Mostrando postagens com marcador Sten. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sten. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de abril de 2016

Runei - o despertar da multidão ( 2 de 2 )

  Os portões se abriram revelando o vazio. Sten olhou fixamente, ainda sobressaltado porém seus instintos não sinalizavam nada de ameaçador. Buscou seus companheiros escondidos entre as folhagens próximos a entrada do túnel, fez um sinal que apenas seus soldados, Pirtrio e Pãtrio viriam entender. Ele entraria e se demorasse muito para voltar eles poderiam entrar, não queria arriscar nenhuma vida na incursão, preferia verificar sozinho.
Os passos cautelosos do selvagem ecoavam nas paredes alvas. Pelos vitrais, do corredor mais externo da grande fortaleza, o buraco ainda estava em chamas. Tudo dentro daquele lugar era majestoso, um contraste gigantesco com a pobreza da parte baixa de Runei, pinturas exaltando o senhor alvo e sua família que era composta de dois filhos, sua esposa e uma filha; haviam pinturas do monstruoso cavaleiro escarlate primordial. Um arco mostrava um corredor que dava acesso ao interior da parte alva. Escavada nas paredes da pedra, a cidade teria o tamanho de metade de Tya, descendo um pouco Sten viu os acessos para o local aonde ficavam os arqueiros que o atacaram. Ninguém estava ali, não teriam eles evacuado aquele local tão rápido.

Aprofundou um pouco mais nas galerias que levavam a um círculo, iluminado pelo sol que entrava pelo topo da construção através de um buraco com mecanismos nas bordas enormes, que tinha do local aonde ele olhava era separado em partes, haviam ruas, plantações, criadouros de todos os tipos de animais e uma sala dourada que ficava fixada na parede do que era o fim daquela parte central. Descendo as galerias do grande castelo Sten lembrou a composição dos formigueiros verde-mato, aonde elas montavam várias casas e locais de descansos para suas operárias enquanto a rainha cuida da parte de alimentação e transmitia a formas de expansão do formigueiro. Nas ruas do círculo Sten observou as plantações que agora pareciam envenenadas assim como as matas perto de Runei, o cheiro era o mesmo; os animais estavam catatônicos, com andares lentos tudo causado pelas pedras fincadas na parte central da cabeça de cada um deles, as veias saltavam mostrando que foram transformadas em pedra escarlate. Quanto mais se aproximava da sala dourada um fungar aparecia no ar, ele olhou com calma todo o local e o barulho vinha da fenda na parede próxima a sala.
As mãos de Sten mergulharam no breu, sua mão esquerda encontrou a nuca e a direita agarrou um ombro. Os olhos prata da menina de cabelos negros fitavam o homem com a armadura de Tya. A menina sentiu mais lágrimas acumularem nos olhos até que firmou os lábios finos e contraiu as sobrancelhas, não deixando uma só se derramar.
— O que você quer com o reino do meu pai? É por sua causa que os homens de vermelho machucaram todos e forçaram a saírem daqui?
Sten a soltou, deixando ela no chão e agachando para ter uma conversa na mesma altura que a menina
— Como é seu nome?
— Finuara, a herdeira da cidade lunar – estava firme mesmo diante do desconhecido
— O que aconteceu aqui, você pode me contar.
— Os soldados vermelhos apareceram aqui a muitas luas atrás e participaram de uma festa. Depois dessa festa meu pai começou a construção de um grande túnel, ele sempre me levava pra ver quantas pedras vermelhas e verdes possuíam nas paredes do túnel – ela fez uma pausa deixando uma lágrima sair pelos olhos – ele iria até o grande castelo da montanha. A duas luas atrás o monstro vermelho chegou com seus soldados e meu pai ficou bravo, muito bravo e hoje de manhã antes do som de aviso do grande mago os soldados vermelhos atacaram, mandaram meu pai e todo nosso povo cravar a pedra vermelha em nós mesmo. Meu pai mandou eu e meus irmão nos escondermos e tentou revidar. Ele não queria aceitar as ordem do monstro vermelho. Eu me escondi e não sai por nada. Agora vejo que todos foram embora.
— Aonde esta esse túnel?
— Fica na parte de trás do trono dourado.

Sten forçou a porta do que a menina chamou de trono e quando abriu a terra havia tomado conta do local, haviam feito a passagem desmoronar. Um barulho constante de engrenagem marcava alguma coisa, um sino badalou.
— O que é isso? – Sten perguntou a menina.
— O sistema de fechar, papai criou pra nos manter trancados durante a alta noite. Começa trancando as portas mais interiores e até as grandes…

Sten a pegou no colo e começou a correr:
— Eu quero ficar aqui!
— Menina tudo que é suprimento aqui esta envenenado, você só morreria.

A velocidade que o selvagem alcançava era grande mesmo com aquela armadura, além do barulho das engrenagens Sten escutava também o rachar de rochas, passou pelas grandes galerias, pelos quadros. Uma porta que dava para a saída do grande portão estava prestes a se fechar por completo ele jogou a menina no meio das portas que surgiam da lateral do corredor
— Vai até a mata e fale que Sten mandou te protegerem.
Ele correu para trás voltando a parte dos vitrais, um corredor mais interno daria para a outra saída. Correu ate a porta e a viu se fechar, estava preso. Quebrou os vitrais e observou melhor, passou para o lado de fora dos vitrais e segurando nas bordas sem locais para firmar os pés, aproximando da lateral que não tinha mais vitrais quebrados viu que a distância da beirada que ele se agarrava até o topo poderia ser grande para ele. Um tremor entortou o metal liso da lateral do castelo e ele alcançou com dificuldade apoiando seu pé na beira deu impulso e subiu uma lateral que continuaria até estar perto do portão grande. A parte alva teve os seus corredores externos arrancados pelo outro tremor. Sten saltou em direção a parede da rocha retirando a adaga de dentro da armadura.
Sua mão apoiou sentindo-se escorregar, fincou a mão em uma rocha irregular. O barulho foi enorme abaixo dele, com a adaga do dente de cobra d'água criou outro vão para colocar sua mão e com movimentos repetitivos de escavação e apoio chegou até o portão. Cansado viu Pirtrio.

— Eles não estão aqui, Voltemos para Tya precisamos acolher o povo de Runei aonde eles possam se sustentar.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Runei - o despertar da multidão ( 1 de 2 )

A luz do fim do túnel recordava ao coração dos meninos que uma estação havia se passada desde que saíram de sua casa, desde que acreditaram no que Sten e Loreah tinham como objetivo. Pãtrio e Pirtrio estavam uma estação mais velhos, caminhavam com a certeza de que agora poderiam enfrentar o senhor da parte alva. Sten analisava o símbolo entalhado na sua armadura, lembrava das mãos de Marian e da proximidade que seu corpo teve com o dela naquele momento, suspirou. Os nove soldados olhavam as três figuras que se tornaram amigos da aldeia a pouco tempo e levavam um papel importante naquela guerra. Para chegarem até aquele túnel enfrentaram mais sete soldados escarlates e graças ao pensamento apurado de Pãtrio, agilidade de Pirtrio em buscar recursos e a ferocidade de Sten ninguém havia se ferido gravemente.


