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sábado, 19 de março de 2016

Tya – A batalha do chamado(Liof e Duia)

— O que você entende por aquilo que rege nosso mundo Marian?

Ela abaixou a cabeça, puxou o pedaço da blusa que estava vestindo e ficou alisando e fazendo dobras, buscando as respostas perdidas em sua mente, os sonhos saltaram a sua mente, lembrou também da história que ele contou sobre o último filho.
— Nosso mundo é regido pelas coisas criadas pelos dois Deuses crianças, se me lembro da história, eles criaram: Céus, Montanhas, rios e mar.
— E quanto a magia? De onde ela vem? — Liof falou com calma.

— Eu não sei.

— Não somos capaz de saber, mas podemos definir qual são seus aspectos.
— O que descobrimos ate agora sobre ela é que possui algumas propriedades, como o aspecto do rio: A magia te um fluxo, um estado e quando passamos pelo posto do vale, encontrei uma entidade que falou que a magia estava em seu maior fluxo. Significa que ela terá sua baixa.

— então esse é o aspecto de rio. Para utilizá-la teríamos que canalizar o seu potencial?
— é isso que temos feito… Eu por meus encontros e meu passado possuo parte minha no rio, a que estava adormecida junto com minha memória. Quanto mais recupero as lembranças melhor compreendo essa canalização.
— como eu e Loreah chegamos a utilizar?
— isso é uma coisa que ainda estou pensando sobre. Eu não sei. Vocês acessam de formas diferentes. Você lembra do símbolo do fogo — Marian confirmou com a cabeça — ele consome nossa própria energia para gerar o fogo. Acredito que quanto mais magia fazemos mais podemos ser intermediários do fluxo do rio... Uma coisa que me intriga é como podemos compor um santuário.
— Pergunte a Duia, Ela mantem Tya protegida
—  Você citando me lembrou algo que ela me falou, que a magia tem outras propriedades que ela ainda não explorou, mas sabe que existe.
— seria possível anular o fluxo do rio criando algo que saia de sua imersão? Ou tentando secar seus recursos? Não sei...
— Não sei ao certo. Isso seria útil. O sentinela não poderia intervir de modo algum.

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Algum tempo antes da aurora do dia da batalha

Liof sentado sob a tenda lilás ao lado da pequena Ounda.
— Minha querida você precisará, se concentra um pouco, feche os olhos e respire profundamente.

A menina deixou o ar entrar, fechou seus olhos.

— escute seu coração bater. Escute o rio que passa, pense em Duia.
O coração. O rio. O coração e o rio. Duia e sua gentil expressão contemplava a menina, esticou uma das mãos e a Regente a pegou para guiar. Os olhos da menina ficaram lilas, seu corpo ganhou outra postura e ela levitou.
— agora minha querida vamos trabalha para que os soldados possam fazer a sua parte.
— Duia, é possível diminuirmos as forças dos cavaleiros escarlates?
— Sim é possível, isso aconteceu a muito tempo atrás. Meu neto deu a vida para que a magia aqui pendesse apenas para um lado.


— Entendi. Concentre-se e expanda a redoma de proteção que você criou.
— Tudo bem! Farei isso sem gastar as forças de Ounda.

— Minha pequena! Obrigado pela oportunidade de falar com Liof

Largou as mãos da menina.

Liof concentrou-se. Escutava a respiração pesada dos soldados, os cavalos nos locais, destinado ao descanso deles, corujas nas florestas ao redor e enfim os atrito nas armaduras dos soldados escarlates. Sentiu o rio, lembrou-se do orbe e expandiu sua vontade. Os olhos de Liof ganharam o tom âmbar. Liof construía uma ilhota em meio ao rio. Sntia a força da corrente, ela o puxava querendo o dobre a sua vontade e Liof resistia, Não aguentaria aquilo sozinho de modo algum. Duia o amparava mantendo a estrutura da ilhota, Liof era responsável por dispersar o fluxo, tal como uma proa que divide as águas.O Ultimo guardião sofre um flash em meio a concentração, lembrou-se do Orbe e do sussurro que brotava do seu íntimo. As reações sobre punham o fluxo mágico começou a sentir os elementos em sua pele. O arder do fogo, os cortes de vento, o golpe seco da terra, O desesperar da água, dois elementos distintos causavam o sufoco do medo e o constrangimento absoluto. Palavra ecoaram dentro de sua cabeça.

“Se tem medo do rio, não queira ver o mar”

Submergiu... Buscou fez força e voltou. Acordou ao lado da pequena Ounda, sentiu a cabeça latejar. O líquido denso e vermelho escorria por sua barba branca, olhou para a pequenina e entendeu o quanto Duia era forte. A batalha havia acabado. Todos haviam tomado seus caminhos agora ele precisaria ficar atento e ensinar cada vez mais a pequenina que dormia tranquilamente.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Tya - A batalha do chamado (Sten e Marian)

Os raios do sol mal encontravam os solos perto de Tya. Soldados se apertavam nas fronteiras, ferreiros ajuntavam os armamentos, os arqueiros ainda encostados nas beiras do muro de madeira, reforçados com pedra e metal. Loreah e Adáia haviam designado doze generais que coordenariam baseados nas táticas aprendidas os ataques, A ladina havia ensinado como os métodos brutos de batalha dos soldados escarlates: O avanço sem piedade, a falta de dor ou sensibilidade, a força de dez homens comuns, a agilidade, armaduras em comunhão com o corpo e o jeito eficaz de causar danos. Todos os soldados lembravam dela afirmando e reafirmando " a oportunidade que tiverem arranquem um membro sem medo, de preferência a cabeça para que não continuem lutando e caso sejam pegos e confrontados fujam e procurem uma forma melhor de atacar, não é covardia querer sobreviver". Os dispositivos de desmoronamento criados pela ladina abririam novos caminho, possibilitariam o complemento do grande plano.
Marian juntava os suprimentos e pergaminhos de anotações criados por ela e por Liof sobre o conhecimento que tinham sobre a magia. Vestiu um manto marrom-esverdeado e pediu para ir com o povo que se dirigira para Runei, uma das cidades que seria abordada rapidamente. O seu plano era passar pelos postos e seguir em direção ao labirinto plano. Quando terminava de compor sua bolsa de algodão escutou passos na porta de seu quarto. Um soldado a esperava na porta. A mão de Marian rodou a maçaneta e ao sair o único que sabia dos seus anseios estava ali. Sten a olhou, suas sobrancelhas arquearem e um sorriso pequeno tentava passar o apoio a atitude dela, mas seus olhos um pouco tristes denunciavam o que ele sentia.
— Você tem certeza!?
— Tenho Sten, o cubo é algo importante. Estudando com Liof montamos inúmeras teorias, temos alguns pontos e para vencer o sentinela, precisaremos estar completamente preparados no campo da utilização da magia. Liof não vai comigo pois protegera com suas energias esse local acompanhado de Duia e o sentinela não se atrevera a atacar ainda.
— Porque então não conta para ele também? – Ele buscava alguma reação no rosto da líder de Falligan, um silêncio incomodo se instaurou – Posso ir com você?
— Você sabe que Runei vai ser uma grande dificuldade e sem você acho difícil eles vencerem o local aonde o senhor do castelo tem influência direta. Você conhece aquele local e saberá como agir.
— Pãntrio e Pirtrio precisam de alguém ao lado…

Ele mostrou os dentes em uma tentativa de sorriso, não acreditava tanto que era uma peça fundamental para a batalha, mas sabia que para os garotos a presença dele ou de um dos amigos mais próximos seria importante. Colocou então um dos elmos que o igualaria a qualquer soldado. Marian cobriu utilizando o capuz da capa e se dirigiram para o portão que entraram a um tempo atrás.

