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sábado, 2 de janeiro de 2016

Viajando entre mundo - O ciclo das eras

 Meus pés se moviam com velocidade, o solo era úmido em baixo deles era o sinal de que minha aldeia já estava distante. A urgência habitava em meu corpo, eu corria sem saber para onde. Eu era novo e veloz. Quinze anos essa era a minha idade, a mesma idade do maior guerreiro de nossa aldeia. Correndo, eu só pensava em como eu era covarde, com a herança da minha família na mão e fugindo sem a capacidade de ajudar ou proteger enquanto os Orcs de Gurath, o descendente de um mago de nome Kelek, atacavam minha aldeia. Ouvimos os rumores sobre os ataques, não sabíamos por que atacavam. O cansaço tomou conta do meu ser, extinguindo o medo e deixando a decepção.

A visão se turvou um pouco, pontos cinzas piscaram a minha frente. Fitei o arco sem corda em minhas mãos, sua madeira estava frágil e sua cor dourada estava desbotada. Era o talismã da minha família, acreditavam que davam sorte. Lembro de quando pequeno querer colocar uma corda nele e escutar meu pai me chamando atenção e falando que era uma relíquia de mais de quatrocentos anos, dizia que ele iria nos salvar em momentos difíceis. Eu nunca entendia quando seria esse tempo e se até lá não poderíamos utilizá-lo para caçar, se bem que com ele em minhas mãos sentia que ele poderia se quebrar a qualquer momento. Era como se ele suplicasse por algo. A névoa me abraçava, estava em um pântano qualquer. Fiquei estático. Uma gota de suor gelado percorreu minha espinha até sua base, eriçando todos os pelos do meu corpo. Um grito ecoou pelo local. Mais algum morador da minha aldeia teria conseguido escapar, foi o que pensei. Um passo em direção ao grito, um alerta soou. Quando se aproximaram de minha aldeia Gurath fez sua voz encontrar todas as pessoas da minha aldeia, se ele podia fazer isso quais outros tipos de ilusões poderiam criar. Um tilintar chamou minha atenção veio, uma luz em meio a escuridão do pântano vinha de encontro ao meu rosto. Veloz ela se aproximava em forma redonda parecendo palpável, meu reflexo foi mais rápido que meus pensamentos, acertei a bola de energia com o arco sem corda. Ela se dissipou como uma onda, dissipando também a realidade. Meus pés não tocavam mais o chão, tudo se tornou escuros, trevas profundas e eu caia.

Parecia que havia voltado pra lá, segundos antes de meus pés tomarem o impulso os olhos azuis do meu pai arregalados, a pressa que teve em catar o arco antes mesmo de Gurath terminar de falar. “ … Espero que estejam cientes de que sou descendente de Kelec e possuo poderes que somente um mago poderia ter” os cabelos loiros dele balançaram três vezes a minha frente enquanto ele me entregava o artefato e disse apenas com sua voz inesquecível. “Corra filho! Corra Rash!”. Eu corri buscando proteger o arco com minha vida, não sabia porque alguém iria querê-lo, porque atacariam um vilarejo por aquele pedaço de madeira velho. Me sentia frustrado por não conseguir salvar nem isso, a culpa crescia a cada segundo da queda no nada. Eu havia fugido e deixado todos aqueles que amava para trás, para morrer caindo no nada. Se fosse para morrer era mais digno eu ter morrido junto com minha família. O abismo parecia sem fim.

Uma poeira se dissipou de forma irregular no chão, parecia que havia sido acolhido como um bebe por alguma força que desconhecia, quando minhas costas encontraram o chão. O impacto esperado, seria mortal e causou apenas um incomodo. Apoiando sobres minhas mãos me ergui, o local que me encontrava era um pedaço de terra em um lugar onde minha maior imaginação não me levaria, busquei alguma coisa em minha mente. Eu sabia algo sobre aquele local e vinha das lendas contadas por meu pai. Seria algum lugar onde o maior guerreiro de minha linhagem e seus cinco amigos haviam ido? Era como uma farpa em minha mente, incomodava. Logo deixei a lembrança, observava com cautela o relevo, continhas ossos humanos e outros osso me pareciam ser de animais. Costelas gigantescas, coisas que encontraria apenas nas histórias de meu pai. Foi quando meu olhar encontrou o solo e atrás de alguns relevos pude ver, não estava ali sozinho. Outros como eu, estavam desacordado ou levantando. Puxei o ar com vontade para gritar algo e parei bruscamente. Um urro dilacerou meu ouvido, minha mão pressionou o arco. Observei crânios de repteis, enormes e finalmente encontrei alguma pista de onde estava sussurrei:
—Dragões...
Outro urro me fez perde um pouco de equilíbrio nas pernas. O rapaz mais próximo de mim correu na minha direção, seus cabelos negros, olhos transbordando medo, segurava na mão um colar enrolado a pedra de cor branca dava seu brilho, se apoiando em seu pé traseiro ele fez um giro rápido, me colocando como escudo para proteger um perigo desconhecido. Não me importei, São em momentos difíceis se faz necessário ter a coragem pelos outros, mesmo sentindo o medo ribombar em meu peito com o som a invadi-lo. Escutei o urro:

—QUEM OUSA ME PERTURBAR E PROFANAR O CIMITERIO DOS DRAGÕES?

Todos que estavam ali buscavam a origem da voz, ela parecia vir de todos os lugares. Se aproximou uma mulher morena, de olhos cor de mel. Os olhos chamaram minha atenção em baixo do elmo prateado, possuíam a mesma cor do escudo dela. O centro do escudo havia um círculo preto com uma ave pintada com tinta branca. Ela falava com o menino atrás de mim.
—Eremit...
O chão tremeu, outro urro menor porém mais perigoso:
—Levantem-se e protejam esse local aonde encontraram a paz.

Não compreendi o comando até ver ossos se encontrando, soando como um amontoado de madeira oca, se montando. esqueletos de Orcs, humanos, dragões e outras raças quaisquer que foram parar ali se levantavam. Os outros tentavam se aproximarem de nós três, vi um paladino das terras de Stronghearth com a barba cerrada e uma capa azul desaparecer no ar. Um esqueleto atacou a minha esquerda eu desviei, a mulher com o escudo protegeu Eremit do ataque. O arco vibrava, a madeira regenerava, sua cor dourada ganhava vida. Ansiei poder utilizá-lo. Comecei o movimento de retesar a corda, algo dentro de mim me motivava ao movimento, senti sobre os meus dedos o fio fino de energia. Quando ele atingiu seu limite uma flecha dourada de energia pulsava, deixei-a voar de encontro a um Orc-esqueleto tentando atacar pelas costas, uma menina de estatura baixa que utilizava um tacape para esfarelar outro esqueleto. O menino que se escondera atrás de mim, fez sua pedra brilhar com algumas palavras e projetou dela uma ovelha de pano, dessas das quais as meninas da minha aldeia utilizavam para brincar e atingiu um esqueleto de forma pífia. O canto da minha boca desenhou um meio sorriso e continuei a atirar flechas, um rapaz que estava se esquivando dos golpes dos esqueletos de forma primorosa, fez surgir da palma de sua mão um bastão. Ele golpeava com vontade e velocidade, pulava, rolava e defendia. Não percebi quando um esqueleto surgiu a minha esquerda, estava perto demais para um disparo de flecha, coma espada levantada em uma corrida desengonçada ele trombou com um muro invisível. O paladino apareceu retirando seu manto azul e destruindo o esqueleto. Eles não paravam de surgir, minha atenção foi fisgada por asas esqueléticas unida a uma coluna vertebral a se conectar com o crânio reptiliano. Colossal, mesmos juntos estávamos encurralados. Não havia chão ou caverna para escondermos. Um zunido aumentou nossos problemas. Um dragão vivo sobrevoou nossas cabeças e se pôs ao lado do de osso. Ele possuía cinco cabeças. A cabeça do meio baforou fogo.