Enfim chegaram a figura desolada da parte baixa de Runei, as casas estavam mais quebradas e remendadas do que quando saíram. Pirtrio passou pelas casas correndo, sua saudade era grande, chamava seus amigos via os adultos que ainda pareciam completamente apáticos, entregue as designações da parte alva.
— Sten fique por aqui, precisamos nos organizar. Para que toda Runei aceite nossas ajuda temos que começar por aqueles que como eu já estão com a insatisfação e para garantir que isso ocorra com tranquilidade, precisamos tomar alguns cuidados. Vocês podem esperar nessa entrada enquanto fazemos nossa reunião, eles não te escutarão.
— Compreendo, estaremos aqui esperando.


Pãtrio foi caminhando até a casa especial para seu coração, passou pelo labirinto conhecido como a palma da mão, retirou uma madeira de um amontoado e se revelou o cômodo. Cadeiras desregulares faziam muitas estavam encostadas nas paredes do pequeno espaço, a cama aonde sua avó vivia deitada estava vazia. Os olhos encheram-se de lágrimas, entendia muito bem o que significava o silêncio no comodo. Virando para trás se deparou com Pirtrio.
— Pelo visto já descobriu
— Sim – a primeira lágrima rolou, pelo rosto de Pãntrio.
— Acabei de escutar de Oluone, mama se foi. – o jovem abraçou Pãntrio, que logo se desvencilhou do abraço enxugo os olhos.
— Vamos! Temos muito que fazer, falar – pressionou os dentes fazendo eles rangerem um pouco – vamos recuperar nossa aldeia e fazer dela tão próspera quanto Tya.


Durante todo o dia, os dois meninos espalharam o pedido de uma reunião com todos os moradores do buraco. Se quisessem cada uma das regiões poderiam mandar apenas seus representantes, Pãntrio preparava sua proposta. Esperou com calma a noite chegar, então estava com três meninos e sete adultos que eram os que representavam cada área de Runei.


- Boa noite, sabia que poderia contar com vocês. Há uma estação, sai daqui buscando uma alternativa para melhorar nossas vidas. Fazer o buraco se tornar algo melhor para todos e talvez tomarmos toda a Runei para nós – Sua face mantinha-se seria, aprendera com Guinn que parte da liderança está na sua capacidade de não ser afetado pelos sentimentos emanados pelos outros.
— Como você pretende fazer isso? Aqui somos só mineiros e os poucos soldados com sanidade o suficiente para voltar para cá não vão querer lutar contra os cavaleiros alvos – Um senhor representando o fronte central questionava.
— Quando sai daqui, foi com o objetivo de aprender o que fosse preciso para conseguirmos isso. Aprendi muito de tática.
— Aonde foi que aprendeu isso? – perguntou um dos meninos de cabelo castanho.
— Tya – mesmo sabendo o que viria em seguida, aprendeu que ser verdadeiro poderia gerar uma maior confiança
— Os traidores históricos? – Zombou o líder do fronte esquerdo.
— Não estou aqui para defender o ato de covardia que eles exerceram, quando a população mais pobre de nossa cidade foi mais subjugada pelos ancestrais de Vasnir. Estou aqui para mostrar para vocês que eles agora estão dispostos a nos ajudar, suas tem tropas indo para todas as aldeias possíveis para nos unir. Eles tem ainda outra missão, querem lutar contra a limitação do senhor dos cavaleiros escarlates.
— Sabia que eles iriam querer algo em troca.
— Eles não estão pedindo nada demais, apenas que apoiemos no combate. Não vão definir quem governara nossa Runei, pelo contrario eles querem que possamos viver em harmonia. Buscam a liberdade de todos os povos.
O silêncio tomou conta do barraco feito de retalhos de madeira, dava pra sentir a densidade do ar aumentando com os pensamentos. Pãntrio percebia pela primeira vez o que a caminhada até Tya havia feito por ele, pensou também em tudo que Guinn o ensinou. O reflexo de viver em um local totalmente diferente e com conceitos novos sobre a liberdade e o respeito era vivido em seu peito. A vontade transbordava.
— Como podemos fazer isso? – O homem que estava ainda na defensiva, perguntou
— Tenho algo planejado mas precisamos que todos os capazes de lutar nos ajudem.
_ Você tem nosso apoio – Pirtrio puxou a resposta já apresentada no silêncio anterior.


A lua se apresentava no seu ponto mais alto, ela estava completa e iluminava com propriedade todo o deslocamento dos mais velhos e incapazes até a entrada do túnel. Camas improvisadas foram feitas para tentar acomodarem da melhor forma, Sten pensou em utilizar as árvores próximas mas lembrou do veneno que elas continham. Então a única coisa que utilizaram foram as madeiras e palha que compunham a maioria das camadas dentro das casas. O sol surgia, as engrenagens da porta anunciava a verificação. Os soldados alvos já estavam caminhando em direção ao povoado do buraco. Sten avisou quando eles desceram a grandes escadas, identificou também qual deles possuía a chave da porta vermelha e dourada. Fez sinal para seus soldados que estavam nas primeiras construções aguardando o avanço das tropas. Cada soldado já havia se posicionado, exceto o portador da chave, estava em cima da escadaria aguardando a volta daqueles que estavam abaixo de sua patente. Ao primeiro som do bater a porta aqueles todos que estavam escondidos surgiram, incluindo Sten que disparará em direção a grande escadaria com seus machados firmes nas mãos. Os primeiros cavaleiros alvos foram mortos, mais para dentro do complexo de casas do buraco alguns homens foram feridos por um soldado que tentava se desvencilhar da emboscada, outros soldados tentavam correr e eram desequilibrados. A tática de Pãntrio consistiam em os soldados de Tya matarem os primeiros e distribuírem as espadas entre os moradores de do buraco.


Os pés de Sten por mais velozes que fossem não conseguiriam deter o guarda, um soar do sino soou e arqueiros apareceram das grandes janelas da grande parede de pedra branca. Lançou então seu machado em direção ao cavaleiro e pulou desviando do primeiro disparo. Rolou. Alcançou o primeiro degrau da escada, o cabo acertou o elmo na parte de trás da cabeça do homem. Uma flecha acertou a ombreira de Sten. Ele que em pensamento brigava detestava o peso da armadura agradeceu por ela o proteger do disparo. O cavaleiro alvo sentia ainda o efeito do ressoar da armadura quando retirou sua espada. Finalmente o selvagem alcançou o oponente enquanto outra flecha acertava o chão da escadaria aonde estava.


Os nove de Tya haviam conseguido distribuir bastante armas e poucos soldados alvos tinham escapado do ataque surpresa. Os moradores do buraco aproveitavam para pegar as armadura brancas.


O Golpe veio com força na direção de Sten, ele desviou com velocidade para a direita e contra-atacou com um corte de cima para baixo com seu machado. O som dos metais se chocando fez o atacante rilhar os dentes, afastando-se para trás o cavaleiro branco preparava um ataque na horizontal, quando foi atingido por um chute. Os arqueiro vendo a luta não quiseram arriscar disparos, poderiam causar a derrota de seu aliado e deixar a chave da porta vermelha e dourada nas mãos daquele homem. Sten recuperou seu segundo machado e aparou uma investida que vinha em diagonal, prendeu a espada formando um xis com seus machados. Empurrou o oponente até a costas dele encontrarem a porta monumental. O molho de chave caiu. Os olhos por trás do elmo do cavaleiro branco fixaram no objeto, distração suficiente. Sten o empurrou mais uma vez fez a lamina do machado esquerdo cortar a garganta do seu oponente, sentiu o líquido morno pingar em sua pele quando escorreu pela armadura que agora ganhava o tom escarlate. Seu corpo estremeceu, fazia algum tempo que não sentia essa sensação, não matava animais a algum tempo e muito menos um ser humano. Alguns instantes e seus olhos voltaram ao opaco de quando ele vivia na floresta-sem-luz.


