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sábado, 19 de março de 2016

Tya – A batalha do chamado(Liof e Duia)

— O que você entende por aquilo que rege nosso mundo Marian?

Ela abaixou a cabeça, puxou o pedaço da blusa que estava vestindo e ficou alisando e fazendo dobras, buscando as respostas perdidas em sua mente, os sonhos saltaram a sua mente, lembrou também da história que ele contou sobre o último filho.
— Nosso mundo é regido pelas coisas criadas pelos dois Deuses crianças, se me lembro da história, eles criaram: Céus, Montanhas, rios e mar.
— E quanto a magia? De onde ela vem? — Liof falou com calma.

— Eu não sei.

— Não somos capaz de saber, mas podemos definir qual são seus aspectos.
— O que descobrimos ate agora sobre ela é que possui algumas propriedades, como o aspecto do rio: A magia te um fluxo, um estado e quando passamos pelo posto do vale, encontrei uma entidade que falou que a magia estava em seu maior fluxo. Significa que ela terá sua baixa.

— então esse é o aspecto de rio. Para utilizá-la teríamos que canalizar o seu potencial?
— é isso que temos feito… Eu por meus encontros e meu passado possuo parte minha no rio, a que estava adormecida junto com minha memória. Quanto mais recupero as lembranças melhor compreendo essa canalização.
— como eu e Loreah chegamos a utilizar?
— isso é uma coisa que ainda estou pensando sobre. Eu não sei. Vocês acessam de formas diferentes. Você lembra do símbolo do fogo — Marian confirmou com a cabeça — ele consome nossa própria energia para gerar o fogo. Acredito que quanto mais magia fazemos mais podemos ser intermediários do fluxo do rio... Uma coisa que me intriga é como podemos compor um santuário.
— Pergunte a Duia, Ela mantem Tya protegida
—  Você citando me lembrou algo que ela me falou, que a magia tem outras propriedades que ela ainda não explorou, mas sabe que existe.
— seria possível anular o fluxo do rio criando algo que saia de sua imersão? Ou tentando secar seus recursos? Não sei...
— Não sei ao certo. Isso seria útil. O sentinela não poderia intervir de modo algum.

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Algum tempo antes da aurora do dia da batalha

Liof sentado sob a tenda lilás ao lado da pequena Ounda.
— Minha querida você precisará, se concentra um pouco, feche os olhos e respire profundamente.

A menina deixou o ar entrar, fechou seus olhos.

— escute seu coração bater. Escute o rio que passa, pense em Duia.
O coração. O rio. O coração e o rio. Duia e sua gentil expressão contemplava a menina, esticou uma das mãos e a Regente a pegou para guiar. Os olhos da menina ficaram lilas, seu corpo ganhou outra postura e ela levitou.
— agora minha querida vamos trabalha para que os soldados possam fazer a sua parte.
— Duia, é possível diminuirmos as forças dos cavaleiros escarlates?
— Sim é possível, isso aconteceu a muito tempo atrás. Meu neto deu a vida para que a magia aqui pendesse apenas para um lado.


— Entendi. Concentre-se e expanda a redoma de proteção que você criou.
— Tudo bem! Farei isso sem gastar as forças de Ounda.

— Minha pequena! Obrigado pela oportunidade de falar com Liof

Largou as mãos da menina.

Liof concentrou-se. Escutava a respiração pesada dos soldados, os cavalos nos locais, destinado ao descanso deles, corujas nas florestas ao redor e enfim os atrito nas armaduras dos soldados escarlates. Sentiu o rio, lembrou-se do orbe e expandiu sua vontade. Os olhos de Liof ganharam o tom âmbar. Liof construía uma ilhota em meio ao rio. Sntia a força da corrente, ela o puxava querendo o dobre a sua vontade e Liof resistia, Não aguentaria aquilo sozinho de modo algum. Duia o amparava mantendo a estrutura da ilhota, Liof era responsável por dispersar o fluxo, tal como uma proa que divide as águas.O Ultimo guardião sofre um flash em meio a concentração, lembrou-se do Orbe e do sussurro que brotava do seu íntimo. As reações sobre punham o fluxo mágico começou a sentir os elementos em sua pele. O arder do fogo, os cortes de vento, o golpe seco da terra, O desesperar da água, dois elementos distintos causavam o sufoco do medo e o constrangimento absoluto. Palavra ecoaram dentro de sua cabeça.

