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sábado, 19 de março de 2016

Tya – A batalha do chamado(Liof e Duia)

— O que você entende por aquilo que rege nosso mundo Marian?

Ela abaixou a cabeça, puxou o pedaço da blusa que estava vestindo e ficou alisando e fazendo dobras, buscando as respostas perdidas em sua mente, os sonhos saltaram a sua mente, lembrou também da história que ele contou sobre o último filho.
— Nosso mundo é regido pelas coisas criadas pelos dois Deuses crianças, se me lembro da história, eles criaram: Céus, Montanhas, rios e mar.
— E quanto a magia? De onde ela vem? — Liof falou com calma.

— Eu não sei.

— Não somos capaz de saber, mas podemos definir qual são seus aspectos.
— O que descobrimos ate agora sobre ela é que possui algumas propriedades, como o aspecto do rio: A magia te um fluxo, um estado e quando passamos pelo posto do vale, encontrei uma entidade que falou que a magia estava em seu maior fluxo. Significa que ela terá sua baixa.

— então esse é o aspecto de rio. Para utilizá-la teríamos que canalizar o seu potencial?
— é isso que temos feito… Eu por meus encontros e meu passado possuo parte minha no rio, a que estava adormecida junto com minha memória. Quanto mais recupero as lembranças melhor compreendo essa canalização.
— como eu e Loreah chegamos a utilizar?
— isso é uma coisa que ainda estou pensando sobre. Eu não sei. Vocês acessam de formas diferentes. Você lembra do símbolo do fogo — Marian confirmou com a cabeça — ele consome nossa própria energia para gerar o fogo. Acredito que quanto mais magia fazemos mais podemos ser intermediários do fluxo do rio... Uma coisa que me intriga é como podemos compor um santuário.
— Pergunte a Duia, Ela mantem Tya protegida
—  Você citando me lembrou algo que ela me falou, que a magia tem outras propriedades que ela ainda não explorou, mas sabe que existe.
— seria possível anular o fluxo do rio criando algo que saia de sua imersão? Ou tentando secar seus recursos? Não sei...
— Não sei ao certo. Isso seria útil. O sentinela não poderia intervir de modo algum.

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Algum tempo antes da aurora do dia da batalha

Liof sentado sob a tenda lilás ao lado da pequena Ounda.
— Minha querida você precisará, se concentra um pouco, feche os olhos e respire profundamente.

A menina deixou o ar entrar, fechou seus olhos.

— escute seu coração bater. Escute o rio que passa, pense em Duia.
O coração. O rio. O coração e o rio. Duia e sua gentil expressão contemplava a menina, esticou uma das mãos e a Regente a pegou para guiar. Os olhos da menina ficaram lilas, seu corpo ganhou outra postura e ela levitou.
— agora minha querida vamos trabalha para que os soldados possam fazer a sua parte.
— Duia, é possível diminuirmos as forças dos cavaleiros escarlates?
— Sim é possível, isso aconteceu a muito tempo atrás. Meu neto deu a vida para que a magia aqui pendesse apenas para um lado.


— Entendi. Concentre-se e expanda a redoma de proteção que você criou.
— Tudo bem! Farei isso sem gastar as forças de Ounda.

— Minha pequena! Obrigado pela oportunidade de falar com Liof

Largou as mãos da menina.

Liof concentrou-se. Escutava a respiração pesada dos soldados, os cavalos nos locais, destinado ao descanso deles, corujas nas florestas ao redor e enfim os atrito nas armaduras dos soldados escarlates. Sentiu o rio, lembrou-se do orbe e expandiu sua vontade. Os olhos de Liof ganharam o tom âmbar. Liof construía uma ilhota em meio ao rio. Sntia a força da corrente, ela o puxava querendo o dobre a sua vontade e Liof resistia, Não aguentaria aquilo sozinho de modo algum. Duia o amparava mantendo a estrutura da ilhota, Liof era responsável por dispersar o fluxo, tal como uma proa que divide as águas.O Ultimo guardião sofre um flash em meio a concentração, lembrou-se do Orbe e do sussurro que brotava do seu íntimo. As reações sobre punham o fluxo mágico começou a sentir os elementos em sua pele. O arder do fogo, os cortes de vento, o golpe seco da terra, O desesperar da água, dois elementos distintos causavam o sufoco do medo e o constrangimento absoluto. Palavra ecoaram dentro de sua cabeça.

“Se tem medo do rio, não queira ver o mar”

Submergiu... Buscou fez força e voltou. Acordou ao lado da pequena Ounda, sentiu a cabeça latejar. O líquido denso e vermelho escorria por sua barba branca, olhou para a pequenina e entendeu o quanto Duia era forte. A batalha havia acabado. Todos haviam tomado seus caminhos agora ele precisaria ficar atento e ensinar cada vez mais a pequenina que dormia tranquilamente.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Tya - A batalha do chamado (Adáia e Loreah)

Os raios do sol mal encontravam os solos perto de Tya. Soldados se apertavam nas fronteiras, ferreiros ajuntavam os armamentos, os arqueiros ainda encostados nas beiras do muro de madeira, reforçados com pedra e metal.
— Os seis da entrada norte estão posicionados? – Loreah olhava com atenção as bordas das beiras da depressão.
— Sim! Liof e a regente já estão prontos? – Perguntou Adáia pegando o arco.
— Para eles a batalha começou antes de acordarmos.
— Estamos prontos!

Adáia subiu as escadas da muralha, Loreah foi para a linha de frente dos soldados no portão ao sul. Uma brisa intensa passou acariciando os rostos. A seta de fogo vinda de Adáia foi vista pelos responsáveis nos tambores. O primeiro som que surgiu fez os arqueiros saírem de suas proteções e atirarem nos suportes que mantinha as beiras da depressão sem desmoronarem. A queda da terra engoliu uma grande quantidade de soldados no sul, os que sobreviveram foram alvejados pelas  flechas, os arqueiros seguiam um ritmo de disparo em uníssono com os tambores. Cavaleiros escarlates estavam apáticos e procuravam voltar as suas posições. Loreah saia nos portões esperando o confronto que não vinha.
— NÃO DEIXEM FUGIR! – Ela avançou.

