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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Valian Continua!

Valian continuará

Se você chegou até aqui, deve ter escutado alguma historia minha, ou esta em busca da continuação da historia de Valian. Muito bem, as trovas cantadas nessa taverna eram proferidas por um Trovador( que resolvi revelar, conto um pouco mais aqui)

Ele demandou uma mudança para que continuasse contado as historias e bem, nesse caso eu não tenho tanta escolha então criei um site que ainda esta em construção mas que você já consegue acompanhar as historias por outro lugar que é o a pagina. Obrigado pela compreensão!


Atenciosamente,

Jorge

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A morada dos guardiões - O protetor e o caminho


—O que quer dizer esse símbolo?
—Meu pai me disse que significava fogo interior. - falou ela terminando desenho.
Eles haviam esperado a manha chegar para irem até a pedra Anilea.
—como vai funcionar esse treco—disse a ladina movimentando devagar o braço que estava quebrado, enquanto Liof analisava ele.
—meu pai me falou para utilizar esse símbolo com cuidado.
—ele proferiu quais eram tais cuidados? - falou a mulher impaciente
—ele não teve tempo—o olhar de Marian se perdeu um pouco—devia estar  preocupado com alguma coisa da aldeia
—como funciona isso?
—simples, você coloca a mão no centro do símbolo e ele vai gerar...
Sua mão no centro da inscrição brilhou em âmbar , a pele morena dela ganhou um tom azulado, seu lábio empalideceu. Seus pés não aguentaram mais ela caiu, os reflexo de Sten foi rápido ele conseguiu segurá-la antes de atingir o solo. Um estalo na mente de Liof fez suas sobrancelhas arquearem.
—é isso! O cuidado que ela tinha que ter tomado é que a inscrição utiliza energia do seu ser.
—porque não falou isso antes -  Sten reagiu com rispidez - ela esta gelada.
O guardião não pensou duas vezes, puxou Loreah pelo braço. Ela gritou, chegaram perto da pedra. Ele fez um sinal pedindo a mão do seu aprendiz. Ele hesitou mas alguma coisa no olhar do velho fez com que ele lembrasse o louco que o criou.
—acho melhor você deixar ela no chão.
Ele a colocou com todo o carinho na parte do solo que parecia mais  confortável. as mãos unidas encostaram no símbolo. A sensação era horrenda, como se cordas puxassem os músculos e o calor. O frio começou a queimar. Sten pensou em desistir, sentiu seus olhos pesarem.
—não desista rapaz, precisamos de todos aqui.
A parte escura da pedra começou a movimentar-se e ganharam um tom de laranja ao invés do azul. O centro dela crepitou e enseguida uma explosão. Seus pedaços sublimaram,  os três que tremiam com o frio foram envolvidos pelo fogo e Marian também.
Passado o clarão, um servo com chifres pequenos de pequenas chamas azuis estava enfrente a eles, o animal extraordinário se aproximou.
—esse é o protetor da floresta que eu havia falado- a mão do guardião correu pelas chamas—o fogo dele só queimara aqueles que ele considerar ameaça.
Marian abriu os olhos, se sentia confortável, teve medo do ser a sua frente.
—és louco? —Loreah desferiu um soco na direção do velho, Sten aparou e ela investiu de novo.
—calma Loreah, ele sabia o que fazia—ela atacou e Sten decidiu receber o golpe.
—você nem percebeu que seu braço esta curado.
Ela parou e começou a movimentar o braço livremente. Marian levantou e andou ate o animal. Os olhos se encontraram
O servo se virou e seguiu em direção ao local habitado pelos sobreviventes da aldeia. Olhando para dentro ele mordeu uma das raízes e a fez desaparecer nas chamas.
—parece que ele aceitou, proteger todos aqui.
Liof sorriu.
—O que faremos agora?
—Vamos a outras aldeias e cidades e buscar aliados. Precisamos de pessoas. A luta contra os soldados escarlates e seu senhor.
Sten assentiu com a cabeça, Marian mantinha uma dúvida no semblante e Loreah tinha chamas no olhar, não tão controladas quanto as do cervo.
Os moradores do local ainda não tinham se acostuma do a ver o protetor, houve gritarias e medo mas a líder logo convenceu a todos que o animal era um grande amigo e que protegeria todos.