—Se escondam atrás do meu escudo – a mulher de armadura gritou.
Nos posicionamos, como um grande muro o escudo defendeu a todos. Um chiado alertou o ataque com outra cabeça.
—saiam daqui — Eu gritei.
Um raio ocupou nosso lugar, deixando marcas escutas no chão. Nos dissipamos. Ao tentar reagrupar o dragão de ossos se colocou no meu caminho, do paladino e do acrobata, olhamos para os outros tentando se posicionarem. Minha mente buscava continuamente sobre as histórias de dragões e ao mesmo tempo focava na batalha, disparei em direção ao crânio do dragão-morto ele se afastou um pouco. As cinco cabeças se viraram para mim, esquecendo os outros três. Atacar o esqueleto parecia afetar de alguma forma o dragão de cinco cabeças. A cabeça branca cuspiu gelo em minha direção, congelando todo o terreno corri para longe dos dois que lutavam junto comigo. Eles entenderam que eu tentaria distrair para nos reunirmos. Parecíamos nos importar bastante uns com os outros, mesmo não nos conhecendo anteriormente. Laços de batalha. Enquanto o chão ia congelando e sentia meus pés começando a ficar congelados, senti um tremor. uma rachadura foi criada, a responsável era a menina do tacape. Pulei sobre a fenda e o gelo seguiu em direção ao interior do solo. Rolei, encostei na pedra mais próxima meus pés precisavam descongelar. O dragão-esqueleto se aproveitou e me encurralou. Olhei através de seus ossos, vi o dragão imponente como um Deus. Eu conhecia aquele dragão. Sabia seu nome. Ele olhou com todas as cabeças para os cinco. Pulou então de meus lábios

—Tiamat! Não nos machuque, não sabemos como viemos parar aqui em seu sagrado cemitério.

Ele parecia não me escutar, os cinco estavam acuados em uma pedra. Defendidos apenas pelo escudo dessa vez ele preparava um ataque fatal enquanto o dragão esqueleto batia suas mandíbulas em minha direção, esperava uma ordem de execução.
— Tiamat me escute, Deusa dos dragões!
Uma voz surgiu em cima da pedra a qual eu estava encostado, de vestes verdes, chapéu pontudo, cabelos e barba castanha. O rosto sereno e os olhos ligeiramente brincalhões, surpreendeu a todos ali.
—Eu os trouxe até aqui Tiamat — o dragão esqueleto se deitou e desmontou — Trouxeram alguma das armas criadas pelo cemitério. Vim solicitar também que possamos usá-las uma última vez. Há um mago buscando trazer desequilíbrio para os mundos utilizando a energia das armas. Ele conseguiu o tridente, faltma apenas a maça e a rede. Você sabe o que acontecerá se ele achar o elmo. Ele poderá obter todas as outras de forma fácil. Sozinho não tenho conseguido defender tudo, venho pedir a sua ajuda.

Um portal foi aberto no céu negro, silenciosamente a Deusa se retirou concedendo o pedido. Eu e o homem que possuía um contorno de metal e vidro sobre os olhos andamos até os outros.
—Bela manobra alunos!— Disse empolgado o homem do chapéu verde.
O brilho nos olhos de Emit era evidente, ele questionou.
— Mestre dos magos?
—Sim— Ajeitou no rosto a armação de meta antes apoiada na ponta de seu nariz.
—O que fazemos aqui? — perguntou a mulher com o escudo.
— As suas armas já estavam sem energia para serem utilizadas, afinal estão a mais de quatrocentos anos elas estão paradas. Me acompanhem.
Ele andava em direção ao limite de terra. Íamos atrás olhando uns para os outros, ele então pisou na escuridão. A realidade oscilou e estávamos em frente uma construção enorme. Uma torre. Entramo em uma porta com chifres, subimos algumas escadas. Existiam dois sarcófagos, um com a figura de um chifre e o outro menor com o desenho idêntico ao da pedra do menino de cabelos pretos.
— A jornada de seis jovens que perambularam por todas essas terras buscando como voltarem para casa. Aqui eles decidiram a busca pela liberdade, paz e equilíbrio desse mundo. Abriram mão de suas casas para fazerem a diferença.
—Aqui eles curaram o seu filho — Emit, parecia conhecer bastante sobre tudo aquilo.
O mestre dos magos sorriu.
—Isso mesmo Emit. A muito tempo atrás a história do filho do mestre dos magos seguiu simples e como tudo um dia chegou a seu fim. Não estou aqui apenas para contar sobre o passado. Venho pedir ajuda, pois tudo será escolha de vocês.
—Como faremos para encontrar o elmo?— O paladino se adiantou —Ele é a arma mais importante certo?
—Você prestou atenção. Sim. Por isso vocês irão buscá-lo primeiro. Caso queiram seguir nessa jornada.
— Como chegaremos lá? — quis saber o rapaz de cabelos encaracolados.
— Sigam o que as aparências não mostram.— apontou para uma rachadura surgindo na parede. O sol nascia.
— E quanto aos nossos familiares—eu queria saber o que havia acontecido com minha aldeia e se alguém poderia ter alguma informação era ele. Ele havia sumido—Mestre dos magos? Vocês viram aonde ele foi?
— Não vi não mas sei o que ele faz com as aldeias— o paladino fez uma pausa — torna os prisioneiros e utiliza a mão de obra deles para fazerem trabalhos braçais para eles.
— Para onde vamos?— A mulher com o enorme tacape como se fosse uma pluma perguntou.
— É um tipo de charada, li nas histórias sobre o mestre dos magos fazer isso com os guerreiros. Quando resolvidos encontramos o nosso destino. — Emit falou meio tímido.
— Vamos andar, talvez na estrada tenhamos alguma dica — A mulher de olhos mel sugestionou.

Descemos da torre, observamos o dia crescendo. Enveredamos por uma floresta. Caminhávamos nos conhecendo. Me contaram como aconteceu os ataques a seus lares. Descobri que Cirania era irmã de Emit e o herói de que descendiam carregava o escudo e era rabugento. O paladino era príncipe de Stroghearth, Tinha o nome de Corpotens. A história de sua capa conta que na noite do casamento de uma amiga muito querida do paladino, que deu o nome a cidade, ela entregou a ele a capa falando não precisar mais dela, deu como prova de amizade entre a cidade do paladino e a cidade comandada por ela e pelo marido, que era um arqueiro. Soube também que a aldeia de Denno era andante, ele preferiam se movimentar entre cidades. Se apresentavam sempre, o seu bastão era utilizado como brinco por sua avó sem saber exatamente o que era aquele pedacinho de madeira. A mulher do tacape se chamava Bulm, sua cidade era uma das mais avançadas no quesito magia e o tacape estava em um museu quando ela o resgatou. Ela disse que fazia parte de uma estátua chamada: A criança e seu unicórnio. Escutamos um barulho entre as folhagens um grunhido repetitivo, provavelmente um orc. Corpotens vestiu sua capa e andou em direção ao som.

Voltou e disse que estávamos perto de um acampamento orc, o mestre dos magos nos levou para aquele lugar por algum motivo. Chegamos perto de uma construção em uma pedra, seguíamos um orc de pele verde, capacete com chifres e com correntes nos pés. Haviam três formas de entrar na construção, uma escada subindo para um segundo andar construído na rocha. Nos dividimos, O paladino foi pela escada junto a Denno e Bulm. Não haviam guardas, entramos com certa facilidade. Havia carrinhos de metal, os orcs pareciam alheios a tudo, focados apenas na escavação e em encher os carrinhos. Pareciam buscar coisas além dos minérios, um capataz com um chicote de pele com tom verde, muito mais escuto que os que estavam trabalhando. Grunhiu ordens e estalou o chicote em um daqueles que trabalhava, ele um pouco ferido. Retesei o meu arco, Corpotens apareceu segurando o braço do Orc mais escuro o desacordando com um soco bem aplicado. Bulm bateu no chão com o tacape fazendo todos os ali caírem. Me aproximei do Orc chicoteado e comecei a interrogar ele. Olhando em seu olhos percebi que ele não pertencia aquela raça, havia algo de humano nele. Perguntei aonde encontraríamos Gurath e porque escavavam. Apontou então para um desenho de um elmo, se o mago procurava aquele elmo provavelmente seria o mesmo que perseguíamos. O orc que parecia ser o mais velho daquele local segurou minha mão com delicadeza enquanto os outros nos olhavam ainda receosos, ele me levou até um baú escondido entre pedras de uma parede. Havia o escondido da vista de todos os guardas. Tentou falar algo mas não se fazia compreender. Os guardas pareciam ter sidos retardados pelo terremoto causado pela barbara, era como chamavam o povo que vivia em sua aldeia, bárbaros apesar da magia.