Tambores estavam posicionados atrás de cada uma das tropas, o sinal viria deles ao comando de uma flecha de fogo disparada por Adáia. Sten contemplava a mulher que se distanciaria por um tempo, de costas para ele, ela parecia concentrada, sua mão se aproximou do ombro dela. Desistiu, abaixou a cabeça e respirou profundamente. O movimento da cabeça da mulher levou os olhos a se encontrarem. Ela virou o corpo na direção do soldado, aproximou um pouco mais e retirando uma adaga de sua bolsa riscou o símbolo do ar no peitoral. Pressionou com carinho o local que acabara de desenhar, sentindo um pouco da sua energia sendo direcionada aquela armadura. Abriu a boca para alguma explicação, mas foi interrompida pelos tambores. A batalha começara Pirtrio e Pãntrio viam aquela cena esperando que o caminho até a passagem que levava a Runei estivesse aberto. Os disparos precisos, alguns precisaram de mais de um disparo, fizeram as bordas envolta da grande depressão aonde se encontrava Tya desmoronarem, foi possível ver os soldados escarlates caindo na fenda, flechas voaram para atingir aqueles que sobreviviam. Após a primeira saraivada viram que os inimigos que não foram soterrados se levantavam com setas fincadas, trespassadas e saiam em busca de voltar para as partes restantes das bordas.

— Senhor! Eles estão nos atacando, levaram a maioria do contingente no limite do santuário.
— Vamos perder muitos homens? – A voz na cabeça do primeiro cavaleiro ressoava monótona
— P
erderemos de qualquer jeito.
— Então lute, se vamos perder não atacando, ataque com os que já estão dentro do santuário e faça-os sentir um pouco da perda. Quanto aos outros mande-os para as estradas e acampamentos. Mais meio inverno e estarei pleno, e mais dois dias teremos seu irmão em ação.
O grito para impulsionar aqueles que ainda possuíam alguma consciência entre os soldados escarlates veio do cavaleiro primordial. Enquanto isso os outros que eram meras marionetes e estavam antes da grande depressão se direcionaram as estradas. O cavaleiro que se locomovia como a luz saiu dali e foi para Runei, preparar as tropas alvas. Todas as estradas estariam encobertas, mas nenhuma em direção ao castelo poderia estar desprotegida.

Os portões se abriram deixando os soldados saírem nas direções determinadas, Loreah e adáia haviam montado um plano interessante de busca: Dividiram suas tropas em quatro partes, uma delas seria comandada até os limites do castelo branco, outras duas tinham como objetivo chegarem as outras aldeias e uma última ficaria para defender Tya de qualquer investida dos soldados escarlates. Sten estava na tropa que buscaria limpar o caminho até o castelo, partiram em direção a floresta que levaria a Runei. O barulho das armaduras era duro para os ouvidos, o caminhar era ritmado e preciso, uma quantidade quase igual aos soldados descia em direção a floresta que envolvia aquela entrada. O primeiro choque mostrou a grande diferença, a disciplina dos soldados treinados por adáia e loreah era impecável. Chegaram unidos ao seu objetivo enquanto os soldados escarlates não importavam para seus companheiros, atacavam displicentemente. As espadas escarlates encontraram os escudos cinzas, os escudos eram fortes e leves mas sofreram riscos profundos, as pancadas faziam a linha de frente recuar. Após o primeiro impactos trabalhavam os da segunda linha auxiliaram no contra-ataque, com a formação criada oportunizava dois atacarem um soldado escarlate e retornarem para defender, porém não era o suficiente a força que os soldados escarlates tinham era maior. Espadas cortavam os cavaleiros escarlates enquanto outros tentavam defender, depois da quinta recuada as perdas foram inevitáveis. Os escudos cederam, espadas trespassaram alguns, Sten ainda não havia entrado em batalha, aguardava na última fila. Marian apressada saiu pelo flanco esquerdo da tropa. O cavaleiro novato a seguiu, rapidamente a mulher foi abordada por um cavaleiro escarlate. O medo invadiu Sten, Acelerou o passo. Um clarão e o folego do rapaz se foi. Um soldado escarlate estava em chamas, atacado pela bola de fogo que acabara de sair dos dedos de Marian. Ela seguiu em direção as árvores e se escondendo. O suor frio escorria pelo rosto escondido da mulher, a utilização da magia que ainda utilizava muito de sua energia apesar de um santuário potencializar as capacidades. Se esgueirou e subiu as pedras escorando uma vez por outra, já abria uma distância considerável, olhou para trás e enxergou as forças escarlates esmagar mais da metade dos soldados. Um machado despencava em direção as costas da mulher, ela desviou e Sten cortou a cabeça do oponente com um golpe de um de seus machados, ele não havia a abandonado.

— Volte, eles precisam de você!
Ele afirmou com a cabeça e seguiu para o campo de batalha sentindo o peito pesado e a garganta precisando gritar, arrancou seu capacete. Sentiu o ritmo das passadas o ar brincar com pele de seu rosto e entrou pulando em cima de um dos soldados escarlate mais perto, seus machados davam golpes furiosos, ferozes e sedentos. O sangue dos escarlates evaporava criando nuvens incomuns no campo de batalha. Sten, O selvagem mostrava sua verdadeira natureza, vencia a força com sua agilidade e vontade. Lutando para sobreviver além de tudo e utilizando daquilo que ainda não sabia sentir para fazer o que podia para vencer, para ser o homem em pé, depois do ataque. Aos poucos, sua armadura foi desatrelada do corpo. Primeiro as ombreiras e depois o peitoral. Apenas a proteção da perna e as manoplas sobraram, ele ofegava e os soldados de Tya que lutavam ao seu lado ganharam motivação para continuar, ver Sten como exemplo em batalha foi o impulso final que eles precisavam. Venceram os soldados que estavam ali e dos setenta soldados de Tya sobraram apenas dez. Olhar perdido em pé sobre a carcaça do último inimigo, os machados firmes na mão, feridas profundas nos braços e no peitoral desprotegido era isso o que enxergavam os outros nove, feridas que foram amenizadas pelo santuario. Um homem que sobreviveu dando de toda a força que dispunha. O selvagem levantou a cabeça e procurou a mulher entre as árvores. Marian havia partido.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tya - O fim do outono