“Se tem medo do rio, não queira ver o mar”

Submergiu... Buscou fez força e voltou. Acordou ao lado da pequena Ounda, sentiu a cabeça latejar. O líquido denso e vermelho escorria por sua barba branca, olhou para a pequenina e entendeu o quanto Duia era forte. A batalha havia acabado. Todos haviam tomado seus caminhos agora ele precisaria ficar atento e ensinar cada vez mais a pequenina que dormia tranquilamente.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Tya - A batalha do chamado (Adáia e Loreah)

Os raios do sol mal encontravam os solos perto de Tya. Soldados se apertavam nas fronteiras, ferreiros ajuntavam os armamentos, os arqueiros ainda encostados nas beiras do muro de madeira, reforçados com pedra e metal.
— Os seis da entrada norte estão posicionados? – Loreah olhava com atenção as bordas das beiras da depressão.
— Sim! Liof e a regente já estão prontos? – Perguntou Adáia pegando o arco.
— Para eles a batalha começou antes de acordarmos.
— Estamos prontos!

Adáia subiu as escadas da muralha, Loreah foi para a linha de frente dos soldados no portão ao sul. Uma brisa intensa passou acariciando os rostos. A seta de fogo vinda de Adáia foi vista pelos responsáveis nos tambores. O primeiro som que surgiu fez os arqueiros saírem de suas proteções e atirarem nos suportes que mantinha as beiras da depressão sem desmoronarem. A queda da terra engoliu uma grande quantidade de soldados no sul, os que sobreviveram foram alvejados pelas  flechas, os arqueiros seguiam um ritmo de disparo em uníssono com os tambores. Cavaleiros escarlates estavam apáticos e procuravam voltar as suas posições. Loreah saia nos portões esperando o confronto que não vinha.
— NÃO DEIXEM FUGIR! – Ela avançou.

Os escudos seguiram a chefe da guarda. Quando atingiram o alcance das flechas Adáia fez os arqueiros pararem, descerem as escadas e formarem a linha de trás a linha de trás. Os soldados escarlates pararam de fugir. Finalmente a batalha. Loreah acabara de decepar a cabeça de um soldado e viu a primeira iniciativa de ataque, ela esquivou. Um escarlate a sua esquerda iria golpeá-la em cheio senão fosse por um de seus comandados colocar o escudo a protegendo, se sentia confiante em seus soldados. O objetivo da tropa era avançar e ir em direção as outras aldeias, descobrir quantos ainda viviam sob o manto escuro do isolamento. O objetivo de Loreah era não deixar nenhum deles vivos.
Adáia avançou trocando o arco por uma espada longa, os arqueiros preparavam uma saraivada. Olhar as flechas cravando nos soldados escarlates e eles ainda se movimentando poderia ser desmotivado mas isso so dava mais vontade as tropas, as guardas chefes haviam ensinado de forma a fixar em todos os soldados a dificuldade da batalha. A reação dos cavaleiros escarlates tinha começado. Os escudos se encontraram, o ataque que antes era de oportunidade se tornara tático. Loreah continuava atacando sem hesitar. Os soldados a defendiam coordenadamente. Por automatismo mais do que por querer ela também protegia seus companheiros. Os escalates eram fortes mas a capacidade tática da guarda de Tya  tinham se tornado tão eficientes quanto os mecanismos criados pelo povo de Loreah e ajudava a superar a falta de força. A espada trespassou o soldado ao lado da ladina, a pupila dela retraiu, o liquido denso e morno tocou seu braço que empunhava a espada curta. Sentiu a respiração e voltou a atacar, aproveitou o peso do oponente que acabara de desferir um golpe e o chutou, no peito. Escutou um grito crescendo na nuca. Ela se virou deixando o golpe de Adáia acertar o cavaleiro caído na altura do estômago. Agora ela estava por cima e a linha de escudos  avançou empurrando os escarlates que apareciam. Escutavam o som das armaduras vermelhas e do metal se chocando. Adáia arrancou a cabeça do cavaleiro que agora estava no chão. Olhando para Loreah indicou o caminho.