Uma flecha o fez acordar, pegou o molho e testando chave por chave, enquanto desviava dos ataques dos arqueiros, enfim uma fez o giro completo na porta, as engrenagens não se mexeram. Isso era previsto por Pãntrio, então correu de volta para cidade já que a primeira tentativa havia sido frustrada, uma nova saraivada estava preparada e dessa vez com fogo nas setas. Os disparos aconteceram e como previsto a parte do buraco seria tomada pelo fogo rapidamente, tudo que havia ali era madeira, entulho ou palha. A primeira parte havia sido concluída. Todos já estavam no tunel.


Subiram o túnel em direção a entrada principal enquanto as casas pegavam fogo, derrubaram as paredes para que o fogo não atingisse o interior. Subiam para o local de início do túnel, sabiam que dariam próxima a entrada superior.


— Vou sozinho! – Sten decretou, sentia no fundo de sua cabeça um latejar comum. Alguma coisa estava preste a acontecer.


Andou até a entrada e girou a chave, as engrenagens se moveram e a porta estava aberta.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Tya - A batalha do chamado (Sten e Marian)

Os raios do sol mal encontravam os solos perto de Tya. Soldados se apertavam nas fronteiras, ferreiros ajuntavam os armamentos, os arqueiros ainda encostados nas beiras do muro de madeira, reforçados com pedra e metal. Loreah e Adáia haviam designado doze generais que coordenariam baseados nas táticas aprendidas os ataques, A ladina havia ensinado como os métodos brutos de batalha dos soldados escarlates: O avanço sem piedade, a falta de dor ou sensibilidade, a força de dez homens comuns, a agilidade, armaduras em comunhão com o corpo e o jeito eficaz de causar danos. Todos os soldados lembravam dela afirmando e reafirmando " a oportunidade que tiverem arranquem um membro sem medo, de preferência a cabeça para que não continuem lutando e caso sejam pegos e confrontados fujam e procurem uma forma melhor de atacar, não é covardia querer sobreviver". Os dispositivos de desmoronamento criados pela ladina abririam novos caminho, possibilitariam o complemento do grande plano.
Marian juntava os suprimentos e pergaminhos de anotações criados por ela e por Liof sobre o conhecimento que tinham sobre a magia. Vestiu um manto marrom-esverdeado e pediu para ir com o povo que se dirigira para Runei, uma das cidades que seria abordada rapidamente. O seu plano era passar pelos postos e seguir em direção ao labirinto plano. Quando terminava de compor sua bolsa de algodão escutou passos na porta de seu quarto. Um soldado a esperava na porta. A mão de Marian rodou a maçaneta e ao sair o único que sabia dos seus anseios estava ali. Sten a olhou, suas sobrancelhas arquearem e um sorriso pequeno tentava passar o apoio a atitude dela, mas seus olhos um pouco tristes denunciavam o que ele sentia.
— Você tem certeza!?
— Tenho Sten, o cubo é algo importante. Estudando com Liof montamos inúmeras teorias, temos alguns pontos e para vencer o sentinela, precisaremos estar completamente preparados no campo da utilização da magia. Liof não vai comigo pois protegera com suas energias esse local acompanhado de Duia e o sentinela não se atrevera a atacar ainda.
— Porque então não conta para ele também? – Ele buscava alguma reação no rosto da líder de Falligan, um silêncio incomodo se instaurou – Posso ir com você?
— Você sabe que Runei vai ser uma grande dificuldade e sem você acho difícil eles vencerem o local aonde o senhor do castelo tem influência direta. Você conhece aquele local e saberá como agir.
— Pãntrio e Pirtrio precisam de alguém ao lado…

Ele mostrou os dentes em uma tentativa de sorriso, não acreditava tanto que era uma peça fundamental para a batalha, mas sabia que para os garotos a presença dele ou de um dos amigos mais próximos seria importante. Colocou então um dos elmos que o igualaria a qualquer soldado. Marian cobriu utilizando o capuz da capa e se dirigiram para o portão que entraram a um tempo atrás.

Tambores estavam posicionados atrás de cada uma das tropas, o sinal viria deles ao comando de uma flecha de fogo disparada por Adáia. Sten contemplava a mulher que se distanciaria por um tempo, de costas para ele, ela parecia concentrada, sua mão se aproximou do ombro dela. Desistiu, abaixou a cabeça e respirou profundamente. O movimento da cabeça da mulher levou os olhos a se encontrarem. Ela virou o corpo na direção do soldado, aproximou um pouco mais e retirando uma adaga de sua bolsa riscou o símbolo do ar no peitoral. Pressionou com carinho o local que acabara de desenhar, sentindo um pouco da sua energia sendo direcionada aquela armadura. Abriu a boca para alguma explicação, mas foi interrompida pelos tambores. A batalha começara Pirtrio e Pãntrio viam aquela cena esperando que o caminho até a passagem que levava a Runei estivesse aberto. Os disparos precisos, alguns precisaram de mais de um disparo, fizeram as bordas envolta da grande depressão aonde se encontrava Tya desmoronarem, foi possível ver os soldados escarlates caindo na fenda, flechas voaram para atingir aqueles que sobreviviam. Após a primeira saraivada viram que os inimigos que não foram soterrados se levantavam com setas fincadas, trespassadas e saiam em busca de voltar para as partes restantes das bordas.

— Senhor! Eles estão nos atacando, levaram a maioria do contingente no limite do santuário.
— Vamos perder muitos homens? – A voz na cabeça do primeiro cavaleiro ressoava monótona
— P
erderemos de qualquer jeito.
— Então lute, se vamos perder não atacando, ataque com os que já estão dentro do santuário e faça-os sentir um pouco da perda. Quanto aos outros mande-os para as estradas e acampamentos. Mais meio inverno e estarei pleno, e mais dois dias teremos seu irmão em ação.
O grito para impulsionar aqueles que ainda possuíam alguma consciência entre os soldados escarlates veio do cavaleiro primordial. Enquanto isso os outros que eram meras marionetes e estavam antes da grande depressão se direcionaram as estradas. O cavaleiro que se locomovia como a luz saiu dali e foi para Runei, preparar as tropas alvas. Todas as estradas estariam encobertas, mas nenhuma em direção ao castelo poderia estar desprotegida.

