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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O vale costas-do-esqueleto - O posto de vigilância

Eles avançaram com cautela, haviam visto ao longe a construção com a bandeira de símbolo vermelho.

— Como faremos para sair do vale? Com aquela fortaleza ali? — A ladina já tinha decretado a impossibilidade
— Eu não sei ainda. — Liof pensava.
— com essas paredes uniformes será complicado, não temos aonde nos esconder e aproximar para analisarmos o local – Loreah praguejou.
—Porque não vamos pelo rio? — Marian questionou
—Pensei nisso mas teríamos que manter a respiração muito tempo além de nadarmos contra a correnteza, Impossível! — Ela ficava um pouco atormentada quando tinha um problema insolúvel
—Já que não tem para onde ir, vamos na direção deles – Sten sentia a confiança dentro dele.
—Claro! Vamos ir quatro contra um número qualquer de cavaleiros escarlates. Tu és idiota, esqueceste que quinze acabaram com cerca de cinquenta guardas e muitas outras pessoas.
—Ele tem razão Loreah, ou vamos ou voltamos essa é a escolha. Não há mais o que analisar, se tivéssemos alguma posição de vantagem você já teria encontrado.
Ela estava contrariada mas o elogio massageou um pouco seu ego, ela aceitou ir de peito aberto ao combate. A torre virada para o vale não tinha ninguém. O silêncio era precioso pois já estavam bem próximos da construção, A ladina apontou para o alto da torre e eles começaram a escalada. Todos em um ritmo próprio, Marian apresentava dificuldades mas ela tinha a vontade necessária para comandar as dores que sentia. Chegando no topo a construção parecia abandonada a algum tempo, teias de aranhas enchiam o local.

—Acho que você pensou demais pra nada – O rapaz de cabelos escuros, cutucou Loreah
Ela deixou que sua fisionomia falasse por ela, Desceram o lance de escadas em espiral. O local era só pedras, poeira, teias e metais. Pedras lisas e abandonadas. Uma única porta se mantinha fechada, Sten estacou diante dela. Fungava o ar, o arrepio correu por seu corpo, foi da nuca até o calcanhar.

—O local não está vazio. —Ele surpreendeu a todos.
—O que tem nessa porta? —O guardião quis saber o que o menino havia conseguido detectar.
—Provavelmente uma Aranha-noturna.
—Entrarei e pisarei nas aranhas – A mulher de cabelos loiros enfiou o pé na porta abrindo ela.
—Não faça isso – Sten a deteve – Aranhars-noturnas são minúsculas e para sentir o cheiro do rastro dela é necessário se abaixar até o chão, O cheiro dela está no ar comum. Isso pode ser duas coisas, há uma quantidade maior que as folhas das árvores da floresta-sem-luz ou existe uma de proporções absurdas. Ambas possibilidades necessitam de se pensar.A ladina o escutou.
—O que aranhas minúsculas podem fazer?
—O veneno dela paralisa e faz com que sua pele se torne dura como pedra. Ela então vem e quebra a casca-pele e se alimenta.
O arrepio pegou Liof de surpresa. Ele não lembrava que tinha medo de aranha.
—vi uma viver em um lobo-olhos-azuis por muito tempo. Elas envenenam a parte que pretendem consumir, no caso de muitas elas podem acabar com a gente em segundos.
—E se for uma grande? — a ladina se interessou.
—Ela tera presas maiores.

Ele pegou uma tocha que estava presa na parede, pediu para Marian escrever o simbolo do fogo e encostou a mão gerando combustão no pano velho com um pouco de óleo. Jogou dentro da sala que estava com a porta escancarada, rolando no chão escutou o chispar de algo.
—Temos muitas aranhazinhas – disse Marian.
—Elas não vão sair daquela câmara – O rapaz teve certeza – elas não aceitam muito bem a luz do sol.

