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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Tya - A grande guarda da renascida Mengua

 A ponta da espada de Ádaia encostava levemente no meio do pescoço de Sten, Loreah estava desacordada sendo vigiada por uma Guarda Tya. Marian e Liof tinham as mãos e os pés amarrados Pirtrio e Pãntrio estavam presos em uma armadilha feita de madeira. A chance de sobrevivência deles estava nas mãos do selvagem. A respiração dele havia parado, seus olhos contemplavam a inimiga. Os cabelos ruivos amarrados com cuidado, a armadura cor de cobre com detalhes dourados brilhava, A confiança transbordava de sua face. Seus olhos pretos fixados nos olhos profundos do invasor a sua frente. A cidade de Tya seguia as regras de seu reino de origem, o reino de Menguan. Conhecido por tratarem com muito cuidado de seus amigos. Menguan era conhecido pelas pessoas calorosas. Andando em qualquer lugar você seria cumprimentado por todos, seria recebido em qualquer casa com um abraço e um grande sorriso, comeria da melhor comida, beberia da melhor bebida e seria alvo de uma atenção que chegaria a incomodar caso você não fosse daquele local. A rei* Nunkbe, gostava de falar “Um Tyar vive cada segundo da sua vida focado naquele instante”. Tinha apenas um problema. Para poder ser considerado um amigo na cidade de Tya você teria que provar seu valor. Sten estava tentando mostrar o seu.

A estrada os levou até a uma decida íngreme de uma estrada destruída. Loreah esfregou os olhos ao ver flâmulas e torres bem construídas que serviam de base para a construção de muros de pedra marrom, a beleza incomodou sua visão. Algo novo no mundo para ela, algo que não fosse madeira ou pedra e pó. Desceu saltando de pedra em pedra com a tranquilidade de quem corre sobre campos planos. As acrobacias feitas eram semelhantes ao dia em que seu pai desafio ela a pegar a adaga da família no topo da árvore. Ela esboçava um meio sorriso no rosto. Os outros desciam com muito cuidado. Liof olhou o símbolo na flâmula e sua memória foi cutucada. Forçou as pálpebras, como se isso fosse buscar dentro de sua cabeça uma visão mais aguçada da memória que queria sair.
—O que sabem dessa cidade? —Marian perguntou aos meninos.
—É a cidade que recusou ajuda para nós do grande buraco.— Pãntrio cuspiu.
—Vocês já vieram aqui?
—Não, Mas nossos ancestrais na batalha da grande divisão vieram e pediram.— Pirtrio comprimiu seus lábios— Não custava nada nos ajudar.

Sten sentiu uma movimentação estranha nas matas que cercavam a estrada agora menos íngreme e sem tantas pedras, árvores começavam a proporcionar sombra ao caminho. As folhas farfalharam alarmando todos. Um pássaro surgiu ciscando entre as folhas. Ciscava. Pulava. Loreah tentou acertar ele com uma pedra ele voou um pouco.
—Daria uma grande refeição – Ela sorriu.
O pássaro pousou novamente e seguiu eles ciscando e pulando pelo caminho. As sombras das árvores já cobriam mais da metade do caminho, deixando a luz do sol criar passagem dentro dele. A ladina e o selvagem estavam atentos a tudo. Os outros ainda estavam perturbados com a perseguição da ave. Outra ave de corpo um pouco maior do que a outra, com o pescoço grande e penas brancas começou a fazer o mesmo que a anterior. Andava atrás deles ciscando e pulando. Ciscando e pulando. Eles apertaram o passo. Já divisavam o portão de madeira e ferro da cidade de Tya. Sten então voltou sua atenção para as aves agora havia ali cerca de o dobro do número de pessoas. Pirtrio lançou uma pedra em direção a elas. O bater das asas fez com que o ataque falhasse a exatos vinte passos do portão. Elas começaram a grasnar e voavam em direção aos seis dispersando eles. Pirtrio e Pãntrio escutaram um clique em meio as folhagens e do chão uma placa de madeira ergue os dois ao ar fechando em uma caixa que tinha as paredes vazadas.

Um guarda surge em meio as árvores e imobiliza Marian. Dois seguram Liof que não revida de modo algum, a surpresa estava do lado deles. Loreah e Sten esquivam dos guardas que tentaram atacar os dois. A face da ladina goteja o sangue. Duas aves haviam sido acertadas pela ladina e agora ela praguejava mentalmente. Se fossem dois guardas eles não estariam cercados por seis.

O primeiro investiu contra a mulher pequena, o tilintar do metal no metal deixou claro que a aparência de madeira avermelhada era apenas uma forma de se camuflarem por ali. A face dela riscou o peitoral do oponente, Sten derrubou um deles com um chute bem aplicado na parte de trás do joelho. Os dois retrocederam do local onde tinham vindo. Loreah pegou seu arco curto e preparou uma flecha. O selvagem pegou a espada curta na cintura da ladina, sua adaga não faria muito efeito sobre aquelas quantidades, ele correu e se preparou. Um disparo acertou no cinturão de um dos guardas. Eles estavam cobertos de forma as únicas entradas na armadura era o encontro da ombreira com o peitoral. Ela não ia conseguir acertar uma flecha com eles em movimento.