Os escudos seguiram a chefe da guarda. Quando atingiram o alcance das flechas Adáia fez os arqueiros pararem, descerem as escadas e formarem a linha de trás a linha de trás. Os soldados escarlates pararam de fugir. Finalmente a batalha. Loreah acabara de decepar a cabeça de um soldado e viu a primeira iniciativa de ataque, ela esquivou. Um escarlate a sua esquerda iria golpeá-la em cheio senão fosse por um de seus comandados colocar o escudo a protegendo, se sentia confiante em seus soldados. O objetivo da tropa era avançar e ir em direção as outras aldeias, descobrir quantos ainda viviam sob o manto escuro do isolamento. O objetivo de Loreah era não deixar nenhum deles vivos.
Adáia avançou trocando o arco por uma espada longa, os arqueiros preparavam uma saraivada. Olhar as flechas cravando nos soldados escarlates e eles ainda se movimentando poderia ser desmotivado mas isso so dava mais vontade as tropas, as guardas chefes haviam ensinado de forma a fixar em todos os soldados a dificuldade da batalha. A reação dos cavaleiros escarlates tinha começado. Os escudos se encontraram, o ataque que antes era de oportunidade se tornara tático. Loreah continuava atacando sem hesitar. Os soldados a defendiam coordenadamente. Por automatismo mais do que por querer ela também protegia seus companheiros. Os escalates eram fortes mas a capacidade tática da guarda de Tya  tinham se tornado tão eficientes quanto os mecanismos criados pelo povo de Loreah e ajudava a superar a falta de força. A espada trespassou o soldado ao lado da ladina, a pupila dela retraiu, o liquido denso e morno tocou seu braço que empunhava a espada curta. Sentiu a respiração e voltou a atacar, aproveitou o peso do oponente que acabara de desferir um golpe e o chutou, no peito. Escutou um grito crescendo na nuca. Ela se virou deixando o golpe de Adáia acertar o cavaleiro caído na altura do estômago. Agora ela estava por cima e a linha de escudos  avançou empurrando os escarlates que apareciam. Escutavam o som das armaduras vermelhas e do metal se chocando. Adáia arrancou a cabeça do cavaleiro que agora estava no chão. Olhando para Loreah indicou o caminho.

A vitória era inevitável, muitos soldados escarlates escaparam de lá devido o primeiro comando, a batalha se seguiu forte sem esmorecer. Ao terminar o contingente teria sofrido a perda de de um quarto Loreah e Adáia olhou confiante.
— Agora é buscarmos auxilio das outras aldeias.
— O que estamos esperando?
— Vou me despedir de Cinor e de meu amado - falou se dirigindo a cidade.
Loreah sentiu a pontada no peito, desde a mescla de experiências com a guerreira a saudade do abraço dos dois a povoava.
— Temos que prosseguir - falou baixinho, então apontou para um grupo de cinquenta arqueiros — vocês vem comigo - apontou para um agrupamentos de linha de frente - vocês vem comigo.
Partiu sem se despedir.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Tya - A batalha do chamado (Sten e Marian)

Os raios do sol mal encontravam os solos perto de Tya. Soldados se apertavam nas fronteiras, ferreiros ajuntavam os armamentos, os arqueiros ainda encostados nas beiras do muro de madeira, reforçados com pedra e metal. Loreah e Adáia haviam designado doze generais que coordenariam baseados nas táticas aprendidas os ataques, A ladina havia ensinado como os métodos brutos de batalha dos soldados escarlates: O avanço sem piedade, a falta de dor ou sensibilidade, a força de dez homens comuns, a agilidade, armaduras em comunhão com o corpo e o jeito eficaz de causar danos. Todos os soldados lembravam dela afirmando e reafirmando " a oportunidade que tiverem arranquem um membro sem medo, de preferência a cabeça para que não continuem lutando e caso sejam pegos e confrontados fujam e procurem uma forma melhor de atacar, não é covardia querer sobreviver". Os dispositivos de desmoronamento criados pela ladina abririam novos caminho, possibilitariam o complemento do grande plano.
Marian juntava os suprimentos e pergaminhos de anotações criados por ela e por Liof sobre o conhecimento que tinham sobre a magia. Vestiu um manto marrom-esverdeado e pediu para ir com o povo que se dirigira para Runei, uma das cidades que seria abordada rapidamente. O seu plano era passar pelos postos e seguir em direção ao labirinto plano. Quando terminava de compor sua bolsa de algodão escutou passos na porta de seu quarto. Um soldado a esperava na porta. A mão de Marian rodou a maçaneta e ao sair o único que sabia dos seus anseios estava ali. Sten a olhou, suas sobrancelhas arquearem e um sorriso pequeno tentava passar o apoio a atitude dela, mas seus olhos um pouco tristes denunciavam o que ele sentia.
— Você tem certeza!?
— Tenho Sten, o cubo é algo importante. Estudando com Liof montamos inúmeras teorias, temos alguns pontos e para vencer o sentinela, precisaremos estar completamente preparados no campo da utilização da magia. Liof não vai comigo pois protegera com suas energias esse local acompanhado de Duia e o sentinela não se atrevera a atacar ainda.
— Porque então não conta para ele também? – Ele buscava alguma reação no rosto da líder de Falligan, um silêncio incomodo se instaurou – Posso ir com você?
— Você sabe que Runei vai ser uma grande dificuldade e sem você acho difícil eles vencerem o local aonde o senhor do castelo tem influência direta. Você conhece aquele local e saberá como agir.
— Pãntrio e Pirtrio precisam de alguém ao lado…

Ele mostrou os dentes em uma tentativa de sorriso, não acreditava tanto que era uma peça fundamental para a batalha, mas sabia que para os garotos a presença dele ou de um dos amigos mais próximos seria importante. Colocou então um dos elmos que o igualaria a qualquer soldado. Marian cobriu utilizando o capuz da capa e se dirigiram para o portão que entraram a um tempo atrás.

Tambores estavam posicionados atrás de cada uma das tropas, o sinal viria deles ao comando de uma flecha de fogo disparada por Adáia. Sten contemplava a mulher que se distanciaria por um tempo, de costas para ele, ela parecia concentrada, sua mão se aproximou do ombro dela. Desistiu, abaixou a cabeça e respirou profundamente. O movimento da cabeça da mulher levou os olhos a se encontrarem. Ela virou o corpo na direção do soldado, aproximou um pouco mais e retirando uma adaga de sua bolsa riscou o símbolo do ar no peitoral. Pressionou com carinho o local que acabara de desenhar, sentindo um pouco da sua energia sendo direcionada aquela armadura. Abriu a boca para alguma explicação, mas foi interrompida pelos tambores. A batalha começara Pirtrio e Pãntrio viam aquela cena esperando que o caminho até a passagem que levava a Runei estivesse aberto. Os disparos precisos, alguns precisaram de mais de um disparo, fizeram as bordas envolta da grande depressão aonde se encontrava Tya desmoronarem, foi possível ver os soldados escarlates caindo na fenda, flechas voaram para atingir aqueles que sobreviviam. Após a primeira saraivada viram que os inimigos que não foram soterrados se levantavam com setas fincadas, trespassadas e saiam em busca de voltar para as partes restantes das bordas.

