Loreah já se dirigia a grande arena, cobriu seus cabelos loiros com o capuz verde-floresta conseguido a pouco tempo com um dos moradores que a viu treinando e quis lhe dar um presente de boa sorte. Um cortejo. Tudo que ele conseguiu com o gesto foi um olhar gelado. O final de seu treinamento ela o pegou na cerca que ele havia deixado. Agora todos ia para arena.

A cidade chamava de a grandiosa caminhada a movimentação do povo em direção a área do torneio, cavaleiro montados em cavalos sem sela. As modalidades dos torneio que mais atraiam o povo eram a de espada, de arco e flecha e a de inteligência. A de inteligência abria as comemorações, o vencedor tinha o grande cargo de apurador. Automaticamente ele vira o segundo juiz do torneio e auxiliava em decisões complexas.
Como a do torneio anterior aonde o brilho deixado nas placas de metal enferrujados foi decidido pela regente, pelo vencedor de inteligência do torneio anterior e pelo novo apurador. A quantidade de primaveras não importava naquele local, um menino que acabara de aprender a falar poderia concorrer a apurador. Todos tinham o direito de competir aonde quisessem.

Alguns trovadores andavam dando o tom da marcha, a cidade que nos dias anteriores parecia vazia vista de cima parecia um formigueiro, pessoas cantando. Rindo. Todos preparados. As áreas de torneio eram dívidas, em etapas mas o encontro inicial era com a fala da regente e o teste de inteligência. A pequenina era carregada pelo Guardião, A regente havia falado com todos que gostaria de ter ele e Marian como protetores primários. Ádaia tomou providências para que isso acontecesse. A cerimonia inicial era apenas para os competidores, pois não caberia todas as pessoas de Tya ali, muitos subiam em construções para tentar ver alguma coisa. Ounda acordou, deu um sorriso desceu do colo de Liof e andou até o centro do círculo aonde se encontravam. Os bardos pararam as músicas. Os olhos da menina tomou a tonalidade lilás característica da regente, Liof se concentrou, seus olhos ficaram ambar. Ele protegeria ela de qualquer ataque, sua memória havia identificado bastante informações na questão do fluxo mágico. O orbe se tornara uma lembrança constante que o ajudava a encontrar meio de deixar fluir o grande rio de magia. Agora ele balançava freneticamente o rio, para que caso o seu rival resolvesse atacar encontrasse somente a ele. Algo dizia que se ele pudesse realmente atacar teria aproveitado a chance quando controlou o corpo da pequenina. A voz da regente se fazia ouvir de onde quer que você estivesse na cidade você a escutaria como se ela estivesse ao seu lado.

— Esse é o torneio mais importante desde a era dos reinos. Como todos sabemos, sofremos ataques externos algumas vezes. Nos mantivemos firmes ante as investidas dos cavaleiros escarlates, nossas defesas foram bem estabelecidas. Conseguímos nos relacionar com o local que nós vivemos, que é sagrado. Nós nos sustentamos sem destruir e isso tudo continuara assim. O nosso reino será a semente de algo maior. A dois dias chegou um grupo de aventureiros, que aos olhos de nossa maior campeã se tornaram amigos de toda Tya. Eles trazem consigo, notícias preocupantes. Chegou a hora de ajudarmos as aldeias que nos cercam, mesmo que isso signifique a extinção da nossa — Bocas se abriram emitindo ós e aís — Nós nunca tivemos medo, fomos cautelosos e talvez isso tenha nos transformados em fortes. Não podemos simplesmente fechar os olhos por comodismo, pois o inimigo que nos aguarda está se fortalecendo e sem a capacidade de expandirmos nossos conhecimentos ficaremos presos na nossa redoma e seremos soterrados por ela. Esse é o torneio que você mais esperavam, o torneio que mudara vidas. Que trará consigo os campeões responsáveis por liderar a conquista da liberdade de todos os povos de terras divididas. Mesmo que não conheçamos nenhum deles. Os representantes e amigos se apresentam. Liof o último Guardião – Um burburinho se ergueu, todos ali sabiam as histórias sobre os guardiões, a imagem que tiveram foi dos olhos fogo do velho — Sten, O selvagem — A conversa que Liof teve com ela, foi esclarecedora sobre cada um deles — Marian, A líder de Falligan — Ela apontava para a mulher de olhos castanhos e límpidos — Pãntrio e Pirtrio, Os embaixadores de Runei — Os meninos abriram um sorriso escutando o nome de sua cidade — E Loreah — Ela buscou a ladina no meio da multidão — A andarilha — Loreah não se aborreceu, não ligava para o que falaram dela. Seus punhos serrados, lábio comprimido e olhar feroz diziam o que ela queria — Vamos ao início.