A pressão silenciosa sobre as tropas Tya era enorme, todos sabiam o que os cercava. Parecia que todos os postos de vigilância haviam sido movidos para ali, eles não tinham ideia que as tropas escarlates eram muito maiores. A pergunta a ser feita é, quando eles atacariam?
Loreah estava exausta, os turnos de treino em que ela ensinava novas formas de batalha eram contínuos, ela estava acrescentando o seu conhecimento as formas já aprendidas dos soldados. A tarefa era mais fácil que ensinar pessoas sem treinamento de combate, Adáia era rígida e exigia treino continuo de seus comandados foi isso que facilitou para Loreah porque se dependesse dos combates que eles entraram nas últimas primaveras, haveria soldados sem noção nenhuma de combate, formação, formação em equipe. Depois do ocorrido da mistura de vivências entre Adáia e Loreah, elas trabalhavam como uma, organizando treinando e ensinando sobre os cavaleiros escarlates. Eles já tinham avançado o outono apenas treinando, recrutando e definindo as defesas.
Liof passou todos os dias ensinando o que conseguia lembrar sobre a magia, contou toda a sua história a Marian e a preparou como compreendia ser o melhor. Nesse tempo, ambos estudaram os símbolos na caixa e identificaram algumas coisas, havia seis lugares para seis símbolos, porém aquele que construiu a caixa escrevera apenas quatro deles. Eram os símbolos básicos (foi dessa forma que Liof os apelidou), símbolos representantes dos quatro elementos simples: Água, fogo, ar e terra. Descobriram que o símbolo desenhado por Loreah era relacionado ao ar, hipóteses criadas pelos raciocínios. Liof estava tentando algumas confirmações com a regente, porém o crescimento da menina que dava voz a entidade protetora de Tya estava começando a afetar diretamente com a comunicação. A menina criara um controle maior de sua mente. Não podendo então deixar fluir, teria que aprender como possibilitar essa comunicação.
Sten entrou para guarda de Tya e treinava com todos os outros soldados, aprendera com os outros soldados as regras da honra de Tya e sobre o respeito ao ser. O denominado selvagem descobrira regras de civilidade muito mais complexas do que antes, em Tya tudo importava, desde plantas e animais até a vontade livre do ser. Ali todos poderiam ser o que quisessem ser e fazerem o que quisessem fazer, observando lógico o limite em que o querer afetava de modo negativo a vida de todos.
Pãntrio e Pirtrio entraram cada um na área que queria aprender, Pirtrio quis aprender a tratar de animais e Pãntrio quis aprender a como conduziria os trabalhos e virou o único menino a ser ensinado pela apuradora.
Em uma noite Adáia,Guinn, Liof, Marian, Loreah e Sten jantavam juntos. Os copos cheios de sumoçetil, só Sten não bebia.
— Nós temos uma quantidade grande mas eles são mais numerosos— Adáia não conseguia parar de pensar.
— Considere que cada um deles tem a força de dois de nossos soldados mais fortes — soou Loreah cansada.
— Eu ainda acho que nossa maior vantagem é o local, estamos no campo em que mais conhecemos— Guinn foi categórica, enquanto levava uma torta salgada a boca
— Mas para aproveitarmos precisamos que eles ataquem — soaram juntas as chefes da guarda.
— Ficar nessa espera é terrível, o sentinela precisa desse tempo, nós não podemos dar esse luxo a ele  — O velho Guardião alarmou a todos.
— Por que não os trazemos para o nosso campo? — Marian questionou.
— Não é tão simples, eles não cedem a emoções. Não há como incomodá-los e fazer isso os trazerem até nós— Adáia falou com enfado, Loreah e ela haviam conversado várias vezes sobre isso.
Sten olhava para a conversa pairando na mesa, seus cabelos agora estavam amarrados, o elmo não permitia o seu cabelo livre. Como sempre o silêncio era o seu companheiro, sua boca se abria para quase nada. Observar era uma de suas maiores qualidade.
— Por que não aumentamos nosso terreno— a mesa parou— podemos utilizar a terra de baixo dos pés deles, já que eles não vêm por emoção mudemos a forma de ataque.
— Mas como faríamos o chão desmoronar?— Adáia gostou da ideia Loreah olhou intrigada para seu soldado.
— Como faríamos essa ação?
Sten juntou as sobrancelhas, questionando a si mesmo sobre a ideia. Guinn foi ágil.
— Podemos fazer um túnel a baixo da borda e fazê-lo desmoronar.
— Demorará demais!— Loreah novamente.
— Podemos cavar pontos-chave durante a noite e fazer cair esses pontos e assim que atacarmos não vai ter como eles esperarem mais— Marian complementou o pensamento.
Um sorriso de alívio surgiu no rosto de todos eles, talvez desse certo, eles precisavam apenas de uma luz.

As noites seguintes foram de grande trabalho para os mineiros e ferreiros, furtivamente cavaram apoiando madeiras fortes que aguentavam o peso necessário. Foi deixado um mecanismo feito por Loreah que faria a madeira quebrar e ceder. Bastava rachá-la ou causar um impacto maior e ela deixaria de suportar. Tudo pensado por todos. O ataque estava preparado. O dia seguinte era o dia em que os soldados escarlate conheceriam melhor a guarda de Tya.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Tya - A reunião dos campeões e o inicio de uma solução

Todos os campeões estavam sentados em baixo da tenda lilas da regente, ela se pronunciava no centro.
— Como falei chegou nossa hora de compartilhar a nossa prosperidade com as outras aldeias — Ela fitou Adaia e Loreah que agora já possuíam a armaduras iguais — Loreah, precisaremos da sua capacidade de descrição e seu conhecimento sobre os soldados escarlates, para encontrarmos as aldeias que ainda existe — Olhou para Adáia — Minha querida guerreira, ajude a ladina no preparo de todos soldados. — Respirando olhou para Guinn — Apuradora, preciso que você reja os suprimentos e a confecção de armaduras, Thorindor preciso que você procure por metais mais resistentes, e chame o seu ajudante Calinor. Sei que o pequeno é um manipulador de ideias — a regente olhou cada um dos campeões nos olhos — Amigos estamos diante de um momento único na nossa história, estamos no momento do crescimento do caule da grande árvore que será o reino que sempre sonhamos, um reino regendo todas essas terras que desde muito estão divididas.

Os olhos da pequena perderam a cor enquanto todos eles se dirigiam para traçarem os próprios planos de ação.

Liof observava pela fresta da tenda Marian mexendo no cubo.

— Hum… quatro animais… três símbolos… Seis lados…

O cubo era deslocado em sua mão.

— O lobo se opõem ao pássaro, a serpente se opõem ao inseto — a caixa não fez nada — Seria obvio demais.
Ela continuava absorta e Sten estava aprendendo a polir seus machados, que agora Calinor o mostrara como aumentar seu brilho e resistência através do polimento, Olhava de longe para a Lider de Falligan. Um estalo aconteceu quando a menina desmontou a serpente. Novamente o simbolo do fogo surgia. Por que o símbolo do fogo estaria em uma serpente? Isso não tinha o menor sentido. A não ser que se quisesse criar um padrão contrário. Ela conhecia as cobras d'agua, mas nenhum tipo de serpente que ela conhecera tinha o fogo. O quebrta cabeça da serpente formou o simbolo do fogo, apoiando a sua mão sobre o cubo ele entrou queimou, como se ganhasse uma capa protetora de fogo. Um fogo azul, que não feria.
— Já sei! Isso deve ser uma sequência de elementos, o próximo é a água que esta contido na ave.
Enquanto ela fala isto um escrito formou o início de uma mensagem.

“Sem montanhas ou vales
a monotonia invade
um quebra-cabeça a céu aberto
feito para o homem certo


Homem que é fogo
Fogo que é homem
consumindo de si
consumindo pra ti

E na boca dos Deuses sua pronuncia é Liof”

— adame-pathar, O que se entregou por Valian

O velho que não parecia tão velho agora, andava na praça central buscando mais memórias. Buscando explicações para grandes coisas. Entre elas Não saia de sua cabeça a conversa que teve com o ser no posto do vale-costa-do-esqueleto: “Um de vocês modificados pelo sangue vivo de seus pais…herdeiros modificados…”, Mariam cortou o raciocínio do Guardião. Mostrando o que estava escrito no cubo.

— Compreendo, de alguma forma eu sabia que meu nome significava fogo.
— Ele fala do caminho do labirinto plano, Liof. Olhe o primeiro verso. Temos que ir para lá. Talvez o cubo esconda um mapa de como andar nele.
— Verdade, mas por agora necessitamos de continuar na batalha contra o senhor do castelo. Esse enigma não seria importante.
— E se esse tal de Adame estiver esperando por você? Se ele souber como lidar com o senhor? Se ele entender o que aconteceu antes das terras serem divididas? Qualquer ajuda é bem-vinda.
— Concordo, Mas exigiríamos muito dos outros por apenas um palpite. Precisamos De algo mais sólido — Liof estava curioso, porém sua mente não encontrava nada relacionado ao cubo ou o tal Adame.
— Então me deixe ir!— Marian estava obcecada por aquilo. Ela sentia que aquilo poderia levá-los a algum lugar.
— Deixo mas não sem preparo. Enquanto os soldados se preparam, eu te prepararei.

Adáia passou pelos dois na praça central e entrou na tenda, ambos seguiram a mulher sentindo que algo ruim estava prestes a acontecer. O cenho franzido e uma preocupação.

— Regente, peço-te a presença!

A menina deixou a regente se manifestar.