Os portões se abriram deixando os soldados saírem nas direções determinadas, Loreah e adáia haviam montado um plano interessante de busca: Dividiram suas tropas em quatro partes, uma delas seria comandada até os limites do castelo branco, outras duas tinham como objetivo chegarem as outras aldeias e uma última ficaria para defender Tya de qualquer investida dos soldados escarlates. Sten estava na tropa que buscaria limpar o caminho até o castelo, partiram em direção a floresta que levaria a Runei. O barulho das armaduras era duro para os ouvidos, o caminhar era ritmado e preciso, uma quantidade quase igual aos soldados descia em direção a floresta que envolvia aquela entrada. O primeiro choque mostrou a grande diferença, a disciplina dos soldados treinados por adáia e loreah era impecável. Chegaram unidos ao seu objetivo enquanto os soldados escarlates não importavam para seus companheiros, atacavam displicentemente. As espadas escarlates encontraram os escudos cinzas, os escudos eram fortes e leves mas sofreram riscos profundos, as pancadas faziam a linha de frente recuar. Após o primeiro impactos trabalhavam os da segunda linha auxiliaram no contra-ataque, com a formação criada oportunizava dois atacarem um soldado escarlate e retornarem para defender, porém não era o suficiente a força que os soldados escarlates tinham era maior. Espadas cortavam os cavaleiros escarlates enquanto outros tentavam defender, depois da quinta recuada as perdas foram inevitáveis. Os escudos cederam, espadas trespassaram alguns, Sten ainda não havia entrado em batalha, aguardava na última fila. Marian apressada saiu pelo flanco esquerdo da tropa. O cavaleiro novato a seguiu, rapidamente a mulher foi abordada por um cavaleiro escarlate. O medo invadiu Sten, Acelerou o passo. Um clarão e o folego do rapaz se foi. Um soldado escarlate estava em chamas, atacado pela bola de fogo que acabara de sair dos dedos de Marian. Ela seguiu em direção as árvores e se escondendo. O suor frio escorria pelo rosto escondido da mulher, a utilização da magia que ainda utilizava muito de sua energia apesar de um santuário potencializar as capacidades. Se esgueirou e subiu as pedras escorando uma vez por outra, já abria uma distância considerável, olhou para trás e enxergou as forças escarlates esmagar mais da metade dos soldados. Um machado despencava em direção as costas da mulher, ela desviou e Sten cortou a cabeça do oponente com um golpe de um de seus machados, ele não havia a abandonado.

— Volte, eles precisam de você!
Ele afirmou com a cabeça e seguiu para o campo de batalha sentindo o peito pesado e a garganta precisando gritar, arrancou seu capacete. Sentiu o ritmo das passadas o ar brincar com pele de seu rosto e entrou pulando em cima de um dos soldados escarlate mais perto, seus machados davam golpes furiosos, ferozes e sedentos. O sangue dos escarlates evaporava criando nuvens incomuns no campo de batalha. Sten, O selvagem mostrava sua verdadeira natureza, vencia a força com sua agilidade e vontade. Lutando para sobreviver além de tudo e utilizando daquilo que ainda não sabia sentir para fazer o que podia para vencer, para ser o homem em pé, depois do ataque. Aos poucos, sua armadura foi desatrelada do corpo. Primeiro as ombreiras e depois o peitoral. Apenas a proteção da perna e as manoplas sobraram, ele ofegava e os soldados de Tya que lutavam ao seu lado ganharam motivação para continuar, ver Sten como exemplo em batalha foi o impulso final que eles precisavam. Venceram os soldados que estavam ali e dos setenta soldados de Tya sobraram apenas dez. Olhar perdido em pé sobre a carcaça do último inimigo, os machados firmes na mão, feridas profundas nos braços e no peitoral desprotegido era isso o que enxergavam os outros nove, feridas que foram amenizadas pelo santuario. Um homem que sobreviveu dando de toda a força que dispunha. O selvagem levantou a cabeça e procurou a mulher entre as árvores. Marian havia partido.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tya - O fim do outono

A pressão silenciosa sobre as tropas Tya era enorme, todos sabiam o que os cercava. Parecia que todos os postos de vigilância haviam sido movidos para ali, eles não tinham ideia que as tropas escarlates eram muito maiores. A pergunta a ser feita é, quando eles atacariam?
Loreah estava exausta, os turnos de treino em que ela ensinava novas formas de batalha eram contínuos, ela estava acrescentando o seu conhecimento as formas já aprendidas dos soldados. A tarefa era mais fácil que ensinar pessoas sem treinamento de combate, Adáia era rígida e exigia treino continuo de seus comandados foi isso que facilitou para Loreah porque se dependesse dos combates que eles entraram nas últimas primaveras, haveria soldados sem noção nenhuma de combate, formação, formação em equipe. Depois do ocorrido da mistura de vivências entre Adáia e Loreah, elas trabalhavam como uma, organizando treinando e ensinando sobre os cavaleiros escarlates. Eles já tinham avançado o outono apenas treinando, recrutando e definindo as defesas.
Liof passou todos os dias ensinando o que conseguia lembrar sobre a magia, contou toda a sua história a Marian e a preparou como compreendia ser o melhor. Nesse tempo, ambos estudaram os símbolos na caixa e identificaram algumas coisas, havia seis lugares para seis símbolos, porém aquele que construiu a caixa escrevera apenas quatro deles. Eram os símbolos básicos (foi dessa forma que Liof os apelidou), símbolos representantes dos quatro elementos simples: Água, fogo, ar e terra. Descobriram que o símbolo desenhado por Loreah era relacionado ao ar, hipóteses criadas pelos raciocínios. Liof estava tentando algumas confirmações com a regente, porém o crescimento da menina que dava voz a entidade protetora de Tya estava começando a afetar diretamente com a comunicação. A menina criara um controle maior de sua mente. Não podendo então deixar fluir, teria que aprender como possibilitar essa comunicação.
Sten entrou para guarda de Tya e treinava com todos os outros soldados, aprendera com os outros soldados as regras da honra de Tya e sobre o respeito ao ser. O denominado selvagem descobrira regras de civilidade muito mais complexas do que antes, em Tya tudo importava, desde plantas e animais até a vontade livre do ser. Ali todos poderiam ser o que quisessem ser e fazerem o que quisessem fazer, observando lógico o limite em que o querer afetava de modo negativo a vida de todos.
Pãntrio e Pirtrio entraram cada um na área que queria aprender, Pirtrio quis aprender a tratar de animais e Pãntrio quis aprender a como conduziria os trabalhos e virou o único menino a ser ensinado pela apuradora.
Em uma noite Adáia,Guinn, Liof, Marian, Loreah e Sten jantavam juntos. Os copos cheios de sumoçetil, só Sten não bebia.
— Nós temos uma quantidade grande mas eles são mais numerosos— Adáia não conseguia parar de pensar.
— Considere que cada um deles tem a força de dois de nossos soldados mais fortes — soou Loreah cansada.
— Eu ainda acho que nossa maior vantagem é o local, estamos no campo em que mais conhecemos— Guinn foi categórica, enquanto levava uma torta salgada a boca
— Mas para aproveitarmos precisamos que eles ataquem — soaram juntas as chefes da guarda.
— Ficar nessa espera é terrível, o sentinela precisa desse tempo, nós não podemos dar esse luxo a ele  — O velho Guardião alarmou a todos.
— Por que não os trazemos para o nosso campo? — Marian questionou.
— Não é tão simples, eles não cedem a emoções. Não há como incomodá-los e fazer isso os trazerem até nós— Adáia falou com enfado, Loreah e ela haviam conversado várias vezes sobre isso.
Sten olhava para a conversa pairando na mesa, seus cabelos agora estavam amarrados, o elmo não permitia o seu cabelo livre. Como sempre o silêncio era o seu companheiro, sua boca se abria para quase nada. Observar era uma de suas maiores qualidade.
— Por que não aumentamos nosso terreno— a mesa parou— podemos utilizar a terra de baixo dos pés deles, já que eles não vêm por emoção mudemos a forma de ataque.
— Mas como faríamos o chão desmoronar?— Adáia gostou da ideia Loreah olhou intrigada para seu soldado.
— Como faríamos essa ação?
Sten juntou as sobrancelhas, questionando a si mesmo sobre a ideia. Guinn foi ágil.
— Podemos fazer um túnel a baixo da borda e fazê-lo desmoronar.
— Demorará demais!— Loreah novamente.
— Podemos cavar pontos-chave durante a noite e fazer cair esses pontos e assim que atacarmos não vai ter como eles esperarem mais— Marian complementou o pensamento.
Um sorriso de alívio surgiu no rosto de todos eles, talvez desse certo, eles precisavam apenas de uma luz.