O Torneio de inteligência foi iniciado, a primeira prova era simples. Resolver problemas de formação e proteção. Os candidatos faziam suas sugestões sobre o ataque e defesa, alguns
foram muito bem. Escolhas diversificadas porém corretas, todos passaram. A segunda era provisões e decisões, para cada um era montado um cenário diferente, Marian acompanhava atenta todas as soluções e pensava em como faria caso fosse a sua aldeia naquelas situações. Criava sua própria solução e confiava nelas. Passaram apenas três dessa etapa. O vencedor do ano anterior um menino, com pouco mais de quinze primaveras ajudava a julgar. Faltavam duas etapas, porém todos consideravam apenas a penúltima pois a última possuía um enigma insolúvel. A última etapa era o próprio julgamento, a inteligência passa por decisões e conhecimentos em geral, os conhecimentos uteis para um apurador era a capacidade de avaliar a situação com poucos elementos e decidir.

Um grão de areia, um pedaço de ferro e a pedra vermelha. Quem demorasse menor tempo para responder corretamente ganhava. Os elementos foram revelados e Marian sussurou
— O Nosso inimigo é o dono do castelo branco — Ela tinha uma vantagem contra aquele
s ali, ela conhecia o problema.
—Muito bem — disse a regente — Eu quis revelar a pessoa mais inteligente nossos planos e é claro ver se ela está disposta a ter essa responsabilidade.

Uma mulher arregalou os olhos, sua mão começou a tremer. Andou até a regente com a resposta nos
lábios.
—
É verdade? Existe um senhor dos cavaleiros? Como venceremos? — A mulher com cabelos castanhos escuros e uma fisionomia marcada pelo trabalho na mina de ferro.
— Estamos decidindo isso ainda, mas precisamos de você Guinn.—olhou dentro dos olhos da mulher que confirmou seu apoio—Temos uma campeã —Ela se fez ouvir. Por todos.

O último enigma ficava ali em exposição, para qualquer um que quisesse tentar fazer. Uma caixa de madeira, com entalhes de animais, suas paredes se moviam eram moveis e podia se organizar conforme a sua vontade. Um segredo desconhecido até para a regente.

A caixa tinha: Um lobo-olho-azul, Uma serpente, Um pássaro e Um inseto.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tya - O inimigo

 O lago cintilava em tons prata e azulado, refletia o sol apresentando seus primeiros raios. Um homem de cabelos brancos estava parado. Olhos fixos, sua imagem deitada na superfície do lago. Porem ele não olhava para o espelho, ele olhava através dele. A era dos reinos. Seu coração estava apertado, a garganta oprimida por um grito que não queria sair. Enfim uma gota abalou a água do lago.

“—Gostaria de ter a honra de levar-lhe para um grandioso jantar.- ele fazia uma reverência.
—Por aqui não é assim que se convida uma dama. Tem que provar o seu valor – O desafio veio pelos lábios da ferreira.
—Achei já haver provado meu valor a todo reino— Ele entrou naquela dança.
—A meu reino não me faz, eu faço o meu reino. Devia saber, essas foram as palavras de posse do primeiro rei de Mengua — Ela o girou dentro da própria cabeça.
— Ofereço minhas mãos para construir o futuro, meus pés para abrir os caminhos inexistentes, minha espada para vencer os inimigos que lhe querem negar a felicidade e meu coração para completar tudo que faltar no seu— A sinceridade foram os dois passos à frente.
— E seu escudo?— Ela pisou duas vezes atrás.
—Eu não uso escudo— Foi a vez dele executar o passo atrás.
—O que faria diante de um mal inevitável?— O passo dela foi a frente.
—Daria minha vida para purificá-lo. Não uso escudo porque eu sou o escudo.— Enfim se encontraram.”