— Fale Chefe da guarda.
— Estamos cercados por tropas de Soldados escarlates.
— Não acredito que eles vieram atacar. Se fosse isso já teriam investido antes de notarmos a presença de todos eles. A que distância eles estão de nós?
— Na borda da depressão. 
— Não se preocupe, treine seus homens vamos precisar para o plano de expansão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Tya- O torneio( 2 de 3 )

— Loreah! Loreah!
Gritavam Pirtrio e Pãtrio
A ladina estava parada com o capuz verde pendendo no pescoço, era o segundo oponente da espada, não era sua especialidade mas o duelo anterior tinha atraído bastante atenção. Havia ganhado do segundo colocado do ano anterior com um golpe. O seu segundo oponente era um dos guardas que havia cercado ela e seus amigos. Ele a temia, apesar dela ter sido nocauteada com certa facilidade ,os primeiros movimentos vistos deixaram uma impressão sobre ele. Retirou a espada da bainha fazendo barulho. As regras do torneio de esgrima eram simples, o primeiro a sangrar perdia. Claro que eram evitados os pontos vitais, batalhas as vezes eram decididas com arranhões superficiais feitos pelo solos. Loreah porém não ligava para isso. O oponente que a enfrentou pela primeira vez saiu com a bochecha trespassada pela lâmina da ladina. Ela só tinha um oponente em mente. A batalha final era realizada por todos os competidores que obtivessem três vitórias, podendo perder apenas uma vez.
— Estou sem paciência—Loreah chamou mais um soldado que estava na fila, ele achou que lutar contra a estrangeira seria uma forma fácil de conseguir vitória.
— Eu?
— Claro! Vamos vocês dois contra mim pra resolver isso logo.
— Isso não seria justo.
— Injusto é eu enfrentar apenas um de vocês.
O soldado anterior mostrou magoa nos olhos e atacou, Loreah esquivou-se da investida com facilidade.
— Vamos! Rápido! — Ela acenou para o soldado que ainda estava em duvida em ataca-la junto com o outro, ele aceitou a batalha.
— Eu não preciso da sua ajuda—reclamou o soldado ainda se recompondo do golpe falho.
No mesmo instante sentiu a lâmina subir cortando a sobrancelha, o sangue pingou na bochecha. O outro olhando aquilo golpeou a ladina que tinha o braço estendido apontando o céu com a ponta da lâmina ensanguentada.
—Pronto, agora não tem mais choro — ela deu um passo para o lado e golpeou a mão do rapaz que não conseguiu interromper o golpe. Ele abriu a mão deixando a espada cair. A base do dedão sangrava. A ladina não pretendia causar danos maiores em lutadores fracos. Ela desejava o sangue de Ádaia, que já esperava os oponentes da parte final do torneio da espada. A guarda mestre treinava seu arco, enquanto entre uma parada ou outra testava o gosto das novas receitas feitas por seu marido Cilindor. Loreah viu que ela não dava a menor importância para quem iria ir contra ela. Isso só fez seu sangue ferver mais.
Marian olhava hipnotizada para a caixa. Buscava na sua mente todas as histórias que sua mãe havia contado. Quando a noite caia, Ruflo trancava as duas em um dos cômodos da sua casa e aquele cômodo era o cenário de histórias até a morte da mãe dela. Ela buscava as histórias porque os animais não eram estranhos, ela não estava prestando atenção mais em nada. Absorta em seus pensamentos concluiu que se fosse algo óbvio demais as pessoas já teriam aberto aquele cubo.—Sten, o torneio aqui esta a forja e as ferramentas necessárias.—Obrigado Calinor.—Outra coisa, você tem três dias para terminar o que for fazer, seja armadura, arma, cela, qualquer coisa— O menino estava ofegante — Essa é minha primeira tentativa de entrar no torneio, minha mãe falou que eu estava preparado há um ano mas eu não queria mexer com culinária igual meu pai, eu quero é mexer com criação de armas, igual meu tio. Ele que vai me ajudar, seremos uma dupla esse ano. Eu ainda não tenho força para martelar o metal mas meu tio fala que tenho boas ideias — Ele abriu um sorriso.— Aonde consigo a matéria prima?— Tudo fica nos depósitos, eles ficam aberto e você pode pegar o que quiser, depois do torneio todo que utilizaram vão minerar. A única coisa que é bem limitada é os itens que vem dos animais, só aproveitamos as partes dos animais que morrem.— Obrigado Calinor.— E vê se não esquece os pontos de forja.Sten balançou a cabeça e pegou as ferramentas que demorou dois dias para conseguir com ajuda de Calinor.


A tarde de disputas continuou, até a regente declarar o término do primeiro dia. Uma grande fogueira foi feita, e os cozinheiros finalistas se prepararam para criar as comidas mais gostosas e que dessem mais energia. Uma grande festa, muitas canecas de cevada amarga, sucos de mangedéias e muitas comidas. Todos estavam feliz, todos não. Loreah estava longe da festividade, tinha voltado para a pena de luz. Estava em seu quarto no escuro sentada virada para a parede, seus dentes rangiam, adaga riscando a parede, ela desenhava um símbolo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Tya- O torneio( 1 de 3 )

O dia nasceu trazendo consigo a ansiedade, ela morava dentro do peito das crianças da cidade de Tya. Muitas delas haviam dormido mais tarde rolando nas camas, o grande tornei era o evento que todos esperavam. Os campeões dos torneios anteriores se sentiam como as crianças, uma pouco mais, haviam sobre os ombros uma certa responsabilidade, ali todos se divertiam, ganhar nem sempre era o importante. A maior responsabilidade era a de estar a frente de um dos cargos de importância de Tya, coisa almejada por todos os moradores dali. Eles sentiam a vontade de fazer aquele local crescer. Porem para alguém nas sombras do estábulo que serviam para os cavalos se alimentarem e passarem a noite, Loreah amarrava as novas aljavas feitas de cipós da floresta, concentração impecável, respiração balanceada, olhos severos e veias pulsando orgulho ferido. Liof cuidava da pequenina Ounda, ela estava esgotada Duia e ele conversaram bastante durante a noite através de Ounda. A menina estava deitada, lábios entreabertos, suas bochechas gorduchas subiam um pouco quando ela respirava, assim como o seu corpo na almofada. Liof a olhava com olhos brilhantes de nostalgia e esperança. Seu pequenino já dormiu despreocupado assim como aquela menininha, agora ele dormia pra sempre.
—O sono daqueles que são puros—Ele sussurrou.
Marian conversava com o dono da pena de luz, tentava conhecer um pouco mais da cidade.
—Você vai adorar o torneio, ele acontece de hoje ate o término das competições e no último dia existe as danças. São belíssimas e logo após tem o evento mais sagrado, a flor de luz é despetalada e dada aos novos casais concretizando assim a união. São duas pétalas para o casal. Olha só.—O homem tirou um cordão de dentro da blusa, na ponta dele uma pétala azul prateada—me lembro quando eu e a minha Noara tínhamos ganhado as nossas, porém n
ós ainda não tínhamos visto que eramos ligados dessa forma, sabe, sempre fomos amigos desde pequenos mas eu não percebi que ela gostava de mim desse jeito.
As sobrancelhas de Marian se juntaram um pouco, seu peito do preenchido por um ar, ar que almejava ser suspiro. Sua mente delineou o homem de cabelos negros, de olhos intensos e carinhosos e de mente simples. Tão simples que talvez nunca tivesse pensado em encontrar alguém, como ela pensava quando era pequenina. Suspirou.
—... pois é, ela deixou essa terra depois do último torneio. A regente cuidara dela de alguma forma—Ele deu um sorriso entristecido—agora vou chamar todos que já devemos ir.
Tudo bem – na mente dela ainda pairava—Sten!
O Selvagem andava firme e de semblante estático, sem expressões, ao levantar seus olhos que estavam parados enquanto sua mente buscava entender ainda o torneio que se aproximava, sorriu. Repassava em sua mente todas as vezes que fez alguma coisa para ajudar a se proteger dentro da floresta-sem-luz. O dia anterior ele havia passado bom tempo aprendendo com Calino, segundo o que falou Ádaia o menino era muito avançado na maioria das coisas.
—Marian!—Ele falou num tom mais alegre que o comum, então tentou concertar—Você não quis participar do tornei?—Sua voz foi um pouco mais formal.
—Não, eu ficarei cuidando da intermediaria da regente. Duia pediu para estar do lado da pequenina.
—Duia!? Quem conversou com Liof e conosco quando chegamos – Ele repetia o que sabia, algo muito comum quando não se sabe ao certo o que falar.
—Marian!—Pirtrio e Pãtrio surgiram de forma alegre, não pareciam os meninos endurecidos e sérios que tinham sido encontrados por eles.
—Vamos para o torneio? —Sten quis dar foco ao objetivo.
Loreah já se dirigia a grande arena, cobriu seus cabelos loiros com o capuz verde-floresta conseguido a pouco tempo com um dos moradores que a viu treinando e quis lhe dar um presente de boa sorte. Um cortejo. Tudo que ele conseguiu com o gesto foi um olhar gelado. O final de seu treinamento ela o pegou na cerca que ele havia deixado. Agora todos ia para arena.