A vitória era inevitável, muitos soldados escarlates escaparam de lá devido o primeiro comando, a batalha se seguiu forte sem esmorecer. Ao terminar o contingente teria sofrido a perda de de um quarto Loreah e Adáia olhou confiante.
— Agora é buscarmos auxilio das outras aldeias.
— O que estamos esperando?
— Vou me despedir de Cinor e de meu amado - falou se dirigindo a cidade.
Loreah sentiu a pontada no peito, desde a mescla de experiências com a guerreira a saudade do abraço dos dois a povoava.
— Temos que prosseguir - falou baixinho, então apontou para um grupo de cinquenta arqueiros — vocês vem comigo - apontou para um agrupamentos de linha de frente - vocês vem comigo.
Partiu sem se despedir.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Tya - A batalha do chamado (Sten e Marian)

Os raios do sol mal encontravam os solos perto de Tya. Soldados se apertavam nas fronteiras, ferreiros ajuntavam os armamentos, os arqueiros ainda encostados nas beiras do muro de madeira, reforçados com pedra e metal. Loreah e Adáia haviam designado doze generais que coordenariam baseados nas táticas aprendidas os ataques, A ladina havia ensinado como os métodos brutos de batalha dos soldados escarlates: O avanço sem piedade, a falta de dor ou sensibilidade, a força de dez homens comuns, a agilidade, armaduras em comunhão com o corpo e o jeito eficaz de causar danos. Todos os soldados lembravam dela afirmando e reafirmando " a oportunidade que tiverem arranquem um membro sem medo, de preferência a cabeça para que não continuem lutando e caso sejam pegos e confrontados fujam e procurem uma forma melhor de atacar, não é covardia querer sobreviver". Os dispositivos de desmoronamento criados pela ladina abririam novos caminho, possibilitariam o complemento do grande plano.
Marian juntava os suprimentos e pergaminhos de anotações criados por ela e por Liof sobre o conhecimento que tinham sobre a magia. Vestiu um manto marrom-esverdeado e pediu para ir com o povo que se dirigira para Runei, uma das cidades que seria abordada rapidamente. O seu plano era passar pelos postos e seguir em direção ao labirinto plano. Quando terminava de compor sua bolsa de algodão escutou passos na porta de seu quarto. Um soldado a esperava na porta. A mão de Marian rodou a maçaneta e ao sair o único que sabia dos seus anseios estava ali. Sten a olhou, suas sobrancelhas arquearem e um sorriso pequeno tentava passar o apoio a atitude dela, mas seus olhos um pouco tristes denunciavam o que ele sentia.
— Você tem certeza!?
— Tenho Sten, o cubo é algo importante. Estudando com Liof montamos inúmeras teorias, temos alguns pontos e para vencer o sentinela, precisaremos estar completamente preparados no campo da utilização da magia. Liof não vai comigo pois protegera com suas energias esse local acompanhado de Duia e o sentinela não se atrevera a atacar ainda.
— Porque então não conta para ele também? – Ele buscava alguma reação no rosto da líder de Falligan, um silêncio incomodo se instaurou – Posso ir com você?
— Você sabe que Runei vai ser uma grande dificuldade e sem você acho difícil eles vencerem o local aonde o senhor do castelo tem influência direta. Você conhece aquele local e saberá como agir.
— Pãntrio e Pirtrio precisam de alguém ao lado…

Ele mostrou os dentes em uma tentativa de sorriso, não acreditava tanto que era uma peça fundamental para a batalha, mas sabia que para os garotos a presença dele ou de um dos amigos mais próximos seria importante. Colocou então um dos elmos que o igualaria a qualquer soldado. Marian cobriu utilizando o capuz da capa e se dirigiram para o portão que entraram a um tempo atrás.