Ele acendeu mais algumas tochas e foram andando queimando qualquer ser que se figurassem nos pés. Quando venceram um pouco mais que a metade da sala um barulho de chacoalhar de metal soou, a luz que escapava pelo ombro do aprendiz revelou uma aranha que foi vista por Liof. O velho sentiu uma presença diferente, sua gerou uma estratégia, ele não pensou. Confiou nas suas lembranças e sussurrou no ouvido da mulher de cabelos castanhos. Marian correu pisando com equilíbrio perfeito, ela foi em direção a um brilho de metal no outro lado do salão, Liof correu junto em direção a porta aberta e a fechou. Loreah viu pinças grandes se baterem a cima de sua cabeça, Sten golpeou-as com a tocha em suas mãos. Os dois Estavam perdidos ante a ação repentina dos companheiros, O símbolo do fogo brilhou no metal encontrado por Marian e a porta se escancarou deixando aluz entrar, fazendo um caminho entre as aranhas minúsculas, Sten atacou mais uma vez a aranha com metade do tamanho de Loreah, que estava pendurada pendendo do teto. Eles então correram para a saída, quando os passaram pela porta Marian puxou as portas enclausurando Liof dentro do local.
—Abra essa porta! Ele ficou lá! — Sten berrou.
—Ele pediu—ela segurava a portas — Confie nele!
A decisão de seu mestre o pegou de surpresa. Ele não tinha palavras, aquilo não foi um sacrifício. Ele raciocinou, existe algo que ele precisava fazer.
—Vamos em frente – Loreah estava impaciente.
—Vamos — Sten concordou.

O escuro flutuava sobre os olhos do guardião, A presença além das Aranhas-noturnas era imperceptível, a mentes normais. Algo dentro de sua mente se agitou, ele lembrou conceitos antigos.
—Outro santuário? O que vem acontecendo?
O ar se tornava palpável e nenhuma resposta saiu do nada.
—Revele-se, venho a sua casa só. Desprovido de proteção para conversarmos.
—Quem és tu? —Não foram palavras mas Liof o entendia.
—Um dos que resistiu as forças da magia. Sou dos sete reinos. Me chamam de Liof.
—O que fazes na minha casa?
—Não sei, Senti sua presença e sou curioso.
—Interessante! — O ser inspecionava o guardião – Mesmo feito de matéria desse mundo você me compreender.
—O que você quis dizer com esse mundo?
—Eu venho da minha casa – a palavra para o local de origem falhou na mente do velho.
—Quem te trouxe até aqui?
—O assassino, Ele anda experimentando poderes que ele não pode controlar. —Ele transmitiu um desprezo em cada onda de pensamento. Liof sentiu o corpo se arrepiar e a cabeça latejou novamente. —Vejo que se encontraram. Interessante! Interessante!
—Quem é esse assassino? Porque essa alcunha?
—Ele matou seus próprios pais, aqueles que viram ele, no começo enxergaram perfeição e depois enxergaram equívoco. Eu fui uma das primeiras coisas que ele trouxe com seus poderes.

A textura da pedra embaixo dos pés de Liof modificou. Algo feroz borbulhou na escuridão.
—Não tente nada disso — O Homem dos cabelos brancos sorriu com o canto da boca, um certo tipo de confiança – Tenho mais algumas perguntas antes de você tentar me consumir.
—responderei a mais três — as pinças de todas aranhas dentro abriram e fecharam causando um som ameaçador, Liof sentiu elas subirem seus pés.
—O que são os gigantes?
—Irmãos, Os mais velhos. Os primeiros filhos.
As aranhas alcançaram sua cintura e ele se mantinha imóvel.
—O que é o monstro vermelho?
—Um de vocês modificados pelo sangue vivo de seus pais. Assim como você.
A aranha maior pendeu do teto e o veneno de suas presas gotejavam sobre os cabelos do homem, as aranhas menores o cobriam agora até o ombro.

—Porque você está preso aqui? —A dor de cabeça dele aumentou descomunalmente.
—A magia do seu mundo esta chegando a um ápice e por isso o Assassino consegue me manter preso nessa minúscula sala, uma prisão além das barreiras da matéria. Que para sair – As aranhas se aproximavam dos olhos, narina, boca ouvido – Talvez necessite de um pouco dos herdeiros modificados. Vamos experimentar.