— Senhor! Eles estão nos atacando, levaram a maioria do contingente no limite do santuário.
— Vamos perder muitos homens? – A voz na cabeça do primeiro cavaleiro ressoava monótona
— P
erderemos de qualquer jeito.
— Então lute, se vamos perder não atacando, ataque com os que já estão dentro do santuário e faça-os sentir um pouco da perda. Quanto aos outros mande-os para as estradas e acampamentos. Mais meio inverno e estarei pleno, e mais dois dias teremos seu irmão em ação.
O grito para impulsionar aqueles que ainda possuíam alguma consciência entre os soldados escarlates veio do cavaleiro primordial. Enquanto isso os outros que eram meras marionetes e estavam antes da grande depressão se direcionaram as estradas. O cavaleiro que se locomovia como a luz saiu dali e foi para Runei, preparar as tropas alvas. Todas as estradas estariam encobertas, mas nenhuma em direção ao castelo poderia estar desprotegida.

Os portões se abriram deixando os soldados saírem nas direções determinadas, Loreah e adáia haviam montado um plano interessante de busca: Dividiram suas tropas em quatro partes, uma delas seria comandada até os limites do castelo branco, outras duas tinham como objetivo chegarem as outras aldeias e uma última ficaria para defender Tya de qualquer investida dos soldados escarlates. Sten estava na tropa que buscaria limpar o caminho até o castelo, partiram em direção a floresta que levaria a Runei. O barulho das armaduras era duro para os ouvidos, o caminhar era ritmado e preciso, uma quantidade quase igual aos soldados descia em direção a floresta que envolvia aquela entrada. O primeiro choque mostrou a grande diferença, a disciplina dos soldados treinados por adáia e loreah era impecável. Chegaram unidos ao seu objetivo enquanto os soldados escarlates não importavam para seus companheiros, atacavam displicentemente. As espadas escarlates encontraram os escudos cinzas, os escudos eram fortes e leves mas sofreram riscos profundos, as pancadas faziam a linha de frente recuar. Após o primeiro impactos trabalhavam os da segunda linha auxiliaram no contra-ataque, com a formação criada oportunizava dois atacarem um soldado escarlate e retornarem para defender, porém não era o suficiente a força que os soldados escarlates tinham era maior. Espadas cortavam os cavaleiros escarlates enquanto outros tentavam defender, depois da quinta recuada as perdas foram inevitáveis. Os escudos cederam, espadas trespassaram alguns, Sten ainda não havia entrado em batalha, aguardava na última fila. Marian apressada saiu pelo flanco esquerdo da tropa. O cavaleiro novato a seguiu, rapidamente a mulher foi abordada por um cavaleiro escarlate. O medo invadiu Sten, Acelerou o passo. Um clarão e o folego do rapaz se foi. Um soldado escarlate estava em chamas, atacado pela bola de fogo que acabara de sair dos dedos de Marian. Ela seguiu em direção as árvores e se escondendo. O suor frio escorria pelo rosto escondido da mulher, a utilização da magia que ainda utilizava muito de sua energia apesar de um santuário potencializar as capacidades. Se esgueirou e subiu as pedras escorando uma vez por outra, já abria uma distância considerável, olhou para trás e enxergou as forças escarlates esmagar mais da metade dos soldados. Um machado despencava em direção as costas da mulher, ela desviou e Sten cortou a cabeça do oponente com um golpe de um de seus machados, ele não havia a abandonado.

— Volte, eles precisam de você!
Ele afirmou com a cabeça e seguiu para o campo de batalha sentindo o peito pesado e a garganta precisando gritar, arrancou seu capacete. Sentiu o ritmo das passadas o ar brincar com pele de seu rosto e entrou pulando em cima de um dos soldados escarlate mais perto, seus machados davam golpes furiosos, ferozes e sedentos. O sangue dos escarlates evaporava criando nuvens incomuns no campo de batalha. Sten, O selvagem mostrava sua verdadeira natureza, vencia a força com sua agilidade e vontade. Lutando para sobreviver além de tudo e utilizando daquilo que ainda não sabia sentir para fazer o que podia para vencer, para ser o homem em pé, depois do ataque. Aos poucos, sua armadura foi desatrelada do corpo. Primeiro as ombreiras e depois o peitoral. Apenas a proteção da perna e as manoplas sobraram, ele ofegava e os soldados de Tya que lutavam ao seu lado ganharam motivação para continuar, ver Sten como exemplo em batalha foi o impulso final que eles precisavam. Venceram os soldados que estavam ali e dos setenta soldados de Tya sobraram apenas dez. Olhar perdido em pé sobre a carcaça do último inimigo, os machados firmes na mão, feridas profundas nos braços e no peitoral desprotegido era isso o que enxergavam os outros nove, feridas que foram amenizadas pelo santuario. Um homem que sobreviveu dando de toda a força que dispunha. O selvagem levantou a cabeça e procurou a mulher entre as árvores. Marian havia partido.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Tya - O surgimento

— Vó Duia, consegui! Tenho o direito pelo senhor do castelo branco para formar a minha aldeia.
— Que maravilha meu querido! — a velhinha alegre sentia brilhar em seus olhos um futuro.
— Nada seria possível sem você — O homem de olhoes castanhos, barba serrada abaixava a cabeça sentindo pesar sobre si uma dificuldade velada, uma lágrima surgiu de sua face — Desculpe, não consigo evitar pensar na sua saúde vó, desde que… — fez uma pausa, buscou os olhos da matriarca e seguiu com dificuldade — Desde que a mamãe se foi, se tornou triste ver que o passar do tempo toma toda vitalidade daqueles que amo profundamente.
— Não fique assim, quando cuidava do templo da flor de luz eu e meus companheiros discutíamos bastante sobre a necessidade da extensão da vida, qual era a necessidade de todas as estações que se vivera. Seu avô um dia sentado no jardim comigo acabou com as discussões internas, que tinha sobre o fato. Ele me disse que vivemos o necessário para cumprir o que precisa ser cumprido por nós — Ela abriu um sorriso — enquanto essa terra precisar de mim estarei aqui.
— Você não poderia se manter viva curando qualquer mal que tomasse seu corpo?
— Não é assim que funciona — a mão da senhora repousou no rosto inquieto do neto — quando descobri que podia curar, entendi que não era um presente para ser utilizado para objetivos egoístas, Ela só funciona quando doo de mim. Peço que não guarde dentro de ti a mágoa que o egoismo possa te trazer.
— Claro, por você abandono minhas vontades — O guardião nomeado pelo senhor do castelo foi solene. A mulher segurou com a outra mão a fronte do homem ajoelhado a sua frente.
— Estarei aqui enquanto nossa aldeia precisar — mudando então o tom para alegre — Você já escolheu o nome?
— Tya.
— Sua mãe ficaria lisonjeada com essa homenagem.