O outro cômodo havia homens-largatos e Orcs supervisionando alguns prisioneiros, eles correram para nos atacar, traziam lanças e chicotes. Denno acertou três com seu bastão, acertei uma flecha nos que apareciam ao fundo, Cirania avançava com seus escudo. Emit conjurou e da pedra saiu uma rajada de água e atordoou a maioria dos guardas, estávamos sintonizados. Peguei um elmo da mão do Orc ancião que tentava me falar algo. Não saia nada além de grunhidos estranhos. Coloquei o elmo em baixo do braço e segui par aperto dos meus amigos, deixando a tristeza dos olhos daquele ser que parecia suplicar algo.

O lugar em que estavam os guardas havia uma mesa no centro com algum tipo de jogo espalhado, nas celas o motivo da súplica. Humanos sendo transmutado em orc ou homens-lagartos. Nos entristecemos, pensávamos em nossas famílias, será que Gurath transformaria nossos parentes também? Aquilo me atormentou. Um dos lagartos se movimentava, ainda atordoado. Pisei sobre o peitoral dele fazendo emitir um som de dor. Retesei o meu arco, deixando o elmo cair no chão. O apontei para o rosto dele. Bulm, a barbara se apoiou no meu ombro. Fitei os seus olhos, e de alguma forma eles emanava perdão. Os soldados ali não eram os culpados. Quem sabe o que o mago havia feito com suas famílias e cidades. Abaixei a guarda, o lagarto pegou o elmo e o lançou com a força que podia. Nas sombras espreitava um dos maiores mensageiros do mal. Uma sombra com asas, totalmente feito de trevas, seus olhos eram brancos e ágeis. Ele pegou o elmo no ar e saiu por uma fresta na pedra, feita para deixar o local iluminado de dia. Minhas sobrancelhas se juntaram, sei quando meus olhos se tornam frios mas a mão de Bulm ainda me mantinha preso aos pensamentos de perdão. Rosnei.
— Aonde fica o local que Gurath se esconde?
Ele conseguia se comunicar.
— Ele não esta ssssse escondendo, essspera por vocêssss na torre corrompida dos cavaleiros celestiais.
Abaixei-me e o desmaiei, não tinha a mesma força que Corpotens. Devo ter dado uns cinco socos.

Nos retiramos daquele local, a torre com sua ponta quebrada era vista com tranquilidade, eles me olhavam diferente depois de minha atitude na caverna. O silêncio foi incomodo para mim, não sei se eles me julgavam ou se era eu a me julgava. Eu me senti pesado, não era pra isso que estava ali. Não poderíamos utilizar das mesmas formas escuras para atingir a paz e o equilíbrio. Nós avançamos por uma ponte de madeira, o vento soprava e balançava.
— Não vamos conseguir — Emit, tremia com o vento batendo em suas roupas pretas com adornos dourados.
— Vamos sim irmão, confie.— Cirania o motivava. O rapaz travou, o vento piorou. A corda da ponte arrebentou.
A queda nos fez encontrar com o paredão, o menino não se segurou direito e caiu. Alguns segundos a menos e ele se encontraria no fundo de um abismo. Meu braço pegou ele em queda segurei com força. Subimos com dificuldade, Emit se mantinha calado. Assustado. A torre abriu seus portões, convidava a todos nós para irmos até lá.
— Vamos mesmo entrar ai?— O medroso manteve suas convicções.
— Por que exita meu pequeno? — O homem de chapéus verde e pontudo, aparecera do nada. — Não tema, vocês estão aqui porque quiseram e o mundo precisa de vocês. Você é capaz meu pequeno.
— Gurath está com o capacete — O paladino sempre era direto.
— Eu sei grande paladino, terão que ter cuidado pois ele é a arma mais poderosa.— Ajeitou o objeto em seu rosto — porém nunca foi utilizado.
— Como ele poderia reunir todas as nossas armas apenas com essa? — Cirania questionou. Perscrutamos oportunidades de informações.
— Ele traz a tona a necessidade de cumprir o seu desejo mais escondido em seu coração.
— Vamos, temos muito trabalho para fazer — Denno estava preocupado, não conseguia se manter parado.
Entramos, escadas espiraladas contornavam uma grande coluna central com o busto, aos poucos identifiquei a escrita a baixo da estátua. “Kelec, O grande mago”. Subimos as escadas.
— Sejam bem-vindo meninos! Espero que tenham trazido meus presentes, pois eu já carrego meu chapéu de aniversario. A escada deu em um salão com exatas seis portas.
— Vamos nos dividir?— Perguntei a todos
— Não devemos fazer isso— disse Bulm.
— Eu não vou sozinho para lugar nenhum— Emit foi resoluto.
— E como vocês encontrarão o seus maiores desejos? — A voz de Gurath novamente.
Uma das portas se abriu e dentro dela meu pai estava amarrado, me olhando com olhos esbugalhados. Dei um passo para frente. Uma parede surgiu entre eu e meus novos amigos, os outros também foram divididos pelas paredes. Uma névoa encobriu a sala, andava em direção a figura de meu progenitor. Ele era afastado de alguma forma, foi pego por uma escada. O meu chão começou a sumir, corri em direção a escada. O que ele queria com aquilo? Segurei o arco com força e mesmo eu caindo ele não conseguiria minha arma. Não corri rápido o suficiente despencando então em direção a outro lugar, puxei a corda do arco e atirei o mais alto que pude. A luz revelou a ilusão, eu já estava no chão de uma sala aonde havia uma caixa de vidro esperado algo ser depositado nela. Andei em direção para avaliar, um burburinho vinha de algum lugar. Abafado como um som de alguém gritando em uma caverna distante. Na outra extremidade da sala um orbe estava coberto por um pano, lilas. Ao retirar o pano vi cada um dos meus companheiros sendo exposto aos seus maiores medos. Não me cabe falar aqui quais eram, acredito que seja particular de cada um. A serpente me tentou.
— Deixe seu arco na caixa que eu posso, livrar eles de todo esse mal.
Cheguei a pensar por um instante, meu orgulho pedia pra não entregar, porém a culpa que carregava de quase ter me tornado tão baixo quanto aqueles que buscavam o mal. Depositei o arco na caixa e a ilusão foi realmente dissipada.