Um barulho brotou atrás da ladina, o arco foi solto. Ele caia em direção ao chão, a mão da ladina resgatou sua adaga que havia sido guardada durante o distanciamento do inimigo. O movimento vertical fez a adaga raspar uma armadura diferente das ali vistas, encontrou então a ponta de um elmo muito mais elaborado que os dos guardas normais. A ponta raspou levemente na pele amorenada e levou o elmo para o ar. A guarda da espada longa acertou a lateral do rosto da ladina que tentou se distanciar um pouco zonza. Quando foi agarrada de forma a imobilizar seus braços. Loreah encontrou olhos negros e incrédulos a sua frente. Eles se aproximavam de forma veloz e logo um borrão de pele cresceu até virar o escuro da inconsciência. O pequeno arranhão na testa de Ádia havia quebrado um número grande de batalhas que ela havia enfrentado sem ser ferida. Agora a quantidade era o problema de Sten haviam seis novamente. Ele havia desacordado um deles. Foi cercado.

Um estalo, Um pensamento.
—Ele exige um desafio pela amizade do reino de Mengua—Liof não acreditava que realmente conservassem as regras antigas mas um grito já seria uma distração.
— Pelo nome de quem ele invoca o antigo código?
— Pelo nome de nós seis, Guardiões sem-terra.
A mulher de cabelos ruivos levantou uma de suas sobrancelhas, a palavra guardiões a levou a sua casa. Ela se via sentada no colo de seu pai escutando sobre um lugar e um grupo de homens lutando por uma liberdade. A liberdade fora da prisão de muros em que ela se via confinada.
—Aceito. Ele terá que provar seu valor em batalha. Lutará comigo chefe da grande guarda da Renascida Mengua.

Os cinco se afastaram. Ela fincou a espada longa no solo da estrada, esticou a mão pedindo uma espada a um de seus subordinados. Eles entregaram a espada para ela, segurando pelo cabo ela deitou a lâmina na sua outra mão e andou em direção ao homem de cabelos pretos. Ajoelhou-se e estendeu a espada. Os olhos de Sten correram ao encontro do mestre. Ele não sabia nada sobre honra ou desafios. Se ele fosse desleal todos os cinco teriam permissão para matá-lo da forma mais conveniente. Sua mão ainda segurava com força o cabo da espada curta, ela pedia por um golpe. Liof o repreendeu com o olhar. A espada curta foi solta. Agora ele tinha uma espada longa em suas mãos, o peso lembrava o machado do pai de Marian. Virando as costas a mulher de armadura pegou sua espada, fechou os olhos e deu meia volta para encontrar seu oponente. Olhos abertos, uma reverência e o ataque. Ela se movia de modo leve apesar da armadura pesada. Sten esquivou enquanto tentava escutar algo que Liof o falava. Rolou.

—Você só ganhará a amizade deles se derrubar a espada dela ou fazer ela sangrar. Pontos vitais são proibidos em um desa...

Outro ataque tirou o folego de Sten, ele aparou. As lâminas se encontraram ela forçou para direita, ele forçou para esquerda dela. O peso da armadura dava vantagem para ela, O pé dele buscou apoio um pouco mais atrás. Ele girou e saltou, ela girou no sentido contrário para tentar acertá-lo. O término do salto fez ele encolher um pouco o corpo, esse instante.

A ponta da espada de Ádaia encostava no meio do pescoço de Sten, o movimento da cabeça dele pendendo pra trás. Um chute na lâmina tirou a espada da mão da mulher. Ele rolou para trás então viu a guarda retirar a espada, correu em direção a ela. Se pôs entre ela e Loreah que estava desacordada. Ele arfava o esforço da luta foi grande, sua espada estava caída no chão. Seu pescoço tinha uma gota. Ádaia havia pego sua espada no ar.

—Porque você saiu do desafio?
Ele puxou ar.
— Ela ia executar Loreah, isso não podia ser feito.— Ele puxava o ar com mais calma
—Eu não ia, estava ajustando minha arma. Ela encaixou errado— Foi interrompida.
— Não importa.— Ela olhou fixamente para o homem de cabelos negros— Vamos mostrar Tya, Renascida Mengua.