—Estou dando minha vida. Porque eu sempre serei escudo— Ele balbuciou, chorava por Aurinia.
Cerrou seus punhos, a noite o acompanhou. Sussurrou durante a madrugada alguma das lembranças, que levaram até aquela. O quebra-cabeças muda a cada peça. Liof junta as peças com maestria apesar disso lhe causar uma imensa dor de cabeça. Agora sabia mais sobre o inimigo.

Loreah descobrira durante a noite, Bonecos fixos de madeira. Eram resistentes, feitos para o treinamento dos guardas. O torneio se aproximava fazendo com que esses bonecos fossem encontrados com maior frequência. Ela passou a noite ali, constante. Repassava na sua mente.

“Surgiu atrás, larguei o arco, aquela distância não seria efetivo. Peguei adaga, me virei tentando golpear a barriga. Porque a barriga? Era o movimento mais correto, um ataque visando a defesa para conseguir espaço. O primeiro ataque veio da lateral. Eu errei, devia ter previsto o deslocamento e aproveitado o peso do movimento. A guarda me acertou. Eu não perdi ali. Ela encurtou a distância e abraçou meus braços e me deu uma cabeçada. Sem elmo, eu retirei ele com adaga. Como eu venceria?”

O ciclo vicioso, rodou a noite inteira. Fazia isso porque seus treinamentos falharam em algum ponto e quando isso acontecia ela repassava exaustivamente a situação até tornar espontânea a reação. Ela sabia pensar melhor em batalha. Os bonecos sofreram com adagas, espada curta e por último a flecha. Ela saltava para algumas direções e disparava o quanto pudesse antes de terminar o movimento de rolar. Retesou a corda do arco e pulo para trás, o alvo estava a quinze passos. Deixou a flecha buscar abrigo, usou outra, já estava posicionada na mão que segurava o arco. Antes de encostar no chão atirou a segunda. Rolou, quando suas mãos encontraram a posição correta impulsionou o corpo para trás enquanto estava no ar puxou outra flecha, ela estava amarrada em sua perna, caiu agachada. Equilibrada e disparou a flecha. O barulho no boneco foi como tamborilar de dedos em cima de uma mesa de madeira, sequência e imediato. Ela não estava satisfeita. Puxou mais duas vezes o arco e sorriu quando o elmo  do boneco foi retirado pela última flecha.
“Abandonar o arco foi meu erro, devia ter usado a madeira para ajudar na defesa. ” Decretou.

Pãtrio e Pirtrio dormiram no mesmo quarto, queriam conversar sobre a nova emprestada. A conversa demorou pouco, Pãtrio colocou seus pontos de vista e Pirtrio apenas respondia com mono sílabas afirmativas então adormeceram em uma superfície macia. Sonharam pela primeira vez.

Marian fechou os olhos e deixou sua mente vagar antes de adormecer. A tenda lilás chamou sua atenção, dentro dela uma mulher de vestes brancas carregava flores-de-luz cor lilás. Ela sorria. O local aonde deveria haver o coração da mulher, tinha uma chama amarela mais brilhante que as flores, parecia nutrir toda aquela tenda. Olhou para cima e viu o teto da tenda subir, A tenda cobria Tya. A mulher mergulhou a mão dentro do seio esquerdo e sua mão agora estava envolta naquela luz, ela acariciou o rosto de Marian que foi aconchegado pelo fogo. Ele a abraçou e trouxe paz. Um clarão levou sua consciência. Ela dormiu até o amanhecer.

Sten dormiu como uma pedra.