Gurath tinha todas as armas em suas mãos, todos nós escolhemos o lado correto. Previsível.
— Muito obrigado garotos, me pouparam um encontro com Tiamat e agora só faltam duas das armas, no caso depois que utilizar o capacete terei elas aqui.
Ele estava sentado em um trono, que ficava ao fim de uma escada de dezessete degraus.
Dez homens-lagartos apontavam as lanças para nós seis, nunca pensamos em desistir de lutar. Trocamos olhares. Denno correu em direção ao lagarto que tentou estocar, Corpotens e Cirania combinaram em uma investida. Bulm pisou no pé de um dos lagartos. Emit fez o mesmo. Vi uma lança caír. O paladino e a mulher de armadura derrubaram cinco. O rapaz de cabelos encaracolados fazia suas acrobacias confundindo os outros oponentes. Gritei para ele, queria Jogá-lo em direção ao mago Gurath. Ele apoiou seus pés em minhas costas ganhando impulso em direção ao mago. O mago o congelou no ar.
— Tolos, vocês acreditam mesmo que poderiam me atacar sem suas armas...— Ele parou de falar, acertei o seu elmo com uma das lanças que ficaram caídas. Corri em direção ao artefato que despencava em direção ao solo. Rolei. Peguei-o no ar, coloquei ele na cabeça e de todo o meu coração desejei que todos aqueles maltratados por Gurath fossem libertos. O capacete se esfacelou sobre mim. Meu desejo se realizara, os soldados que nos atacavam eram humanos agora. Ele se enfureceu juntou a energia das outras armas em sua mão. Quando ele ia nos obliterar, um portal se abriu no meio do salão e de dentro dele surgiu A Deusa dragão. Ele gaguejou e correu para a parede do trono, atirou a energia criando um rombo na parede. Um ataque de fogo foi feito pelo dragão, Gurath se teleportou deixando todas as armas caírem. Vimos pelos vitrais do teto ele fugir voando montado em um cavalo negro. Tiamat içou voo atrás dele, Quebrando todo o teto enquanto buscávamos nossas armas.
— Não há quem, desrespeite a Deusa dragão— Disse o homem de barba castanha e roupas verdes.
— Mestre dos magos!— Soamos em uníssono. Ele sorriu.
— Agora falta buscarmos apenas duas armas mas por enquanto podemos descansar, porque essa perseguição vai durar dias.

O ciclo se renovava. Eu e meus amigos tentando voltar para o lugar de onde fomos retirados, pelas circunstancias, como nossos ancestrais. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O vale costas-do-esqueleto - O posto de vigilância

Eles avançaram com cautela, haviam visto ao longe a construção com a bandeira de símbolo vermelho.

— Como faremos para sair do vale? Com aquela fortaleza ali? — A ladina já tinha decretado a impossibilidade
— Eu não sei ainda. — Liof pensava.
— com essas paredes uniformes será complicado, não temos aonde nos esconder e aproximar para analisarmos o local – Loreah praguejou.
—Porque não vamos pelo rio? — Marian questionou
—Pensei nisso mas teríamos que manter a respiração muito tempo além de nadarmos contra a correnteza, Impossível! — Ela ficava um pouco atormentada quando tinha um problema insolúvel
—Já que não tem para onde ir, vamos na direção deles – Sten sentia a confiança dentro dele.
—Claro! Vamos ir quatro contra um número qualquer de cavaleiros escarlates. Tu és idiota, esqueceste que quinze acabaram com cerca de cinquenta guardas e muitas outras pessoas.
—Ele tem razão Loreah, ou vamos ou voltamos essa é a escolha. Não há mais o que analisar, se tivéssemos alguma posição de vantagem você já teria encontrado.
Ela estava contrariada mas o elogio massageou um pouco seu ego, ela aceitou ir de peito aberto ao combate. A torre virada para o vale não tinha ninguém. O silêncio era precioso pois já estavam bem próximos da construção, A ladina apontou para o alto da torre e eles começaram a escalada. Todos em um ritmo próprio, Marian apresentava dificuldades mas ela tinha a vontade necessária para comandar as dores que sentia. Chegando no topo a construção parecia abandonada a algum tempo, teias de aranhas enchiam o local.

—Acho que você pensou demais pra nada – O rapaz de cabelos escuros, cutucou Loreah
Ela deixou que sua fisionomia falasse por ela, Desceram o lance de escadas em espiral. O local era só pedras, poeira, teias e metais. Pedras lisas e abandonadas. Uma única porta se mantinha fechada, Sten estacou diante dela. Fungava o ar, o arrepio correu por seu corpo, foi da nuca até o calcanhar.

—O local não está vazio. —Ele surpreendeu a todos.
—O que tem nessa porta? —O guardião quis saber o que o menino havia conseguido detectar.
—Provavelmente uma Aranha-noturna.
—Entrarei e pisarei nas aranhas – A mulher de cabelos loiros enfiou o pé na porta abrindo ela.
—Não faça isso – Sten a deteve – Aranhars-noturnas são minúsculas e para sentir o cheiro do rastro dela é necessário se abaixar até o chão, O cheiro dela está no ar comum. Isso pode ser duas coisas, há uma quantidade maior que as folhas das árvores da floresta-sem-luz ou existe uma de proporções absurdas. Ambas possibilidades necessitam de se pensar.A ladina o escutou.
—O que aranhas minúsculas podem fazer?
—O veneno dela paralisa e faz com que sua pele se torne dura como pedra. Ela então vem e quebra a casca-pele e se alimenta.
O arrepio pegou Liof de surpresa. Ele não lembrava que tinha medo de aranha.
—vi uma viver em um lobo-olhos-azuis por muito tempo. Elas envenenam a parte que pretendem consumir, no caso de muitas elas podem acabar com a gente em segundos.
—E se for uma grande? — a ladina se interessou.
—Ela tera presas maiores.

Ele pegou uma tocha que estava presa na parede, pediu para Marian escrever o simbolo do fogo e encostou a mão gerando combustão no pano velho com um pouco de óleo. Jogou dentro da sala que estava com a porta escancarada, rolando no chão escutou o chispar de algo.
—Temos muitas aranhazinhas – disse Marian.
—Elas não vão sair daquela câmara – O rapaz teve certeza – elas não aceitam muito bem a luz do sol.

Ele acendeu mais algumas tochas e foram andando queimando qualquer ser que se figurassem nos pés. Quando venceram um pouco mais que a metade da sala um barulho de chacoalhar de metal soou, a luz que escapava pelo ombro do aprendiz revelou uma aranha que foi vista por Liof. O velho sentiu uma presença diferente, sua gerou uma estratégia, ele não pensou. Confiou nas suas lembranças e sussurrou no ouvido da mulher de cabelos castanhos. Marian correu pisando com equilíbrio perfeito, ela foi em direção a um brilho de metal no outro lado do salão, Liof correu junto em direção a porta aberta e a fechou. Loreah viu pinças grandes se baterem a cima de sua cabeça, Sten golpeou-as com a tocha em suas mãos. Os dois Estavam perdidos ante a ação repentina dos companheiros, O símbolo do fogo brilhou no metal encontrado por Marian e a porta se escancarou deixando aluz entrar, fazendo um caminho entre as aranhas minúsculas, Sten atacou mais uma vez a aranha com metade do tamanho de Loreah, que estava pendurada pendendo do teto. Eles então correram para a saída, quando os passaram pela porta Marian puxou as portas enclausurando Liof dentro do local.
—Abra essa porta! Ele ficou lá! — Sten berrou.
—Ele pediu—ela segurava a portas — Confie nele!
A decisão de seu mestre o pegou de surpresa. Ele não tinha palavras, aquilo não foi um sacrifício. Ele raciocinou, existe algo que ele precisava fazer.
—Vamos em frente – Loreah estava impaciente.
—Vamos — Sten concordou.

O escuro flutuava sobre os olhos do guardião, A presença além das Aranhas-noturnas era imperceptível, a mentes normais. Algo dentro de sua mente se agitou, ele lembrou conceitos antigos.
—Outro santuário? O que vem acontecendo?
O ar se tornava palpável e nenhuma resposta saiu do nada.
—Revele-se, venho a sua casa só. Desprovido de proteção para conversarmos.
—Quem és tu? —Não foram palavras mas Liof o entendia.
—Um dos que resistiu as forças da magia. Sou dos sete reinos. Me chamam de Liof.
—O que fazes na minha casa?
—Não sei, Senti sua presença e sou curioso.
—Interessante! — O ser inspecionava o guardião – Mesmo feito de matéria desse mundo você me compreender.
—O que você quis dizer com esse mundo?
—Eu venho da minha casa – a palavra para o local de origem falhou na mente do velho.
—Quem te trouxe até aqui?
—O assassino, Ele anda experimentando poderes que ele não pode controlar. —Ele transmitiu um desprezo em cada onda de pensamento. Liof sentiu o corpo se arrepiar e a cabeça latejou novamente. —Vejo que se encontraram. Interessante! Interessante!
—Quem é esse assassino? Porque essa alcunha?
—Ele matou seus próprios pais, aqueles que viram ele, no começo enxergaram perfeição e depois enxergaram equívoco. Eu fui uma das primeiras coisas que ele trouxe com seus poderes.