As noites seguintes foram de grande trabalho para os mineiros e ferreiros, furtivamente cavaram apoiando madeiras fortes que aguentavam o peso necessário. Foi deixado um mecanismo feito por Loreah que faria a madeira quebrar e ceder. Bastava rachá-la ou causar um impacto maior e ela deixaria de suportar. Tudo pensado por todos. O ataque estava preparado. O dia seguinte era o dia em que os soldados escarlate conheceriam melhor a guarda de Tya.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Tya - A reunião dos campeões e o inicio de uma solução

Todos os campeões estavam sentados em baixo da tenda lilas da regente, ela se pronunciava no centro.
— Como falei chegou nossa hora de compartilhar a nossa prosperidade com as outras aldeias — Ela fitou Adaia e Loreah que agora já possuíam a armaduras iguais — Loreah, precisaremos da sua capacidade de descrição e seu conhecimento sobre os soldados escarlates, para encontrarmos as aldeias que ainda existe — Olhou para Adáia — Minha querida guerreira, ajude a ladina no preparo de todos soldados. — Respirando olhou para Guinn — Apuradora, preciso que você reja os suprimentos e a confecção de armaduras, Thorindor preciso que você procure por metais mais resistentes, e chame o seu ajudante Calinor. Sei que o pequeno é um manipulador de ideias — a regente olhou cada um dos campeões nos olhos — Amigos estamos diante de um momento único na nossa história, estamos no momento do crescimento do caule da grande árvore que será o reino que sempre sonhamos, um reino regendo todas essas terras que desde muito estão divididas.

Os olhos da pequena perderam a cor enquanto todos eles se dirigiam para traçarem os próprios planos de ação.

Liof observava pela fresta da tenda Marian mexendo no cubo.

— Hum… quatro animais… três símbolos… Seis lados…

O cubo era deslocado em sua mão.

— O lobo se opõem ao pássaro, a serpente se opõem ao inseto — a caixa não fez nada — Seria obvio demais.
Ela continuava absorta e Sten estava aprendendo a polir seus machados, que agora Calinor o mostrara como aumentar seu brilho e resistência através do polimento, Olhava de longe para a Lider de Falligan. Um estalo aconteceu quando a menina desmontou a serpente. Novamente o simbolo do fogo surgia. Por que o símbolo do fogo estaria em uma serpente? Isso não tinha o menor sentido. A não ser que se quisesse criar um padrão contrário. Ela conhecia as cobras d'agua, mas nenhum tipo de serpente que ela conhecera tinha o fogo. O quebrta cabeça da serpente formou o simbolo do fogo, apoiando a sua mão sobre o cubo ele entrou queimou, como se ganhasse uma capa protetora de fogo. Um fogo azul, que não feria.
— Já sei! Isso deve ser uma sequência de elementos, o próximo é a água que esta contido na ave.
Enquanto ela fala isto um escrito formou o início de uma mensagem.

“Sem montanhas ou vales
a monotonia invade
um quebra-cabeça a céu aberto
feito para o homem certo


Homem que é fogo
Fogo que é homem
consumindo de si
consumindo pra ti

E na boca dos Deuses sua pronuncia é Liof”

— adame-pathar, O que se entregou por Valian

O velho que não parecia tão velho agora, andava na praça central buscando mais memórias. Buscando explicações para grandes coisas. Entre elas Não saia de sua cabeça a conversa que teve com o ser no posto do vale-costa-do-esqueleto: “Um de vocês modificados pelo sangue vivo de seus pais…herdeiros modificados…”, Mariam cortou o raciocínio do Guardião. Mostrando o que estava escrito no cubo.

— Compreendo, de alguma forma eu sabia que meu nome significava fogo.
— Ele fala do caminho do labirinto plano, Liof. Olhe o primeiro verso. Temos que ir para lá. Talvez o cubo esconda um mapa de como andar nele.
— Verdade, mas por agora necessitamos de continuar na batalha contra o senhor do castelo. Esse enigma não seria importante.
— E se esse tal de Adame estiver esperando por você? Se ele souber como lidar com o senhor? Se ele entender o que aconteceu antes das terras serem divididas? Qualquer ajuda é bem-vinda.
— Concordo, Mas exigiríamos muito dos outros por apenas um palpite. Precisamos De algo mais sólido — Liof estava curioso, porém sua mente não encontrava nada relacionado ao cubo ou o tal Adame.
— Então me deixe ir!— Marian estava obcecada por aquilo. Ela sentia que aquilo poderia levá-los a algum lugar.
— Deixo mas não sem preparo. Enquanto os soldados se preparam, eu te prepararei.

Adáia passou pelos dois na praça central e entrou na tenda, ambos seguiram a mulher sentindo que algo ruim estava prestes a acontecer. O cenho franzido e uma preocupação.

— Regente, peço-te a presença!

A menina deixou a regente se manifestar.

— Fale Chefe da guarda.
— Estamos cercados por tropas de Soldados escarlates.
— Não acredito que eles vieram atacar. Se fosse isso já teriam investido antes de notarmos a presença de todos eles. A que distância eles estão de nós?
— Na borda da depressão. 
— Não se preocupe, treine seus homens vamos precisar para o plano de expansão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Tya- O torneio( 2 de 3 )