Liof caminhava em direção a tenda, encontrou a ladina ainda treinando.
—Loreah, chame todos tenho novas informações sobre o dono do castelo branco.
A curiosidade fez ela guardar a espada curta e ir chamar todos em seus quartos. Reunidos o estalajadeiro, ofereceu frutas, pães e geleias. Somente os dois meninos comiam quando Liof começou a história.
— Prestem atenção, essa é a história mais antiga que consigo lembrar. Foi contada para mim por Ant'jur. Repetiu para mim muitas vezes. Ontem na tenda conversei com Duia, a curandeira dessa cidade. Aqueles que duvidavam da magia encontravam nela a prova, de alguma forma ela ao morrer continuou por aqui. Acredito que seja o anseio de curar todas as feridas do mundo. Enquanto existir isso no mundo ela deve habitar aqui — Ele não fazia ideia de como esse raciocínio saiu de sua boca — Fui ameaçado, pelo dono do castelo através da porta aberta por ela naquela pequena menina, ela fez o favor de ocultar vocês dele. Sua presença acionou muitas memórias, quanto mais perto da magia mais elas surgem. Essa lembrança surgiu enfim, a história de como ele surgiu. — Ele olhou nos olhos de todos, precisava de atenção. Prosseguiu — A escuridão era o mundo, e o mundo não existia. Dois deuses meninos com poderes de criar. Brincavam e fizeram céus, montanhas, rios e mar. Aprenderam a fazer vida, aprenderam a reação criar. Enfim livre-arbítrio aprenderam a entregar. Fizeram então do emaranhado de si mesmo o primeiro filho, tais como as montanhas que se destruíram até poucos sobrar. O segundo filho nasceu, tais como rios e encheram de vida as montanhas. Maravilhados com a criação resolveram criar o último. Esse teria a força do primeiro, a vida do segundo e conhecimento dos dois. Eles sabiam de coisas além das estrelas. Sabiam das estrelas onde habitavam os pais e esses mundos eram ligados por um rio de magia sem fim. O último filho seria um barqueiro. O criaram e ensinaram a navegar. Eles esqueceram, porém, que para fazer todos os seres daquele mundo usaram da escuridão e a escuridão puniu. O último filho se julgou maior que os próprios pais, pois vislumbrou o poder de seus avós. Atacou por fim os dois. Fazendo nas montanhas sangrarem, derramaram a essência do rio e antes que se esvaíssem na criação. Amaldiçoaram o último filho. Um sussurro do pai, transformou a arma que os sangrara em fluxo vivo de seu desejo. A mãe abraçou o céu e fez chover sobre sua navegação. Ele só poderia enxergar abaixo de seus pés e sentir as oscilações do rio. Apenas sentir.


Todos estavam parados escutando. Estáticos. Os meninos haviam parado de comer, perplexos.
—O que isso quer dizer?— Loreah não tinha saco pra interpretar contos antigos. Havia mais coisas a fazer.
—A arma usada contra seus pais era o orbe encontrado na fuga da tentativa dos guardiões. Aquela época não sabíamos que ele existia, quando entrei em contato com o orbe eu sabia. Sabia do mundo, mas isso não é o importante. — Ele fez uma pausa — O importante é que ele só pode nos encontrar através da magia. A magia perto de mim ele pode sentir a minha reação. Ele me caça a primaveras.

Pãntrio e Pirtrio estavam perdidos na conversa. Sten compreendia muito daquilo por ter partilhado de algumas histórias vindas de Liof. Loreah foi acometida de uma profunda reflexão. Marian se aproximou do guardião.
— Você pode me ensinar? Sobre a magia?
— Eu também quero — os irmãos soaram em uníssono. Um costume bem comum deles.
—Desculpa, não é algo que possa ensinar. Algo flui por você.
—Ela flui por mim. Duia me mostrou isso ontem. Em sonho.
—Foi só um sonho.— Ele a testava.
— Assim como o que tive com Sten e Loreah em uma casa.— ela persistiu.
—Sim.
— Sten me contou sobre a fuga da cidade dos meninos aqui. Foi igual. Carregando suas figurações.
Liof viu, finalmente ela havia entendido.
—Começamos amanhã, vou conversar com a regente.