—Liof, se eu for nessa jornada em busca da mudança. Como ficara meu povo?
—Eles ficaram a salvo, quando nos guardiões chegamos aqui o protetor nos manteve a salvos.
—Você era um guardião?
—Eu ainda sou, diria que o último dos fundadores da ordem.
Ela se espantou
—Mas você teria que ter vivido por – as palavras morreram na boca dela e em um lugar da sua mente ela tinha a impressão que ainda existia algo louco dentro dele.
—Eu também não entendo isso porém eu sei que é assim.
Ele passou segurança na sua voz e isso fez com que ela também acreditasse que todos estavam protegidos com aquele animal ali.A noite se foi com o Guardião, contando para todos as historias que o próprio Sten havia escutado alguns dias atrás.

Três dias se passaram e os preparativos para o novo caminho foram feitos. Marian deixou a cargo de Aruan cuidar de todos. Ele foi o escolhido por sua inteligencia, disposição e benevolência. Tudo que Marian admirava em uma pessoa. Sten sentiu uma pontada no peito ao ver a mulher despedir do soldado em um abraço afetuoso

—O que há Sten? Alguém está surrupiando seu lugar? —debochou a ladina

A provocação pesou em seu coração mas ele manteve o silêncio e foi amarrar as bolsas com os mantimentos para a viagem. Quando Marian chegou perto os olhos dele ainda ardia de ciúme. Ela não percebeu.

Os quatro se dirigiram a passagem que agora estava livre da pedra azul que a tampava. Começaram sua caminhada em busca de aliados. Liof queria entender o passado, Sten queria entender a justiça, Marian queria a paz do seu povo e Loreah a vingança tanto sonhada, os sentimento distinto mas todos em busca de um mundo novo.

—após ver um cervo composto de fogo, nada mais me surpreende.


Loreah quis quebrar o silêncio, ela tinha certeza que as coisas estranhas estavam apenas começando a aparecer

sábado, 22 de agosto de 2015

A morada dos Guardiões - Um começo e Anilea

Liof e Sten terminaram de escalar o paredão da cachoeira assim que os primeiros raios de sol brotaram, encontraram Loreah atenta a cada movimento. Reconhecendo os dois ela abaixou sua adaga.
—Agradável e oportuno é a presença de vocês pois dormimos aqui essa noite por persistência de Marian. Eu teria enveredado pela floresta e encontraria uma forma melhor de nos alimentar do que com o resto dos grãos e frutos.

Liof olhou curioso, algo nos cabelos loiros e nas sobrancelhas arqueadas da ladina o entretinham. Era como uma comichão na mente, que faz você querer escutar de novo uma charada ou desafio.
—Ainda bem que não fez isso, essa floresta é protegida. Por um dos seres mais bonitos que pude ver de perto e o mais perigoso — pelo menos era assim que ele se lembrava, algo em sua cabeça o fazia esquecer dois encontros, duas peças que faltavam em toda aquela história: o monstro vermelho e o senhor do castelo branco — existe um abrigo capaz de suporta dez vezes o número de pessoas que temos aqui mas precisamos da aprovação do protetor.

—O que estamos fazendo aqui então? Vamos logo.