* todos os Senhores dos reinos eram chamados de rei independente do sexo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A morada dos guardiões - O protetor e o caminho


—O que quer dizer esse símbolo?
—Meu pai me disse que significava fogo interior. - falou ela terminando desenho.
Eles haviam esperado a manha chegar para irem até a pedra Anilea.
—como vai funcionar esse treco—disse a ladina movimentando devagar o braço que estava quebrado, enquanto Liof analisava ele.
—meu pai me falou para utilizar esse símbolo com cuidado.
—ele proferiu quais eram tais cuidados? - falou a mulher impaciente
—ele não teve tempo—o olhar de Marian se perdeu um pouco—devia estar  preocupado com alguma coisa da aldeia
—como funciona isso?
—simples, você coloca a mão no centro do símbolo e ele vai gerar...
Sua mão no centro da inscrição brilhou em âmbar , a pele morena dela ganhou um tom azulado, seu lábio empalideceu. Seus pés não aguentaram mais ela caiu, os reflexo de Sten foi rápido ele conseguiu segurá-la antes de atingir o solo. Um estalo na mente de Liof fez suas sobrancelhas arquearem.
—é isso! O cuidado que ela tinha que ter tomado é que a inscrição utiliza energia do seu ser.
—porque não falou isso antes -  Sten reagiu com rispidez - ela esta gelada.
O guardião não pensou duas vezes, puxou Loreah pelo braço. Ela gritou, chegaram perto da pedra. Ele fez um sinal pedindo a mão do seu aprendiz. Ele hesitou mas alguma coisa no olhar do velho fez com que ele lembrasse o louco que o criou.
—acho melhor você deixar ela no chão.
Ele a colocou com todo o carinho na parte do solo que parecia mais  confortável. as mãos unidas encostaram no símbolo. A sensação era horrenda, como se cordas puxassem os músculos e o calor. O frio começou a queimar. Sten pensou em desistir, sentiu seus olhos pesarem.
—não desista rapaz, precisamos de todos aqui.
A parte escura da pedra começou a movimentar-se e ganharam um tom de laranja ao invés do azul. O centro dela crepitou e enseguida uma explosão. Seus pedaços sublimaram,  os três que tremiam com o frio foram envolvidos pelo fogo e Marian também.
Passado o clarão, um servo com chifres pequenos de pequenas chamas azuis estava enfrente a eles, o animal extraordinário se aproximou.
—esse é o protetor da floresta que eu havia falado- a mão do guardião correu pelas chamas—o fogo dele só queimara aqueles que ele considerar ameaça.
Marian abriu os olhos, se sentia confortável, teve medo do ser a sua frente.
—és louco? —Loreah desferiu um soco na direção do velho, Sten aparou e ela investiu de novo.
—calma Loreah, ele sabia o que fazia—ela atacou e Sten decidiu receber o golpe.
—você nem percebeu que seu braço esta curado.
Ela parou e começou a movimentar o braço livremente. Marian levantou e andou ate o animal. Os olhos se encontraram
O servo se virou e seguiu em direção ao local habitado pelos sobreviventes da aldeia. Olhando para dentro ele mordeu uma das raízes e a fez desaparecer nas chamas.
—parece que ele aceitou, proteger todos aqui.
Liof sorriu.
—O que faremos agora?
—Vamos a outras aldeias e cidades e buscar aliados. Precisamos de pessoas. A luta contra os soldados escarlates e seu senhor.
Sten assentiu com a cabeça, Marian mantinha uma dúvida no semblante e Loreah tinha chamas no olhar, não tão controladas quanto as do cervo.
Os moradores do local ainda não tinham se acostuma do a ver o protetor, houve gritarias e medo mas a líder logo convenceu a todos que o animal era um grande amigo e que protegeria todos.

—Liof, se eu for nessa jornada em busca da mudança. Como ficara meu povo?
—Eles ficaram a salvo, quando nos guardiões chegamos aqui o protetor nos manteve a salvos.
—Você era um guardião?
—Eu ainda sou, diria que o último dos fundadores da ordem.
Ela se espantou
—Mas você teria que ter vivido por – as palavras morreram na boca dela e em um lugar da sua mente ela tinha a impressão que ainda existia algo louco dentro dele.
—Eu também não entendo isso porém eu sei que é assim.
Ele passou segurança na sua voz e isso fez com que ela também acreditasse que todos estavam protegidos com aquele animal ali.A noite se foi com o Guardião, contando para todos as historias que o próprio Sten havia escutado alguns dias atrás.

Três dias se passaram e os preparativos para o novo caminho foram feitos. Marian deixou a cargo de Aruan cuidar de todos. Ele foi o escolhido por sua inteligencia, disposição e benevolência. Tudo que Marian admirava em uma pessoa. Sten sentiu uma pontada no peito ao ver a mulher despedir do soldado em um abraço afetuoso

—O que há Sten? Alguém está surrupiando seu lugar? —debochou a ladina

A provocação pesou em seu coração mas ele manteve o silêncio e foi amarrar as bolsas com os mantimentos para a viagem. Quando Marian chegou perto os olhos dele ainda ardia de ciúme. Ela não percebeu.

Os quatro se dirigiram a passagem que agora estava livre da pedra azul que a tampava. Começaram sua caminhada em busca de aliados. Liof queria entender o passado, Sten queria entender a justiça, Marian queria a paz do seu povo e Loreah a vingança tanto sonhada, os sentimento distinto mas todos em busca de um mundo novo.