A cidade chamava de a grandiosa caminhada a movimentação do povo em direção a área do torneio, cavaleiro montados em cavalos sem sela. As modalidades dos torneio que mais atraiam o povo eram a de espada, de arco e flecha e a de inteligência. A de inteligência abria as comemorações, o vencedor tinha o grande cargo de apurador. Automaticamente ele vira o segundo juiz do torneio e auxiliava em decisões complexas.
Como a do torneio anterior aonde o brilho deixado nas placas de metal enferrujados foi decidido pela regente, pelo vencedor de inteligência do torneio anterior e pelo novo apurador. A quantidade de primaveras não importava naquele local, um menino que acabara de aprender a falar poderia concorrer a apurador. Todos tinham o direito de competir aonde quisessem.

Alguns trovadores andavam dando o tom da marcha, a cidade que nos dias anteriores parecia vazia vista de cima parecia um formigueiro, pessoas cantando. Rindo. Todos preparados. As áreas de torneio eram dívidas, em etapas mas o encontro inicial era com a fala da regente e o teste de inteligência. A pequenina era carregada pelo Guardião, A regente havia falado com todos que gostaria de ter ele e Marian como protetores primários. Ádaia tomou providências para que isso acontecesse. A cerimonia inicial era apenas para os competidores, pois não caberia todas as pessoas de Tya ali, muitos subiam em construções para tentar ver alguma coisa. Ounda acordou, deu um sorriso desceu do colo de Liof e andou até o centro do círculo aonde se encontravam. Os bardos pararam as músicas. Os olhos da menina tomou a tonalidade lilás característica da regente, Liof se concentrou, seus olhos ficaram ambar. Ele protegeria ela de qualquer ataque, sua memória havia identificado bastante informações na questão do fluxo mágico. O orbe se tornara uma lembrança constante que o ajudava a encontrar meio de deixar fluir o grande rio de magia. Agora ele balançava freneticamente o rio, para que caso o seu rival resolvesse atacar encontrasse somente a ele. Algo dizia que se ele pudesse realmente atacar teria aproveitado a chance quando controlou o corpo da pequenina. A voz da regente se fazia ouvir de onde quer que você estivesse na cidade você a escutaria como se ela estivesse ao seu lado.

— Esse é o torneio mais importante desde a era dos reinos. Como todos sabemos, sofremos ataques externos algumas vezes. Nos mantivemos firmes ante as investidas dos cavaleiros escarlates, nossas defesas foram bem estabelecidas. Conseguímos nos relacionar com o local que nós vivemos, que é sagrado. Nós nos sustentamos sem destruir e isso tudo continuara assim. O nosso reino será a semente de algo maior. A dois dias chegou um grupo de aventureiros, que aos olhos de nossa maior campeã se tornaram amigos de toda Tya. Eles trazem consigo, notícias preocupantes. Chegou a hora de ajudarmos as aldeias que nos cercam, mesmo que isso signifique a extinção da nossa — Bocas se abriram emitindo ós e aís — Nós nunca tivemos medo, fomos cautelosos e talvez isso tenha nos transformados em fortes. Não podemos simplesmente fechar os olhos por comodismo, pois o inimigo que nos aguarda está se fortalecendo e sem a capacidade de expandirmos nossos conhecimentos ficaremos presos na nossa redoma e seremos soterrados por ela. Esse é o torneio que você mais esperavam, o torneio que mudara vidas. Que trará consigo os campeões responsáveis por liderar a conquista da liberdade de todos os povos de terras divididas. Mesmo que não conheçamos nenhum deles. Os representantes e amigos se apresentam. Liof o último Guardião – Um burburinho se ergueu, todos ali sabiam as histórias sobre os guardiões, a imagem que tiveram foi dos olhos fogo do velho — Sten, O selvagem — A conversa que Liof teve com ela, foi esclarecedora sobre cada um deles — Marian, A líder de Falligan — Ela apontava para a mulher de olhos castanhos e límpidos — Pãntrio e Pirtrio, Os embaixadores de Runei — Os meninos abriram um sorriso escutando o nome de sua cidade — E Loreah — Ela buscou a ladina no meio da multidão — A andarilha — Loreah não se aborreceu, não ligava para o que falaram dela. Seus punhos serrados, lábio comprimido e olhar feroz diziam o que ela queria — Vamos ao início.

O Torneio de inteligência foi iniciado, a primeira prova era simples. Resolver problemas de formação e proteção. Os candidatos faziam suas sugestões sobre o ataque e defesa, alguns
foram muito bem. Escolhas diversificadas porém corretas, todos passaram. A segunda era provisões e decisões, para cada um era montado um cenário diferente, Marian acompanhava atenta todas as soluções e pensava em como faria caso fosse a sua aldeia naquelas situações. Criava sua própria solução e confiava nelas. Passaram apenas três dessa etapa. O vencedor do ano anterior um menino, com pouco mais de quinze primaveras ajudava a julgar. Faltavam duas etapas, porém todos consideravam apenas a penúltima pois a última possuía um enigma insolúvel. A última etapa era o próprio julgamento, a inteligência passa por decisões e conhecimentos em geral, os conhecimentos uteis para um apurador era a capacidade de avaliar a situação com poucos elementos e decidir.

Um grão de areia, um pedaço de ferro e a pedra vermelha. Quem demorasse menor tempo para responder corretamente ganhava. Os elementos foram revelados e Marian sussurou
— O Nosso inimigo é o dono do castelo branco — Ela tinha uma vantagem contra aquele
s ali, ela conhecia o problema.
—Muito bem — disse a regente — Eu quis revelar a pessoa mais inteligente nossos planos e é claro ver se ela está disposta a ter essa responsabilidade.

Uma mulher arregalou os olhos, sua mão começou a tremer. Andou até a regente com a resposta nos
lábios.
—
É verdade? Existe um senhor dos cavaleiros? Como venceremos? — A mulher com cabelos castanhos escuros e uma fisionomia marcada pelo trabalho na mina de ferro.
— Estamos decidindo isso ainda, mas precisamos de você Guinn.—olhou dentro dos olhos da mulher que confirmou seu apoio—Temos uma campeã —Ela se fez ouvir. Por todos.

O último enigma ficava ali em exposição, para qualquer um que quisesse tentar fazer. Uma caixa de madeira, com entalhes de animais, suas paredes se moviam eram moveis e podia se organizar conforme a sua vontade. Um segredo desconhecido até para a regente.