Sten acompanhou seu mestre. Loreah foi ensinar Marian, estava distraída. Pergaminhos roubados assombravam suas memórias. Pãtrio e Pirtrio foram caminhar pela cidade, a cada lugar conhecido o ódio pelo lugar se dissipava.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Tya - A reconstrução de um reino puro

 Tya é a aldeia que conseguiu autonomia, ninguém ali possui cristais vermelhos. Os postos de cavaleiros escarlates que cercam a cidade, serviam para vigília dos moradores. Primaveras se passaram desde a última vez que o portão havia sido aberto. Após a cerimonia de enterro dos animais que Loreah havia matado. O hiato havia sido quebrado, para os soldados haviam escadas nas torres que abaixadas possibilitavam a entrada e saída do local e foi desse modo que eles se organizaram para atacar os invasores. Que agora eram amigos. O portão se abria para amigos. O ar fez barulho ao passa pela fresta vertical da parede, que começou a ganhar largura. A aldeia tinha uma extensão que fazia sumir de vista as construções de casa. Os lábios de Liof desenharam um sorriso saudoso em seu rosto, seu olhar cintilava e seu peito se encheu de ar e esperança. O suspiro saiu. Aurinia era habitante de Mengua. Uma flautista que em um dia de torneio ganhou o coração dele, e tempos depois deu à luz ao filho dele. Ambos foram mortos, pelo gigante. Toda uma sequência de fatos que poderia desanimar um homem mas ali em Mengua a sua lembrança era do grande torneio entre reinos, muito antes da tentativa de invasão ao castelo branco e dos gigantes. Ele sentia o doce soar da flauta de Aurinia.

Loreah permanecia com uma ferida nova, uma ferida interna. Resmungava para si mesmas palavras tentando justificar a derrota na batalha anterior, ela não estava acostumada a ser nocauteada. A ferida pulsava a raiva. Tudo que ela queria era uma oportunidade, apenas uma oportunidade, quando ela tivesse essa.
—Oportunidade —escapou de seus pensamentos.
—Oportunidade de que? — Marian perguntou.
—De nada —seus olhos ferozes repousaram no rosto amorenado da líder de Falligan – De nada! —adiantou o passo se mantendo a uma distância de todos.

Ádaia estava com o braço escorado nos ombros de Sten.
—Então me diga, você resolveram fazer da história de criança sobre os guardiões realidade?
—Como assim história de criança?
—Eles são os heróis das histórias para nossas crianças, Um grupo de cavaleiros incorruptíveis e com o objetivo de unificar todas os reinos antigos. Esse é o objetivo de vocês?
— De certo modo— Sten estava observando a cidade espantado.
Ádaia deu uma gargalhada leve e olhou para o homem de cabelos negros. O semblante dela mudou quando viu a seriedade com que ele encarava situação.
—Para os guardiões vocês estão precisando de mais pessoas. E pessoas melhores em combate.
—Claro, por isso estamos avançando em direção as aldeias para ligarmos elas através de algumas pessoas— levantou o queixo olhando para o rosto da mulher de cabelos vermelhos — Quanto ao combate, nós estávamos em leve desvantagem de número e a surpresa foi um fator decisivo.
—Verdade, se querem um desafio justo em dois sois teremos o torneio. Nele são decididos os grandes representantes das artes. Faz sete flores de luz que eu não perco na arte da espada, do polimento e na faca.