Como a densidade da água, a escuridão se revolveu em meio a sala e ela tomou forma de um ser que parecia nadar no ar. Olhos se formaram, e encararam a presa. A dor de cabeça de Liof tinha atingido o máximo. Seus olhos ganharam tons entre o laranja e o vermelho, sua boca brilhou. Suas mãos incandesceram e suas veias eram o fogo, ele expandiu sua vontade sobre o ser. Consumiu então sua existência naquele local e com ele as aranhas que haviam feito o trato de mutualismo. Os metais escorreram feito água, cobrindo o chão por completo. Entrando em contato com o pé de Liof o metal se resfriou e formou um contorno. As roupas de Liof Haviam se desintegrado exceto sua espada que repousava em sua mão, o cabelo dele havia a cor branca um pouco menos pura, Ele andou até a porta e abriu a sala. A luz do sol agora penetrava por completo. Ele achou um peitoral prateado, um cinto dos escarlates, panos puídos e um escudo. Vestiu todos. Sentiu no corpo o conforto de se estar em casa.

Seguindo os rastros dos três companheiros Liof os viu discutindo.

— Se temos que buscar povos para, nos ajudar na luta contra o dono do castelo branco precisamos ir nós quatro — Marian falava com certeza.
—Tudo bem! Quero ir para aquela planície.

Liof interrompeu com sua aproximação.
—Algo me diz que a planície tem alguma coisa esperando.

Eles foram buscar recursos para a caminhada e foram em direção ao labirinto-plano.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O vale costas-do-esqueleto - O necessario

As cores do vale começaram a figurar diante dos olhos atentos de Loreah, ela estava submersa em lembranças. Quando o sono não aparecia ela matinha a mente ocupada, tentando achar motivos para o ataque a sua aldeia. Ela andou até Marian e a acordou.
—Vamos, não querias aprender?
Ainda confusa a mulher de cabelos castanhos, se levantou de pronto. O corpo dela estava começando a se acostumar a aquelas situações. Andaram se afastando dos dois, que ainda estavam dormindo.

—Vamos começar pela postura e andar.
—Como assim?
—Precisas de equilíbrio. A batalha se encontra toda nele.
O franzir do nariz de Marian denunciou sua falta de entendimento, a ladina apontou logo para a cicatriz no braço direito.
—Com equilíbrio certo, consegui vencer até o bloqueio do Liof e te causar um ferimento grave —
A líder de Falligan entendeu enfim que não só aprenderia a se defender mas também causaria dor e isso fosse o que ela vinha evitando — Toda a questão não é acertar, é tomar a decisão mais certa para o momento e equilibrar-se é ter todas as decisões nas mãos.
Suas palavras ecoaram com a voz de seu pai em sua cabeça.

Ela riscou linhas no chão que iam da beira do rio até a parede do vale, ao terminar não precisou falar o que fariam. Começou a correr pisando entre as linhas e voltava pisando da mesma forma, Marian começou a correr junto com ela. Chegando no centro percebeu que a passada de Loreah se tornava diferente, ela pisava de lado e sua velocidade continuava a mesma. Ela tentava acompanhar mas seus pulmões reclamaram, a ladina estacou consequentemente a mulher dos cabelos castanhos também.
—Olhe suas pegadas no chão – elas ficaram alguns segundos em silêncio.
—As minhas se misturam com a linha. Eu cheguei a pisar algumas vezes.
—Exato, Observes e aprendas.

Elas retomaram a corrida.

Liof acordou, cruzou as pernas e buscava no fundo da sua mente os movimentos do passado. Sten observava calado ao longe as duas mulheres treinando.
—Mestre, quando voltaremos as lições?
—Eu não me lembro aonde estávamos, eu não me lembro de muita coisa da época da floresta.
—Você estava me ensinando o combate de mãos. Pelo menos era assim que você falava.
—Entendo — a mente dele vagou buscando alguma referência. O rapaz percebeu a dúvida na mente do velho.
—Homens são como armas, como flechas, são homens-flechas. Onde unidos podem representar sua grande potência, a ponta é o ataque, o fuste é a base e as penas são a defesa. Você poderia utilizar qualquer arma e encontraria a mesma ideia. — ele deu uma pausa — Foi isso que você havia dito um dia antes de toda a sequência de fatos que nos trouxeram até aqui.