A caixa tinha: Um lobo-olho-azul, Uma serpente, Um pássaro e Um inseto.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Tya - A reconstrução de um reino puro

 Tya é a aldeia que conseguiu autonomia, ninguém ali possui cristais vermelhos. Os postos de cavaleiros escarlates que cercam a cidade, serviam para vigília dos moradores. Primaveras se passaram desde a última vez que o portão havia sido aberto. Após a cerimonia de enterro dos animais que Loreah havia matado. O hiato havia sido quebrado, para os soldados haviam escadas nas torres que abaixadas possibilitavam a entrada e saída do local e foi desse modo que eles se organizaram para atacar os invasores. Que agora eram amigos. O portão se abria para amigos. O ar fez barulho ao passa pela fresta vertical da parede, que começou a ganhar largura. A aldeia tinha uma extensão que fazia sumir de vista as construções de casa. Os lábios de Liof desenharam um sorriso saudoso em seu rosto, seu olhar cintilava e seu peito se encheu de ar e esperança. O suspiro saiu. Aurinia era habitante de Mengua. Uma flautista que em um dia de torneio ganhou o coração dele, e tempos depois deu à luz ao filho dele. Ambos foram mortos, pelo gigante. Toda uma sequência de fatos que poderia desanimar um homem mas ali em Mengua a sua lembrança era do grande torneio entre reinos, muito antes da tentativa de invasão ao castelo branco e dos gigantes. Ele sentia o doce soar da flauta de Aurinia.

Loreah permanecia com uma ferida nova, uma ferida interna. Resmungava para si mesmas palavras tentando justificar a derrota na batalha anterior, ela não estava acostumada a ser nocauteada. A ferida pulsava a raiva. Tudo que ela queria era uma oportunidade, apenas uma oportunidade, quando ela tivesse essa.
—Oportunidade —escapou de seus pensamentos.
—Oportunidade de que? — Marian perguntou.
—De nada —seus olhos ferozes repousaram no rosto amorenado da líder de Falligan – De nada! —adiantou o passo se mantendo a uma distância de todos.

Ádaia estava com o braço escorado nos ombros de Sten.
—Então me diga, você resolveram fazer da história de criança sobre os guardiões realidade?
—Como assim história de criança?
—Eles são os heróis das histórias para nossas crianças, Um grupo de cavaleiros incorruptíveis e com o objetivo de unificar todas os reinos antigos. Esse é o objetivo de vocês?
— De certo modo— Sten estava observando a cidade espantado.
Ádaia deu uma gargalhada leve e olhou para o homem de cabelos negros. O semblante dela mudou quando viu a seriedade com que ele encarava situação.
—Para os guardiões vocês estão precisando de mais pessoas. E pessoas melhores em combate.
—Claro, por isso estamos avançando em direção as aldeias para ligarmos elas através de algumas pessoas— levantou o queixo olhando para o rosto da mulher de cabelos vermelhos — Quanto ao combate, nós estávamos em leve desvantagem de número e a surpresa foi um fator decisivo.
—Verdade, se querem um desafio justo em dois sois teremos o torneio. Nele são decididos os grandes representantes das artes. Faz sete flores de luz que eu não perco na arte da espada, do polimento e na faca.


Todos integrantes da tropa haviam ido para seus postos e apenas Ádaia mantinha todos em direção a praça central. Contaram grande parte da jornada até ali quando a visão de um menino de cabelos vermelhos brincando com os pássaros na praça central, perto do destino deles. Tomou a atenção de Ádaia.
—Calino, o que está fazendo na praça central?- Falou com um olhar terno para o garotinho que agora estava envolto pelos pássaros.
—Estava brincando, papai está lavando a casa e eu pedi pra vir aqui brincar com os pardais.
—Espero que seus treinamentos estejam em dia.
— Claro que estão, hoje aprendi sobre a forja. Titio ensinou o ponto do brilho do ferro.
—Depois quero ver se aprendeu direitinho. Agora vem aqui e cumprimente os novos amigos de Tya. Aproveita e de um beijo na mãe.
—Mãe...
—Rápido!— Disse ela com carinho e rigidez.
O menino de sete primaveras se aproximou e fez uma reverência para cada um dos que estavam perto de sua mãe. Foi pego então levado ao rosto da ruiva e deu um beijo carinhoso no rosto, depois subiu nos ombros dela.
—Eles já viram a regente?— Perguntou o menino curioso.
—Estou levando eles para ela agora. Seu apressadinho.
A tenda roxa com adornos dourados figurava a frente de todos eles. Liof sentia a leveza do local e o poder. Outro santuário. Eles entraram e havia várias almofadas no local e uma menina pequenina no meio. Aparentava a mesma idade de Calino, de olhos grandes verdes e cabelos encaracolados curtinhos. Sua tez morena se assemelhava a de Marian.
—Notícia boa regente— A mulherona disse para a pequena— os primeiros amigos de Tya em muitas flores de luz.
A pequenina sorriu então seus olhos foram preenchidos e uma cor lilás e seu corpo endireitou-se e levitou um pouco acima das almofadas.
—Que grandes notícias— A voz que brotava era a junção da voz da criança e da entidade que por ela falava— Eles pretendem auxiliar na defesa?
— Na verdade eles trazem outro propósito. Eles pretendem unir as cidades e atacar o grande castelo branco.
—Isso é loucura, desculpem meu tom mas isso é praticamente entregar a vida por uma causa perdida.
Sten tomou a frente.
— O que a senhora sugere que façamos? Ficar presos em nossas aldeias até que o senhor do castelo resolva que sua aldeia não deve existir e a destrua.
— Vejo que carrega marca— levantou sua mão em direção a Sten e a afastou como se algo repelisse sua tentativa de contato— Não sei se você entende rapaz, mas já tentaram fazer isso a muito tempo atrás e o resultado foi o confinamento de todos em seus próprios territórios.
— Da outra vez os guardiões conseguiram enfraquecer eles.—Liof falou com firmeza.
— É verdade. é... —O corpo da menina se contorceu, o lilás dos olhos começou a escurecer. A voz sôfrega de quem prendia a respiração por longo tempo pulsou — saiam todos! Exceto você guardião primordial.
Sten fincou os pés e não quis sair, Ádaia o segurou pelo braço e ele não tentou resistir.

—Enfim!— A voz da anciã havia sumidos agora uma entidade maior falava— Te encontrei, eu realmente não acreditava que você ficaria adormecido eternamente. Já planejava te caçar. Sem a magia do orbe você não pode ser localizado facilmente. Ele te jogou em algum lugar dessas terras para te proteger. Uma cortesia dos antigos Deuses. — A menina inclinou a cabeça um pouco para o lado e levitou até quase encostar no topo da tenda. Observou os olhos de Liof —Você ainda não se lembra não é?— Uma gargalhada abalou tudo dentro da tenda.
— Pena não poder me localizar— Liof o desafiava — Santuários mantêm a energia correndo, como as águas canalizadas para irrigação você sabe que a água passa mas não sabe aonde.
—Vejo que não está tão leigo quanto aparenta— Ele se divertia com o rosto do homem que se concentrava para expulsa-lo dali— Vim apenas avisar que é tudo questão de tempo até que nos enfrentamos, e dessa vez. Eu te apagarei da existência.

O corpo da menina despencou, mole. Liof correu, os travesseiros não amorteceriam a queda por completo. Quando as mãos dele seguraram a garotinha os olhos lilás voltaram.
—Ele é muito forte, Liof— Ela o reconheceu.
—Eu também sou, Duia— A memória dele havia resgatado a figura da sabia cuidadora do templo da flor de luz— Precisamos enfrentá-lo de forma diferente.
A menina adormeceu em seus braços. Ele a repousou nas almofadas e saiu.