— Loreah! Loreah!
Gritavam Pirtrio e Pãtrio
A ladina estava parada com o capuz verde pendendo no pescoço, era o segundo oponente da espada, não era sua especialidade mas o duelo anterior tinha atraído bastante atenção. Havia ganhado do segundo colocado do ano anterior com um golpe. O seu segundo oponente era um dos guardas que havia cercado ela e seus amigos. Ele a temia, apesar dela ter sido nocauteada com certa facilidade ,os primeiros movimentos vistos deixaram uma impressão sobre ele. Retirou a espada da bainha fazendo barulho. As regras do torneio de esgrima eram simples, o primeiro a sangrar perdia. Claro que eram evitados os pontos vitais, batalhas as vezes eram decididas com arranhões superficiais feitos pelo solos. Loreah porém não ligava para isso. O oponente que a enfrentou pela primeira vez saiu com a bochecha trespassada pela lâmina da ladina. Ela só tinha um oponente em mente. A batalha final era realizada por todos os competidores que obtivessem três vitórias, podendo perder apenas uma vez.
— Estou sem paciência—Loreah chamou mais um soldado que estava na fila, ele achou que lutar contra a estrangeira seria uma forma fácil de conseguir vitória.
— Eu?
— Claro! Vamos vocês dois contra mim pra resolver isso logo.
— Isso não seria justo.
— Injusto é eu enfrentar apenas um de vocês.
O soldado anterior mostrou magoa nos olhos e atacou, Loreah esquivou-se da investida com facilidade.
— Vamos! Rápido! — Ela acenou para o soldado que ainda estava em duvida em ataca-la junto com o outro, ele aceitou a batalha.
— Eu não preciso da sua ajuda—reclamou o soldado ainda se recompondo do golpe falho.
No mesmo instante sentiu a lâmina subir cortando a sobrancelha, o sangue pingou na bochecha. O outro olhando aquilo golpeou a ladina que tinha o braço estendido apontando o céu com a ponta da lâmina ensanguentada.
—Pronto, agora não tem mais choro — ela deu um passo para o lado e golpeou a mão do rapaz que não conseguiu interromper o golpe. Ele abriu a mão deixando a espada cair. A base do dedão sangrava. A ladina não pretendia causar danos maiores em lutadores fracos. Ela desejava o sangue de Ádaia, que já esperava os oponentes da parte final do torneio da espada. A guarda mestre treinava seu arco, enquanto entre uma parada ou outra testava o gosto das novas receitas feitas por seu marido Cilindor. Loreah viu que ela não dava a menor importância para quem iria ir contra ela. Isso só fez seu sangue ferver mais.
Marian olhava hipnotizada para a caixa. Buscava na sua mente todas as histórias que sua mãe havia contado. Quando a noite caia, Ruflo trancava as duas em um dos cômodos da sua casa e aquele cômodo era o cenário de histórias até a morte da mãe dela. Ela buscava as histórias porque os animais não eram estranhos, ela não estava prestando atenção mais em nada. Absorta em seus pensamentos concluiu que se fosse algo óbvio demais as pessoas já teriam aberto aquele cubo.—Sten, o torneio aqui esta a forja e as ferramentas necessárias.—Obrigado Calinor.—Outra coisa, você tem três dias para terminar o que for fazer, seja armadura, arma, cela, qualquer coisa— O menino estava ofegante — Essa é minha primeira tentativa de entrar no torneio, minha mãe falou que eu estava preparado há um ano mas eu não queria mexer com culinária igual meu pai, eu quero é mexer com criação de armas, igual meu tio. Ele que vai me ajudar, seremos uma dupla esse ano. Eu ainda não tenho força para martelar o metal mas meu tio fala que tenho boas ideias — Ele abriu um sorriso.— Aonde consigo a matéria prima?— Tudo fica nos depósitos, eles ficam aberto e você pode pegar o que quiser, depois do torneio todo que utilizaram vão minerar. A única coisa que é bem limitada é os itens que vem dos animais, só aproveitamos as partes dos animais que morrem.— Obrigado Calinor.— E vê se não esquece os pontos de forja.Sten balançou a cabeça e pegou as ferramentas que demorou dois dias para conseguir com ajuda de Calinor.


A tarde de disputas continuou, até a regente declarar o término do primeiro dia. Uma grande fogueira foi feita, e os cozinheiros finalistas se prepararam para criar as comidas mais gostosas e que dessem mais energia. Uma grande festa, muitas canecas de cevada amarga, sucos de mangedéias e muitas comidas. Todos estavam feliz, todos não. Loreah estava longe da festividade, tinha voltado para a pena de luz. Estava em seu quarto no escuro sentada virada para a parede, seus dentes rangiam, adaga riscando a parede, ela desenhava um símbolo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Tya- O torneio( 1 de 3 )

O dia nasceu trazendo consigo a ansiedade, ela morava dentro do peito das crianças da cidade de Tya. Muitas delas haviam dormido mais tarde rolando nas camas, o grande tornei era o evento que todos esperavam. Os campeões dos torneios anteriores se sentiam como as crianças, uma pouco mais, haviam sobre os ombros uma certa responsabilidade, ali todos se divertiam, ganhar nem sempre era o importante. A maior responsabilidade era a de estar a frente de um dos cargos de importância de Tya, coisa almejada por todos os moradores dali. Eles sentiam a vontade de fazer aquele local crescer. Porem para alguém nas sombras do estábulo que serviam para os cavalos se alimentarem e passarem a noite, Loreah amarrava as novas aljavas feitas de cipós da floresta, concentração impecável, respiração balanceada, olhos severos e veias pulsando orgulho ferido. Liof cuidava da pequenina Ounda, ela estava esgotada Duia e ele conversaram bastante durante a noite através de Ounda. A menina estava deitada, lábios entreabertos, suas bochechas gorduchas subiam um pouco quando ela respirava, assim como o seu corpo na almofada. Liof a olhava com olhos brilhantes de nostalgia e esperança. Seu pequenino já dormiu despreocupado assim como aquela menininha, agora ele dormia pra sempre.
—O sono daqueles que são puros—Ele sussurrou.
Marian conversava com o dono da pena de luz, tentava conhecer um pouco mais da cidade.
—Você vai adorar o torneio, ele acontece de hoje ate o término das competições e no último dia existe as danças. São belíssimas e logo após tem o evento mais sagrado, a flor de luz é despetalada e dada aos novos casais concretizando assim a união. São duas pétalas para o casal. Olha só.—O homem tirou um cordão de dentro da blusa, na ponta dele uma pétala azul prateada—me lembro quando eu e a minha Noara tínhamos ganhado as nossas, porém n
ós ainda não tínhamos visto que eramos ligados dessa forma, sabe, sempre fomos amigos desde pequenos mas eu não percebi que ela gostava de mim desse jeito.
As sobrancelhas de Marian se juntaram um pouco, seu peito do preenchido por um ar, ar que almejava ser suspiro. Sua mente delineou o homem de cabelos negros, de olhos intensos e carinhosos e de mente simples. Tão simples que talvez nunca tivesse pensado em encontrar alguém, como ela pensava quando era pequenina. Suspirou.
—... pois é, ela deixou essa terra depois do último torneio. A regente cuidara dela de alguma forma—Ele deu um sorriso entristecido—agora vou chamar todos que já devemos ir.
Tudo bem – na mente dela ainda pairava—Sten!
O Selvagem andava firme e de semblante estático, sem expressões, ao levantar seus olhos que estavam parados enquanto sua mente buscava entender ainda o torneio que se aproximava, sorriu. Repassava em sua mente todas as vezes que fez alguma coisa para ajudar a se proteger dentro da floresta-sem-luz. O dia anterior ele havia passado bom tempo aprendendo com Calino, segundo o que falou Ádaia o menino era muito avançado na maioria das coisas.
—Marian!—Ele falou num tom mais alegre que o comum, então tentou concertar—Você não quis participar do tornei?—Sua voz foi um pouco mais formal.
—Não, eu ficarei cuidando da intermediaria da regente. Duia pediu para estar do lado da pequenina.
—Duia!? Quem conversou com Liof e conosco quando chegamos – Ele repetia o que sabia, algo muito comum quando não se sabe ao certo o que falar.
—Marian!—Pirtrio e Pãtrio surgiram de forma alegre, não pareciam os meninos endurecidos e sérios que tinham sido encontrados por eles.
—Vamos para o torneio? —Sten quis dar foco ao objetivo.
Loreah já se dirigia a grande arena, cobriu seus cabelos loiros com o capuz verde-floresta conseguido a pouco tempo com um dos moradores que a viu treinando e quis lhe dar um presente de boa sorte. Um cortejo. Tudo que ele conseguiu com o gesto foi um olhar gelado. O final de seu treinamento ela o pegou na cerca que ele havia deixado. Agora todos ia para arena.