Todos integrantes da tropa haviam ido para seus postos e apenas Ádaia mantinha todos em direção a praça central. Contaram grande parte da jornada até ali quando a visão de um menino de cabelos vermelhos brincando com os pássaros na praça central, perto do destino deles. Tomou a atenção de Ádaia.
—Calino, o que está fazendo na praça central?- Falou com um olhar terno para o garotinho que agora estava envolto pelos pássaros.
—Estava brincando, papai está lavando a casa e eu pedi pra vir aqui brincar com os pardais.
—Espero que seus treinamentos estejam em dia.
— Claro que estão, hoje aprendi sobre a forja. Titio ensinou o ponto do brilho do ferro.
—Depois quero ver se aprendeu direitinho. Agora vem aqui e cumprimente os novos amigos de Tya. Aproveita e de um beijo na mãe.
—Mãe...
—Rápido!— Disse ela com carinho e rigidez.
O menino de sete primaveras se aproximou e fez uma reverência para cada um dos que estavam perto de sua mãe. Foi pego então levado ao rosto da ruiva e deu um beijo carinhoso no rosto, depois subiu nos ombros dela.
—Eles já viram a regente?— Perguntou o menino curioso.
—Estou levando eles para ela agora. Seu apressadinho.
A tenda roxa com adornos dourados figurava a frente de todos eles. Liof sentia a leveza do local e o poder. Outro santuário. Eles entraram e havia várias almofadas no local e uma menina pequenina no meio. Aparentava a mesma idade de Calino, de olhos grandes verdes e cabelos encaracolados curtinhos. Sua tez morena se assemelhava a de Marian.
—Notícia boa regente— A mulherona disse para a pequena— os primeiros amigos de Tya em muitas flores de luz.
A pequenina sorriu então seus olhos foram preenchidos e uma cor lilás e seu corpo endireitou-se e levitou um pouco acima das almofadas.
—Que grandes notícias— A voz que brotava era a junção da voz da criança e da entidade que por ela falava— Eles pretendem auxiliar na defesa?
— Na verdade eles trazem outro propósito. Eles pretendem unir as cidades e atacar o grande castelo branco.
—Isso é loucura, desculpem meu tom mas isso é praticamente entregar a vida por uma causa perdida.
Sten tomou a frente.
— O que a senhora sugere que façamos? Ficar presos em nossas aldeias até que o senhor do castelo resolva que sua aldeia não deve existir e a destrua.
— Vejo que carrega marca— levantou sua mão em direção a Sten e a afastou como se algo repelisse sua tentativa de contato— Não sei se você entende rapaz, mas já tentaram fazer isso a muito tempo atrás e o resultado foi o confinamento de todos em seus próprios territórios.
— Da outra vez os guardiões conseguiram enfraquecer eles.—Liof falou com firmeza.
— É verdade. é... —O corpo da menina se contorceu, o lilás dos olhos começou a escurecer. A voz sôfrega de quem prendia a respiração por longo tempo pulsou — saiam todos! Exceto você guardião primordial.
Sten fincou os pés e não quis sair, Ádaia o segurou pelo braço e ele não tentou resistir.

—Enfim!— A voz da anciã havia sumidos agora uma entidade maior falava— Te encontrei, eu realmente não acreditava que você ficaria adormecido eternamente. Já planejava te caçar. Sem a magia do orbe você não pode ser localizado facilmente. Ele te jogou em algum lugar dessas terras para te proteger. Uma cortesia dos antigos Deuses. — A menina inclinou a cabeça um pouco para o lado e levitou até quase encostar no topo da tenda. Observou os olhos de Liof —Você ainda não se lembra não é?— Uma gargalhada abalou tudo dentro da tenda.
— Pena não poder me localizar— Liof o desafiava — Santuários mantêm a energia correndo, como as águas canalizadas para irrigação você sabe que a água passa mas não sabe aonde.
—Vejo que não está tão leigo quanto aparenta— Ele se divertia com o rosto do homem que se concentrava para expulsa-lo dali— Vim apenas avisar que é tudo questão de tempo até que nos enfrentamos, e dessa vez. Eu te apagarei da existência.

O corpo da menina despencou, mole. Liof correu, os travesseiros não amorteceriam a queda por completo. Quando as mãos dele seguraram a garotinha os olhos lilás voltaram.
—Ele é muito forte, Liof— Ela o reconheceu.
—Eu também sou, Duia— A memória dele havia resgatado a figura da sabia cuidadora do templo da flor de luz— Precisamos enfrentá-lo de forma diferente.
A menina adormeceu em seus braços. Ele a repousou nas almofadas e saiu.

—O que foi aquilo Liof? — Sten estava mais preocupado que curioso
— Nada— O rosto do velho estava endurecido e sério.
— Como ela está?
— Bem.— Ele saiu apressado uma direção qualquer, precisava de silêncio.
Todos ficaram ali estáticos sem entender nada. Quando a tensão passou Calino fez muitas perguntas a todos ali. Ádaia voltou para o seu posto depois de verificar como a regente estava e pediu para seu filho acomodar os cinco aventureiros nos quartos vazios da taverna pena de luz.
Todos se alimentaram com formas diferente de preparo de frutas e grãos.