—após ver um cervo composto de fogo, nada mais me surpreende.


Loreah quis quebrar o silêncio, ela tinha certeza que as coisas estranhas estavam apenas começando a aparecer

sábado, 22 de agosto de 2015

A morada dos Guardiões - Um começo e Anilea

Liof e Sten terminaram de escalar o paredão da cachoeira assim que os primeiros raios de sol brotaram, encontraram Loreah atenta a cada movimento. Reconhecendo os dois ela abaixou sua adaga.
—Agradável e oportuno é a presença de vocês pois dormimos aqui essa noite por persistência de Marian. Eu teria enveredado pela floresta e encontraria uma forma melhor de nos alimentar do que com o resto dos grãos e frutos.

Liof olhou curioso, algo nos cabelos loiros e nas sobrancelhas arqueadas da ladina o entretinham. Era como uma comichão na mente, que faz você querer escutar de novo uma charada ou desafio.
—Ainda bem que não fez isso, essa floresta é protegida. Por um dos seres mais bonitos que pude ver de perto e o mais perigoso — pelo menos era assim que ele se lembrava, algo em sua cabeça o fazia esquecer dois encontros, duas peças que faltavam em toda aquela história: o monstro vermelho e o senhor do castelo branco — existe um abrigo capaz de suporta dez vezes o número de pessoas que temos aqui mas precisamos da aprovação do protetor.

—O que estamos fazendo aqui então? Vamos logo.

Sten avançou pelo acampamento, acampamento seria um elogio para o que ele via, algumas tendas baixas e furadas, muitos dos panos servindo apenas de forro para o chão. Seus olhos então encontraram quem ele queria encontrar, Marian conversava com uma menina pequenina. Ele não escutava voz da moça a um tempo e ela pareceu a melodia mais limpa e pura que escutara. O frio aumentou dentro de sua barriga. Quando os olhos dela encontram-se com os deles foi como uma faísca vindo do atrito entre duas pedras, algo bem rudimentar e como a primeira tentativa de acender uma fogueira a chama se desfez no ar. O sorriso permaneceu.
—Achei que você não viria mais. - o tom brincalhão pegou o rapaz de surpresa.
—Eu te falei que era só esperar.- ele não soube manter o ar tão leve
—Porque vocês não chegaram com a Loreah?
—Ela não te disse?
—Não, ela evita ao máximo falar de você.
—Estava ajudando o meu mestre, e juntamos alguns recursos—ele deu um tapa leve na bolsa feita de folhas e cipós
—O que tem ai?
—Algumas folhas, sementes e seiva. Coisas que o meu mestre pediu para nos ajudar com a nossa caminhada. Ele me disse que dentro dessa floresta, existe o velho abrigo dos Guardiões.
Marian se animou, sempre escutou de seu pai que os guardiões eram os maiores guerreiros de todas as aldeias e que ao final das guerras os soldados escarlates deram terras para algum deles.
—O que estamos esperando? — disse ela assombra da culpa havia deixado seus ombros.
Ele queria prolongar um pouco mais a conversa mas não arranjou o como e foi sucinto.
—Então vamos!
Enquanto Sten foi pedir pra Liof guiar a todos, Marian avisava a todas as pessoas o que eles fariam. Rapidamente todos se reuniram na entrada da floresta e o Guardião pediu para que todos dessem as mãos que ele guiaria e que independente do que vissem não soltassem as mãos ou corressem. Ele entrou encontrando a escuridão e as luzes das raízes e folhas brilhando mais fracas do que ele se lembrava, Sten era o segundo na fila olhava impressionado pela beleza dos desenhos das árvores. Eles andavam com calma em pouco tempo estavam na entrada do local. O sol adentrava a planície por frestas específicas fazendo ele se espargir e iluminar o necessário para que todos enxergassem o local e soubessem que era dia. Havia escudos, armas e armaduras. Terminaram de entrar a se abrigarem, o local era aquecido, a abóboda feita de raízes e galhos criava contraste interessante com o céu nas frestas. Liof se conservava na entrada, vendo todos esperançosos com a nova casa. Ele se lembrou do outro momento. A última vez que tinha visto aquele local. Um frio subiu por sua espinha, ele lembrou que existia um perigo maior. Lembrou-se da promessa.
—Liberdade é tudo que queremos – ele escutou sua voz de eras atrás dizendo isso.
—O que você está falando Liof – Sten surpreendeu o homem agora não tão magro.
—Nada — seu pensamento vagou por segundos em silêncio e fisgou o que queria—Venha comigo.