O Guardião analisou tudo aquilo e os movimento vieram na sua cabeça novamente. Ele levantou, devagar, respirou profundamente e fez um movimento acompanhando o vento. O tempo voltou, e ele acompanhava ant'jur. A respiração parou e o movimento também, uma pontada atrás dos olhos. Ele forçou o corpo a continuar e fixou na lembrança. A cabeça reclamou, dessa vez não foi surpresa, ele aceitou a dor e manteve o movimento. Ele enxergava o homem de roupas largas e confortáveis, a barriga grande, a barba e cabelos escuros e o olhar determinado. Com sangue escorrendo pela boca e os dentes encharcado com o líquido, caído e arfando em seus braços.
Ele abriu os olhos e viu que Sten o copiava precisamente. Ele então foi firme.

—Vamos! retire a sua adaga.

Loreah, achava importante a determinação de Marian. Era algo essencial na mulher de olhos marcados por acontecimentos dolorosos, Ela a olhava como igual.

—O meu povo sabia sobre o equilíbrio, sobre o momento certo de saber fugir. Meus familiares saquearam mais de dez alojamentos vermelhos, andavam livres pelo mundo, se esgueirando nas sombras e buscando abrigo em qualquer lugar. Os que saim nem sempre voltavam, eles sabiam dos riscos e aceitavam a consequência de suas escolhas.

A ladina prestava atenção nos passos, retirou a ponta da flecha que havia sido ricocheteada pelo golem e arremessou na direção do pé da mulher que repetia a ação ensinada. Mecanicamente ela trocou a forma de pisar e apagou parte de uma das linhas, As sobrancelhas de Marian se curvaram e seus olhos foram de encontro a ladina procurando explicações.

—Atenção, não deixe que minhas ações afetem seu equilíbrio. Você aprendeu a repetir. Aprenda a variar. Uma pausa.

Beberam um pouco da água do rio, ela tinha um gosto de minério mas não se importaram.

—Esse exercício, vai durar quanto tempo? — ela estava ansiosa para fazer coisas que vira a ladina fazer.

—Até você desenvolver um novo. Esse exercício, eu criei quando fui treinada por meu pai e por minha mãe. Meu pai me ensinava como sobreviver e minha mãe a combater. —Orgulho e saudade emanavam de sua boca.


Liof atacava, e Sten defendia perfeitamente. O pé do sábio buscou a lateral do corpo do jovem, com um salto ele evitou o golpe. Encostando os pés no chão a lâmina de Liof resvalava na adaga do oponente, Sten estava em defesa. Como as plumas de uma flecha a defesa dava estabilidade, para análise. A adaga fez um arco na frente do rosto do homem de cabelos brancos. Ele refutou o movimento largando a espada curta no chão e levantando as duas mãos, forçando o golpe do garoto a ir em direção ao céu cinza. A adaga foi forçada a sair da mão que a empunhava. Ela caiu. Os joelhos ,de ambos, se encontraram no mesmo local, os dois perderam a base. Agora ambos figuravam ao chão esfregando para esquentar a área do joelho que sofreu o impacto.

—Está certo, você tem reflexos e percepção bem afiados.
—Coisas que a floresta-sem-luz proporciona com o tempo. — ele havia entendido que seu mestre não se lembrava de nada mais recente.
— Não se gabe, não comecei a te treinar pra valer. Queria saber até onde tínhamos ido.

O sorriso brotou nos lábios de Sten.

Após um tempo de treinamento ouve uma pausa, Liof se direcionou até Loreah


—Vamos a frente? — questionou o guardião.
—Não, se faz necessário mais dois dias de treino antes de sabermos o que se esconde daqui pra frente.