A textura da pedra embaixo dos pés de Liof modificou. Algo feroz borbulhou na escuridão.
—Não tente nada disso — O Homem dos cabelos brancos sorriu com o canto da boca, um certo tipo de confiança – Tenho mais algumas perguntas antes de você tentar me consumir.
—responderei a mais três — as pinças de todas aranhas dentro abriram e fecharam causando um som ameaçador, Liof sentiu elas subirem seus pés.
—O que são os gigantes?
—Irmãos, Os mais velhos. Os primeiros filhos.
As aranhas alcançaram sua cintura e ele se mantinha imóvel.
—O que é o monstro vermelho?
—Um de vocês modificados pelo sangue vivo de seus pais. Assim como você.
A aranha maior pendeu do teto e o veneno de suas presas gotejavam sobre os cabelos do homem, as aranhas menores o cobriam agora até o ombro.

—Porque você está preso aqui? —A dor de cabeça dele aumentou descomunalmente.
—A magia do seu mundo esta chegando a um ápice e por isso o Assassino consegue me manter preso nessa minúscula sala, uma prisão além das barreiras da matéria. Que para sair – As aranhas se aproximavam dos olhos, narina, boca ouvido – Talvez necessite de um pouco dos herdeiros modificados. Vamos experimentar.

Como a densidade da água, a escuridão se revolveu em meio a sala e ela tomou forma de um ser que parecia nadar no ar. Olhos se formaram, e encararam a presa. A dor de cabeça de Liof tinha atingido o máximo. Seus olhos ganharam tons entre o laranja e o vermelho, sua boca brilhou. Suas mãos incandesceram e suas veias eram o fogo, ele expandiu sua vontade sobre o ser. Consumiu então sua existência naquele local e com ele as aranhas que haviam feito o trato de mutualismo. Os metais escorreram feito água, cobrindo o chão por completo. Entrando em contato com o pé de Liof o metal se resfriou e formou um contorno. As roupas de Liof Haviam se desintegrado exceto sua espada que repousava em sua mão, o cabelo dele havia a cor branca um pouco menos pura, Ele andou até a porta e abriu a sala. A luz do sol agora penetrava por completo. Ele achou um peitoral prateado, um cinto dos escarlates, panos puídos e um escudo. Vestiu todos. Sentiu no corpo o conforto de se estar em casa.

Seguindo os rastros dos três companheiros Liof os viu discutindo.

— Se temos que buscar povos para, nos ajudar na luta contra o dono do castelo branco precisamos ir nós quatro — Marian falava com certeza.
—Tudo bem! Quero ir para aquela planície.

Liof interrompeu com sua aproximação.
—Algo me diz que a planície tem alguma coisa esperando.

Eles foram buscar recursos para a caminhada e foram em direção ao labirinto-plano.

sábado, 22 de agosto de 2015

A morada dos Guardiões - Um começo e Anilea

Liof e Sten terminaram de escalar o paredão da cachoeira assim que os primeiros raios de sol brotaram, encontraram Loreah atenta a cada movimento. Reconhecendo os dois ela abaixou sua adaga.
—Agradável e oportuno é a presença de vocês pois dormimos aqui essa noite por persistência de Marian. Eu teria enveredado pela floresta e encontraria uma forma melhor de nos alimentar do que com o resto dos grãos e frutos.

Liof olhou curioso, algo nos cabelos loiros e nas sobrancelhas arqueadas da ladina o entretinham. Era como uma comichão na mente, que faz você querer escutar de novo uma charada ou desafio.
—Ainda bem que não fez isso, essa floresta é protegida. Por um dos seres mais bonitos que pude ver de perto e o mais perigoso — pelo menos era assim que ele se lembrava, algo em sua cabeça o fazia esquecer dois encontros, duas peças que faltavam em toda aquela história: o monstro vermelho e o senhor do castelo branco — existe um abrigo capaz de suporta dez vezes o número de pessoas que temos aqui mas precisamos da aprovação do protetor.

—O que estamos fazendo aqui então? Vamos logo.

Sten avançou pelo acampamento, acampamento seria um elogio para o que ele via, algumas tendas baixas e furadas, muitos dos panos servindo apenas de forro para o chão. Seus olhos então encontraram quem ele queria encontrar, Marian conversava com uma menina pequenina. Ele não escutava voz da moça a um tempo e ela pareceu a melodia mais limpa e pura que escutara. O frio aumentou dentro de sua barriga. Quando os olhos dela encontram-se com os deles foi como uma faísca vindo do atrito entre duas pedras, algo bem rudimentar e como a primeira tentativa de acender uma fogueira a chama se desfez no ar. O sorriso permaneceu.
—Achei que você não viria mais. - o tom brincalhão pegou o rapaz de surpresa.
—Eu te falei que era só esperar.- ele não soube manter o ar tão leve
—Porque vocês não chegaram com a Loreah?
—Ela não te disse?
—Não, ela evita ao máximo falar de você.
—Estava ajudando o meu mestre, e juntamos alguns recursos—ele deu um tapa leve na bolsa feita de folhas e cipós
—O que tem ai?
—Algumas folhas, sementes e seiva. Coisas que o meu mestre pediu para nos ajudar com a nossa caminhada. Ele me disse que dentro dessa floresta, existe o velho abrigo dos Guardiões.
Marian se animou, sempre escutou de seu pai que os guardiões eram os maiores guerreiros de todas as aldeias e que ao final das guerras os soldados escarlates deram terras para algum deles.
—O que estamos esperando? — disse ela assombra da culpa havia deixado seus ombros.
Ele queria prolongar um pouco mais a conversa mas não arranjou o como e foi sucinto.
—Então vamos!
Enquanto Sten foi pedir pra Liof guiar a todos, Marian avisava a todas as pessoas o que eles fariam. Rapidamente todos se reuniram na entrada da floresta e o Guardião pediu para que todos dessem as mãos que ele guiaria e que independente do que vissem não soltassem as mãos ou corressem. Ele entrou encontrando a escuridão e as luzes das raízes e folhas brilhando mais fracas do que ele se lembrava, Sten era o segundo na fila olhava impressionado pela beleza dos desenhos das árvores. Eles andavam com calma em pouco tempo estavam na entrada do local. O sol adentrava a planície por frestas específicas fazendo ele se espargir e iluminar o necessário para que todos enxergassem o local e soubessem que era dia. Havia escudos, armas e armaduras. Terminaram de entrar a se abrigarem, o local era aquecido, a abóboda feita de raízes e galhos criava contraste interessante com o céu nas frestas. Liof se conservava na entrada, vendo todos esperançosos com a nova casa. Ele se lembrou do outro momento. A última vez que tinha visto aquele local. Um frio subiu por sua espinha, ele lembrou que existia um perigo maior. Lembrou-se da promessa.
—Liberdade é tudo que queremos – ele escutou sua voz de eras atrás dizendo isso.
—O que você está falando Liof – Sten surpreendeu o homem agora não tão magro.
—Nada — seu pensamento vagou por segundos em silêncio e fisgou o que queria—Venha comigo.

Eles andaram, os pés de Liof sabiam aonde ir, eles voltaram para a luz fraca das raízes e árvores. Seguiram por muito tempo ou pouco nenhum dos dois saberia, a escuridão curiosamente deixa o tempo indistinguível. Chegaram à abertura que daria para as costas do esqueleto, um dos vales antigos. Uma pedra de proporções enormes bloqueava a única passagem para aquele local, a pedra era de um azul nunca visto pelos olhos do rapaz. Uma linha delimitava uma sombra estranha dentro da pedra que era translúcida em certas partes e negra em outras. O azul da noite de lua cheia e o verde da folha mais clara se misturavam em equilíbrio ali.