Tambores estavam posicionados atrás de cada uma das tropas, o sinal viria deles ao comando de uma flecha de fogo disparada por Adáia. Sten contemplava a mulher que se distanciaria por um tempo, de costas para ele, ela parecia concentrada, sua mão se aproximou do ombro dela. Desistiu, abaixou a cabeça e respirou profundamente. O movimento da cabeça da mulher levou os olhos a se encontrarem. Ela virou o corpo na direção do soldado, aproximou um pouco mais e retirando uma adaga de sua bolsa riscou o símbolo do ar no peitoral. Pressionou com carinho o local que acabara de desenhar, sentindo um pouco da sua energia sendo direcionada aquela armadura. Abriu a boca para alguma explicação, mas foi interrompida pelos tambores. A batalha começara Pirtrio e Pãntrio viam aquela cena esperando que o caminho até a passagem que levava a Runei estivesse aberto. Os disparos precisos, alguns precisaram de mais de um disparo, fizeram as bordas envolta da grande depressão aonde se encontrava Tya desmoronarem, foi possível ver os soldados escarlates caindo na fenda, flechas voaram para atingir aqueles que sobreviviam. Após a primeira saraivada viram que os inimigos que não foram soterrados se levantavam com setas fincadas, trespassadas e saiam em busca de voltar para as partes restantes das bordas.

— Senhor! Eles estão nos atacando, levaram a maioria do contingente no limite do santuário.
— Vamos perder muitos homens? – A voz na cabeça do primeiro cavaleiro ressoava monótona
— P
erderemos de qualquer jeito.
— Então lute, se vamos perder não atacando, ataque com os que já estão dentro do santuário e faça-os sentir um pouco da perda. Quanto aos outros mande-os para as estradas e acampamentos. Mais meio inverno e estarei pleno, e mais dois dias teremos seu irmão em ação.
O grito para impulsionar aqueles que ainda possuíam alguma consciência entre os soldados escarlates veio do cavaleiro primordial. Enquanto isso os outros que eram meras marionetes e estavam antes da grande depressão se direcionaram as estradas. O cavaleiro que se locomovia como a luz saiu dali e foi para Runei, preparar as tropas alvas. Todas as estradas estariam encobertas, mas nenhuma em direção ao castelo poderia estar desprotegida.

Os portões se abriram deixando os soldados saírem nas direções determinadas, Loreah e adáia haviam montado um plano interessante de busca: Dividiram suas tropas em quatro partes, uma delas seria comandada até os limites do castelo branco, outras duas tinham como objetivo chegarem as outras aldeias e uma última ficaria para defender Tya de qualquer investida dos soldados escarlates. Sten estava na tropa que buscaria limpar o caminho até o castelo, partiram em direção a floresta que levaria a Runei. O barulho das armaduras era duro para os ouvidos, o caminhar era ritmado e preciso, uma quantidade quase igual aos soldados descia em direção a floresta que envolvia aquela entrada. O primeiro choque mostrou a grande diferença, a disciplina dos soldados treinados por adáia e loreah era impecável. Chegaram unidos ao seu objetivo enquanto os soldados escarlates não importavam para seus companheiros, atacavam displicentemente. As espadas escarlates encontraram os escudos cinzas, os escudos eram fortes e leves mas sofreram riscos profundos, as pancadas faziam a linha de frente recuar. Após o primeiro impactos trabalhavam os da segunda linha auxiliaram no contra-ataque, com a formação criada oportunizava dois atacarem um soldado escarlate e retornarem para defender, porém não era o suficiente a força que os soldados escarlates tinham era maior. Espadas cortavam os cavaleiros escarlates enquanto outros tentavam defender, depois da quinta recuada as perdas foram inevitáveis. Os escudos cederam, espadas trespassaram alguns, Sten ainda não havia entrado em batalha, aguardava na última fila. Marian apressada saiu pelo flanco esquerdo da tropa. O cavaleiro novato a seguiu, rapidamente a mulher foi abordada por um cavaleiro escarlate. O medo invadiu Sten, Acelerou o passo. Um clarão e o folego do rapaz se foi. Um soldado escarlate estava em chamas, atacado pela bola de fogo que acabara de sair dos dedos de Marian. Ela seguiu em direção as árvores e se escondendo. O suor frio escorria pelo rosto escondido da mulher, a utilização da magia que ainda utilizava muito de sua energia apesar de um santuário potencializar as capacidades. Se esgueirou e subiu as pedras escorando uma vez por outra, já abria uma distância considerável, olhou para trás e enxergou as forças escarlates esmagar mais da metade dos soldados. Um machado despencava em direção as costas da mulher, ela desviou e Sten cortou a cabeça do oponente com um golpe de um de seus machados, ele não havia a abandonado.