Ele assentiu com a cabeça. Voltaram então para seus treinos. A noite se foi e ambos os mestres estavam contentes com a progressão dos aprendizes.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O vale costas-do-esqueleto - Os passos

Os primeiros passos dentro do do vale foram estranhamente familiares para Liof, eles caminhavam com cuidado. Avançaram durante uma manha inteira e nada tinha mudado tudo parecia os mesmos relevos, e sempre, as mesmas rachaduras nas paredes. O rio que cortava o vale ao meio era o que diferia ate certo ponto, a partir do momento em que ele se tornou caudaloso o suficiente para se ter que atravessar eles ficaram junto em uma mesma margem.
—Liof quantas pessoas existiam no local onde você morou? - Marian pensava em como a quantidade de pessoas da sua aldeia diminuiu com o ataque
—O reino havia mais de cinco mil habitantes. Eram vilas com casas enormes. Mercados cheios, comidas de muitos tipos, as ruas viviam cheias de pessoas o dia todo. Eu gostava em particular da noite quando havia música e histórias. As pessoas eram alegres, eu vivia aprendendo com os cavaleiros antigos e com guardas mestre que se propunham a contar seus feitos. coisa que na época era enfrentar um animal grande, vencer torneios de habilidades, vencer um sábio ou outro no jogo de palavras. - ele deu um suspiro sentido - nenhum dos meus mestres já mais soube o que é estar em guerra ou o que eram os gigantes.
—Havia necessidade dele acrescer tanta história assim? Ela só perguntou da população - sussurrou Loreah, sendo importuna com o propósito de espezinha o rapaz de cabelos negros e pouca barba. Ele ignorou-a ou, pelo menos, tentou.
—Nunca vi alguém reclamar tanto quanto você
Um sorriso brotou no canto da boca da ladina.
O guardião estacou e pediu para todos pararem, uma fumaça começou a cobrir as águas do rio e o chão a frente deles. A vista começou a embaçar e logo uma parede branca se figurava a frente deles.
—Vamos andar juntos, não sabemos o que se esconde aqui. Muito cuidado.
Sten enxergou um vulto no meio da névoa e seu instinto o fez atacar. Ele não escutou o que Liof gritou, ele apenas agiu. Retirou sua querida adaga de um suporte de cipó trançado que ele mesmo havia feito. Atacou acertando o ser. A adaga penetrou uma couraça espessa, fez barulho de vidro rachando. O sulco que saiu da ferida aberta cristalizou ao contato com o ar. O ser grunhiu, se contorceu com velocidade descomunal e da mesma forma desferiu um golpe com uma de suas mãos deformadas. O Homem de cabelos pretos foi lançado a metros da figura, saindo da área nevoenta. Os três correram para ajudá-lo, ele cuspiu sangue. Quando chegaram perto o ser disforme atacou. Retirando-se da névoa, corria lentamente. A figura assustava os sentidos. A Metade direita de seu rosto era flácido mostrando o interior vermelho abaixo do olho, que figurava morto na face que seria de um homem, a outra parte do rosto era composta de cristais vermelhos quais um coral sobre a carcaça de um barco. Ele arrastava a mão envolta por minério parecido com as paredes do vale. Uma de suas pernas era diminuta, o que fazia-o mancar. Uma corcunda vermelha nascia de sua omoplata aonde a adaga branca estava fincada.

O ataque foi defendido pela ladina que rilhou os dentes com o golpe, se não tivesse feito isso, Sten estaria com grandes problemas. Ele levantou-se correu em direção a figura disforme, esquivou de outro ataque da mão enorme. Projetou seu pulo em direção a adaga. Suas mãos seguraram firme o cabo da mesma. Uma flecha zuniu. O rapaz apoiou os pés na costa do ser, montado no monstro arregalou os olhos. Viu Loreah com o arco em mãos, buscando outra
flecha. A revolta do corpo fincado pela adaga lançou novamente Sten ao ar, ele conseguiu equilibrar seu corpo para cair de forma premeditada. Caiu rolando para trás a flecha raspou em sua cintura, encontrou o pé da figura e o chão firme. Sten estava preparado para outra investida, quando o monstro tentou movimentar-se e desequilibrou caindo no rio. A água o esfarelou, como se ele fosse feito de areia. Nem a pedra vermelha sobrou. O chiado da respiração do homem com a adaga, era a única coisa que quebrava o silêncio. Ele olhou para a ladina, encontrou os cabelos dourados desarrumados. As sobrancelhas quase se encontrando franzidas, ele viu uma borda de um vermelho mais intenso nos lábios dela. Loreah também havia sofrido danos internos com o ataque.
—Ótimos tiros—ele não quis falar sobre a imprudência dela atirar com ele se movendo na frente do alvo.