Sten avançou pelo acampamento, acampamento seria um elogio para o que ele via, algumas tendas baixas e furadas, muitos dos panos servindo apenas de forro para o chão. Seus olhos então encontraram quem ele queria encontrar, Marian conversava com uma menina pequenina. Ele não escutava voz da moça a um tempo e ela pareceu a melodia mais limpa e pura que escutara. O frio aumentou dentro de sua barriga. Quando os olhos dela encontram-se com os deles foi como uma faísca vindo do atrito entre duas pedras, algo bem rudimentar e como a primeira tentativa de acender uma fogueira a chama se desfez no ar. O sorriso permaneceu.
—Achei que você não viria mais. - o tom brincalhão pegou o rapaz de surpresa.
—Eu te falei que era só esperar.- ele não soube manter o ar tão leve
—Porque vocês não chegaram com a Loreah?
—Ela não te disse?
—Não, ela evita ao máximo falar de você.
—Estava ajudando o meu mestre, e juntamos alguns recursos—ele deu um tapa leve na bolsa feita de folhas e cipós
—O que tem ai?
—Algumas folhas, sementes e seiva. Coisas que o meu mestre pediu para nos ajudar com a nossa caminhada. Ele me disse que dentro dessa floresta, existe o velho abrigo dos Guardiões.
Marian se animou, sempre escutou de seu pai que os guardiões eram os maiores guerreiros de todas as aldeias e que ao final das guerras os soldados escarlates deram terras para algum deles.
—O que estamos esperando? — disse ela assombra da culpa havia deixado seus ombros.
Ele queria prolongar um pouco mais a conversa mas não arranjou o como e foi sucinto.
—Então vamos!
Enquanto Sten foi pedir pra Liof guiar a todos, Marian avisava a todas as pessoas o que eles fariam. Rapidamente todos se reuniram na entrada da floresta e o Guardião pediu para que todos dessem as mãos que ele guiaria e que independente do que vissem não soltassem as mãos ou corressem. Ele entrou encontrando a escuridão e as luzes das raízes e folhas brilhando mais fracas do que ele se lembrava, Sten era o segundo na fila olhava impressionado pela beleza dos desenhos das árvores. Eles andavam com calma em pouco tempo estavam na entrada do local. O sol adentrava a planície por frestas específicas fazendo ele se espargir e iluminar o necessário para que todos enxergassem o local e soubessem que era dia. Havia escudos, armas e armaduras. Terminaram de entrar a se abrigarem, o local era aquecido, a abóboda feita de raízes e galhos criava contraste interessante com o céu nas frestas. Liof se conservava na entrada, vendo todos esperançosos com a nova casa. Ele se lembrou do outro momento. A última vez que tinha visto aquele local. Um frio subiu por sua espinha, ele lembrou que existia um perigo maior. Lembrou-se da promessa.
—Liberdade é tudo que queremos – ele escutou sua voz de eras atrás dizendo isso.
—O que você está falando Liof – Sten surpreendeu o homem agora não tão magro.
—Nada — seu pensamento vagou por segundos em silêncio e fisgou o que queria—Venha comigo.

Eles andaram, os pés de Liof sabiam aonde ir, eles voltaram para a luz fraca das raízes e árvores. Seguiram por muito tempo ou pouco nenhum dos dois saberia, a escuridão curiosamente deixa o tempo indistinguível. Chegaram à abertura que daria para as costas do esqueleto, um dos vales antigos. Uma pedra de proporções enormes bloqueava a única passagem para aquele local, a pedra era de um azul nunca visto pelos olhos do rapaz. Uma linha delimitava uma sombra estranha dentro da pedra que era translúcida em certas partes e negra em outras. O azul da noite de lua cheia e o verde da folha mais clara se misturavam em equilíbrio ali.

—Para onde foram o protetor e os animais? —O guardião refletia consigo.
—Raramente em florestas vivas como essa existem animais, foi o que você me disse a tempos atrás.
A sobrancelha de Liof mostrava seu total desconhecimento da lição aplicada ao menino.
—O que mais eu te falei?
—Falou que as que possuem, tem animais fantásticos, você me mostrou na parte normal da floresta os animais raros que havia ali. Os lobos de olhos diferentes, que caçavam de formas diferentes.
—É verdade, agora me lembro um pouco. Lembro do seu silêncio.
—Sim, você ensinou que ouvir é mais precioso que falar.
—Algo me diz que precisamos destruir essa pedra, ela não pode ser destruída por nossas ferramentas, como faremos então? —O lampejo dos pergaminhos passaram pela mente do velho
—Temos os escritos.