—Para onde foram o protetor e os animais? —O guardião refletia consigo.
—Raramente em florestas vivas como essa existem animais, foi o que você me disse a tempos atrás.
A sobrancelha de Liof mostrava seu total desconhecimento da lição aplicada ao menino.
—O que mais eu te falei?
—Falou que as que possuem, tem animais fantásticos, você me mostrou na parte normal da floresta os animais raros que havia ali. Os lobos de olhos diferentes, que caçavam de formas diferentes.
—É verdade, agora me lembro um pouco. Lembro do seu silêncio.
—Sim, você ensinou que ouvir é mais precioso que falar.
—Algo me diz que precisamos destruir essa pedra, ela não pode ser destruída por nossas ferramentas, como faremos então? —O lampejo dos pergaminhos passaram pela mente do velho
—Temos os escritos.

Eles retornaram ao acampamento, acharam os pergaminhos mas eram muitos. Duas sacolas cheias, alguns estavam manchados, outros queimados, mas a grande maioria estava intocada.
O dia já se findava, a noite impossibilitava a leitura. Decidiram descansar nas relvas verdes da planície no subsolo da floresta. Os cabelos brancos do homem sentado balançavam. Ele respirava profundamente e inspirava de mesma forma, deixando o ar dançar em seus pulmões. O tempo havia passado e ele não havia esquecido a sensação da concentração no simples ato de respirar. Muitos dormiam, mas conservavam-se acordados, os únicos quatro que sabiam que aquilo ali não era o fim da jornada. Loreah se remexia deitada pensando no motivo da destruição de sua terra natal, por algum motivo aquele local a fazia rever questionamentos antigos. Marian ainda sentia o sentimento de culpa, mas encontrou um descanso no ombro de Sten. O rapaz passa em sua cabeça a jornada até ali e experimentava pela primeira vez o aconchego do formar de um sentimento. As raízes no novo céu iluminavam, a tentativa de acender fogueira foi frustrada pelo ambiente as madeiras não propagavam a faísca e qualquer outro tipo de fogo a floresta rejeitava com um vento providencial. O velho guardião sentia tudo a sua volta, a floresta pedia ajuda. A pedra azul pedia liberdade.

A fresta deixou a luz adentrar de forma amena e acordar com delicadeza a todos, Os pergaminhos começaram a ser lidos. Cartas de Guardiões para suas famílias, mensagens trazidas por pássaros ou por mensageiros. Enquanto os dois procuravam alguma coisa naqueles papéis, Loreah e Marian ajudavam a todos a conseguirem a realização das tarefas que sustentariam, o rio que passava por ali auxiliava na facilidade de se plantar algo. O solo era fértil.

Sten encontrou uma carta de seu mestre, essa não era primeira que ele lia do mestre afinal foi na floresta-sem-luz que ele aprendeu a ler.

“Minha amada, aqui os dias passam e nossa missão esta indo bem.
A convivência com os sábios e exploradores é uma forma divertida de se aprender coisas, aprendi outro dia a identificar plantas venenosas e como deixar uma trilha para amigos. Ant'jur continua meu treinamento como havia comentado com você. Estou melhor no arco!

Como esta nossa pequena? Já andou?
Estou contando os sois para poder encontrar com vocês e contar pessoalmente as maravilhas que existem aqui. Falar também dos amigos inusitados que eu encontrei.

Com todo amor.

Seu Liof.”

Sten não viu quando seu mestre havia se aproximado, ele tinha lido tudo aquilo. As lágrimas nos olhos do guardião provocavam a tristeza no rapaz. Liof carregava um pergaminho um pouco amarelado na mão. Ele não conseguiu continuar a ficar de pé e sentou-se. A tarde se foi embora. O antigo deitou-se tentando acalmar seus sentimentos e lembrança, tudo era confuso, tudo ressoa mais forte em uma cabeça fragmentada. A tarde se encontrava no fim e a imagem que Loreah viu de longe foi a do aprendiz como protetor de seu professor.

Assim que Liof adormeceu, Sten abriu o pergaminho que seu mestre havia nas mãos. Entendeu metade, pois possuía alguns caracteres que ele não conseguiu ler direito.

No pergaminho tinha escrito: “Anilea, pedra de cor azul. Que não pode ser quebrada de nenhuma outra forma a não ser o aquecimento.”


Como fazer aquecimento com árvores que possuem troco e folhas que não aceitam o fogo?
— Eu sei um jeito!
Marian surpreendeu o rapaz.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A morada dos Guardiões - As memorias

Era dos sete reinos

—Liof, o relato dos exploradores que voltam do sul do monte Nyrra, é que existe uma grande floresta modificada pelo poder da magia.
Disse o ancião de longas barbas negras ao homem de armadura prateada com contornos azuis
—Enfim encontramos um lugar onde criar nossa base de observação, por qual caminho os exploradores foram?
—Pelo vale das costas do esqueleto. - Disse o homem dos olhos serenos.
—Eles se arriscaram muito, se houvesse alguém vigiando do castelo branco, nossa missão poderia ser descoberta.
—Eles buscavam o sul, você entende que se eles passassem pelo labirinto-plano seria capaz deles ficarem perdidos naquela planície durante anos antes de encontrar a saída pra algum lugar que desse na área desconhecida.
—Sim eu entendo, Já vivi o bastante para ver que algo naquele caminho faz com que quem vá nunca chegue ao seu destino. Vamos, gostaria de chegar nesse local o quanto antes. Vocês sábios estão muito tempo sem fazer nada – abriu um sorriso.
Ant'jur retribui a brincadeira com o sorrir de seus olhos.

Saindo da tenda avisou aos outros guardas mestres qual seria o destino a seguir. Desarmaram as tendas, equiparam seus cavalos, vestiram armaduras e partiram rumo ao desconhecido. Subiram em direção ao castelo até chegar a primeira pedra do caminho do vale, o nome dado ao vale vinha de como o pôr do sol se mostrava olhando para ele, as sombras pareciam se estender como a costela saindo da espinha dorsal formando assim as costas de um homem magro. O tempo escureceu, a chuva aumentava o fluxo de um rio que começava em algum lugar dentro das cavernas do monte Nyrra e terminava nas terras inabitadas. A chuva atrapalhou a travessia, andaram pouco durante o dia. Tiveram que acampar no vale a noite. Ainda não tinha cessado totalmente, a chuva apenas servia para manter encharcado tudo que havia molhado durante o dia. Os soldados lamentavam toda aquela situação, as paredes do vale não ofereciam nenhum abrigo, não havia caverna e as tendas feitas de pano tinham goteiras estrategicas. Os sábios aproveitavam de alguma forma a chuva. Ant´jur percebia a forma como ela afetava o humor de cada um dos guardas, alguns se sentiam tristes, outros irritados, muitos estavam cansados, porém um dos soldados tinha uma energia maior. A natureza parecia em harmonia com aquele homem.

—Liof, o que te mantêm nos guardiões?

O cavaleiro foi surpreendido, ele estava sentindo a chuva cair em seu rosto. Lembranças tamborilavam em seu capacete.

—Além da missão que abraçamos, estou aqui por um amigo. O meu rei. —A resposta era sincera, mas soou incompleta quando ele se escutou tentou formular e gaguejou um pouco – estou aqui por minha família, sempre estive. Acredito que poderemos mudar o rumo da história, trazer a paz sem ter que atendermos aos caprichos aleatórios dos gigantes.

Ant'jur entendeu finalmente o que movia aquele homem.