— Volte, eles precisam de você!
Ele afirmou com a cabeça e seguiu para o campo de batalha sentindo o peito pesado e a garganta precisando gritar, arrancou seu capacete. Sentiu o ritmo das passadas o ar brincar com pele de seu rosto e entrou pulando em cima de um dos soldados escarlate mais perto, seus machados davam golpes furiosos, ferozes e sedentos. O sangue dos escarlates evaporava criando nuvens incomuns no campo de batalha. Sten, O selvagem mostrava sua verdadeira natureza, vencia a força com sua agilidade e vontade. Lutando para sobreviver além de tudo e utilizando daquilo que ainda não sabia sentir para fazer o que podia para vencer, para ser o homem em pé, depois do ataque. Aos poucos, sua armadura foi desatrelada do corpo. Primeiro as ombreiras e depois o peitoral. Apenas a proteção da perna e as manoplas sobraram, ele ofegava e os soldados de Tya que lutavam ao seu lado ganharam motivação para continuar, ver Sten como exemplo em batalha foi o impulso final que eles precisavam. Venceram os soldados que estavam ali e dos setenta soldados de Tya sobraram apenas dez. Olhar perdido em pé sobre a carcaça do último inimigo, os machados firmes na mão, feridas profundas nos braços e no peitoral desprotegido era isso o que enxergavam os outros nove, feridas que foram amenizadas pelo santuario. Um homem que sobreviveu dando de toda a força que dispunha. O selvagem levantou a cabeça e procurou a mulher entre as árvores. Marian havia partido.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Inuriam - Memorias da ladina

A última guerra causou a divisão das terras, as populações foram cercadas e cada uma foi guiada por um suposto guardião. O nome era simbólico, nada comparado aos guerreiros que tentaram libertar as terras dos gigantes, apenas homens fortes o suficiente para serem vencedores em campos de batalhas. Nenhum reino sobreviveu, apenas a lembrança. A transição de gerações fizeram com que todos aceitassem o destino de estarem sempre sob a mira dos soldados escarlates e subjugados pelo senhor do castelo branco, que deixa que seus “súditos” vivessem sem interferir ou mandar, apenas observando. Valian estava dividida em doze vinte aldeias. Aldeias geralmente seguiam um padrão comparado ao grau de sabedoria de seus líderes. Para entendermos melhor como era isso, Uan pai de Marian que lutou nas guerras quando tinha seus treze primaveras, teve sua vida em um vilarejo simples no reino de Tarth e por ter isso na cabeça o seu vilarejo era simples, sem muros, casas de madeira e sistema simples de colheita e plantação. O que seria então a vida da corja dos guardiões? O que seria feito dos mercenários, salteadores e trapaceiros se ele ganhassem um líder?

Hilinor que era um ladrão muito astuto, que sabia como ninguém envenenar as palavras ou as besuntar de mel, que utilizava-se de qualquer oportunidade que o colocasse em vantagem, que era honrado caso isso fosse suficientemente convincente para ele deixar mais um sem suas posses e que acima de tudo era querido por todos os outros malfeitores, ficou sabendo que as terras seriam divididas viu uma oportunidade em criar a aldeia aonde os excluídos dos reinos poderiam se reunir e viverem a vida aplicando golpes. Muitos gostaram da ideia e se reuniram, depois de seis dias definindo as regras de sua nova aldeia com os outros e pensando em como poderia sobreviver fazendo pequenos roubos nas outras aldeias foram cercados. Guiliener era o guardião designado para manter aquele grupo de pessoas em uma aldeia, ao todo eram cento e vinte pessoas, cento e vinte marginais, cento e vinte pessoas que confiavam somente em cento e vinte pessoas. Dançaram conforme a música, construíram seu povoado e começaram a plantar, porém como nenhum deles sabia lavrar a terra as plantações não cresciam. Guiliener não possuía paciência, castigando assim qualquer falha,ele filho mais novo de um antigo rei dos sete reinos se viu com um fardo maior que poderia aguentar. Hilinor na noite do primeiro inverno conquistou a aldeia para si, em uma disputa justíssima segundo ele próprio. Um duelo no meio da madrugada porque ele não conseguira mais dormir ao ver a situação de seu povo. O que na verdade foi uma execução no meio da noite.