—Eu não mirei nele—ela riu um pouco.
—Venha aqui Sten—Liof falou com um tom simples e firme.
O rapaz andou até seu mestre. O velho arrancou a adaga da mão do rapaz.

—Entendo o instinto, ele ira te salvar incontáveis vezes—ele fez um arco com a mão na horizontal na direção do pescoço dele, o rapaz pego de surpresa esquivou—Mas se você não utilizá-lo com um pouco de raciocínio – dele desferiu um chute com a sola do pé que agora tinha um envoltório que foi encontrado na morada dos guardiões— você tera problemas – a mão do mestre encostou no tronco do selvagem e o desequilibrou na direção do rio. Ele cairia se não fosse seu mestre segurar seu antebraço no momento correto—Foi isso que fez a figura a nossa frente a cair, isso foi o que você fez atacar. Quando atacar, saiba porque você está atacando. Quando se defender, saiba porque o oponente ataca. Cada movimento, é precioso e único aproveite os movimentos. Antes mesmo de executá-los.
Sten estava acostumado as lições praticas do seu mestre mas não as palavras dele, ele precisaria de tempo para entender tudo aquilo.

—Ele é excêntrico, não achas?—Disse a Ladina para a mulher de cabelos castanhos.—Você poderia me ensinar a lutar Loreah?- Marian pediu com sinceridade.
—Claro—Respondeu desconcertada.
Todos se reuniram um pouco antes da cortina branca e espeça.

—Vamos com Cautela, não ataquem. - ele olhou para Sten em forma de repreensão.
Eles avançaram alguns metros, unidos observado tudo. Novas figuras surgiram, todas com olhos e rostos voltados para locais diferentes. A caminhada era lenta, eles escutaram estralos e barulho de ossos quebrando.
—Quando eles se encontram eles atacam – sussurrou o Guardião.
—Então eles só enxergam quando são tocados –
concluiu Marian—Se existir muitos deles próximos pode haver uma catástrofe até que eles caiam no rio. —A ladina falou.—Exato —Liof encerrou a conversa.

A caminhada foi longa e a passos curtos mas eles aceleraram para que não estivesse ali durante a escuridão da noite, pois ela poderia gerar grandes problemas e talvez sentenciar o fim da jornada. A névoa se desfez, uma figura enorme ocupava aquela margem do rio. As estrelas surgiam, atrás daquele ser com a altura de cinco homens medianos. Seus braços e pernas eram cobertas de pedras, e nas paredes daquele local via-se os buracos de onde foram retiradas. A partir da cintura do monstro era tudo cristalizado até o pescoço e o rosto era a única coisa de humano naquele ser, a pele flácida como se houvesse ficado na água durante muito tempo.
Ao ver as figuras saindo da parte esbranquiçada, bateu as mãos uma na outra.—Acho que esse ai nos enxerga—comentou Loreah.

Ergueu seu braço imenso e deixou a gravidade agir fazendo sua mão ir de encontro aos quatro, Sten foi rápido e ajudou Marian a sair do local de impacto. Loreah e Liof voltaram para a névoa. Sten viu a outra margem do rio livre.
—Atravesse o rio, Eu sei como vamos vencer ele.

Um daqueles que não enxergavam saiu da névoa em direção ao golem e foi esmagado de pronto por outro ataque, a pedra vermelha foi atraída pelos braços do monstro e derretendo, fluiu como sangue até a placa cristalizada no tronco.