Eles retornaram ao acampamento, acharam os pergaminhos mas eram muitos. Duas sacolas cheias, alguns estavam manchados, outros queimados, mas a grande maioria estava intocada.
O dia já se findava, a noite impossibilitava a leitura. Decidiram descansar nas relvas verdes da planície no subsolo da floresta. Os cabelos brancos do homem sentado balançavam. Ele respirava profundamente e inspirava de mesma forma, deixando o ar dançar em seus pulmões. O tempo havia passado e ele não havia esquecido a sensação da concentração no simples ato de respirar. Muitos dormiam, mas conservavam-se acordados, os únicos quatro que sabiam que aquilo ali não era o fim da jornada. Loreah se remexia deitada pensando no motivo da destruição de sua terra natal, por algum motivo aquele local a fazia rever questionamentos antigos. Marian ainda sentia o sentimento de culpa, mas encontrou um descanso no ombro de Sten. O rapaz passa em sua cabeça a jornada até ali e experimentava pela primeira vez o aconchego do formar de um sentimento. As raízes no novo céu iluminavam, a tentativa de acender fogueira foi frustrada pelo ambiente as madeiras não propagavam a faísca e qualquer outro tipo de fogo a floresta rejeitava com um vento providencial. O velho guardião sentia tudo a sua volta, a floresta pedia ajuda. A pedra azul pedia liberdade.

A fresta deixou a luz adentrar de forma amena e acordar com delicadeza a todos, Os pergaminhos começaram a ser lidos. Cartas de Guardiões para suas famílias, mensagens trazidas por pássaros ou por mensageiros. Enquanto os dois procuravam alguma coisa naqueles papéis, Loreah e Marian ajudavam a todos a conseguirem a realização das tarefas que sustentariam, o rio que passava por ali auxiliava na facilidade de se plantar algo. O solo era fértil.

Sten encontrou uma carta de seu mestre, essa não era primeira que ele lia do mestre afinal foi na floresta-sem-luz que ele aprendeu a ler.

“Minha amada, aqui os dias passam e nossa missão esta indo bem.
A convivência com os sábios e exploradores é uma forma divertida de se aprender coisas, aprendi outro dia a identificar plantas venenosas e como deixar uma trilha para amigos. Ant'jur continua meu treinamento como havia comentado com você. Estou melhor no arco!

Como esta nossa pequena? Já andou?
Estou contando os sois para poder encontrar com vocês e contar pessoalmente as maravilhas que existem aqui. Falar também dos amigos inusitados que eu encontrei.

Com todo amor.

Seu Liof.”

Sten não viu quando seu mestre havia se aproximado, ele tinha lido tudo aquilo. As lágrimas nos olhos do guardião provocavam a tristeza no rapaz. Liof carregava um pergaminho um pouco amarelado na mão. Ele não conseguiu continuar a ficar de pé e sentou-se. A tarde se foi embora. O antigo deitou-se tentando acalmar seus sentimentos e lembrança, tudo era confuso, tudo ressoa mais forte em uma cabeça fragmentada. A tarde se encontrava no fim e a imagem que Loreah viu de longe foi a do aprendiz como protetor de seu professor.

Assim que Liof adormeceu, Sten abriu o pergaminho que seu mestre havia nas mãos. Entendeu metade, pois possuía alguns caracteres que ele não conseguiu ler direito.

No pergaminho tinha escrito: “Anilea, pedra de cor azul. Que não pode ser quebrada de nenhuma outra forma a não ser o aquecimento.”


Como fazer aquecimento com árvores que possuem troco e folhas que não aceitam o fogo?
— Eu sei um jeito!
Marian surpreendeu o rapaz.