—Você lembra quando me pediu para lhe ensinar sobre como utilizar as mãos como proteção?
A chama nos olhos de Liof se manteve acesa desde o final de suas ultimas palavras, ele as sentia pairando no ar e aquecendo seu corpo.
—Lembro você havia me falado que não poderia ensinar por não me conhecer
—A primeira lição que aprendi com meu mestre é que o nosso corpo é afetado por duas forças, a mente e a matéria. Para entender por que nenhuma espada vence minhas mãos você terá que entende o porquê essa primeira lição é incompleta.
O homem de armadura olhou o sábio e coçou a cabeça, não entendeu muito bem a fala, mas estava obstinado a descobrir. Assentiu com a cabeça. O homem de aparência serena voltou a suas meditações enquanto o cavaleiro foi treinar a esgrima. A noite se tornou dia e o cavaleiro procurava entender a proposta do sábio. O dia se seguiu acinzentado por cima do vale, eles avançaram com a maior velocidade que puderam. O ânimo de alguns se esvaindo cada vez mais, estavam o fim do inverno inteiro na missão e nada de encontrarem algo novo. Apenas velhos segredos. O passo tiveram que diminuir, os cavalos estavam exauridos, montaram acampamento. O clima dessa vez não batalhou contra a paciência dos guardiões. Sem dizer uma palavra Ant'jur convidou Liof para imitá-lo em sua meditação em forma de movimentos circulares com as mãos. Alguns dos guardas mestre riram do homem. Apesar de ser um dos mais respeitados ali, a amizade criada com todos dava a ligeira liberdade da brincadeira. Ele não estava se sentindo confortável então inclui sua espada aos movimentos e tudo pareceu mais comum. Um sorriso brotou no sábio.

Três dias se passaram e o treino de Liof havia sido transmutado em meditação, apendia com facilidade a colocar as armas em fusão com os movimentos do ancião. O tiro de arco dele havia melhorado consideravelmente, quando encontraram o traço da floresta que bilha quando o sol se põe, aonde o rio some para dentro da terra,  o chefe dos exploradores abordou eles.

—Guarda Liof, a floresta é altamente – ele buscou a palavra criada pelos anciões – é… mágica. Existem árvores feitas apenas de raízes, plantas resistentes ao aço e ao fogo. Todas elas têm essa luz azulada, a noite ela se torna mais forte mas não se pode vê-la de longe.

—Obrigado Alinx, já pensou em algum lugar em que podemos criar nosso acampamento principal?
—Não. Andamos muito ao redor e testamos as plantas daqui. Escutamos murmúrios la dentro dentro, achamos prudente espera as armas pesadas.
—Fez bem meu caro, eu teria feito o mesmo — aproximou-se do ouvido do explorador — mas não conte pra ninguém.
Os dois gargalharam.
—Guardas mestre preciso de vocês — gritou o líder por espontaneidade
a formação em roda foi feita, Liof olhava para os outros treze e falou com seriedade.
—Vamos entrar em terreno desconhecido, precisaremos de dois guardas mestres com cada um dos exploradores e um ancião deve acompanhar também. Buscamos um local onde poderemos construir nosso acampamento definitivo. Hoje é o que marca nossas buscas efetivas, temos pouco tempo.

A floresta ofereceu resistência a chegada dos cavaleiros, divididos de quatro em quatro os vinte e oito guardiões partiram na busca do melhor local para se estabelecerem. Dentro da floresta a luz tênue das árvores e das raízes não iluminava, os tropeços eram comuns e quando se encontravam totalmente imersos pela escuridão, fachos de luz laranja surgiam brilhando e apagavam, da mesma forma fugaz que apareceram, criando os murmúrios. Guardas gritaram e correram para os lados opostos da luz que surgia, Liof escutou os passos e o susto do encontro de armaduras gerou ataques, ele aparou um golpe e protegeu o explorado que estava com ele de outro.

- NÃO ATAQUEM!!! SE REUNAM!!! - berrou o líder.

Rapidamente eles se encontraram e fizeram uma roda. Mantiveram os sábios e exploradores no meio dela. Viraram-se de costas e esperaram, o silêncio no meio das luzes azuis lembrava o silêncio das noites. Liof se afastou rumando em direção a escuridão quando se afastou suficiente a luz laranja o ofuscou, suas pernas se mantiveram paradas. O coração acelerou então levantou seus olhos, um servo gigante estava a sua frente as chamas alaranjadas definiam sua forma, seus chifres eram labaredas e os olhos do servo lembravam o sol apino. O cavaleiro entendeu enfim o que havia falado o ancião. O servo podia ver no homem as suas intenções, limpas como um lago e claras, ele não tinha nada a esconder. As árvores se movimentaram, as raízes se moveram. O servo guiou o guarda mestre até um buraco feito de raízes e terra. Atravessando o portal Liof viu um planície feita abaixo da terra, o ar era acolhedor, outras árvores de luz com frutos diversos e variados tipos enfeitavam o resto da paisagem, um rio corria no meio daquilo tudo, alguns animais que pareciam comuns se abrigavam ali em harmonia. O servo desapareceu. O Guardião foi buscar os outros para dizer que o protetor da floresta havia aceitado a presença deles ali, desde que não destruíssem nada. Algo dentro dele dava a certeza da aceitação e das condições.

Todos foram guiados aquele local o último a entrar foi Ant'jur. Vendo aquilo escutou então em tom de voz orgulhoso o amigo que agora conhecia.


—O nosso corpo é afetado somente pela mente, é a mente que deixa a matéria interferir e não a matéria que interfere.

O sábio sorriu e completou.

- Assim como uma batalha já esta vencida antes mesmo de começar e talvez você possa ser nossa vitória.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Novos rumos - O mundo antigo

 Sten olhava para Loreah, assim como um felino olha para alguém que esta prestes a ameaçar seu espaço. A fogueira que foi feita para aquecer os feridos sobre a pedra cinza era grande o bastante para manter todos aquecidos. Já havia se passado dois dias desde o ataque a aldeia, a comida estava escassa, mas eles não poderiam sair dali enquanto os ferimentos não estivessem totalmente curados. Depois de dois dias sem dirigir nenhuma palavra para a ladina, o rapaz chegou perto dela.
- Gostaria de saber como você foi parar no meio disso tudo? O que fazia em um lugar que você tinha acabo de roubar e ainda por cima defendendo?
Loreah manteve seu silêncio como resposta e aquilo irritou ainda mais o homem de cabelos negros. Ela estava com trajes improvisados, seu braço estava amarrado ao tronco com uma trança de cipós feita por ela. Anos na floresta cuidando de sua mãe e tendo que se virar sozinha, já haviam consolidado nela a capacidade e adaptabilidade que a mantinha viva. Sten perguntava e ela respondia sinceramente, ela não havia pensando no porque de se intrometer naquela situação toda. Foi algo maior que ela, as tropas, o marchar dos cavaleiros e o ataque sem aviso foi como se ela revivesse toda a situação de sua aldeia, ela lutou como não podia na época. Cada vida salva por algum motivo calava fundo dentro daquele ser. Era como se fossem sua família agora. Ela ainda não tinha entendido isso, talvez nunca entendesse.
Ele foi checar como estava o único homem que ainda possuía um ferimento com sangue, ele estava desacordado. O selvagem abaixou a cabeça vendo que ele estava morto.
—Vamos todos temos uma grande caminhada até as cachoeiras.

Eles entraram na mata, Sten ainda conservava o medo do ataque das raízes. Elas não atacaram. Suspirou.
—Cuidado, Qualquer um que se machucar será deixado para trás.
Eles caminhavam tensos. Cautelosos. Passado um tempo chegaram à clareira. O rapaz viu a sombra dentro da casa na árvore central da clareira. Tinha certeza que era seu mestre. Chamou um dos três guardas que restaram.
—Siga nessa direção — apontou para o lado oposto de onde estava a aldeia — lá você encontrara a cachoeira, se acomodem. Estarei lá o mais rápido que puder.
Loreah esticou sua audição. Ela se tinha como a única capaz de conduzir aquelas pessoas além de Sten, mesmo ela querendo negar que ele era uma opção.