Eles andaram, os pés de Liof sabiam aonde ir, eles voltaram para a luz fraca das raízes e árvores. Seguiram por muito tempo ou pouco nenhum dos dois saberia, a escuridão curiosamente deixa o tempo indistinguível. Chegaram à abertura que daria para as costas do esqueleto, um dos vales antigos. Uma pedra de proporções enormes bloqueava a única passagem para aquele local, a pedra era de um azul nunca visto pelos olhos do rapaz. Uma linha delimitava uma sombra estranha dentro da pedra que era translúcida em certas partes e negra em outras. O azul da noite de lua cheia e o verde da folha mais clara se misturavam em equilíbrio ali.

—Para onde foram o protetor e os animais? —O guardião refletia consigo.
—Raramente em florestas vivas como essa existem animais, foi o que você me disse a tempos atrás.
A sobrancelha de Liof mostrava seu total desconhecimento da lição aplicada ao menino.
—O que mais eu te falei?
—Falou que as que possuem, tem animais fantásticos, você me mostrou na parte normal da floresta os animais raros que havia ali. Os lobos de olhos diferentes, que caçavam de formas diferentes.
—É verdade, agora me lembro um pouco. Lembro do seu silêncio.
—Sim, você ensinou que ouvir é mais precioso que falar.
—Algo me diz que precisamos destruir essa pedra, ela não pode ser destruída por nossas ferramentas, como faremos então? —O lampejo dos pergaminhos passaram pela mente do velho
—Temos os escritos.

Eles retornaram ao acampamento, acharam os pergaminhos mas eram muitos. Duas sacolas cheias, alguns estavam manchados, outros queimados, mas a grande maioria estava intocada.
O dia já se findava, a noite impossibilitava a leitura. Decidiram descansar nas relvas verdes da planície no subsolo da floresta. Os cabelos brancos do homem sentado balançavam. Ele respirava profundamente e inspirava de mesma forma, deixando o ar dançar em seus pulmões. O tempo havia passado e ele não havia esquecido a sensação da concentração no simples ato de respirar. Muitos dormiam, mas conservavam-se acordados, os únicos quatro que sabiam que aquilo ali não era o fim da jornada. Loreah se remexia deitada pensando no motivo da destruição de sua terra natal, por algum motivo aquele local a fazia rever questionamentos antigos. Marian ainda sentia o sentimento de culpa, mas encontrou um descanso no ombro de Sten. O rapaz passa em sua cabeça a jornada até ali e experimentava pela primeira vez o aconchego do formar de um sentimento. As raízes no novo céu iluminavam, a tentativa de acender fogueira foi frustrada pelo ambiente as madeiras não propagavam a faísca e qualquer outro tipo de fogo a floresta rejeitava com um vento providencial. O velho guardião sentia tudo a sua volta, a floresta pedia ajuda. A pedra azul pedia liberdade.

A fresta deixou a luz adentrar de forma amena e acordar com delicadeza a todos, Os pergaminhos começaram a ser lidos. Cartas de Guardiões para suas famílias, mensagens trazidas por pássaros ou por mensageiros. Enquanto os dois procuravam alguma coisa naqueles papéis, Loreah e Marian ajudavam a todos a conseguirem a realização das tarefas que sustentariam, o rio que passava por ali auxiliava na facilidade de se plantar algo. O solo era fértil.

Sten encontrou uma carta de seu mestre, essa não era primeira que ele lia do mestre afinal foi na floresta-sem-luz que ele aprendeu a ler.

“Minha amada, aqui os dias passam e nossa missão esta indo bem.
A convivência com os sábios e exploradores é uma forma divertida de se aprender coisas, aprendi outro dia a identificar plantas venenosas e como deixar uma trilha para amigos. Ant'jur continua meu treinamento como havia comentado com você. Estou melhor no arco!

Como esta nossa pequena? Já andou?
Estou contando os sois para poder encontrar com vocês e contar pessoalmente as maravilhas que existem aqui. Falar também dos amigos inusitados que eu encontrei.

Com todo amor.

Seu Liof.”

Sten não viu quando seu mestre havia se aproximado, ele tinha lido tudo aquilo. As lágrimas nos olhos do guardião provocavam a tristeza no rapaz. Liof carregava um pergaminho um pouco amarelado na mão. Ele não conseguiu continuar a ficar de pé e sentou-se. A tarde se foi embora. O antigo deitou-se tentando acalmar seus sentimentos e lembrança, tudo era confuso, tudo ressoa mais forte em uma cabeça fragmentada. A tarde se encontrava no fim e a imagem que Loreah viu de longe foi a do aprendiz como protetor de seu professor.

Assim que Liof adormeceu, Sten abriu o pergaminho que seu mestre havia nas mãos. Entendeu metade, pois possuía alguns caracteres que ele não conseguiu ler direito.

No pergaminho tinha escrito: “Anilea, pedra de cor azul. Que não pode ser quebrada de nenhuma outra forma a não ser o aquecimento.”