Algumas primaveras se passaram e com alguns amigos que possuíam um ideal parecido com o dele, Mirth determinou uma aldeia que se sustentaria sem a necessidade de comercializar com os soldados escarlates. Os primeiros campeões de Mirth foram os outros guardiões que o elegeram como líder e regente daquela aldeia. Enquanto em outras partes a guerra por posições entre os guardiões era constante, ele ergue um muro entorno do terreno cercado pelos campeões. Quando a última parte da aldeia estava se consolidando Duia fechou os olhos e sentiu-se envolta em uma abraço caloroso de seu neto. O rio da magia a submergiu deixando-a tocada por todos os sentimentos de carinho movidos por toda aldeia, que ela ajudou a formar a honra e o caráter. Encontrara no manancial de magia o descanso do corpo.


Soldados escarlates avançavam de forma furiosa em direção a muralha, os campeões estavam na defesa. Represaria por eles impedirem a ocupação de uma área dentro da grande floresta pelos cavaleiros escarlates. A formação impedia que a muralha fosse cercada ou escalada, A voz forte de Mirth coordenava a defesa pelo lado que tinha um caminho para uma aldeia que agora virara cidade, Runei. Existiam mais dez comandantes repassando cada ataque e manobra, os arqueiros se concentravam, cavaleiros escarlates feridos atacavam sem medo algum, sem dor alguma e com a força descomunal. As bestas vermelhas encontravam uma parede sólida e inteligente de soldados, treinado e rápidos.
— Vamos! Vamos! Ataquem! — Escutava-se o som abafado dos escudos se chocando contra as pedras vermelhas gerando um som oco e abafado — Empurrem! Empurrem! — Mirth estava surpreendido com seus soldados, pareciam sintonizados de forma única, e seus ataques pareciam mais fortes que o comum — Defendeeeeeeer!!!! — as setas fragilizavam os cavaleiros escarlates, as espadas feriam de forma bruta e os escudos refutavam os ataques. Parecia o movimento de um oceano empurrando as impurezas para a praia.

— Mestre, minhas habilidades parecem menores por aqui. De alguma forma um santuário foi erguido envolta dessa cidade.
— Liberte um de seus irmãos — Soou sofrego dentro da cabeça do primeiro cavaleiro.
Um vulto vermelho seguiu em velocidade de onde viam a cidade até o calabouço e o gigante foi liberto

A guarda defendia bravamente, porém começaram a ceder. Os ataques continuavam e o cansaço começou a pesar, Mirth segurava fechou seus olhos e parou com a defesa. Decidiu atacar com tudo que podia.
— Avançar! — Ele gritou desesperado.
Seus olhos divisaram a montanha que se aproximava e pela primeira vez seu coração sentiu o terror, um vulto negro cobria o seu. Andava em direção a cidade, os soldados escarlates prepararam a retirada deixando por conta do monstruoso ser a derrota da grande cidade. As mãos retiravam árvores de seu caminho.
— Retroceder! Todos para a cidade! — Gritou direcionando suas tropas para defesa.
Sua espada em punho e seu olhar desacreditado, escutava no fundo da sua alma a voz de sua amada avó: “vivemos o necessário para cumprir o que precisa ser cumprido por nós”. Sentiu-se sozinho, ninguém poderia fazer nada contra aquele inimigo, ia além de qualquer um. O regente de Tya, se recusou a aceitar aquilo, se fosse para ver tudo acabado que fosse com sua entrega até o fim. A espada em punho, o elmo adornado cobria-lhe a cabeça. Queria queimar toda a sua energia ali, em uma derrota inevitável. Correu sentindo todo o esforço do corpo, cada mínimo movimento dizia a sua intenção. O gigante de olhos vagarosos, puxava árvores indo na direção do local ao qual seu irmão perfeito havia mandado, alheio ao esforço de um homem preso na armadura que mirava os dedos do pé. Uma espetada o incomodou, em seguida outra e outra. Olhou para baixo rapidamente e viu o homem que aos seus pés seria uma pequena formiga. Quando ameaçou pisar em cimado dele, Mirth se agarrou no pé e se segurando golpeava aonde estava.

A mãozorra foi na direção do soldado que quase não teve tempo de fazer nada. Um calor aconchegante envolveu o líder daquela aldeia, algo muito maior que ele doava-lhe proporções significativas de energia, seu sentir lhe trouxe em um leve Sussurro: “Forças iguais”. A palma da mão do gigante envolvia toda a parte do tronco quando em uma busca de liberdade, as mãos juntas no cabo, golpeou a mão do gigante, que imediatamente a abriu deixando o seu prisioneiro cair da altura de uma árvore antiga, o rosto do gigante mostrava a dor que o envolvera.


Lembrou das pelejas entre ele e os irmão quando havia desentendimento, a dor lembrou muito a dor de um soco dos irmãos. A tarefa que antes a seus olhos era enfadonha agora, era necessária. Buscou na floresta o pontinho que cairá da sua mão. Enquanto perscrutava todo o ambiente, em um galho mais alto Mirth se preparava para investida, empurrando a árvore com os pés e fazendo com que ela começasse uma queda. O guerreiro viajava em direção ao gigante, teve impulso necessário para alcançar a coxa. O golpe da espada fez o gigante grunhir, uma gota do sangue do primeiro filho dos Deuses escorria pela perna. Mirth sentiu o impacto da mão o atingindo e seus ossos tremeram, sustentava o peso da enorme mão de forma espetacular. Ele devia estar esmagado, de alguma forma a força que tinha era descomunal. Puxando a mão para o alto o terrível inimigo golpeou novamente, sentiu o metal da armadura atravessa a pele em alguns locais do corpo, a dor o invadia de forma bruta. Gritou e dispersando toda a sua energia livrou-se do aperto fatal, caía. Fincou a espada para se livrar da queda agora com as duas mãos empurrava os pés contra a pele do gigante que tentava uma nova investida. Desceu em direção a panturrilha aumentando o rasgo na perna. O novo golpe do ser enorme foi em vão, Mirth soltou a espada e caiu rolando no chão, deixando o gigante forçar a espada mais para dentro da perna. Olhava o gigante enfurecido pelo ferimento se movimentar de forma desgovernada em direção a cidade, cambaleou, O regente respirava com dificuldade uma força interna parecia aliviar suas dores. O gigante atacaria a cidade com o seu braço, não poderia deixar aquilo acontecer.

A dor aumentou, sentiu todos os ferimentos, sua visão turvava e suas pernas já não o aguentava. Ajoelhou-se, sentia que já habitava o intermédio entre dois lugares: a vida e a morte. Viu uma mulher de face branda, os olhos sábios e o vestido lilas. Soube que era sua vó.
— Salve-os vó... — Sussurrava.
— Obrigado meu filho, seu dever foi cumprido.