A cidade chamava de a grandiosa caminhada a movimentação do povo em direção a área do torneio, cavaleiro montados em cavalos sem sela. As modalidades dos torneio que mais atraiam o povo eram a de espada, de arco e flecha e a de inteligência. A de inteligência abria as comemorações, o vencedor tinha o grande cargo de apurador. Automaticamente ele vira o segundo juiz do torneio e auxiliava em decisões complexas.
Como a do torneio anterior aonde o brilho deixado nas placas de metal enferrujados foi decidido pela regente, pelo vencedor de inteligência do torneio anterior e pelo novo apurador. A quantidade de primaveras não importava naquele local, um menino que acabara de aprender a falar poderia concorrer a apurador. Todos tinham o direito de competir aonde quisessem.

Alguns trovadores andavam dando o tom da marcha, a cidade que nos dias anteriores parecia vazia vista de cima parecia um formigueiro, pessoas cantando. Rindo. Todos preparados. As áreas de torneio eram dívidas, em etapas mas o encontro inicial era com a fala da regente e o teste de inteligência. A pequenina era carregada pelo Guardião, A regente havia falado com todos que gostaria de ter ele e Marian como protetores primários. Ádaia tomou providências para que isso acontecesse. A cerimonia inicial era apenas para os competidores, pois não caberia todas as pessoas de Tya ali, muitos subiam em construções para tentar ver alguma coisa. Ounda acordou, deu um sorriso desceu do colo de Liof e andou até o centro do círculo aonde se encontravam. Os bardos pararam as músicas. Os olhos da menina tomou a tonalidade lilás característica da regente, Liof se concentrou, seus olhos ficaram ambar. Ele protegeria ela de qualquer ataque, sua memória havia identificado bastante informações na questão do fluxo mágico. O orbe se tornara uma lembrança constante que o ajudava a encontrar meio de deixar fluir o grande rio de magia. Agora ele balançava freneticamente o rio, para que caso o seu rival resolvesse atacar encontrasse somente a ele. Algo dizia que se ele pudesse realmente atacar teria aproveitado a chance quando controlou o corpo da pequenina. A voz da regente se fazia ouvir de onde quer que você estivesse na cidade você a escutaria como se ela estivesse ao seu lado.

— Esse é o torneio mais importante desde a era dos reinos. Como todos sabemos, sofremos ataques externos algumas vezes. Nos mantivemos firmes ante as investidas dos cavaleiros escarlates, nossas defesas foram bem estabelecidas. Conseguímos nos relacionar com o local que nós vivemos, que é sagrado. Nós nos sustentamos sem destruir e isso tudo continuara assim. O nosso reino será a semente de algo maior. A dois dias chegou um grupo de aventureiros, que aos olhos de nossa maior campeã se tornaram amigos de toda Tya. Eles trazem consigo, notícias preocupantes. Chegou a hora de ajudarmos as aldeias que nos cercam, mesmo que isso signifique a extinção da nossa — Bocas se abriram emitindo ós e aís — Nós nunca tivemos medo, fomos cautelosos e talvez isso tenha nos transformados em fortes. Não podemos simplesmente fechar os olhos por comodismo, pois o inimigo que nos aguarda está se fortalecendo e sem a capacidade de expandirmos nossos conhecimentos ficaremos presos na nossa redoma e seremos soterrados por ela. Esse é o torneio que você mais esperavam, o torneio que mudara vidas. Que trará consigo os campeões responsáveis por liderar a conquista da liberdade de todos os povos de terras divididas. Mesmo que não conheçamos nenhum deles. Os representantes e amigos se apresentam. Liof o último Guardião – Um burburinho se ergueu, todos ali sabiam as histórias sobre os guardiões, a imagem que tiveram foi dos olhos fogo do velho — Sten, O selvagem — A conversa que Liof teve com ela, foi esclarecedora sobre cada um deles — Marian, A líder de Falligan — Ela apontava para a mulher de olhos castanhos e límpidos — Pãntrio e Pirtrio, Os embaixadores de Runei — Os meninos abriram um sorriso escutando o nome de sua cidade — E Loreah — Ela buscou a ladina no meio da multidão — A andarilha — Loreah não se aborreceu, não ligava para o que falaram dela. Seus punhos serrados, lábio comprimido e olhar feroz diziam o que ela queria — Vamos ao início.

O Torneio de inteligência foi iniciado, a primeira prova era simples. Resolver problemas de formação e proteção. Os candidatos faziam suas sugestões sobre o ataque e defesa, alguns
foram muito bem. Escolhas diversificadas porém corretas, todos passaram. A segunda era provisões e decisões, para cada um era montado um cenário diferente, Marian acompanhava atenta todas as soluções e pensava em como faria caso fosse a sua aldeia naquelas situações. Criava sua própria solução e confiava nelas. Passaram apenas três dessa etapa. O vencedor do ano anterior um menino, com pouco mais de quinze primaveras ajudava a julgar. Faltavam duas etapas, porém todos consideravam apenas a penúltima pois a última possuía um enigma insolúvel. A última etapa era o próprio julgamento, a inteligência passa por decisões e conhecimentos em geral, os conhecimentos uteis para um apurador era a capacidade de avaliar a situação com poucos elementos e decidir.

Um grão de areia, um pedaço de ferro e a pedra vermelha. Quem demorasse menor tempo para responder corretamente ganhava. Os elementos foram revelados e Marian sussurou
— O Nosso inimigo é o dono do castelo branco — Ela tinha uma vantagem contra aquele
s ali, ela conhecia o problema.
—Muito bem — disse a regente — Eu quis revelar a pessoa mais inteligente nossos planos e é claro ver se ela está disposta a ter essa responsabilidade.

Uma mulher arregalou os olhos, sua mão começou a tremer. Andou até a regente com a resposta nos
lábios.
—
É verdade? Existe um senhor dos cavaleiros? Como venceremos? — A mulher com cabelos castanhos escuros e uma fisionomia marcada pelo trabalho na mina de ferro.
— Estamos decidindo isso ainda, mas precisamos de você Guinn.—olhou dentro dos olhos da mulher que confirmou seu apoio—Temos uma campeã —Ela se fez ouvir. Por todos.

O último enigma ficava ali em exposição, para qualquer um que quisesse tentar fazer. Uma caixa de madeira, com entalhes de animais, suas paredes se moviam eram moveis e podia se organizar conforme a sua vontade. Um segredo desconhecido até para a regente.

A caixa tinha: Um lobo-olho-azul, Uma serpente, Um pássaro e Um inseto.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Tya - A reconstrução de um reino puro

 Tya é a aldeia que conseguiu autonomia, ninguém ali possui cristais vermelhos. Os postos de cavaleiros escarlates que cercam a cidade, serviam para vigília dos moradores. Primaveras se passaram desde a última vez que o portão havia sido aberto. Após a cerimonia de enterro dos animais que Loreah havia matado. O hiato havia sido quebrado, para os soldados haviam escadas nas torres que abaixadas possibilitavam a entrada e saída do local e foi desse modo que eles se organizaram para atacar os invasores. Que agora eram amigos. O portão se abria para amigos. O ar fez barulho ao passa pela fresta vertical da parede, que começou a ganhar largura. A aldeia tinha uma extensão que fazia sumir de vista as construções de casa. Os lábios de Liof desenharam um sorriso saudoso em seu rosto, seu olhar cintilava e seu peito se encheu de ar e esperança. O suspiro saiu. Aurinia era habitante de Mengua. Uma flautista que em um dia de torneio ganhou o coração dele, e tempos depois deu à luz ao filho dele. Ambos foram mortos, pelo gigante. Toda uma sequência de fatos que poderia desanimar um homem mas ali em Mengua a sua lembrança era do grande torneio entre reinos, muito antes da tentativa de invasão ao castelo branco e dos gigantes. Ele sentia o doce soar da flauta de Aurinia.