Como fazer aquecimento com árvores que possuem troco e folhas que não aceitam o fogo?
— Eu sei um jeito!
Marian surpreendeu o rapaz.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A morada dos Guardiões - As memorias

Era dos sete reinos

—Liof, o relato dos exploradores que voltam do sul do monte Nyrra, é que existe uma grande floresta modificada pelo poder da magia.
Disse o ancião de longas barbas negras ao homem de armadura prateada com contornos azuis
—Enfim encontramos um lugar onde criar nossa base de observação, por qual caminho os exploradores foram?
—Pelo vale das costas do esqueleto. - Disse o homem dos olhos serenos.
—Eles se arriscaram muito, se houvesse alguém vigiando do castelo branco, nossa missão poderia ser descoberta.
—Eles buscavam o sul, você entende que se eles passassem pelo labirinto-plano seria capaz deles ficarem perdidos naquela planície durante anos antes de encontrar a saída pra algum lugar que desse na área desconhecida.
—Sim eu entendo, Já vivi o bastante para ver que algo naquele caminho faz com que quem vá nunca chegue ao seu destino. Vamos, gostaria de chegar nesse local o quanto antes. Vocês sábios estão muito tempo sem fazer nada – abriu um sorriso.
Ant'jur retribui a brincadeira com o sorrir de seus olhos.

Saindo da tenda avisou aos outros guardas mestres qual seria o destino a seguir. Desarmaram as tendas, equiparam seus cavalos, vestiram armaduras e partiram rumo ao desconhecido. Subiram em direção ao castelo até chegar a primeira pedra do caminho do vale, o nome dado ao vale vinha de como o pôr do sol se mostrava olhando para ele, as sombras pareciam se estender como a costela saindo da espinha dorsal formando assim as costas de um homem magro. O tempo escureceu, a chuva aumentava o fluxo de um rio que começava em algum lugar dentro das cavernas do monte Nyrra e terminava nas terras inabitadas. A chuva atrapalhou a travessia, andaram pouco durante o dia. Tiveram que acampar no vale a noite. Ainda não tinha cessado totalmente, a chuva apenas servia para manter encharcado tudo que havia molhado durante o dia. Os soldados lamentavam toda aquela situação, as paredes do vale não ofereciam nenhum abrigo, não havia caverna e as tendas feitas de pano tinham goteiras estrategicas. Os sábios aproveitavam de alguma forma a chuva. Ant´jur percebia a forma como ela afetava o humor de cada um dos guardas, alguns se sentiam tristes, outros irritados, muitos estavam cansados, porém um dos soldados tinha uma energia maior. A natureza parecia em harmonia com aquele homem.

—Liof, o que te mantêm nos guardiões?

O cavaleiro foi surpreendido, ele estava sentindo a chuva cair em seu rosto. Lembranças tamborilavam em seu capacete.

—Além da missão que abraçamos, estou aqui por um amigo. O meu rei. —A resposta era sincera, mas soou incompleta quando ele se escutou tentou formular e gaguejou um pouco – estou aqui por minha família, sempre estive. Acredito que poderemos mudar o rumo da história, trazer a paz sem ter que atendermos aos caprichos aleatórios dos gigantes.

Ant'jur entendeu finalmente o que movia aquele homem.

—Você lembra quando me pediu para lhe ensinar sobre como utilizar as mãos como proteção?
A chama nos olhos de Liof se manteve acesa desde o final de suas ultimas palavras, ele as sentia pairando no ar e aquecendo seu corpo.
—Lembro você havia me falado que não poderia ensinar por não me conhecer
—A primeira lição que aprendi com meu mestre é que o nosso corpo é afetado por duas forças, a mente e a matéria. Para entender por que nenhuma espada vence minhas mãos você terá que entende o porquê essa primeira lição é incompleta.
O homem de armadura olhou o sábio e coçou a cabeça, não entendeu muito bem a fala, mas estava obstinado a descobrir. Assentiu com a cabeça. O homem de aparência serena voltou a suas meditações enquanto o cavaleiro foi treinar a esgrima. A noite se tornou dia e o cavaleiro procurava entender a proposta do sábio. O dia se seguiu acinzentado por cima do vale, eles avançaram com a maior velocidade que puderam. O ânimo de alguns se esvaindo cada vez mais, estavam o fim do inverno inteiro na missão e nada de encontrarem algo novo. Apenas velhos segredos. O passo tiveram que diminuir, os cavalos estavam exauridos, montaram acampamento. O clima dessa vez não batalhou contra a paciência dos guardiões. Sem dizer uma palavra Ant'jur convidou Liof para imitá-lo em sua meditação em forma de movimentos circulares com as mãos. Alguns dos guardas mestre riram do homem. Apesar de ser um dos mais respeitados ali, a amizade criada com todos dava a ligeira liberdade da brincadeira. Ele não estava se sentindo confortável então inclui sua espada aos movimentos e tudo pareceu mais comum. Um sorriso brotou no sábio.