Caiu de costas, levantando os olhos viu que o ataque do gigante sendo bloqueado por uma barreira invisível. Uma barreira que protegia com tanta propriedade que o chão envolta de Tya cedeu a força do gigante, mas a terra aonde estava a cidade estava incólume. Voltou o olhar para a mulher de olhos doces e que chorava.

— Obrigado por protegê-los — ele enxerga apenas ela e a barreira.
— Não me agradeça, é a sua vontade que sustenta toda a barreira — Ela aproximou e acariciou o rosto do morto — A linha que liga você ao destino dessa cidade é um fluvial forte do grande rio que é o gerador de tudo nesse mundo. Cumpriste seu dever, agora cabe a mim reger o que deixas, eu te amo meu neto, até breve.


O castelo branco se remexia, O gigante voltara ferido e falhara em sua missão.
— Senhor, nosso irmão esta ferido, havia…
— Eu sei! — O enfermo utilizou de suas forças para soltar um grito mental — senti daqui a batalha, e a incomum entidade — na cabeça do primeiro cavaleiro escarlate borbulhava o arfar de seu mestre — Uma entidade vinda de alma humana. Isso é novidade… a não ser que ela houvesse se banhado no sangue de nossos pais de alguma forma, tenho que averiguar assim que puder. Antes…

A voz na cabeça do Cavaleiro primordial cessou enquanto ele colocava a última corrente no gigante ferido, a névoa negra envolveu o calabouço aonde havia outro dois gigantes, o cavaleiro deixou o calabouço enquanto ele era submerso pela névoa e os sussurros furiosos. Amanha seguinte havia apenas uma carcaça seca e o último gigante amedrontado.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tya - O fim do outono

A pressão silenciosa sobre as tropas Tya era enorme, todos sabiam o que os cercava. Parecia que todos os postos de vigilância haviam sido movidos para ali, eles não tinham ideia que as tropas escarlates eram muito maiores. A pergunta a ser feita é, quando eles atacariam?
Loreah estava exausta, os turnos de treino em que ela ensinava novas formas de batalha eram contínuos, ela estava acrescentando o seu conhecimento as formas já aprendidas dos soldados. A tarefa era mais fácil que ensinar pessoas sem treinamento de combate, Adáia era rígida e exigia treino continuo de seus comandados foi isso que facilitou para Loreah porque se dependesse dos combates que eles entraram nas últimas primaveras, haveria soldados sem noção nenhuma de combate, formação, formação em equipe. Depois do ocorrido da mistura de vivências entre Adáia e Loreah, elas trabalhavam como uma, organizando treinando e ensinando sobre os cavaleiros escarlates. Eles já tinham avançado o outono apenas treinando, recrutando e definindo as defesas.
Liof passou todos os dias ensinando o que conseguia lembrar sobre a magia, contou toda a sua história a Marian e a preparou como compreendia ser o melhor. Nesse tempo, ambos estudaram os símbolos na caixa e identificaram algumas coisas, havia seis lugares para seis símbolos, porém aquele que construiu a caixa escrevera apenas quatro deles. Eram os símbolos básicos (foi dessa forma que Liof os apelidou), símbolos representantes dos quatro elementos simples: Água, fogo, ar e terra. Descobriram que o símbolo desenhado por Loreah era relacionado ao ar, hipóteses criadas pelos raciocínios. Liof estava tentando algumas confirmações com a regente, porém o crescimento da menina que dava voz a entidade protetora de Tya estava começando a afetar diretamente com a comunicação. A menina criara um controle maior de sua mente. Não podendo então deixar fluir, teria que aprender como possibilitar essa comunicação.
Sten entrou para guarda de Tya e treinava com todos os outros soldados, aprendera com os outros soldados as regras da honra de Tya e sobre o respeito ao ser. O denominado selvagem descobrira regras de civilidade muito mais complexas do que antes, em Tya tudo importava, desde plantas e animais até a vontade livre do ser. Ali todos poderiam ser o que quisessem ser e fazerem o que quisessem fazer, observando lógico o limite em que o querer afetava de modo negativo a vida de todos.
Pãntrio e Pirtrio entraram cada um na área que queria aprender, Pirtrio quis aprender a tratar de animais e Pãntrio quis aprender a como conduziria os trabalhos e virou o único menino a ser ensinado pela apuradora.
Em uma noite Adáia,Guinn, Liof, Marian, Loreah e Sten jantavam juntos. Os copos cheios de sumoçetil, só Sten não bebia.
— Nós temos uma quantidade grande mas eles são mais numerosos— Adáia não conseguia parar de pensar.
— Considere que cada um deles tem a força de dois de nossos soldados mais fortes — soou Loreah cansada.
— Eu ainda acho que nossa maior vantagem é o local, estamos no campo em que mais conhecemos— Guinn foi categórica, enquanto levava uma torta salgada a boca
— Mas para aproveitarmos precisamos que eles ataquem — soaram juntas as chefes da guarda.
— Ficar nessa espera é terrível, o sentinela precisa desse tempo, nós não podemos dar esse luxo a ele  — O velho Guardião alarmou a todos.
— Por que não os trazemos para o nosso campo? — Marian questionou.
— Não é tão simples, eles não cedem a emoções. Não há como incomodá-los e fazer isso os trazerem até nós— Adáia falou com enfado, Loreah e ela haviam conversado várias vezes sobre isso.
Sten olhava para a conversa pairando na mesa, seus cabelos agora estavam amarrados, o elmo não permitia o seu cabelo livre. Como sempre o silêncio era o seu companheiro, sua boca se abria para quase nada. Observar era uma de suas maiores qualidade.
— Por que não aumentamos nosso terreno— a mesa parou— podemos utilizar a terra de baixo dos pés deles, já que eles não vêm por emoção mudemos a forma de ataque.
— Mas como faríamos o chão desmoronar?— Adáia gostou da ideia Loreah olhou intrigada para seu soldado.
— Como faríamos essa ação?
Sten juntou as sobrancelhas, questionando a si mesmo sobre a ideia. Guinn foi ágil.
— Podemos fazer um túnel a baixo da borda e fazê-lo desmoronar.
— Demorará demais!— Loreah novamente.
— Podemos cavar pontos-chave durante a noite e fazer cair esses pontos e assim que atacarmos não vai ter como eles esperarem mais— Marian complementou o pensamento.
Um sorriso de alívio surgiu no rosto de todos eles, talvez desse certo, eles precisavam apenas de uma luz.