-
Ele parece ser o que os outros um dia vão se tornar – Liof falou saindo da névoa onde se escondeu.

Uma pedra acertou o golem, Sten chamava a atenção dele. Ele se virou lentamente em direção ao rapaz e novamente ergueu o braço, uma flecha de Loreah atravessou o ar e foi rebatida pela placa de cristal vermelho.
—Excremento!
Liof soltou uma gargalhada com a forma da ladina xingar.
—É assim que seu povo pragueja?
—Não é obvio?
Ele riria novamente mas o golem já estava atacando eles,
de novo foi fácil de esquivar. A velocidade era pequena mas Liof sabia que seria questão de tempo para haver um golpe que encurralaria pelo menos um dos três. Marian já estava na outra margem do rio. Os cabelos de Sten se movimentavam ao vento em sua investida. Fazia tempo que ele não sentia o prazer da velocidade em seu rosto. Cravou sua adaga na perna mais próxima, ela era mais resistente a lâmina que a omoplata de cristais do monstro menor. Seus pés se apoiaram na perna tal como ele fazia ao subir na árvore na clareira onde morou, seu corpo conhecia o movimento. Pegou impulso, arrancou a adaga e subiu mais um pouco, vendo aquilo o ser de pedra e pele se movimentou tentando tirar ele dali. Loreah preparou outra flecha. Sten tentava se manter equilibrado. Um tinir chamou atenção do monstro, Liof retirara pela primeira vez sua espada da bainha, desde que encontrou uma na nova casa dos moradores da falligan caída. Uma lasca de pedra saiu da perna, a atenção do agredido estava dividida quando decidiu atacar Liof, a seta penetrou seu rosto róseo e macilento abaixo do seu olho. A abertura cristalizou todo o objeto e a pele. Ele não tinha mais a visão de um dos olhos. O rapaz já alcançara a cintura do golem. O guardião atacava com velocidade, causando o maior dano que conseguiria treinando contra uma parede de pedra. A noite já habitava o vale quando a ladina percebeu que não havia mais flechas.

Sten viu uma fresta nas costas do golem aonde já era pedra vermelha, encaixou sua mão no local. O movimento de ataque do golem pegou Liof de surpresa, o ataque foi com a perna que estava riscada e faltando algumas lascas. Derrubando o velho. Agora pisar no Guardião seria fácil, levantou o pé. Uma adaga branca foi fincada na parte do pescoço, O rapaz tirou a mão para não ser cristalizada. Outra adaga acetou no olho que ainda possuía visão que foi tomado de pedra vermelha. Sten deixou seu peso fazer o trabalho na queda do ser petrificado. O golem despencou. O rapaz estava na
área de queda e não conseguiria sair. O estrondo foi gigantesco. O tronco do monstro agora servia de ponte entre as margens do rio seus braços iam se desfazendo nas águas, ele se contorcia mas não havia nada o que fazer. A água ganhou um pouco da cor carmesim e Loreah logo correu o olho a procura de Sten, Liof também. Marian se aproximou do monstro transformando o receio por preocupação. O silêncio tomou conta completamente do local. O barulho dos pulmões de Sten buscando ar aliviou todos ali, ele saiu com sua adaga nas mãos e na outra mão um corte grande. Ele escorou na beira onde Marian estava próxima.

- Não queria deixa
r o maldito com minha adaga. - falou ele mostrando a arma ainda com pedaços vermelhos encrustados nela.


Ele subiu na margem, viu a parte central do corpo do golem rachando com a água que batia.

Liof e Loreah atravessaram para outra margem evitando o golem que agora estava sem seus braços, que foram esfarelados pelo rio. Chegando lá decidiram a
ndar mais um pouco para saírem de perto da névoa e evitar confrontos tão desgastantes. Acamparam, fizeram o fogo de forma comum. A noite agora se passava com Liof olhando para o caminho do vale invisível aos olhos na escuridão da noite, Marian cuidando do corte da mão de Sten, Loreah observando o lugar onde o golem havia caído.