Três dias se passaram e o treino de Liof havia sido transmutado em meditação, apendia com facilidade a colocar as armas em fusão com os movimentos do ancião. O tiro de arco dele havia melhorado consideravelmente, quando encontraram o traço da floresta que bilha quando o sol se põe, aonde o rio some para dentro da terra,  o chefe dos exploradores abordou eles.

—Guarda Liof, a floresta é altamente – ele buscou a palavra criada pelos anciões – é… mágica. Existem árvores feitas apenas de raízes, plantas resistentes ao aço e ao fogo. Todas elas têm essa luz azulada, a noite ela se torna mais forte mas não se pode vê-la de longe.

—Obrigado Alinx, já pensou em algum lugar em que podemos criar nosso acampamento principal?
—Não. Andamos muito ao redor e testamos as plantas daqui. Escutamos murmúrios la dentro dentro, achamos prudente espera as armas pesadas.
—Fez bem meu caro, eu teria feito o mesmo — aproximou-se do ouvido do explorador — mas não conte pra ninguém.
Os dois gargalharam.
—Guardas mestre preciso de vocês — gritou o líder por espontaneidade
a formação em roda foi feita, Liof olhava para os outros treze e falou com seriedade.
—Vamos entrar em terreno desconhecido, precisaremos de dois guardas mestres com cada um dos exploradores e um ancião deve acompanhar também. Buscamos um local onde poderemos construir nosso acampamento definitivo. Hoje é o que marca nossas buscas efetivas, temos pouco tempo.

A floresta ofereceu resistência a chegada dos cavaleiros, divididos de quatro em quatro os vinte e oito guardiões partiram na busca do melhor local para se estabelecerem. Dentro da floresta a luz tênue das árvores e das raízes não iluminava, os tropeços eram comuns e quando se encontravam totalmente imersos pela escuridão, fachos de luz laranja surgiam brilhando e apagavam, da mesma forma fugaz que apareceram, criando os murmúrios. Guardas gritaram e correram para os lados opostos da luz que surgia, Liof escutou os passos e o susto do encontro de armaduras gerou ataques, ele aparou um golpe e protegeu o explorado que estava com ele de outro.

- NÃO ATAQUEM!!! SE REUNAM!!! - berrou o líder.

Rapidamente eles se encontraram e fizeram uma roda. Mantiveram os sábios e exploradores no meio dela. Viraram-se de costas e esperaram, o silêncio no meio das luzes azuis lembrava o silêncio das noites. Liof se afastou rumando em direção a escuridão quando se afastou suficiente a luz laranja o ofuscou, suas pernas se mantiveram paradas. O coração acelerou então levantou seus olhos, um servo gigante estava a sua frente as chamas alaranjadas definiam sua forma, seus chifres eram labaredas e os olhos do servo lembravam o sol apino. O cavaleiro entendeu enfim o que havia falado o ancião. O servo podia ver no homem as suas intenções, limpas como um lago e claras, ele não tinha nada a esconder. As árvores se movimentaram, as raízes se moveram. O servo guiou o guarda mestre até um buraco feito de raízes e terra. Atravessando o portal Liof viu um planície feita abaixo da terra, o ar era acolhedor, outras árvores de luz com frutos diversos e variados tipos enfeitavam o resto da paisagem, um rio corria no meio daquilo tudo, alguns animais que pareciam comuns se abrigavam ali em harmonia. O servo desapareceu. O Guardião foi buscar os outros para dizer que o protetor da floresta havia aceitado a presença deles ali, desde que não destruíssem nada. Algo dentro dele dava a certeza da aceitação e das condições.

Todos foram guiados aquele local o último a entrar foi Ant'jur. Vendo aquilo escutou então em tom de voz orgulhoso o amigo que agora conhecia.


—O nosso corpo é afetado somente pela mente, é a mente que deixa a matéria interferir e não a matéria que interfere.

O sábio sorriu e completou.

- Assim como uma batalha já esta vencida antes mesmo de começar e talvez você possa ser nossa vitória.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A morada dos Guardiões - Loreah e Marian

Marian em pouco tempo teve que tomar atitudes já mais vistas, ela tinha em sua mente o momento da fuga do casamento, aquilo definiu toda sua jornada até ali. Durante a caminhada até a cachoeira ela sofreu pensando que se ela tivesse deixado seu orgulho de lado talvez sua aldeia estivesse salva, olhando para trás ela viu que todos a seguiam sem reclamar, simplesmente seguiam. Mulheres e crianças seguindo com a tristeza Plantada pela morte. Encaravam ela e a mulher dos cabelos dourados como a salvação de todos. Depois dos dias passados o fardo já se moldava sobre os ombros da filha de Uan.

—Enfim encontramos vocês—A voz de Loreah soou com uma luz em meio a escuridão para todos.