As noites seguintes foram de grande trabalho para os mineiros e ferreiros, furtivamente cavaram apoiando madeiras fortes que aguentavam o peso necessário. Foi deixado um mecanismo feito por Loreah que faria a madeira quebrar e ceder. Bastava rachá-la ou causar um impacto maior e ela deixaria de suportar. Tudo pensado por todos. O ataque estava preparado. O dia seguinte era o dia em que os soldados escarlate conheceriam melhor a guarda de Tya.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Tya - A reunião dos campeões e o inicio de uma solução

Todos os campeões estavam sentados em baixo da tenda lilas da regente, ela se pronunciava no centro.
— Como falei chegou nossa hora de compartilhar a nossa prosperidade com as outras aldeias — Ela fitou Adaia e Loreah que agora já possuíam a armaduras iguais — Loreah, precisaremos da sua capacidade de descrição e seu conhecimento sobre os soldados escarlates, para encontrarmos as aldeias que ainda existe — Olhou para Adáia — Minha querida guerreira, ajude a ladina no preparo de todos soldados. — Respirando olhou para Guinn — Apuradora, preciso que você reja os suprimentos e a confecção de armaduras, Thorindor preciso que você procure por metais mais resistentes, e chame o seu ajudante Calinor. Sei que o pequeno é um manipulador de ideias — a regente olhou cada um dos campeões nos olhos — Amigos estamos diante de um momento único na nossa história, estamos no momento do crescimento do caule da grande árvore que será o reino que sempre sonhamos, um reino regendo todas essas terras que desde muito estão divididas.

Os olhos da pequena perderam a cor enquanto todos eles se dirigiam para traçarem os próprios planos de ação.

Liof observava pela fresta da tenda Marian mexendo no cubo.

— Hum… quatro animais… três símbolos… Seis lados…

O cubo era deslocado em sua mão.

— O lobo se opõem ao pássaro, a serpente se opõem ao inseto — a caixa não fez nada — Seria obvio demais.
Ela continuava absorta e Sten estava aprendendo a polir seus machados, que agora Calinor o mostrara como aumentar seu brilho e resistência através do polimento, Olhava de longe para a Lider de Falligan. Um estalo aconteceu quando a menina desmontou a serpente. Novamente o simbolo do fogo surgia. Por que o símbolo do fogo estaria em uma serpente? Isso não tinha o menor sentido. A não ser que se quisesse criar um padrão contrário. Ela conhecia as cobras d'agua, mas nenhum tipo de serpente que ela conhecera tinha o fogo. O quebrta cabeça da serpente formou o simbolo do fogo, apoiando a sua mão sobre o cubo ele entrou queimou, como se ganhasse uma capa protetora de fogo. Um fogo azul, que não feria.
— Já sei! Isso deve ser uma sequência de elementos, o próximo é a água que esta contido na ave.
Enquanto ela fala isto um escrito formou o início de uma mensagem.

“Sem montanhas ou vales
a monotonia invade
um quebra-cabeça a céu aberto
feito para o homem certo


Homem que é fogo
Fogo que é homem
consumindo de si
consumindo pra ti

E na boca dos Deuses sua pronuncia é Liof”

— adame-pathar, O que se entregou por Valian

O velho que não parecia tão velho agora, andava na praça central buscando mais memórias. Buscando explicações para grandes coisas. Entre elas Não saia de sua cabeça a conversa que teve com o ser no posto do vale-costa-do-esqueleto: “Um de vocês modificados pelo sangue vivo de seus pais…herdeiros modificados…”, Mariam cortou o raciocínio do Guardião. Mostrando o que estava escrito no cubo.

— Compreendo, de alguma forma eu sabia que meu nome significava fogo.
— Ele fala do caminho do labirinto plano, Liof. Olhe o primeiro verso. Temos que ir para lá. Talvez o cubo esconda um mapa de como andar nele.
— Verdade, mas por agora necessitamos de continuar na batalha contra o senhor do castelo. Esse enigma não seria importante.
— E se esse tal de Adame estiver esperando por você? Se ele souber como lidar com o senhor? Se ele entender o que aconteceu antes das terras serem divididas? Qualquer ajuda é bem-vinda.
— Concordo, Mas exigiríamos muito dos outros por apenas um palpite. Precisamos De algo mais sólido — Liof estava curioso, porém sua mente não encontrava nada relacionado ao cubo ou o tal Adame.
— Então me deixe ir!— Marian estava obcecada por aquilo. Ela sentia que aquilo poderia levá-los a algum lugar.
— Deixo mas não sem preparo. Enquanto os soldados se preparam, eu te prepararei.

Adáia passou pelos dois na praça central e entrou na tenda, ambos seguiram a mulher sentindo que algo ruim estava prestes a acontecer. O cenho franzido e uma preocupação.

— Regente, peço-te a presença!

A menina deixou a regente se manifestar.

— Fale Chefe da guarda.
— Estamos cercados por tropas de Soldados escarlates.
— Não acredito que eles vieram atacar. Se fosse isso já teriam investido antes de notarmos a presença de todos eles. A que distância eles estão de nós?
— Na borda da depressão. 
— Não se preocupe, treine seus homens vamos precisar para o plano de expansão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Tya- O torneio( 2 de 3 )