Loreah permanecia com uma ferida nova, uma ferida interna. Resmungava para si mesmas palavras tentando justificar a derrota na batalha anterior, ela não estava acostumada a ser nocauteada. A ferida pulsava a raiva. Tudo que ela queria era uma oportunidade, apenas uma oportunidade, quando ela tivesse essa.
—Oportunidade —escapou de seus pensamentos.
—Oportunidade de que? — Marian perguntou.
—De nada —seus olhos ferozes repousaram no rosto amorenado da líder de Falligan – De nada! —adiantou o passo se mantendo a uma distância de todos.

Ádaia estava com o braço escorado nos ombros de Sten.
—Então me diga, você resolveram fazer da história de criança sobre os guardiões realidade?
—Como assim história de criança?
—Eles são os heróis das histórias para nossas crianças, Um grupo de cavaleiros incorruptíveis e com o objetivo de unificar todas os reinos antigos. Esse é o objetivo de vocês?
— De certo modo— Sten estava observando a cidade espantado.
Ádaia deu uma gargalhada leve e olhou para o homem de cabelos negros. O semblante dela mudou quando viu a seriedade com que ele encarava situação.
—Para os guardiões vocês estão precisando de mais pessoas. E pessoas melhores em combate.
—Claro, por isso estamos avançando em direção as aldeias para ligarmos elas através de algumas pessoas— levantou o queixo olhando para o rosto da mulher de cabelos vermelhos — Quanto ao combate, nós estávamos em leve desvantagem de número e a surpresa foi um fator decisivo.
—Verdade, se querem um desafio justo em dois sois teremos o torneio. Nele são decididos os grandes representantes das artes. Faz sete flores de luz que eu não perco na arte da espada, do polimento e na faca.


Todos integrantes da tropa haviam ido para seus postos e apenas Ádaia mantinha todos em direção a praça central. Contaram grande parte da jornada até ali quando a visão de um menino de cabelos vermelhos brincando com os pássaros na praça central, perto do destino deles. Tomou a atenção de Ádaia.
—Calino, o que está fazendo na praça central?- Falou com um olhar terno para o garotinho que agora estava envolto pelos pássaros.
—Estava brincando, papai está lavando a casa e eu pedi pra vir aqui brincar com os pardais.
—Espero que seus treinamentos estejam em dia.
— Claro que estão, hoje aprendi sobre a forja. Titio ensinou o ponto do brilho do ferro.
—Depois quero ver se aprendeu direitinho. Agora vem aqui e cumprimente os novos amigos de Tya. Aproveita e de um beijo na mãe.
—Mãe...
—Rápido!— Disse ela com carinho e rigidez.
O menino de sete primaveras se aproximou e fez uma reverência para cada um dos que estavam perto de sua mãe. Foi pego então levado ao rosto da ruiva e deu um beijo carinhoso no rosto, depois subiu nos ombros dela.
—Eles já viram a regente?— Perguntou o menino curioso.
—Estou levando eles para ela agora. Seu apressadinho.
A tenda roxa com adornos dourados figurava a frente de todos eles. Liof sentia a leveza do local e o poder. Outro santuário. Eles entraram e havia várias almofadas no local e uma menina pequenina no meio. Aparentava a mesma idade de Calino, de olhos grandes verdes e cabelos encaracolados curtinhos. Sua tez morena se assemelhava a de Marian.
—Notícia boa regente— A mulherona disse para a pequena— os primeiros amigos de Tya em muitas flores de luz.
A pequenina sorriu então seus olhos foram preenchidos e uma cor lilás e seu corpo endireitou-se e levitou um pouco acima das almofadas.
—Que grandes notícias— A voz que brotava era a junção da voz da criança e da entidade que por ela falava— Eles pretendem auxiliar na defesa?
— Na verdade eles trazem outro propósito. Eles pretendem unir as cidades e atacar o grande castelo branco.
—Isso é loucura, desculpem meu tom mas isso é praticamente entregar a vida por uma causa perdida.
Sten tomou a frente.
— O que a senhora sugere que façamos? Ficar presos em nossas aldeias até que o senhor do castelo resolva que sua aldeia não deve existir e a destrua.
— Vejo que carrega marca— levantou sua mão em direção a Sten e a afastou como se algo repelisse sua tentativa de contato— Não sei se você entende rapaz, mas já tentaram fazer isso a muito tempo atrás e o resultado foi o confinamento de todos em seus próprios territórios.
— Da outra vez os guardiões conseguiram enfraquecer eles.—Liof falou com firmeza.
— É verdade. é... —O corpo da menina se contorceu, o lilás dos olhos começou a escurecer. A voz sôfrega de quem prendia a respiração por longo tempo pulsou — saiam todos! Exceto você guardião primordial.
Sten fincou os pés e não quis sair, Ádaia o segurou pelo braço e ele não tentou resistir.

—Enfim!— A voz da anciã havia sumidos agora uma entidade maior falava— Te encontrei, eu realmente não acreditava que você ficaria adormecido eternamente. Já planejava te caçar. Sem a magia do orbe você não pode ser localizado facilmente. Ele te jogou em algum lugar dessas terras para te proteger. Uma cortesia dos antigos Deuses. — A menina inclinou a cabeça um pouco para o lado e levitou até quase encostar no topo da tenda. Observou os olhos de Liof —Você ainda não se lembra não é?— Uma gargalhada abalou tudo dentro da tenda.
— Pena não poder me localizar— Liof o desafiava — Santuários mantêm a energia correndo, como as águas canalizadas para irrigação você sabe que a água passa mas não sabe aonde.
—Vejo que não está tão leigo quanto aparenta— Ele se divertia com o rosto do homem que se concentrava para expulsa-lo dali— Vim apenas avisar que é tudo questão de tempo até que nos enfrentamos, e dessa vez. Eu te apagarei da existência.

O corpo da menina despencou, mole. Liof correu, os travesseiros não amorteceriam a queda por completo. Quando as mãos dele seguraram a garotinha os olhos lilás voltaram.
—Ele é muito forte, Liof— Ela o reconheceu.
—Eu também sou, Duia— A memória dele havia resgatado a figura da sabia cuidadora do templo da flor de luz— Precisamos enfrentá-lo de forma diferente.
A menina adormeceu em seus braços. Ele a repousou nas almofadas e saiu.

—O que foi aquilo Liof? — Sten estava mais preocupado que curioso
— Nada— O rosto do velho estava endurecido e sério.
— Como ela está?
— Bem.— Ele saiu apressado uma direção qualquer, precisava de silêncio.
Todos ficaram ali estáticos sem entender nada. Quando a tensão passou Calino fez muitas perguntas a todos ali. Ádaia voltou para o seu posto depois de verificar como a regente estava e pediu para seu filho acomodar os cinco aventureiros nos quartos vazios da taverna pena de luz.
Todos se alimentaram com formas diferente de preparo de frutas e grãos.