O reencontro de familiares é um acalento para o coração, a tristeza que habitava nos corações ao ver os homens sobreviventes e a mulher que como uma providência do destino havia lutado por todos, transbordou pelos olhos na forma de saudade e felicidade. A ladina não compartilhou daquele sentimento, o vazio em seu peito se agigantou e fez suas sobrancelhas quererem se encontrar acima da linha do nariz.
—A confusão foi tão grande que não agradeci de forma correta sua ajuda, Obrigada por proteger nossa aldeia e dispor a se juntar a nós. —A gratidão sincera no rosto dela incomodava um pouco mais a ladra.
—Não há o que agradecer, estava apenas igualando uma dívida que tinha e não estou com vocês porque eu quis. Não tive escolha—Marian tinha a capacidade de enxergar por baixo daquela casca dura – Acredito que poderíamos subir as pedras, poderíamos nos instalar na parte superior da cachoeira. Haverá mais comida e troncos secos.
—O problema é que temos muitas pessoas que não conseguem escalar as pedras.
—Escalando as pedras consigo fazer uma corda.
—Como você vai escalar a cachoeira como esse braço?
—Escalo coisas desde muito nova, na minha aldeia isso era comum – o rosto dela se endureceu um pouco.
—É uma ótima ideia, vamos fazer isso antes que escureça. - Marian olhou preocupada para as trinta e quatro pessoas, agora com a chegada dos únicos cinco soldados que sobreviveram do ataque. Precisava lutar por ele, então começou a pensar em como subir.

—O trabalho nos chama, preciso do auxílio de quem tem capacidade de levantar uma pedra e Habilidade para escalar aquele paredão—gritou a mulher diminuta de olhos azuis enquanto pulava no rio e nadava velozmente. A líder da aldeia viu naquela mulher a disposição para modificar o mundo. Enquanto seu pensamento divagava sobre como ela conseguia nadar tão rápido apenas com uma mão, Loreah já estava pendurada no primeiro terço do paredão. Os olhos castanhos da morena tiveram a pupila espremida quando os pés da ladina escorregaram a uma altura que feriria ela gravemente. O ar prendeu no pulmão de Marian, o instante foi pequeno até a mão da ladina encontrar o apoio em uma pedra. O corpo sendo sustentado apenas por seus pequenos dedos assustaram a todos que assistiam a cena, para ela o risco era natural. Fixando os pés criou impulso para ganhar o final do paredão.

A ladra olhou fixamente para a nova vegetação que surgia a sua frente, plantas e folhas que jamais havia visto. As folhas eram de uma cor azul vivido, longe da sombria cor carmesim-esverdeado da floresta-sem-luz.
—Aruan, suba rápido preciso de um machado e de um braço pra carregar um tronco.
Ela correu e viu cipós finos, mas se tivessem resistência suficiente poderiam servir. Ela tentou arrancar um do tronco, Ele não cedeu a força. Ela tirou sua adaga feita de osso de seu esconderijo e cortou o cipó, se adiantou e começou a trança-los, e amarrou pontas. No meio do processo de construção da corda de cipó Aruan chegou, ela apontou com a cabeça para o tronco cor de lama e ele entendeu o que fazer. O machado cortou o tronco.
—Pronto, senhora. —Ele disse com um respeito solene.
O orgulho de Loreah brilhou e seu coração gostou do “Senhora”.
—Aquela pedra vai ser necessária.

Quando a tarde se encontrava em seu fim e o tom laranja modificava a cor da pele de todas as pessoas, o mecanismo ficou pronto. Uma forma tão antiga de levar coisas a grandes alturas, Um tronco sendo como centro do equipamento. Uma ponta ela puxada pelos homens fazendo uma que estivesse sentada na outra ponta subir até o topo daquela cachoeira. A máquina da Loreah foi a parte mais facil, o problema maior foi atravessar com as pessoas pelo rio. O plano funcionou afinal. Todos estavam sentados envolta da fogueira que dançava aquecendo aquelas pessoas.
—como você sabia o que fazer? —perguntou a líder da falligan andante
—Minha aldeia tinha árvores que serviam de suporte para construção de casas. As nossas cordas eram feitas de um tecido, feito pelas mãos de todas as mulheres. Eu nunca gostei de tecer, isso na aldeia não era um problema. Colocaram-me para fazer algo útil e aprendi com meu pai a construir coisas.
Ela se calou e foi dormir perto da beira da cachoeira, ela gostava de escutar o barulho da água caindo. Marian passava em sua mente o que havia a acontecido novamente, Quando percebeu já sem encontrava entre as doces sombras do sono.

A lua se mostrava no centro da abóboda do céu, Sten saiu de dentro da mata ao lado de Liof Guardião, não encontrando ninguém. Viu de longe o elevador feito pela ladina, caminhou um ppouco e viu que o alto da cachoeira brilhava em um azul claro.
- O que é aquilo mestre?
- São as arvores de luz, seguindo por essa floresta encontraremos aonde nós os guardiões vivemos durante a exploração.
Eles ansiosos por rever todos e ajuda-los com o que haviam coletado durante os dois dias de caminhada até ali.