—O que foi aquilo Liof? — Sten estava mais preocupado que curioso
— Nada— O rosto do velho estava endurecido e sério.
— Como ela está?
— Bem.— Ele saiu apressado uma direção qualquer, precisava de silêncio.
Todos ficaram ali estáticos sem entender nada. Quando a tensão passou Calino fez muitas perguntas a todos ali. Ádaia voltou para o seu posto depois de verificar como a regente estava e pediu para seu filho acomodar os cinco aventureiros nos quartos vazios da taverna pena de luz.
Todos se alimentaram com formas diferente de preparo de frutas e grãos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Tya - A grande guarda da renascida Mengua

 A ponta da espada de Ádaia encostava levemente no meio do pescoço de Sten, Loreah estava desacordada sendo vigiada por uma Guarda Tya. Marian e Liof tinham as mãos e os pés amarrados Pirtrio e Pãntrio estavam presos em uma armadilha feita de madeira. A chance de sobrevivência deles estava nas mãos do selvagem. A respiração dele havia parado, seus olhos contemplavam a inimiga. Os cabelos ruivos amarrados com cuidado, a armadura cor de cobre com detalhes dourados brilhava, A confiança transbordava de sua face. Seus olhos pretos fixados nos olhos profundos do invasor a sua frente. A cidade de Tya seguia as regras de seu reino de origem, o reino de Menguan. Conhecido por tratarem com muito cuidado de seus amigos. Menguan era conhecido pelas pessoas calorosas. Andando em qualquer lugar você seria cumprimentado por todos, seria recebido em qualquer casa com um abraço e um grande sorriso, comeria da melhor comida, beberia da melhor bebida e seria alvo de uma atenção que chegaria a incomodar caso você não fosse daquele local. A rei* Nunkbe, gostava de falar “Um Tyar vive cada segundo da sua vida focado naquele instante”. Tinha apenas um problema. Para poder ser considerado um amigo na cidade de Tya você teria que provar seu valor. Sten estava tentando mostrar o seu.

A estrada os levou até a uma decida íngreme de uma estrada destruída. Loreah esfregou os olhos ao ver flâmulas e torres bem construídas que serviam de base para a construção de muros de pedra marrom, a beleza incomodou sua visão. Algo novo no mundo para ela, algo que não fosse madeira ou pedra e pó. Desceu saltando de pedra em pedra com a tranquilidade de quem corre sobre campos planos. As acrobacias feitas eram semelhantes ao dia em que seu pai desafio ela a pegar a adaga da família no topo da árvore. Ela esboçava um meio sorriso no rosto. Os outros desciam com muito cuidado. Liof olhou o símbolo na flâmula e sua memória foi cutucada. Forçou as pálpebras, como se isso fosse buscar dentro de sua cabeça uma visão mais aguçada da memória que queria sair.
—O que sabem dessa cidade? —Marian perguntou aos meninos.
—É a cidade que recusou ajuda para nós do grande buraco.— Pãntrio cuspiu.
—Vocês já vieram aqui?
—Não, Mas nossos ancestrais na batalha da grande divisão vieram e pediram.— Pirtrio comprimiu seus lábios— Não custava nada nos ajudar.

Sten sentiu uma movimentação estranha nas matas que cercavam a estrada agora menos íngreme e sem tantas pedras, árvores começavam a proporcionar sombra ao caminho. As folhas farfalharam alarmando todos. Um pássaro surgiu ciscando entre as folhas. Ciscava. Pulava. Loreah tentou acertar ele com uma pedra ele voou um pouco.
—Daria uma grande refeição – Ela sorriu.
O pássaro pousou novamente e seguiu eles ciscando e pulando pelo caminho. As sombras das árvores já cobriam mais da metade do caminho, deixando a luz do sol criar passagem dentro dele. A ladina e o selvagem estavam atentos a tudo. Os outros ainda estavam perturbados com a perseguição da ave. Outra ave de corpo um pouco maior do que a outra, com o pescoço grande e penas brancas começou a fazer o mesmo que a anterior. Andava atrás deles ciscando e pulando. Ciscando e pulando. Eles apertaram o passo. Já divisavam o portão de madeira e ferro da cidade de Tya. Sten então voltou sua atenção para as aves agora havia ali cerca de o dobro do número de pessoas. Pirtrio lançou uma pedra em direção a elas. O bater das asas fez com que o ataque falhasse a exatos vinte passos do portão. Elas começaram a grasnar e voavam em direção aos seis dispersando eles. Pirtrio e Pãntrio escutaram um clique em meio as folhagens e do chão uma placa de madeira ergue os dois ao ar fechando em uma caixa que tinha as paredes vazadas.

Um guarda surge em meio as árvores e imobiliza Marian. Dois seguram Liof que não revida de modo algum, a surpresa estava do lado deles. Loreah e Sten esquivam dos guardas que tentaram atacar os dois. A face da ladina goteja o sangue. Duas aves haviam sido acertadas pela ladina e agora ela praguejava mentalmente. Se fossem dois guardas eles não estariam cercados por seis.

O primeiro investiu contra a mulher pequena, o tilintar do metal no metal deixou claro que a aparência de madeira avermelhada era apenas uma forma de se camuflarem por ali. A face dela riscou o peitoral do oponente, Sten derrubou um deles com um chute bem aplicado na parte de trás do joelho. Os dois retrocederam do local onde tinham vindo. Loreah pegou seu arco curto e preparou uma flecha. O selvagem pegou a espada curta na cintura da ladina, sua adaga não faria muito efeito sobre aquelas quantidades, ele correu e se preparou. Um disparo acertou no cinturão de um dos guardas. Eles estavam cobertos de forma as únicas entradas na armadura era o encontro da ombreira com o peitoral. Ela não ia conseguir acertar uma flecha com eles em movimento.

Um barulho brotou atrás da ladina, o arco foi solto. Ele caia em direção ao chão, a mão da ladina resgatou sua adaga que havia sido guardada durante o distanciamento do inimigo. O movimento vertical fez a adaga raspar uma armadura diferente das ali vistas, encontrou então a ponta de um elmo muito mais elaborado que os dos guardas normais. A ponta raspou levemente na pele amorenada e levou o elmo para o ar. A guarda da espada longa acertou a lateral do rosto da ladina que tentou se distanciar um pouco zonza. Quando foi agarrada de forma a imobilizar seus braços. Loreah encontrou olhos negros e incrédulos a sua frente. Eles se aproximavam de forma veloz e logo um borrão de pele cresceu até virar o escuro da inconsciência. O pequeno arranhão na testa de Ádia havia quebrado um número grande de batalhas que ela havia enfrentado sem ser ferida. Agora a quantidade era o problema de Sten haviam seis novamente. Ele havia desacordado um deles. Foi cercado.

Um estalo, Um pensamento.
—Ele exige um desafio pela amizade do reino de Mengua—Liof não acreditava que realmente conservassem as regras antigas mas um grito já seria uma distração.
— Pelo nome de quem ele invoca o antigo código?
— Pelo nome de nós seis, Guardiões sem-terra.
A mulher de cabelos ruivos levantou uma de suas sobrancelhas, a palavra guardiões a levou a sua casa. Ela se via sentada no colo de seu pai escutando sobre um lugar e um grupo de homens lutando por uma liberdade. A liberdade fora da prisão de muros em que ela se via confinada.
—Aceito. Ele terá que provar seu valor em batalha. Lutará comigo chefe da grande guarda da Renascida Mengua.

Os cinco se afastaram. Ela fincou a espada longa no solo da estrada, esticou a mão pedindo uma espada a um de seus subordinados. Eles entregaram a espada para ela, segurando pelo cabo ela deitou a lâmina na sua outra mão e andou em direção ao homem de cabelos pretos. Ajoelhou-se e estendeu a espada. Os olhos de Sten correram ao encontro do mestre. Ele não sabia nada sobre honra ou desafios. Se ele fosse desleal todos os cinco teriam permissão para matá-lo da forma mais conveniente. Sua mão ainda segurava com força o cabo da espada curta, ela pedia por um golpe. Liof o repreendeu com o olhar. A espada curta foi solta. Agora ele tinha uma espada longa em suas mãos, o peso lembrava o machado do pai de Marian. Virando as costas a mulher de armadura pegou sua espada, fechou os olhos e deu meia volta para encontrar seu oponente. Olhos abertos, uma reverência e o ataque. Ela se movia de modo leve apesar da armadura pesada. Sten esquivou enquanto tentava escutar algo que Liof o falava. Rolou.