— Loreah! Loreah!
Gritavam Pirtrio e Pãtrio
A ladina estava parada com o capuz verde pendendo no pescoço, era o segundo oponente da espada, não era sua especialidade mas o duelo anterior tinha atraído bastante atenção. Havia ganhado do segundo colocado do ano anterior com um golpe. O seu segundo oponente era um dos guardas que havia cercado ela e seus amigos. Ele a temia, apesar dela ter sido nocauteada com certa facilidade ,os primeiros movimentos vistos deixaram uma impressão sobre ele. Retirou a espada da bainha fazendo barulho. As regras do torneio de esgrima eram simples, o primeiro a sangrar perdia. Claro que eram evitados os pontos vitais, batalhas as vezes eram decididas com arranhões superficiais feitos pelo solos. Loreah porém não ligava para isso. O oponente que a enfrentou pela primeira vez saiu com a bochecha trespassada pela lâmina da ladina. Ela só tinha um oponente em mente. A batalha final era realizada por todos os competidores que obtivessem três vitórias, podendo perder apenas uma vez.
— Estou sem paciência—Loreah chamou mais um soldado que estava na fila, ele achou que lutar contra a estrangeira seria uma forma fácil de conseguir vitória.
— Eu?
— Claro! Vamos vocês dois contra mim pra resolver isso logo.
— Isso não seria justo.
— Injusto é eu enfrentar apenas um de vocês.
O soldado anterior mostrou magoa nos olhos e atacou, Loreah esquivou-se da investida com facilidade.
— Vamos! Rápido! — Ela acenou para o soldado que ainda estava em duvida em ataca-la junto com o outro, ele aceitou a batalha.
— Eu não preciso da sua ajuda—reclamou o soldado ainda se recompondo do golpe falho.
No mesmo instante sentiu a lâmina subir cortando a sobrancelha, o sangue pingou na bochecha. O outro olhando aquilo golpeou a ladina que tinha o braço estendido apontando o céu com a ponta da lâmina ensanguentada.
—Pronto, agora não tem mais choro — ela deu um passo para o lado e golpeou a mão do rapaz que não conseguiu interromper o golpe. Ele abriu a mão deixando a espada cair. A base do dedão sangrava. A ladina não pretendia causar danos maiores em lutadores fracos. Ela desejava o sangue de Ádaia, que já esperava os oponentes da parte final do torneio da espada. A guarda mestre treinava seu arco, enquanto entre uma parada ou outra testava o gosto das novas receitas feitas por seu marido Cilindor. Loreah viu que ela não dava a menor importância para quem iria ir contra ela. Isso só fez seu sangue ferver mais.
Marian olhava hipnotizada para a caixa. Buscava na sua mente todas as histórias que sua mãe havia contado. Quando a noite caia, Ruflo trancava as duas em um dos cômodos da sua casa e aquele cômodo era o cenário de histórias até a morte da mãe dela. Ela buscava as histórias porque os animais não eram estranhos, ela não estava prestando atenção mais em nada. Absorta em seus pensamentos concluiu que se fosse algo óbvio demais as pessoas já teriam aberto aquele cubo.—Sten, o torneio aqui esta a forja e as ferramentas necessárias.—Obrigado Calinor.—Outra coisa, você tem três dias para terminar o que for fazer, seja armadura, arma, cela, qualquer coisa— O menino estava ofegante — Essa é minha primeira tentativa de entrar no torneio, minha mãe falou que eu estava preparado há um ano mas eu não queria mexer com culinária igual meu pai, eu quero é mexer com criação de armas, igual meu tio. Ele que vai me ajudar, seremos uma dupla esse ano. Eu ainda não tenho força para martelar o metal mas meu tio fala que tenho boas ideias — Ele abriu um sorriso.— Aonde consigo a matéria prima?— Tudo fica nos depósitos, eles ficam aberto e você pode pegar o que quiser, depois do torneio todo que utilizaram vão minerar. A única coisa que é bem limitada é os itens que vem dos animais, só aproveitamos as partes dos animais que morrem.— Obrigado Calinor.— E vê se não esquece os pontos de forja.Sten balançou a cabeça e pegou as ferramentas que demorou dois dias para conseguir com ajuda de Calinor.


A tarde de disputas continuou, até a regente declarar o término do primeiro dia. Uma grande fogueira foi feita, e os cozinheiros finalistas se prepararam para criar as comidas mais gostosas e que dessem mais energia. Uma grande festa, muitas canecas de cevada amarga, sucos de mangedéias e muitas comidas. Todos estavam feliz, todos não. Loreah estava longe da festividade, tinha voltado para a pena de luz. Estava em seu quarto no escuro sentada virada para a parede, seus dentes rangiam, adaga riscando a parede, ela desenhava um símbolo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Tya- O torneio( 1 de 3 )

O dia nasceu trazendo consigo a ansiedade, ela morava dentro do peito das crianças da cidade de Tya. Muitas delas haviam dormido mais tarde rolando nas camas, o grande tornei era o evento que todos esperavam. Os campeões dos torneios anteriores se sentiam como as crianças, uma pouco mais, haviam sobre os ombros uma certa responsabilidade, ali todos se divertiam, ganhar nem sempre era o importante. A maior responsabilidade era a de estar a frente de um dos cargos de importância de Tya, coisa almejada por todos os moradores dali. Eles sentiam a vontade de fazer aquele local crescer. Porem para alguém nas sombras do estábulo que serviam para os cavalos se alimentarem e passarem a noite, Loreah amarrava as novas aljavas feitas de cipós da floresta, concentração impecável, respiração balanceada, olhos severos e veias pulsando orgulho ferido. Liof cuidava da pequenina Ounda, ela estava esgotada Duia e ele conversaram bastante durante a noite através de Ounda. A menina estava deitada, lábios entreabertos, suas bochechas gorduchas subiam um pouco quando ela respirava, assim como o seu corpo na almofada. Liof a olhava com olhos brilhantes de nostalgia e esperança. Seu pequenino já dormiu despreocupado assim como aquela menininha, agora ele dormia pra sempre.
—O sono daqueles que são puros—Ele sussurrou.
Marian conversava com o dono da pena de luz, tentava conhecer um pouco mais da cidade.
—Você vai adorar o torneio, ele acontece de hoje ate o término das competições e no último dia existe as danças. São belíssimas e logo após tem o evento mais sagrado, a flor de luz é despetalada e dada aos novos casais concretizando assim a união. São duas pétalas para o casal. Olha só.—O homem tirou um cordão de dentro da blusa, na ponta dele uma pétala azul prateada—me lembro quando eu e a minha Noara tínhamos ganhado as nossas, porém n
ós ainda não tínhamos visto que eramos ligados dessa forma, sabe, sempre fomos amigos desde pequenos mas eu não percebi que ela gostava de mim desse jeito.
As sobrancelhas de Marian se juntaram um pouco, seu peito do preenchido por um ar, ar que almejava ser suspiro. Sua mente delineou o homem de cabelos negros, de olhos intensos e carinhosos e de mente simples. Tão simples que talvez nunca tivesse pensado em encontrar alguém, como ela pensava quando era pequenina. Suspirou.
—... pois é, ela deixou essa terra depois do último torneio. A regente cuidara dela de alguma forma—Ele deu um sorriso entristecido—agora vou chamar todos que já devemos ir.
Tudo bem – na mente dela ainda pairava—Sten!
O Selvagem andava firme e de semblante estático, sem expressões, ao levantar seus olhos que estavam parados enquanto sua mente buscava entender ainda o torneio que se aproximava, sorriu. Repassava em sua mente todas as vezes que fez alguma coisa para ajudar a se proteger dentro da floresta-sem-luz. O dia anterior ele havia passado bom tempo aprendendo com Calino, segundo o que falou Ádaia o menino era muito avançado na maioria das coisas.
—Marian!—Ele falou num tom mais alegre que o comum, então tentou concertar—Você não quis participar do tornei?—Sua voz foi um pouco mais formal.
—Não, eu ficarei cuidando da intermediaria da regente. Duia pediu para estar do lado da pequenina.
—Duia!? Quem conversou com Liof e conosco quando chegamos – Ele repetia o que sabia, algo muito comum quando não se sabe ao certo o que falar.
—Marian!—Pirtrio e Pãtrio surgiram de forma alegre, não pareciam os meninos endurecidos e sérios que tinham sido encontrados por eles.
—Vamos para o torneio? —Sten quis dar foco ao objetivo.
Loreah já se dirigia a grande arena, cobriu seus cabelos loiros com o capuz verde-floresta conseguido a pouco tempo com um dos moradores que a viu treinando e quis lhe dar um presente de boa sorte. Um cortejo. Tudo que ele conseguiu com o gesto foi um olhar gelado. O final de seu treinamento ela o pegou na cerca que ele havia deixado. Agora todos ia para arena.