A aldeia foi estabelecida e chamada de Inuriam, A sobrevivência deles por um bom tempo foi de roubos a postos escarlates e aldeias próximas. O que deu lugar as invenções, depois de algum tempo sobrevivendo dessa forma, as mentes engenhosas no crime descobriram outras formas de trabalhar engenhosamente. Criadores das primeiras roldanas, do sistema de elevação de grandes pedras com pequenos esforços – que por acaso foi utilizado para erguer a parte alta de Runei – e outras máquinas que começavam a auxiliar todas as outras aldeias pois eles trocavam máquinas simples por uma quantia absurda de pedras vermelhas e conseguiam sobreviver bastante tempo com as invenções.

O gosto pela aventura dos roubos, que agora não se faziam mais necessários, gritava o nome de todos eles então voltaram a roubar só para matar a vontade. Hilinor havia ficado mais sofisticado e escolher a dedo os itens que levaria das outras aldeias ou dos postos escarlates. Itens diferentes chamavam sua atenção, pedra de cores nunca vistas, metal resistente, armas e qualquer coisa com adornos ou coisa parecida. Os roubos passaram a ser um esporte e competição entre os patriarcas das famílias. O objeto mais valioso Hilinor escolhia uma dama a ser presenteada, a primeira foi a sua irmã, Hirea.

Hirea a muito se conservava sem marido, pois não havia um só homem em toda a aldeia capaz de conviver com aquela mulher geniosa. Nesse dia porém Limirt aquele que havia roubado uma pena com a base feita de uma pedra dourada, deteve-se contemplando de forma ávida aquela donzela. Ambos então se casaram e a vida seguiu.

Limirt e Hirea tiveram uma filha que era o tesouro de Hilinor, de tempo em tempo o tio dava a sua sobrinha um presente que podia ser o item campeão da disputa ou um dos melhores.

— Minha ladina favorita, como anda o início de teus treinamentos?— Ainda com dificuldade com o equilíbrio.

— É simples, só pare de perder tempo rabiscando em árvores.
— Não são rabiscos tio, são desenhos — juntando as sobrancelhas em protesto a depreciação.
— Seja lá o que for, pode estar tirando o foco do treinamento— ele bagunçou os cabelos loiros da menina, ela abaixou a cabeça contrariada — Tome isso, talvez eu salve mil pinheiros por te entregar esse pedacinho pergaminho — entregou pra ela um pergaminho que foi recebido na última competição.Ela deu um abraço em seu tio.
— Não se esqueça, o que diferencia o ladrão — ele cuspiu — do ladino é a habilidade.
— Sim — Ela fez uma mesura e foi correndo para casa.

O pergaminho continha um único símbolo que ninguém naquela aldeia sabia o que significava, ele foi escrito por inúmeras vezes durante as duas primaveras de treino, da pequena menina de cabelos loiros. A menina se mostrava mediana em todos os aspectos, porém ser mediana não era uma coisa ruim visto que era a única mulher que treinava. O último estagio do treino era criar os próprios métodos de defesa e ataque. Seu tio era o mais habilitado para fazer os testes, ele conhecia bastante sobre todos que ensinavam ali. Hilinor era muito observador, sempre foi seu trunfo contra seus oponentes, qualquer erro era assimilado por ele com rapidez.

— Lembre minha pequena, qualquer erro deve ser observado inesgotavelmente até se encontrar o caminho para não cometê-lo. Esse é o segredo no combate — Fez uma mesura e preparou-se para um dança de avaliação.

 Ataques seriam desferidos de forma a testar o quanto foi aprendido com o último estagio do treino, o quanto valido era aquela forma. Primeiro estágio era o arco, ele atirou a flecha rapidamente e correu para atacar com a adaga, a seta passou rápido na lateral direita quando ela rotacionou rapidamente os calcanhares. Ela desenhava o símbolo com os pés. Defendeu a investida levantando as mãos do tio em um movimento limpo, ela ainda não havia pego sua adaga. Desenhava o símbolo com o posicionamento de seu quadril. Puxou a perna do tio e retirou sua adaga de seu esconderijo, na cintura, ele saltou e atirou a adaga que fincou entre os pés da menina. Ela jogou a adaga fazendo a camisa dele sofrer um corte, voltando ao chão ele retirou a espada curta, ela igualou-se a ele. Desenhava o símbolo com suas mãos. As lâminas se encontraram, ele tinha mais força que ela e a sobrepujou com isso. Ela porem sentia-se leve como o ar, e veloz como vento. Ela sentia o símbolo. Desviou do desafio de força e chutou na direção do rosto de Hilinor. Esquivando do golpe ele soltou sua espada, ele direcionou o punho ao rosto de sua sobrinha, ela recebeu o soco desferido e proferiu o símbolo.