—Você só ganhará a amizade deles se derrubar a espada dela ou fazer ela sangrar. Pontos vitais são proibidos em um desa...

Outro ataque tirou o folego de Sten, ele aparou. As lâminas se encontraram ela forçou para direita, ele forçou para esquerda dela. O peso da armadura dava vantagem para ela, O pé dele buscou apoio um pouco mais atrás. Ele girou e saltou, ela girou no sentido contrário para tentar acertá-lo. O término do salto fez ele encolher um pouco o corpo, esse instante.

A ponta da espada de Ádaia encostava no meio do pescoço de Sten, o movimento da cabeça dele pendendo pra trás. Um chute na lâmina tirou a espada da mão da mulher. Ele rolou para trás então viu a guarda retirar a espada, correu em direção a ela. Se pôs entre ela e Loreah que estava desacordada. Ele arfava o esforço da luta foi grande, sua espada estava caída no chão. Seu pescoço tinha uma gota. Ádaia havia pego sua espada no ar.

—Porque você saiu do desafio?
Ele puxou ar.
— Ela ia executar Loreah, isso não podia ser feito.— Ele puxava o ar com mais calma
—Eu não ia, estava ajustando minha arma. Ela encaixou errado— Foi interrompida.
— Não importa.— Ela olhou fixamente para o homem de cabelos negros— Vamos mostrar Tya, Renascida Mengua.

* todos os Senhores dos reinos eram chamados de rei independente do sexo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O vale costas-do-esqueleto - O necessario

As cores do vale começaram a figurar diante dos olhos atentos de Loreah, ela estava submersa em lembranças. Quando o sono não aparecia ela matinha a mente ocupada, tentando achar motivos para o ataque a sua aldeia. Ela andou até Marian e a acordou.
—Vamos, não querias aprender?
Ainda confusa a mulher de cabelos castanhos, se levantou de pronto. O corpo dela estava começando a se acostumar a aquelas situações. Andaram se afastando dos dois, que ainda estavam dormindo.

—Vamos começar pela postura e andar.
—Como assim?
—Precisas de equilíbrio. A batalha se encontra toda nele.
O franzir do nariz de Marian denunciou sua falta de entendimento, a ladina apontou logo para a cicatriz no braço direito.
—Com equilíbrio certo, consegui vencer até o bloqueio do Liof e te causar um ferimento grave —
A líder de Falligan entendeu enfim que não só aprenderia a se defender mas também causaria dor e isso fosse o que ela vinha evitando — Toda a questão não é acertar, é tomar a decisão mais certa para o momento e equilibrar-se é ter todas as decisões nas mãos.
Suas palavras ecoaram com a voz de seu pai em sua cabeça.

Ela riscou linhas no chão que iam da beira do rio até a parede do vale, ao terminar não precisou falar o que fariam. Começou a correr pisando entre as linhas e voltava pisando da mesma forma, Marian começou a correr junto com ela. Chegando no centro percebeu que a passada de Loreah se tornava diferente, ela pisava de lado e sua velocidade continuava a mesma. Ela tentava acompanhar mas seus pulmões reclamaram, a ladina estacou consequentemente a mulher dos cabelos castanhos também.
—Olhe suas pegadas no chão – elas ficaram alguns segundos em silêncio.
—As minhas se misturam com a linha. Eu cheguei a pisar algumas vezes.
—Exato, Observes e aprendas.

Elas retomaram a corrida.

Liof acordou, cruzou as pernas e buscava no fundo da sua mente os movimentos do passado. Sten observava calado ao longe as duas mulheres treinando.
—Mestre, quando voltaremos as lições?
—Eu não me lembro aonde estávamos, eu não me lembro de muita coisa da época da floresta.
—Você estava me ensinando o combate de mãos. Pelo menos era assim que você falava.
—Entendo — a mente dele vagou buscando alguma referência. O rapaz percebeu a dúvida na mente do velho.
—Homens são como armas, como flechas, são homens-flechas. Onde unidos podem representar sua grande potência, a ponta é o ataque, o fuste é a base e as penas são a defesa. Você poderia utilizar qualquer arma e encontraria a mesma ideia. — ele deu uma pausa — Foi isso que você havia dito um dia antes de toda a sequência de fatos que nos trouxeram até aqui.

O Guardião analisou tudo aquilo e os movimento vieram na sua cabeça novamente. Ele levantou, devagar, respirou profundamente e fez um movimento acompanhando o vento. O tempo voltou, e ele acompanhava ant'jur. A respiração parou e o movimento também, uma pontada atrás dos olhos. Ele forçou o corpo a continuar e fixou na lembrança. A cabeça reclamou, dessa vez não foi surpresa, ele aceitou a dor e manteve o movimento. Ele enxergava o homem de roupas largas e confortáveis, a barriga grande, a barba e cabelos escuros e o olhar determinado. Com sangue escorrendo pela boca e os dentes encharcado com o líquido, caído e arfando em seus braços.
Ele abriu os olhos e viu que Sten o copiava precisamente. Ele então foi firme.

—Vamos! retire a sua adaga.

Loreah, achava importante a determinação de Marian. Era algo essencial na mulher de olhos marcados por acontecimentos dolorosos, Ela a olhava como igual.

—O meu povo sabia sobre o equilíbrio, sobre o momento certo de saber fugir. Meus familiares saquearam mais de dez alojamentos vermelhos, andavam livres pelo mundo, se esgueirando nas sombras e buscando abrigo em qualquer lugar. Os que saim nem sempre voltavam, eles sabiam dos riscos e aceitavam a consequência de suas escolhas.

A ladina prestava atenção nos passos, retirou a ponta da flecha que havia sido ricocheteada pelo golem e arremessou na direção do pé da mulher que repetia a ação ensinada. Mecanicamente ela trocou a forma de pisar e apagou parte de uma das linhas, As sobrancelhas de Marian se curvaram e seus olhos foram de encontro a ladina procurando explicações.

—Atenção, não deixe que minhas ações afetem seu equilíbrio. Você aprendeu a repetir. Aprenda a variar. Uma pausa.

Beberam um pouco da água do rio, ela tinha um gosto de minério mas não se importaram.

—Esse exercício, vai durar quanto tempo? — ela estava ansiosa para fazer coisas que vira a ladina fazer.

—Até você desenvolver um novo. Esse exercício, eu criei quando fui treinada por meu pai e por minha mãe. Meu pai me ensinava como sobreviver e minha mãe a combater. —Orgulho e saudade emanavam de sua boca.


Liof atacava, e Sten defendia perfeitamente. O pé do sábio buscou a lateral do corpo do jovem, com um salto ele evitou o golpe. Encostando os pés no chão a lâmina de Liof resvalava na adaga do oponente, Sten estava em defesa. Como as plumas de uma flecha a defesa dava estabilidade, para análise. A adaga fez um arco na frente do rosto do homem de cabelos brancos. Ele refutou o movimento largando a espada curta no chão e levantando as duas mãos, forçando o golpe do garoto a ir em direção ao céu cinza. A adaga foi forçada a sair da mão que a empunhava. Ela caiu. Os joelhos ,de ambos, se encontraram no mesmo local, os dois perderam a base. Agora ambos figuravam ao chão esfregando para esquentar a área do joelho que sofreu o impacto.

—Está certo, você tem reflexos e percepção bem afiados.
—Coisas que a floresta-sem-luz proporciona com o tempo. — ele havia entendido que seu mestre não se lembrava de nada mais recente.
— Não se gabe, não comecei a te treinar pra valer. Queria saber até onde tínhamos ido.

O sorriso brotou nos lábios de Sten.

Após um tempo de treinamento ouve uma pausa, Liof se direcionou até Loreah


—Vamos a frente? — questionou o guardião.
—Não, se faz necessário mais dois dias de treino antes de sabermos o que se esconde daqui pra frente.

Ele assentiu com a cabeça. Voltaram então para seus treinos. A noite se foi e ambos os mestres estavam contentes com a progressão dos aprendizes.