A cidade chamava de a grandiosa caminhada a movimentação do povo em direção a área do torneio, cavaleiro montados em cavalos sem sela. As modalidades dos torneio que mais atraiam o povo eram a de espada, de arco e flecha e a de inteligência. A de inteligência abria as comemorações, o vencedor tinha o grande cargo de apurador. Automaticamente ele vira o segundo juiz do torneio e auxiliava em decisões complexas.
Como a do torneio anterior aonde o brilho deixado nas placas de metal enferrujados foi decidido pela regente, pelo vencedor de inteligência do torneio anterior e pelo novo apurador. A quantidade de primaveras não importava naquele local, um menino que acabara de aprender a falar poderia concorrer a apurador. Todos tinham o direito de competir aonde quisessem.

Alguns trovadores andavam dando o tom da marcha, a cidade que nos dias anteriores parecia vazia vista de cima parecia um formigueiro, pessoas cantando. Rindo. Todos preparados. As áreas de torneio eram dívidas, em etapas mas o encontro inicial era com a fala da regente e o teste de inteligência. A pequenina era carregada pelo Guardião, A regente havia falado com todos que gostaria de ter ele e Marian como protetores primários. Ádaia tomou providências para que isso acontecesse. A cerimonia inicial era apenas para os competidores, pois não caberia todas as pessoas de Tya ali, muitos subiam em construções para tentar ver alguma coisa. Ounda acordou, deu um sorriso desceu do colo de Liof e andou até o centro do círculo aonde se encontravam. Os bardos pararam as músicas. Os olhos da menina tomou a tonalidade lilás característica da regente, Liof se concentrou, seus olhos ficaram ambar. Ele protegeria ela de qualquer ataque, sua memória havia identificado bastante informações na questão do fluxo mágico. O orbe se tornara uma lembrança constante que o ajudava a encontrar meio de deixar fluir o grande rio de magia. Agora ele balançava freneticamente o rio, para que caso o seu rival resolvesse atacar encontrasse somente a ele. Algo dizia que se ele pudesse realmente atacar teria aproveitado a chance quando controlou o corpo da pequenina. A voz da regente se fazia ouvir de onde quer que você estivesse na cidade você a escutaria como se ela estivesse ao seu lado.

— Esse é o torneio mais importante desde a era dos reinos. Como todos sabemos, sofremos ataques externos algumas vezes. Nos mantivemos firmes ante as investidas dos cavaleiros escarlates, nossas defesas foram bem estabelecidas. Conseguímos nos relacionar com o local que nós vivemos, que é sagrado. Nós nos sustentamos sem destruir e isso tudo continuara assim. O nosso reino será a semente de algo maior. A dois dias chegou um grupo de aventureiros, que aos olhos de nossa maior campeã se tornaram amigos de toda Tya. Eles trazem consigo, notícias preocupantes. Chegou a hora de ajudarmos as aldeias que nos cercam, mesmo que isso signifique a extinção da nossa — Bocas se abriram emitindo ós e aís — Nós nunca tivemos medo, fomos cautelosos e talvez isso tenha nos transformados em fortes. Não podemos simplesmente fechar os olhos por comodismo, pois o inimigo que nos aguarda está se fortalecendo e sem a capacidade de expandirmos nossos conhecimentos ficaremos presos na nossa redoma e seremos soterrados por ela. Esse é o torneio que você mais esperavam, o torneio que mudara vidas. Que trará consigo os campeões responsáveis por liderar a conquista da liberdade de todos os povos de terras divididas. Mesmo que não conheçamos nenhum deles. Os representantes e amigos se apresentam. Liof o último Guardião – Um burburinho se ergueu, todos ali sabiam as histórias sobre os guardiões, a imagem que tiveram foi dos olhos fogo do velho — Sten, O selvagem — A conversa que Liof teve com ela, foi esclarecedora sobre cada um deles — Marian, A líder de Falligan — Ela apontava para a mulher de olhos castanhos e límpidos — Pãntrio e Pirtrio, Os embaixadores de Runei — Os meninos abriram um sorriso escutando o nome de sua cidade — E Loreah — Ela buscou a ladina no meio da multidão — A andarilha — Loreah não se aborreceu, não ligava para o que falaram dela. Seus punhos serrados, lábio comprimido e olhar feroz diziam o que ela queria — Vamos ao início.

O Torneio de inteligência foi iniciado, a primeira prova era simples. Resolver problemas de formação e proteção. Os candidatos faziam suas sugestões sobre o ataque e defesa, alguns
foram muito bem. Escolhas diversificadas porém corretas, todos passaram. A segunda era provisões e decisões, para cada um era montado um cenário diferente, Marian acompanhava atenta todas as soluções e pensava em como faria caso fosse a sua aldeia naquelas situações. Criava sua própria solução e confiava nelas. Passaram apenas três dessa etapa. O vencedor do ano anterior um menino, com pouco mais de quinze primaveras ajudava a julgar. Faltavam duas etapas, porém todos consideravam apenas a penúltima pois a última possuía um enigma insolúvel. A última etapa era o próprio julgamento, a inteligência passa por decisões e conhecimentos em geral, os conhecimentos uteis para um apurador era a capacidade de avaliar a situação com poucos elementos e decidir.

Um grão de areia, um pedaço de ferro e a pedra vermelha. Quem demorasse menor tempo para responder corretamente ganhava. Os elementos foram revelados e Marian sussurou
— O Nosso inimigo é o dono do castelo branco — Ela tinha uma vantagem contra aquele
s ali, ela conhecia o problema.
—Muito bem — disse a regente — Eu quis revelar a pessoa mais inteligente nossos planos e é claro ver se ela está disposta a ter essa responsabilidade.

Uma mulher arregalou os olhos, sua mão começou a tremer. Andou até a regente com a resposta nos
lábios.
—
É verdade? Existe um senhor dos cavaleiros? Como venceremos? — A mulher com cabelos castanhos escuros e uma fisionomia marcada pelo trabalho na mina de ferro.
— Estamos decidindo isso ainda, mas precisamos de você Guinn.—olhou dentro dos olhos da mulher que confirmou seu apoio—Temos uma campeã —Ela se fez ouvir. Por todos.

O último enigma ficava ali em exposição, para qualquer um que quisesse tentar fazer. Uma caixa de madeira, com entalhes de animais, suas paredes se moviam eram moveis e podia se organizar conforme a sua vontade. Um segredo desconhecido até para a regente.

A caixa tinha: Um lobo-olho-azul, Uma serpente, Um pássaro e Um inseto.