Todos sumiram na escuridão da Floresta-sem-luz. Subindo na árvore ele escutava a respiração controlada. Um homem de cabelos acinzentados, olhava com dureza para o nada. Liof estava pensando.
—Marian passou por aqui, eu a indiquei o caminho da cachoeira. Esse era o plano que você tinha na mente. Não era?
—Sim mestre.
—Apesar de não ter te falado uma palavra se quer sobre estratégia, sobre tática ou qualquer outra coisa você absorveu isso de alguma forma.
Sten viu que Liof estava muito mais velho do que ele se lembrava. Aquele homem não era mais o louco que ele conhecia.
—Creio que precisarei de sua ajuda para completar tudo aquilo que tenho que fazer, afinal não tenho mais a mesmas capacidades físicas.
—Quem é você?
Sten não reconhecia aquela pessoa. O homem enfim se encontrou no presente. Olhou diretamente para os olhos do garoto.
- Eu sou Liof, Um dos lideres dos guardiões dos sete reinos.
- Guardiões dos sete reinos?
- Há algum tempo atrás a terra era regida por sete reinos, cada reino tinha seu rei.
-Rei?
-Assim é como chamavam os lideres dos reinos. Os reinos viveram em certa harmonia, algumas poucas vezes vimos confrontos políticos e guerras, mas ocorreram. Um reino pressionava o outro quando ficavam em desvantagem — Sten abaixou um pouco o queixo deixando-o solto, sua expressão de dúvida gerou um breve sorriso no rosto de Liof que prosseguiu — Os lideres dos reinos tinham um encontro para discutir pendências e isso ocorria quando a Flor-dourada desabrochava. Uma das coisas que mais intrigava a todos os lideres era uma construção de cor branca no alto do monte e era sempre discutido se enviariam soldados para verificarem o que era aquilo. Eles sempre votavam em não enviarem então, Sersio o Rei de Arnini quebrou esse trato enviando uma tropa. Era composta por vinte homens. Depois de muitos dias de caminhada eles alcançaram o terreno, vasculharam uma forma de entrar naquele local. Algo dentro da construção se irritou e ao abrir das portas daquele castelo os soldados foram esmagados por criaturas enormes, que possuíam características físicas idênticas as nossas.
Sten olhava com incredulidade para o Liof enquanto ele continuava.
—Um dia o mais velho dos gigantes foi falar com os reis e pediu que cada um deles oferecesse um sacrifício. Teriam que mandar o seu maior soldado para lutar com os gigantes e assim aconteceu. E esses soldados foram mortos com facilidade e os gigantes voltaram gargalhando para seu castelo. Os pedidos tinham a mesma frequência da reunião é como se soubessem que os reis iriam se reunir. —Liof conservava em seu sentir uma nostalgia contando isso – Essa foi a história contada por meu pai, Eu nasci e cresci na era dos gigantes. Os reis se modificavam, mas a servidão aos pedidos dos gigantes não. Quando me tornei guarda mestre do meu grandioso rei Sternius. O pedido dos gigantes foi dilacerador ao coração do meu senhor. Cada um dos reis devia escolher entre o filho ou a própria mulher para sacrificar e deu o prazo do desabrochar da Flor.
—Por que eles não combatiam os gigantes?
—Essa ideia não surgia na cabeça deles por saberem que com o tamanho que tinham seus reinos seriam destruídos em menos de uma tarde. Pedir para um homem em sã consciência decidir entre seus amores é pedir para ele buscar uma alternativa. O dia seguinte os reis se encontraram escondidos, decidiram buscar uma forma de enfrentar os gigantes. Criarão então Os Guardiões. Que consistia no grupo composto por sábios, grandes soldados e Exploradores. Eu me encaixava na segunda categoria. Viajamos por todos os cantos para descobrir uma forma de derrotar os gigantes. Encontramos a floresta-sem-luz e descobrimos que aqui era o lugar para pesquisar sobre as forças magicas. Magia! era como um dos mais antigos sábios chamava as forças além do nosso entendimento. Os exploradores eram nossa força de avanço, eles eram valentes o suficiente para descobrir propriedades em cada uma das coisas. Nós soldados ensinávamos a todos como se empunhar uma espada e táticas de batalha. Aprendi com Ant'ju a utilizar apenas minhas mãos como arma, ele conseguia vencer qualquer guarda mestre, mas se recusava a ensinar a qualquer um. Por algum motivo ele confiou em mim e me ensinou. O tempo passou e o dia da entrega do sacrifício se aproximava e com ele nossa missão estava sem tempo para testes. Tínhamos descobertos variadas formas com que podíamos tentar atacar os gigantes, Ant´ju e Ercinio juntaram o pensamento de suas técnicas e descobriram na pedra rubra a propriedade necessária pra potencializar a força da descoberta. Faltando quatro sois para o desabrochar da flor estávamos acampado no alto da montanha do sacrifício, em uma vila abaixo do castelo branco. O momento havia chegado e nós através da magia do sangue e da rocha conseguimos decapitar três dos cinco gigantes, quando algo nos interrompeu. O sol se enegreceu, os gigantes correram para seu castelo e de alguma forma o tempo parou, um homem com a armadura escarlate e o símbolo do castelo atacou os guardiões. Ercinio foi o primeiro a ser atacado, ele foi esfacelado como uma duna no vento. O terror tomou conta de todos, assim corremos. Eu só conseguia pensar em Irsa e minha pequena Lori. Eu corri, mas ele me alcançou, hoje eu me pergunto se não teria sido melhor ele ter conseguido me matar aquele dia, eu só escutava a voz da minha amada “Sobreviva meu amor! Sobreviva pra mim”. Eu pulei na fenda a baixo de meus pés a montanha me acolheu e algo dentro dela o espantou. O gosto de ferro surgia na minha boca, a queda foi grande, mas eu sobrevivi. Mancando dentro da caverna, Descobri o que espantou o monstro, o brilho do orbe a minha frente era vivo.
- Um orbe?
- Eu fui atacado aqui depois que encontrei o orbe—ele apontou para sua cabeça – quando o encostei eu sabia que existia alguém muito maior que os gigantes e muito mais poderoso que o monstro escarlate. Esse ser estava olhando diretamente para mim. Escutei ele gritar, praguejar e tentar me atacar, ele tentava sobrepor meus pensamentos. Ele não conseguia. Com a velocidade do meu pensamento eu estava na alameda que levava para minha casa perto do castelo do meu rei. Um dos gigantes que havia corrido estava ali, Eu me perguntei quanto tempo tinha lutado mentalmente na caverna. O orbe habitava em minha mão e vi duas mãos gigantes obliterarem o reino...

As lágrimas interromperam a história e Sten finalmente entendeu a sanidade por trás dos loucos olhos do seu mestre. Ele aguardou paciente e compartilhando a simpatia e tristeza por seu mestre.
-O que temos que fazer senhor Liof? - Sten se lembrava que a palavra senhor era levada com muita honra a um Guardião. Liof havia ensinado pra ele a muito tempo atrás sobre isso.
O olhar determinado do velhote descansou sobre o rosto do jovem, ele viu a chama vibrante do coração do rapaz e em alguma coisa lembrou a luz do orbe.
—Temos que lembrar a todos como era viver em paz e sem as algemas que o sentinela mantém a todos nós. Primeiro vamos refundar Falligan.
Sten afirmou com a cabeça se levantou
—Já estamos parado a tempo suficiente.
Os dois foram junto de encontro aos grupos de Loreah e de Marian.


O Castelo vibrou. Um ser com a altura de dois homens medianos dava um tapa no rosto de um gigante que se encontrava encolhido, segurando os próprios joelhos, algo de escurou escoou pelo ar.

- Achamos Liof! Vamos! Acorde aberração!
O gigante abriu os olhos, viu o homem de olhos negros, corpo revestido da pedra vermelha. O medo se instalou no gigante. Suas correntes foram soltas.