— Aer!

A mente de Hilinor foi inundada de memórias. Todos os seus feitos, e habilidade passaram diante de seus olhos. Loreah via o que Hilinor via. O sentinela sentiu a manifestação da magia e acreditou ser o guardião, preparou para caçar Liof, enviou os cavaleiros escarlates para destruir tudo que encontrassem naquele local.

sexta-feira, 20 de março de 2015

O sentinela - O ultimo filho

A escuridão reinava, a névoa espessa cobria os gramados mais verdes de Inana a aldeia mais próxima do monte Nyrra. A rocha esverdeada e o castelo monumental faziam uma sombra densa cobrindo a aldeia de toda a luz do luar. A casa mais pobre da cidade, continha a porta de madeira feita da madeira de outras portas partidas e quebradas formando uma escultura sombria. Dentro da casa não havia móveis apenas muitos panos estirados no chão, um homem tremia deitado neles. Era um dos marcados pela perda de alguém para o sacrifício cíclico que os anciões daquele local faziam em nome do Deus Apo que garantia o prosperar da aldeia. Alguns consideravam dádiva, muitos não confrontavam o sacerdócio por temor e outros apenas eram livres desse compromisso. A raiva e a contradição impregnavam até a sua essência, mas nada era maior que isso a tristeza da lembrança dos olhos grandes de sua pequena Tyila.

Ele gritara. Defendera sua pequena, que possuía apenas cinco primaveras, com unhas e dentes, mas de nada adiantou, eles a tiraram dele, como se estivessem arrancando seu coração. Ela foi ofertada para Apo em uma cerimônia que era sinistra, ele se lembrava do cheiro no ar enquanto a madeira da fogueira central era consumida com voracidade pelas chamas, cheirava a sangue e cabelo queimado. Ele reagiu contra os anciões, contra as pessoas, foi desprovido de todos os seus bens exceto a casa, apanhou de arruaceiros e guardas e quando viu que seus gritos e súplicas foram calados no silêncio da humilhação e da loucura, decidiu confrontar Apo e buscou nos pergaminhos antigos, nas tábuas desenhadas e enfim a busca na própria montanha.

Aquela noite quieta, onde não se ouvia os lobos, nem o vento, nem as portas rangendo. Ele sonhava pela primeira vez em anos.

"Papai... Papai..."

As palavras não foram escutadas, foram sentidas. Um tremor, como o de um trovão abalou o homem, sentiu doer cada um dos seus músculos, esticarem, relaxarem, esticarem novamente. Ele não sonhava, abriu os olhos, sentia braços e pernas pesados como uma pedra, a pressão no peito incitava a tosse, mas o corpo não respondia ao estímulo, enxergou a neblina que o cercava, ela não era branca. Uma fumaça densa, de um negrume de uma noite sem estrelas, formou pequenos filetes que se levantavam em sua direção, queria piscar, fechar os olhos para ver se o escuro das suas pálpebras podiam salvá-lo mas ali permaneceu de olhos esbugalhados enquanto um dos filetes tomava conta de sua visão, aproximando cada vez mais. Ao contato sentiu sua pupila se dilatar, ganhar um diâmetro incomodo, e logo doloroso. Sentiu como se tateassem dentro de sua cabeça procurando algo, como se os tentáculos que entravam pelo seu globo ocular estivessem varrendo o interior da sua cabeça, a dor lancinante o levou pra fora da razão.

A luz, um salão, prateleiras de madeira, pergaminhos. Foi arrastado, jogado em uma cena da própria mente. Ele olhava o objeto cristalino com a forma da cabeça de um lagarto. Sua mente trovejou novamente

"Mente... limitada... espécie fraca..."

Viu então dois sóis que gelaram seus ossos.

Na manhã seguinte, aquele homem que lamentava pela filha havia morrido.
O primeiro cavaleiro escarlate havia nascido e acabado com aquela aldeia.

Essa é a história do único homem que viu o Ultimo filho.

O sentinela.